ALBUM REVIEW: Billlie – the collective soul and unconscious: chapter two

Depois de 1 ano e meio sem um comeback ~de fato~ no K-pop, Billlie lançou esse mês seu 1º full album “the collective soul and unconscious: chapter two”. Full albums no geral são grandes eventos para os grupos pois não é todo girlgroup que consegue viver o bastante a ponto de ter um álbum completo para chamar de seu nessa indústria. E, depois de tantos EPs servindo qualidade, eu estava ansioso para ver o que o Billlie poderia entregar para o grande ponto da carreira delas. No final, não saí decepcionado: “the collective soul and unconscious: chapter two” tem a força necessária para ser um dos meus álbuns favoritos de 2026.

Artista: Billlie
Álbum: the collective soul and unconscious: chapter two
Lançamento: 06/05/2026
Gravadora: MYSTIC STORY
Nota: 89/100

A grande diferença do Billlie para 90% do K-pop atual é que os responsáveis parecem “se esforçar mais” na hora de fazer músicas consistentes e que, pelo menos, reforcem a marca mais “conceitual” e “alternativa” delas como grupo pop. Praticamente todas as vezes que o Billlie mudou drasticamente de sonoridade foram para soar como um grupo “diferente dos demais”, mais polido e, ao mesmo tempo, mais descolado. Nem sempre isso resultou nas melhores músicas do K-pop, mas há um esforço para o conjunto da obra ser algo único e que somente um grupo como o Billlie poderia construir, com o “the collective soul and unconscious: chapter two” sendo o novo (E, talvez, último) capítulo dessa saga.

A primeira metade do “the collective soul and unconscious: chapter two” é, em essência, a mesma mistura de estilos musicais que estamos habituados a ouvir no K-pop, com as músicas mais direcionadas para as pistas de dança sendo as que mais se destacam tanto para o bem (WORK, TBD, SOUPASTA) quanto para o mal (ZAP). Quando dá errado, o Billlie soa extremamente derivativo. Quando dá certo, é como se eu ouvisse o último suspiro de criatividade e autenticidade do K-pop. E, felizmente, as músicas dão mais certo que errado, então eu saí extremamente entretido com esse projeto. Existe ambição e uma ideia sonora mais fora do padrão, que me convence ~mais uma vez~ que o Billlie não é um girlgroup comum.

A segunda metade com 4 remixes e a versão coreana de “DOMINO ~ butterfly effect” é o Billlie enchendo linguiça para voltar com um full album e justificar esse 1 ano e meio sem comeback, mas também direciona com mais afinco o álbum para as pistas de dança com mais criações eletrônicas/house. Isso acaba sendo um acerto e tanto principalmente pelo fato dos remixes serem muito bons (O de “ZAP” é facilmente melhor que a original e serve um FERVO junto com o de “SOUPASTA”), então consigo não me importar com esse truque safdadíssimo jeito não convencional de montar um full album. Das 12 faixas do “chapter two”, pelo menos 9 foram extremamente satisfatórias para mim.

Entre uma lore fantasiosa, músicas inventivas no nicho eletrônico coreano e uma tracklist feita para ferver as raves de K-pop mais estilosas e descoladas do momento, “the collective soul and unconscious: chapter two” é um ótimo álbum. Me adoece um pouco a faixa principal ser uma das mais fracas e “tanto faz” do comeback, mas tem algumas das melhores músicas do ano e a minha simpatia devem fazer elas crescerem ainda mais comigo. Um álbum de 12 faixas que, mesmo com os remixes truqueiros e um ou outro “tanto faz”, é delicioso de ouvir do início ao fim.

Faixa a Faixa

Para um álbum majoritamente eletrônico, escolher “Secret No More” como a faixa de abertura do álbum é, no mínimo, curiosa. A mistura dos samples de “Swan Lake” do Tchaikovski com um som mais trap e elementos bass mais pesados traz essa sensação de transgressão mais elegante, com o Billlie explorando um som mais refinado e dando um toque mais sombrio e dramático. Não é uma música que carregarei no meu coração, mas os que acham “Feel My Rhythm” um dos melhores singles do Red Velvet devem amar isso aqui.

Logo depois temos as duas title tracks do álbum, “ZAP” e “WORK”. “ZAP” tenta ir para um lado de pancadão industrial mais afiado e apocalíptico para abalar as raves que a 4ª geração entregou aos montes no início da década. Isso nunca deu certo na minha playlist e não será o Billlie uma exceção, mas admito que passei a curtir algumas partes do instrumental e o break com o verso em japonês ficou um luxo. Mas os versos e o refrão ainda são um miss meio sem vida para mim. Já “WORK” é mais “gays! gays! gays!” com esse housezão industrial sujo e abalativo nas pista de dança mais homossexuais, sendo um dos meus singles favoritos do Billlie. Nenhum momento dessa música me deixa parado e eu me deixo infectar por cada batida e virada que a música dá, especialmente no final com a ponte mais etérea e o último refrão levemente mais caótico e climático.

“TBD” é a mistura de Liquid DnB e Hyperpop mais alinhada ao que os girlgroups mais #xovens (Sabia que o Billlie já tem uns 5 anos de carreira? Pois é menina, são veteranas já) andam fazendo por aí. Gosto que a música é mais intensa do que a média e faz jus ao que eu espero de um drum n bass traduzido para o pop mais mainstream, e também curti os elementos mais hyper dando um tom colorido e lúdico para a música. Doce e extremamente carismática, “TBD” é uma ótima album track (Embora não tenha deitado ~tanto~ para ela como uma galera que ouviu esse álbum). “B’yond Me” dá a desacelerada do álbum com uma midtempo R&B mais sensível e um toque soul mais suave, sendo o momento mais vulnerável nesse álbum do Billlie. Todo álbum tem sua faixa mais lenta, e “B’yond Me” ganha pontos por ser elegante e fugir da balada 101 coreana.

“SOUPASTA” (Que é a junção de Soup + Pasta E uma forma mais stylish de dizer “Superstar”, sacaram? minhas meninas são muito descoladas) traz o álbum de volta para as pistas em um número UK Garage facilmente associável com a PìnkPantheress e todo mundo que tentou replicar a magia dela nos últimos anos, que ganha diferentes camadas eletrônicas durante a música. Essa tem o meu instrumental favorito justamente por ser uma mistura de momentos eletrônicos que faz sentido e acrescenta camadas para uma música que poderia cair na armadilha de ser “qualquer coisa lançada recentemente”. O que elas cantam em cima não é lá muito marcante para mim, mas eu amei muito o som que foi feito aqui. “OFF-AIR” fecha a parte de músicas originais do álbum com a mistura do brilho da música disco com o groove do New Jack Swing noventista, despertando a nostalgia em qualquer amante de sons que tiveram seu auge no século XX de uma forma imersiva e relaxante. Uma mistura divertida e agradável tanto para finalizar tracklist quanto para preecher o meio do álbum.

A segunda metade do álbum ser lotada de remixes é claramente uma forma de encher essa linguiça para impactar mais o consumidor com o status de FULL album nesse comeback, mas os 3 remixes são bem legais também. “ZAP” é bem melhor que a versão original, indo para um caminho house mais etéreo e noturno, perfeito para um momento mais imersivo na pista de dança. Um som muito mais cativante para title track do que na versão original, e queria que tivessem pensado nele como uma música mesmo e não como um remix. O remix de “WORK” desconstrói o babilônico house e traz algo mais limpo e, huh, “alternativo”, sem perder o toque mais pancadão e psicodélico com o refrão, enquanto o remix de “SOUPASTA” basicamente inverte as coisas trazendo uma sujeira house e trance mais agressiva, dando intensidade e adrenalina para a música. Gosto muito de como cada remix, a sua maneira, serve uma viagem ácida de sintetizadores para o ouvinte, e é perfeita para diferentes momentos de uma pista eletrônica.

O álbum se aproxima do final com a versão coreana de “DOMINO ~ butterfly effect”, um synthpop bem fiel ao que os anos 80 servia no gênero (Tanto nos sintetizadores quanto na leve guitarra que aparece no break). Uma inserção aleatória e, novamente, feita para encher linguiça no full album, mas a música em si é uma gracinha e foi bem gostoso reviver ela na minha mente com esse álbum. Porém, inofensiva demais para ser lembrada no meio desse projeto. Fechando o álbum temos “cloud palace” em um remix especial para o álbum, que traz o house de um jeito mais estiloso, deep e anos 2000. O som é bem “lounge”, daqueles que você deixa de fundo enquanto toma um drink em um bar mais descolado. Se você estava com saudade de alguém tentando fazer uma nova “4 Walls” do f(x), esse remix deve te alimentar bem.

Concluindo…

Se esse realmente for o último tiro do Billlie no K-pop, pelo menos consolidará o grupo como um dos mais injustiçados da história do K-pop.

7 comentários sobre “ALBUM REVIEW: Billlie – the collective soul and unconscious: chapter two”

  1. O album ta muito bom. Se tivesse justiça elas tinham um viral, porque pra mim a coreografia de Work é uma das melhores e apresentação das meninas é ótima.

  2. Billlie é um grupo muito bom que infelizmente vai morrer sem receber o reconhecimento que merece. No futuro elas vão ser um cult classic entre os kpoppers tal qual o f(x) é hj em dia.

  3. tem umas meninas do billlie que eram trainees da sm que foram jogadas pra Mystic né. uma pena pq elas dão um pau em muito idol da sm, tanto em vocal, dança e rap. gosto muito delas, falam tanto que kpop tá chato e tudo igual ao nj, mas grupos com identidade, talento e propostas legais são ignorados. pensar que as 2 musicas mais tocadas na coreia nesse momento são de grupos que nem sabem cantar

    • muito dificil bater em trainee da sm kkk até o kepler tem trainee superior as recem debutadas da sm

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