Eu não vou mentir: Com o título “ARIRANG” e a forma como venderam o comeback do BTS, eu estava esperando sair coreanizado depois de decidir ter a experiência completa desse novo álbum de estúdio do grupo. O single “SWIM” não foi lá grandes coisas, e terminando o álbum, eu concluí que esse comeback realmente não muda a vida de nenhum não army. Para explicar melhor, vamos a mais uma review para dar os meus pitacos sobre “ARIRANG”, o mediano álbum que você tem a obrigação de amar ou odiar. Afinal, é um álbum do BTS:

Artista: BTS
Álbum: ARIRANG
Lançamento: 20/03/2026
Gravadora: BIGHIT MUSIC
Nota: 66/100
Esse álbum do BTS foi muito comentado em dois extremos. As reações na internet ou eram “Meu deus esse é o melhor álbum de todos os tempos, eles mostraram que são os reis do K-pop” ou “Meu deus essa é pior bosta que dei o trabalho de ouvir”, sem meio termo. As produções e performances das músicas tem o mérito de causar uma grande primeira impressão (Seja ela boa ou ruim), mesmo que elas fiquem mais dispensáveis depois do terceiro play. Mas, ainda assim, me impressiona todo esse fervo ao redor do conteúdo, pois “ARIRANG” é um álbum regularzão pautado em variações do trap e do rock na maior parte do tempo, com pontos altos e baixos como qualquer álbum de K-pop (Mas mais centrado e não tentando colocar 19 sonoridades diferentes como se fosse playlist montada por IA).
Não tenho conhecimento da discografia do BTS para dizer se “ARIRANG” é uma evolução ou amadurecimento do som do grupo, mas eu tenho a sensação de que eles se esforçaram para fazer isso. As letras do grupo (em especial nas músicas que eles se colocam de frente com a fama) são bem inspiradas e mostram um grupo consciente do impacto que eles têm na indústria. A primeira metade dá um certo cansaço porque é a parte “trap de mano fodão” que quer provar que eles são O evento na festa, mas tem composições interessantes quando eles partem para sons mais introspectivos e leves na segunda metade.
A parte boa do álbum tem duas faixas realmente ótimas, “Body To Body” e “One More Night”, que apostam no simples porém efetivo: Entender que são faixas pop com uma execução envolvente, que cativa qualquer ouvinte numa rádio. “Body To Body” ainda ganha mais pontos pela ousadia e fundir bem o toque folclórico coreano com o pop mais moderno e radiofônico. Todas as outras músicas boas são “boas, mas…”, com o porém sendo, normalmente, os vocais mega processados afundando o trabalho.
Já a parte ruim do álbum tem duas faixas péssimas, “Hooligan” e “Into The Sun”. “Hooligan” é um trap industrial com performance irônica que é de dar nos nervos, e “Into The Sun” me dá a certeza que alguém na equipe do BTS quer sabotar a vocal line do grupo por dentro. As outras faixas meh do álbum tem seus méritos em instrumentais e/ou letras muito legais, ou simplesmente são chatas mas, tal como a title track, não me ofenderam ouvindo. As produções desse álbum são potencialmente boas num geral, mas apurar o gosto para curtir os vocais e processadores usados nas músicas do BTS é um exercício que eu não estou afim de praticar (Ainda mais com eles dobrando a aposta em algumas músicas e tornando a interpretação involuntariamente cômica).
De acordo com a Big Hit, “ARIRANG” quer ser “o álbum que ressoa com muitas pessoas ao longo do tempo e do espaço e seja lembrado por muito tempo, igual a clássica música folclórica ‘ARIRANG'”. Entre os armys o álbum já nasceu clássico, mas, numa honesta opinião, não acho que vai conseguir algum tipo de longevidade fora do fandom. Tem coisas bem legais acontecendo nesse álbum e aprecio algumas escolhas mais ousadas de sonoridade (Deus queira que a segunda metade do ARIRANG ajude o rock mais psicodélico a virar algo no K-pop para aposentar esse pop/rock de maria mijona atual), mas tem coisas que você fica incrédulo e pensa “o que raios acabei de ouvir” e, botando na balança os pontos positivos e negativos, o álbum é um singelo OK. “ARIRANG” é um álbum que está na média, e é exatamente o que dá para esperar do BTS na maior parte do tempo.
Faixa a faixa
O álbum começa com “Body To Body”, que é uma ótima faixa pop e traz uma ótima inserção tradicional coreana ali na segunda metade da música. É a fusão do pop moderno e global do BTS dos últimos com o resgate ao estilo coreano de fazer música que dá muito certo e é a proposta desse comeback, com raps que dão um ritmo muito interessante para a faixa. Só queria que o autotune não distorcesse tanto os vocalistas (Tem vozes nessa música que nunca ouvi na vida do BTS), mas não é um problemão e não faz “Body To Body” ser uma ótima abertura para o álbum. Daí temos “Hooligan” que é uma palhaçada. A mistura de instrumentos mais suaves e com um toque mais romântico para os vocais com o rap e sintetizadores industriais já era meio questionável no papel, e a execução é horrorosa com mais autotune destroçando os vocais e os “hahahaha hooligan” mais irritantes que essa rap line poderia proporcionar. Tudo que dá certo em “Body To Body” dá errado em “Hooligan”.
“Aliens” traz de volta o Mike Will Made It para o K-pop. Ele deu muito certo nas parcerias que fez com a Jennie no Ruby e volta em duas faixas do ARIRANG para dar… certo também. Quer dizer, “Aliens” não é o tipo de trap que faz a minha cabeça ou de qualquer homossexual que não é fã do BTS, mas eu acho que a atitude agressiva e badass de manos que são tratados como aliens só porque são artistas fora do ocidente ganhando o mundo é on point e faz a música dar certo (A letra, aliás, é muito legal). Jamais darei play nessa música de novo, mas tem uma galera que deve curtir. “FYA” é o primeiro pancadão eletrônico do álbum e ela seria melhor se fosse com TUDO no batidão e deixasse ele ser o protagonista da música. “FYA” é meio que a melhor fritação do BTS quando isso acontece (Nas partes que ninguém canta e no refrão mais sussurrado), mas todo o resto me irrita e a música vira um grande ok.
“2.0” traz o Mike Will Made It de volta, e o trap mais cadenciado e sexy é muito mais efetivo no início do que o que foi feito em “Aliens”, mas ali pela segunda metade o trap vira uma bagunça com muita repetição para encher linguiça, vozes estranhamente anasaladas e versos travados que deixam tudo muito esquisito. A impressão que tenho é que ninguém sabia como preencher os 80 segundos finais dessa música e falaram “ah, canta qualquer coisa aí que vai vender mesmo”, não chegando a lugar nenhum.
O interlúdio “No. 29” é apenas um sino sagrado tocando no início (Representando o 29º tesouro sagrado nacional, daí o nome) e 1 minuto e meio de silêncio (A melhor música do álbum para uma galera aí). O single “SWIM” dá mais certo como a música para iniciar uma introspecção e passamos a lidar com batidas mais suaves que trazem uma experiência imersiva ouvindo o álbum. A música ainda é um grande nada para mim, mas é um momento mais necessariamente relaxante depois de uma primeira metade tão agressiva no álbum. “Merry Go Round” começa com os vocais do Jungkook e eu aceito calmamente que a vocal line do BTS não é para mim mesmo (Se com o mais likeable eu dei umas risadinhas nessa intro, não será com os outros que a coisa fica boa), mas o instrumental disso aqui é TÃO bom que eu relevo. Melancólico, afiado e tocante, “Merry Go Round” é um rock psicodélico primoroso que mostra que o Tame Impala é realmente um produtor arrasante. Se eu tivesse gostado dos vocais, com certeza seria uma das melhores músicas do ano para mim.
“NORMAL” é uma música normal (sacaram?) sobre o BTS lidando com a fama. Essa segunda metade do álbum se propõe a trazer um BTS mais vulnerável, e acho que a letra de “NORMAL” faz um ótimo trabalho com isso, mas todo o resto não é tão emocionante assim. Entendo onde quer chegar, mas acho que a música poderia trazer vocais mais limpos e frágeis para conectar a emoção da letra com a melancolia (meio chata) do instrumental. “Like Animals” resgata a psicodelia de “Merry Go Round” de forma ainda mais melancólica, servindo um rock alternativo mais sofrência que eu achei incrível num primeiro play… e cansativo no segundo. É música para deixar tocando de fundo enquanto você tem um momento bad trip deitado na sua cama (Ainda mais pela decisão sábia de deixar o grupo cantando em segundo plano e deixar o instrumental ir onde tem que ir) e compõe bem a parte mais intimista do álbum, mas sozinha não é a favorita de ninguém.
“they don’t know bout us” é um clapback para haters que vai para um caminho curioso sobre “deixar eles acreditarem no que querem, tanto faz”. Servindo elegância e humildade, a música não está aqui para responder as críticas de quem os odeia ou mostrar que eles são melhores do que VOCÊ, só fala que podem falar à vontade aí na sua casa que não vai mudar quem eles são, e que não estão afim de mudar a sua opnião sobre o grupo. A música como um todo é uma chatice em hip hop, mas a letra ficou bem legal. “One More Night” é o BTS chocantemente indo para o HOUSE e mostrando que o HOUSE é o futuro do K-pop, pois até mesmo eles conseguiram entregar uma faixa deliciosa e sexy sobre eu ser a fantasia deles 24 horas por dia e que querem mais uma noite comigo. A melhor música da 2ª metade do ARIRANG.
“Please” é um hip hop lo-fi e alternativo que vai pela mesma ideia filler de “deixar tocando de fundo” que “Merry Go Round”, mas mais proposital. É uma produção mais amistosa, com batidas reconfortantes e uma interpretação mais soft, que te leva para um canto para descarregar em cima de uma música romântica sobre ficar com a pessoa amada a todo custo. Fechando o ARIRANG, “Into The Sun” é hilária. Eles não só não rebatem as acusações de pior autotune do K-pop, como dobram a aposta e transformam os vocais do grupo no treco mais uncanny que você ouvirá em um bom tempo, ainda mais por conta da maior parte da música ser vocal e guitarra. O final vai para o pop/rock genérico de sempre para fechar álbum, mas valeu pelas risadas que eu dei até chegar aqui.
Concluindo…
“ARIRANG” não é o pior e nem o melhor álbum da história que os dois lados da Internet quer fazer você acreditar. Se você relaxar, abstrair os vocais surrealistas desse grupo (Algo muito difícil, em certas músicas) e mergulhar nos instrumentais, conseguirá tirar um bom proveito dele. Se não, você vai passar muita raiva mesmo.
ainda não criei coragem pra ouvir ainda mais com o u da underscores o kinjite da ringo e o worst girl in america pra nois escutar além de catch catch que ainda não saiu do repeat…………. valeu bts quando sobrar uma viagem de busão lotado eu escuto
A gente consegue ver de longe quando uma pessoa não gosta do artista e não consegue ser imparcial na crítica. Se vc não tem capacidade de fazer seu trabalho bem feito deveria delegar a função a alguém mais capacitado.
Surta porpy
“não consegue ser imparcial?” ai amiga, vc teria uma síncope se visse a depenação q o dougie fazia antigamente com as 7 pragas
Acho que é um álbum que resume bem a discografia do grupo: Não fede, não cheira mas com momentos sofríveis. Acredito que esse ódio todo da fanbase com o BTS surge como, huh, uma resposta ao fanatismo e a comoção em cima deles que também é desmedida. Você não encontra nada que seja minimamente condizente com o pedestal que eles são colocados de artistas de maior sucesso da Ásia, que trazem conceitos elaborados, “lirismo” etc (Isso quando não somos obrigados a lidar com as piores performances vocais da história e o autotune grotesco). Junta isso com toda a perseguição, ameaças e crimes cibernéticos cometidos pelas armys pra defendê-los.
Concordo plenamente vc amg. Eu não amo e nem odeio o grupo, até que eu gosto de uma ou duas músicas deles.
meu problema msm com o BTS é justamente o fandom tóxico deles….. Elas sempre ficam atacado e assediando com comentários preconceituosos e misóginos pra outros grupos tanto grupos masculinos e femininos com EXO e o Blackpink e outros fandoms que o criticam o grupo ou que simplesmente não gostam deles principalmente pela mal fama das armys
Confesso que, depois que eu vi o começo de “Into the Sun” no xwitter, fiquei com expectativa de que esse álbum seria muito pior kkkkkkk ainda dou risada quando escuto esse trecho, mas no geral o Arirang não é esse Deadline parte 2 não.
Consegui gostar de algumas músicas (Merry Go Round, Please, Like Animals e principalmente FYA), mas acho que teria gostado da maioria das outras se não fosse esse autotune horroroso que eles usam, porque em uma coisa a gente não pode mentir: os instrumentais desse álbum são ótimos, principalmente o da intro que me lembrou algo que o XG lançaria, mas os vocais do BTS estão tão ultraprocessados que eu fico irritada antes da música acabar. Não sei se é decisão dos integrantes, da equipe que cuida dos detalhes da produção ou da empresa, mas parece que eles fazem de propósito pra levar hate train (vide aquele solo do Jimin que tem o mesmo problema). Não é nem como se o grupo precisasse disso tudo, Blood Sweat & Tears é uma das poucas músicas deles que eu gosto e lá eles cantam sem parecerem um bando de robôs (tudo bem que BST tem dez anos, mas mesmo assim…)
pessoal surtando o kpop está vivo
eu ainda achei que vc pegou leve com esse cacareco
É engraçado que em todos esses anos você nunca escondeu que NÃO GOSTA do BTS, e nem vai esconder pelos próximos anos. Você forçar uma narrativa e uma falsa “análise” com base no seu ranço por eles pra deixar claro que o álbum é “ruim” na sua visão limitada e triste com apenas pop generalizado que costuma ouvir, e qualquer coisa mais complexa e aprofundada de incomoda. Toda a crítica especializada deu notas altas e boa avaliação ao álbum, porque a construção e produção dele foi sinistra de boa, e eles entregaram perfeitamente o que falaram, sem exagerar ou diminuir, fizeram referências históricas e citações de “heróis” nacionais do próprio país nas letras e entregaram o conteúdo mais maduro e adulto que PROMETERAM, mostrando e elevando mais nuances voltando as raízes. Incrível como nenhum grupo de kpop atual está nesse nível de produção e construção lírica para criar algo tão bem trabalhado. Todo mundo fora da bolha do Kpop e da ideia de “ódio” amou os vocais e raps da muito. Enfim, mas isso é esperado de uma pessoa afundada em favoritismo e desesperada em diminui-los em algo, mas certeza que você deve ouvir as músicas no off 😂
Ninguém liga pra eles fora do teu fandom
se desarma plus insana
Ninguém vai ler isso inteiro desista kk
Cara… pensa em um álbum ruim? KKKK mas pelo menos consegue ser melhor que o do BLACKPINK (o que não é muito difícil) a única música de que eu gostei foi ‘Like Animals’, mas fazer o quê? K-pop não é o melhor gênero para quem gosta de uma boa letra e de bons vocais, e esses caras não sabem cantar e abusam do autotune ao extremo! Isso também estragou as músicas para mim, é uma vergonha que os maiores grupos do K-pop sejam, ao mesmo tempo, os mais medíocres do ano até agora… por isso que eu falo que o J-pop é mil vezes melhor.
capa criminosa de feia