ALBUM REVIEW: KATSEYE – BEAUTIFUL CHAOS

Uma coisa curiosa envolvendo o KATSEYE é que, visualmente, elas conseguem ser um grupo muito interessante. A HYBE conseguiu montar um grupo global que explora bem as características do K-pop para se promover mundialmente de um jeito diferente de tudo aquilo que é K-pop, sendo algo bem comercial para o ocidente. A imagem de meninas descoladas, grupo etnicamente diversificado e a promoção massiva da HYBE vem dando resultado, com o novo EP “BEAUTIFUL CHAOS” emplacando três faixas no Top 200 do Spotify Global (Com “Gabriela” voando diretamente para o Top 10), as meninas são lindas e as performances estão cada vez mais cativantes. Então como é que pode um grupo com potencial para servir TANTO lançar um EP que não quer dizer absolutamente NADA?

Artista: KATSEYE
Álbum: BEAUTIFUL CHAOS
Lançamento: 27/06/2025
Gravadora: Hybe x Geffen
Nota: 60/100

“BEAUTIFUL CHAOS” é o 2º EP do KATSEYE e, pelo nome, você espera… Bem, o caos. E, de certa forma, o EP entrega esse caos com mais uma playlist que atira para todo lado e reza para alguma coisa colar com a galera (Deu certo no caso delas, afinal estão hitando né) sem se preocupar em criar um álbum de verdade. São 5 músicas que se empenham em mostrar a versatilidade do KATSEYE como grupo pop (algo que já estamos acostumados e até cansados de ver no K-pop), mas não me dão qualquer recado sobre o que o KATSEYE quer ser na indústria pop. Podemos dizer que o KATSEYE procura sua identidade nesse mini álbum, mas também pode-se dizer que o KATSEYE não procura nada e só existe sem qualquer ambição.

O ponto mais emblemático desse EP é o quão assustadoramente sem identidade ele é. A sequência de músicas que você pensa “Nossa, isso aqui é uma versão mais fraca do que X artista já fez” é impressionante e deixa o conjunto do “BEAUTIFUL CHAOS” ainda mais irrelevante. Individualmente o “BEAUTIFUL CHAOS” tem alguns destaques como “Gabriela” e “M.I.A” que, por conta própria, são bons e sólidos trabalhos que me deram vontade de ouvir novamente depois que terminei o EP, mas todas as músicas seguem o mesmo modo de criação: Eles viram uma sonoridade que deu certo para alguém em algum lugar > Produzem (Ou somente pegam a demo) de forma menos criativa > Dão uma polida para funcionar em vocais mais planos > Entregam para o KATSEYE performar. Visualmente o KATSEYE é interessante e as meninas são bem esforçadas na performance, mas que simplesmente passa na sua playlist sem causar uma grande impressão.

A grande exceção desse EP (Da pior forma possível) é “Gnarly”. Da mesma forma que acho essa música uma catástrofe, essa coisa mais tardia e polida de um hyperpop poderia ser um caminho interessante para o KATSEYE desenvolver, cristalizar e traduzir para o mainstream como um em uma multidão. Mas a HYBE não tem esse culhão todo para sustentar um grupo sonoramente mais ousado e controverso, e o resto do EP é a coisa mais vanilla que a música pop poderia entregar em forma de EP em 2025. É versão genérica de artista X em cima de versão genérica de artista Y, que tem potencial para hits mas não tem nenhuma identidade própria para o KATSEYE. Pode funcionar agora, mas mais por culpa de 90% da música pop estar mais desinteressante do que nunca.

O “BEAUTIFUL CHAOS” é outro grande trabalho para ocupar espaço na carreira do KATSEYE. Ele nem é uma evolução do primeiro EP do grupo (Que também é um grande nada): As batidas estão mais pesadas e os números estão melhores, mas é o mesmo girlgroup genérico lançando diversas músicas que qualquer aspirante a artista pop lançaria no embalo do que bombou na Today’s Top Hits em algum momento. Como grupo, o KATSEYE cria uma zona nebulosa e confusa, onde nem elas parecem entender onde o grupo quer chegar. E os responsáveis pelo grupo não parecem se esforçar em fazer algo diferente, só querem mostrar que elas são capazes de satisfazer a sua necessidade musical do momento de forma automática até alguém fazer a mesma coisa que elas semana que vem.

Faixa a Faixa

O EP começa com “Gnarly”, que é horrível. A música é um joke act que te choca pela audácia num primeiro momento com batidas, distorções vocais e letras totalmente desconfortáveis, batendo em diferentes estilos industriais que não fazem sentido até você entender que não é para fazer sentido até sua mente se tocar que não é para fazer sentido mesmo e curtir essa experiência maluca que o som proporciona, mas nada disso cola comigo e a música não dá essa volta em mim. Muito ruim no primeiro play e pior ainda ouvindo hoje, mas é o tipo de coisa caótica e desafiadora que você espera ouvir de um EP que quer ser um lindo caos… Até o EP continuar com uma sequência assustadora e broxante de faixas genéricas e versões mais fracas das diferentes tendências que a música pop já teve.

“Gabriela” é um pop latino que eu gosto muito. O refrão é delicioso, o ritmo é envolvente e eu me sinto muito gostosa e latinificada com esse instrumental, mas soa como a coisa mais óbvia que uma Camila Cabello lança quando quer lembrar ao mundo que é latina, e isso não é uma coisa boa para um grupo cuja principal cobrança é solidificar uma identidade musical. Aí você pega o histórico da música ter passado até pela Anitta antes do KATSEYE e vê que é uma música que poderia dar certo com, literalmente, qualquer uma. “Gameboy” já parte para outro lugar, mirando na magia mística e etérea que a Tyla cria com seus afrobeats mas com um resultado sem muito brilho. A música parece girar em círculos e o refrão é tedioso, os elementos 8-bit tem um pequeno charme mas é quase irrelevante. E, de novo, é o KATSEYE fazendo um popzinho inofensivo que qualquer uma faria igual ou melhor.

“Mean Girls” é a “Ditto” do KATSEYE: R&B contemporâneo e alternativo com uma aproximação ao Jersey Club que muito girlgroup de K-pop tentou fazer depois do sucesso que o NewJeans fez com a “Ditto” delas. Ganha alguns pontos pela letra que, com a proposta de abraçar a diversidade de todas as garotas, cita e abençoa a comunidade trans (“God bless the t-girls/And all the in-between girls) mas falta muita força na produção e na interpretação, que é a menos interessante do KATSEYE nesse EP. Conceitualmente bonita, mas um grande filler na execução. A essa altura você até esqueceu que esse EP deveria ser algo caótico com tanta musiquinha água com açúcar, então eu levei até um susto quando “M.I.A” surge com batidões eletrônicos mais pesados que levemente referenciam o phonk. Diria que “M.I.A” é o pancadão que mais faz sentido com o nome do álbum sendo realmente boa, embora o instrumental pareça, de alguma forma, se segurar para não se lambuzar nos batidões graves que a música poderia ter. Dava para ser mais selvagem e, er, gnarly aqui, mas o resultado final ainda é bem legal. E se nenhum blink acordou no twitter chamando essa música de “wannabe Like JENNIE” é sinal que essa fanbase morreu.

Concluindo…

O mérito do KATSEYE é ser o grupo mais “marketável” da indústria pop, se beneficiando do momento mais desinteressante do K-pop (E do pop como um todo) e se vendendo como o girlgroup mais quente da atualidade, sendo uma bela e atraente embalagem para um grande… nada. Para estar perdido você precisa estar em algum lugar, e o KATSEYE não parece ocupar nenhum lugar no pop nesse momento. Comercialmente promissor, musicalmente irrelevante.

13 comentários sobre “ALBUM REVIEW: KATSEYE – BEAUTIFUL CHAOS

  1. Vamos todas dar parabéns ao Dougie por ter tido coragem de ouvir esse EP inteiro.

  2. É o que já falei várias vezes. As meninas são lindas, carismáticas e com ótimas performances, mas a música delas é muito plástica e sem personalidade. Um baita desperdício de potencial, pois além do talento das membros, o grupo tem uma proposta interessante de ter um conjunto tão diverso e carismático.

    O maior defeito delas é serem da Hybe, pois essa empresa não tem o mínimo de originalidade. Desde que a Big Hit virou esse conglomerado e passou a focar no mercado global, houve um grande declínio na qualidade dos artistas de lá. Estava conversando com um amiga que foi army por muito tempo (hoje solo do V e Jungkook) e ela falou sobre como o bts também foi prejudicado pela obsessão da Hybe com mercado americano. A discografia deles decaiu muito, pois o grupo que lançou uma era como The Wings, vem e lança Dynamite e Permission to Dance. Realmente, eles viraram apenas uma indústria de produção em massa.

    Pelo visto quem é da Hybe vai sofrer o mesmo, principalmente os grupos com foco no mercado global. O pior de tudo é que a tendência é que outras empresas de kpop façam o mesmo.

  3. hybe é uma empresa de lucro nao de musica, nesse sentido o que eles lançam é positivo para a empresa ja que legado exclusivo discografia marcante e distinção na industria nunca foi a preocupação da big hit, sempre apostou nos clichês que rondam a época

  4. M.I.A merecia ser maior e um MV performance incrível. Para mim o top três do álbum é: M.I.A > Gnarly > Gabriella

    O resto eu finjo que não existe.

  5. que é muito do que a pitchfork falou na review deles e como qualquer crítica foi atacada sem as pessoas ao menos lerem pra entender os pontos… tão atirando pra todos os lados. o mercado hoje valoriza muito versatilidade dos artistas, mas no caso do katseye eu sinto uma grande diferença disso pra vamos tentar tudo que tá em alta. até pra grupos globais, fifth harmony, o one direction e até o little mix sempre tiveram identidades bem concisas e essas meninas parecem nem perdidas, mas desinteresadas (por parte da hybe) em buscar uma identidade. nisso, o sis (soft n strong) me soava mais certeiro em uma proposta, já que era em maioria um album mais clichê teen.

    agora, outra coisa que eu sinto é que a hybe tá colocando tudo que não dá no kpop nelas, até porque o illit é novo demais e o le sserafim confortável demais pra experimentarem conceitos tão ousados como as katseye, até porque do nada a hybe transformou elas nas cuntys dos states e tá dando bem mais liberdade individual de se expressarem.

    o pior de tudo é que dentro desses gêneros diversos que elas exploraram, easy listening, teen crush, hyperpop e latin, nem se conseguiu aproveitar o verdadeiro potencial delas, que aliás eu só meti o pau até agora, mas genuinamente eu acho essas gurias muito talentosas e com muita personalidade… até porque o que elas tão ganhando de público com o carisma não tá escrito. aliás, elas seguraram todos esses conceitos dados, mas talvez elas sejam grandes demais pra uma empresa muito medíocre.

    • Ou seja, “Gabriela” não é a única coisa em comum que a discografia delas tem com a da Anitta.

  6. dougie eu gostei do EP com a ciência de que as divas são nada mais nada menos que um produto da hybe pra testar tendências — de um jeito menos higienizado/polido/kpop do que o le sserafim permite e mais “plástico”, se é que posso dizer assim, pq é tudo meio sem alma. “gnarly” por exemplo toca sempre na minha playlist, mas infelizmente é o veio da hybe produzindo uma música com a estética da sophie e sem a identidade dela ali. mas acaba não dando pra esperar mta coisa se o grupo é a tentativa da hybe de se jogar com ainda mais força no mercado americano e no fim, quanto mais fácil e palatável for pro americano médio, melhor pra eles…

    adoro as meninas, ouço as farofinhas e acho que o mais triste é que muito descarte do NJZ vai pra elas agora. touch e gameboy acho a cara das netinhas da mhj por exemplo. enfim… o comentário mais fã ou hater que já escrevi em minha vida.

    pelo menos temos lara raj sendo a mulher mais linda do mundo e nisso vencemos !

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