ALBUM REVIEW: CORTIS – Color Outside The Lines

Uma ficha que caiu recentemente é que eu ouvi todo o álbum do CORTIS. Tipo, falei de quatro das cinco músicas inéditas deles aqui no blog e a quinta música ganhou MV esses dias e eu acabei ouvindo (e me arrependendo) também. Já que cheguei até aqui com esse debut, nada mais justo do que fazer uma review do COLOR OUTSIDE THE LINES aqui no blog, até porque tinha MUITO tempo que não escutava um EP tão ruim (E vocês amam quando eu falo de álbum ruim por aqui):

Artista: CORTIS
Álbum: COLOR OUTSIDE THE LINES
Lançamento: 08/09/2025
Gravadora: Big Hit Music
Nota: 25/100

Muito do ódio que a fanbase tem pela HYBE é por eles terem “ocidentalizado o K-pop” a ponto de não parecer mais K-pop. Por um lado é um ódio meio irracional uma vez que o K-pop utiliza de estilos musicais, produtores e demos dos Estados Unidos/Europa desde, sei lá, SEMPRE. Por outro, é impossível ignorar o quão mais alinhado ao que bomba entre os jovens do ocidente o K-pop ficou depois da ascensão dos atos desse conglomerado como grandes nomes do K-pop para o mundo e como o sucesso dos grupos da HYBE empenhava a galera a criar novos NewJeans ou BTS, até mesmo dentro dessa pirâmide. E é referenciando (fortemente) o boygroup de pavimentadores que temos o mais novo boygroup da Big Hit, CORTIS.

O 1º EP do CORTIS, “COLOR OUTSIDE THE LINES”, é claramente o que o BTS faria se fosse um boygroup da Gen Z. As referências ao que/quem está bombando no rap ocidental atual, o autotune questionável e desnecessário na maior parte do tempo, o conceito e esforço em promover o CORTIS como grandes artistas que produzem o próprio material, o uso de estilos musicais alternativos alinhado ao rock e o uso de guitarras, o catálogo de músicas que desafiam sua compreensão se eles estão fazendo música boa ou, pelo menos, música de verdade… Só ficou faltando o single radiofônico emulando algum treco da terrível banda Maroon 5, mas tudo nesse debut me faz ver o CORTIS como uma tentativa de suceder o BTS (Uma visão que raramente tive nesses quase 7 anos de TXT no K-pop, por exemplo). Isso não é um crime, mas será que precisamos mesmo de OUTRO BTS no mundo?

Enfim… Falando do álbum.

Com a proposta de “colorir fora das linhas” e fazer músicas fora do padrão e do esperado pela sociedade, é até impressionante como boa parte do álbum é bem… óbvio. Quer dizer, esse estilo de rap gangsta está bem longe do que figura na minha playlist, mas é EXATAMENTE o que você imagina que um grupo de adolescentes de condomínio metidos a trapper faria ali em um bairro nobre de São Paulo, assim como a linha rock alternativa é EXATAMENTE o que está bombando no K-pop atual, e a única coisa mais “original e fora do padrão” levanta um grande ponto de interrogação sobre o que tentaram fazer ali. Não são músicas com referências ao mainstream americano mas que, ao mesmo tempo, mostram a personalidade e o brilho do grupo, são basicamente ripoffs derivativos e um grupo que mais parece querer emular os seus artistas favoritos.

E o pior é que as músicas são ruins. “FaSHioN” é uma das piores músicas que ouvi esse ano pois o CORTIS claramente não tem muito o que dizer ou se revoltar para sustentar um instrumental tão agressivo, assim como “GO!” parece girar em círculos e encher linguiça de forma pouco esforçada para a música ser considerada música mesmo. O lado indie rock é um pouco melhor e menos ofensivo mas, em compensação, “What You Want” e “JoyRide” são muito mais chatas. Ou você passa raiva ou fica entediado ouvindo esse álbum, e isso quando você não sente um demasiado incômodo com o autotune estourando boa parte do projeto. Não existe um conforto ou sentimento positivo ouvindo esse álbum pois absolutamente tudo é facilmente detestável, só deixando tristeza e muita confusão no ouvinte.

Eu já disse antes que entendo esse debut do CORTIS da mesma forma que o debut do KiiiKiii, onde tudo é muito bruto e grosseiro para mostrar o potencial e pontos fortes do grupo e, aos poucos, lapidar isso a ponto de criar projetos mais consistentes e incríveis. E aprecio a teoria de adotar riscos para o CORTIS não ser só apenas outro boygroup de K-pop no meio de tantos boygroups que surgem na Coreia anualmente. O problema do “COLOR OUTSIDE THE LINES” é que nada funciona, e essa pretensão de mostrar o CORTIS como um grupo foda engole todo o potencial do mesmo. Até mesmo se eu encarar isso como um trabalho fora da minha faixa etária e voltado para os adolescentes Gen Z eu acho isso muito ruim, pois temos um amontoado de músicas que tentam ser épicas mas criam um conjunto catastrófico e você fica surpreso com o quão fundo e trágico esse álbum pode chegar.

Faixa a Faixa

O álbum começa com “GO!”, que além de um instrumental derivativo demais nessa linha de hip hop contemporâneo de boygroup de K-pop, tem um autotune que me irrita profundamente. Até dá para simpatizar com a produção e o som que é criado no início da música, mas eles abrem a boca e a música parece ruir em versos sem muita inspiração. E no meio da música, “GO!” parece girar em círculos só com um monte de frases falando que eles são a nova merda quente do momento. “What You Want” introduz a persona rock psicodélico de garagem do grupo, o que é uma sonoridade interessante para um grupo de K-pop no papel mas parece faltar MUITA substância na prática. Dá para dar uma colher de chá aqui por ser um grupo bem novo que produz o próprio material, então tudo soar óbvio demais no estilo é meio que o esperado. Ainda assim, “What You Want” parece vazia e muito dependente dos riffs de guitarra (Que são bons) e da atitude de garotos rebeldes na performance (Que é bem ruim).

A seguir temos “FaSHioN”, que é uma das piores músicas do K-pop esse ano. Eu vi muitos comentários associando essa música ao que o Travis Scott e Playboi Carti costumam lançar e, mesmo não ouvindo absolutamente nada dos rappers, eu acredito fielmente que a HYBE pegou o que está bombando dos rappers/trappers do momento na América e botaram como personalidade para esse grupo. Essa música me dá uma sensação esquisita, pois metade dela parece ignorar o ritmo do instrumental para exibir o SxWxAxG e força dos versos dos integrantes, rola uns barulhos estranhos por conta dos versos não chegarem até o fim e tudo acaba irritando. Isso parece aqueles freestyles que você grita qualquer coisa numa roda de rap e todo mundo fica “UOOOOOOOOOU” para você achar que fez um grande mousse quando a coisa toda é meio constrangedora. E o final da música repetindo “Fechow” em loop? Pelamor.

“JoyRide” traz o CORTIS de volta ao rock, mas de um jeito mais alternativo, noventista e alinhado com essa moda Indie Rock que metade do K-pop adotou nos últimos anos. É a faixa mais inofensiva desse debut pois essa fórmula é muito fechadinha e teria que se esforçar muito para dar errado. E olha que eles se esforçam com os desnecessários raps que rolam ali no meio da música, mas “JoyRide” ainda assim é agradável. É verdade que fica tediosa depois do terceiro play mas, com o nível desse álbum, já é uma vitória existir uma música que me dê vontade de ouvir mais de uma vez aqui. A última inédita do álbum é “Lullaby”, que é descrita como “uma música soul psicodélica e experimental” e é, talvez, a única música que traz mais originalidade na vida do CORTIS. Eu odiei essa música, é o pior trabalho vocal desse álbum e tem um refrão chatíssimo, mas dou pontos por trazer uma música realmente experimental e fora da casinha ao invés de algo facilmente associável ao que está bombando no ocidente. Fechando o álbum temos uma versão de “What You Want” com o rapper Teezo Touchdown, que não é nada diferente da versão só com o CORTIS.

Concluindo…

… Acho que não tem o que concluir aqui. Um debut que promete me dar a certeza que estou prestes a ouvir os futuros maiores artistas da Coreia só levanta várias dúvidas sobre o que raios o K-pop está se tornando nos últimos anos. Deus queira que esse grupo evolua com mais identidade e qualidade no futuro, pois até mesmo para um boygroup esse EP é de um gosto extremamente duvidoso.

25 comentários sobre “ALBUM REVIEW: CORTIS – Color Outside The Lines

  1. EP péssimo, só simpatizo com GO!, por causa do refrão e o instrumental. O resto ou é água de chuchu ou é uma ogiva.
    Espero que os queridos evoluam com o tempo e amadurecimento.

  2. COMO VOCÊ TEVE CORAGEM DE DAR 25??????????????????????????????????????????? Muito alta essa nota

  3. Pra não dizer que não me interessei por nada nesse grupo, confesso que fiquei impressionado ao ler que um dos integrantes fala coreano, inglês, japonês, mandarim e tailandês… se o Cortis não der certo, acho que ele não vai ter dificuldade em ganhar a vida como tradutor ou intérprete – se bobear, é capaz de ele conseguir mais renda com esses trabalhos do que com a carreira de idol (não por ele ser ruim como idol, mas porque a gente sabe que são poucos os idols que realmente conseguem juntar um pé-de-meia).

  4. quem gosta da hybe vive em um universo alternativo onde o bts e seus subgrupos dominam o kpop, é um delírio de seita

    • acho um mico essa rebeldia corporativa tanto dos solos do J-HOPE quanto desse grupo hip hop/rock genérico e esterilizado produção ser lo-fie suja mas é mais nova embalagem bighit para vender autoafirmação adolescente igual os album autoajuda do bts pre pandemia

      envolvimento criativo dos membros deve ser escolher qual emoji usar na tracklist e adicionar dois versos confusos infantilizados

      nao é sobre pintar o mundo com novas cores é pintar as paredes do estúdio com a tinta mais cara e depois fingir que foi acidental e feito pelos marionetes novas da empresa

  5. Caguei pra esses cuecas duras da Hybe. Grupo bosta e não sei como tem gente que comprou esse álbum lixo ninguém quer um novo BTS e tomare logo esses fiquem no limbo eternamente pra castigar as ratazanas das Armys.

    https://youtu.be/DgtP6GaXQ6k?si=ZdhL48OdR7kXgIK2
    O único que tinha talento do Treasure fez uma palinha com a Dayoung em number onde rockstar.

  6. A Hybe usa tanto autotune nos grupos que nesse aí ela se superou no excesso, que autotune horroroso. O álbum parece qualquer coisa que se acha no SoundCloud feito por adolescentes que emulam o trap

  7. Esse grupo é semelhante ao BTS até mesmo no fandom insuportável (e olha que eles mal debutaram), então não ficarei surpresa se algum dia as fãs deles caírem de paraquedas neste blog pra encher o saco. Enfim, sobre o album, tenho as mesmas opiniões e não enxergo luz no fim do túnel pra esse grupo em relação à qualidade do material deles tendo em vista a atenção que conseguiram em pouco tempo com essas, huh…Músicas (eu acho).

    • esse é o maior problema de todos os grupos da hybe: hoje ninguém lembra, mas basta 2 ou 3 meses pra algum ser iluminado acordar surtado no x e decretar que viraram “o maior grupo da 5° geração”. quase caí da cadeira quando me jogaram que o enhypen era esse tal “maior grupo”… até agora tô tentando entender quem é enhypen.

    • Nossa, não sei como essas pessoas conseguem se afeiçoar tão rápido a um grupo ao ponto de fazer fanwar no MESMO MÊS que eles debutam. Não vou nem entrar no mérito das músicas questionáveis desses aí, mas tipo, você nem conhece os pivetes direito e já tá promovendo eles como o maior grupo de X geração? Deve ser pra amaciar o ego depois, dizendo que “conheceu eles antes do hit” (que eu espero que nunca chegue)

    • mas o fandom deles é composto por armys kkkkkkk tipo o newjeans no começo que tava cheio de army que adorava comemorar no twitter os recordes que elas tomavam do bp

      • e agora elas formaram uma máfia com os fandoms do illit e do lesserafim pra xingar e dar like em todos os posts que falam mal do njz kkkkkk lembro que quando o newjeans debutou eu fiz um tweet reclamando que tinha muita army no fandom, mal sabia o inferno que estava por vir

  8. Acho que qualquer álbum da hybe é uma porcaria, a hybe não vende música ela vende uma ilusão, de que o artista é um amigo (ou até mais, dependendo da loucura do fandom), criando uma relação de posse, então a música é só para encher linguiça.

    Esse grupo já está condenado, podem lançar uma música até melhor, mas sempre vão ter um debut catastrófico, pela música e pelo fando.

    Parabéns pela coragem dougie, ouvir essa lixeira inteira não é para fracas, eu sou fraquíssima por isso vou passar bem longe dessa porcaria, Cortis Disband.

    • eu rio sozinha quando lembro das rajadas que já levei de hybe stan no x. esse povo é um caso de estudo em ilusão coletiva: juram que os grupos são “gigantes”, mas o tamanho só existe nos álbuns entulhados em depósito.

      • Eu tenho preguiça de discutir com Hybe stan, eles só falam de números, e nenhum dos números são orgânicos, músicas boas? Não tem. Talento? Nunca viram. Treinamento vocal? Nunca existiu. Poderia passar horas falando mal de como os grupos dessa empresa são sofríveis, só se sustentam por conta das doentes obcecadas que são fãs.

      • Queria soltar uma bomba na Hybe, com todos os grupos e CEOs dentro. Essa lavagem de dinheiro misturada com payola é a pior coisa desovada este ano. São tipo a versão punheteira do BOLSOMONSTER.

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