Review Retrô: Quando a Lee Hyori queria pegar o SEU homem em 10 minutos com “10 Minutes” (2003)

Já tem tempo que não lançava uma review retrô, né?! Então vamos reviver esse quadro maravilhoso onde comento algumas velharias que o pop lá do outro lado do mundo desovou, numa época em que tudo era mais fundo de quintal com escolhas totalmente duvidosas de produção e composição com referências tão escancaradas que beiravam ao plágio… Então vamos falar do debut solo da Lee Hyori, com “10 Minutes”:

Lá no longínquo ano de 2003, enquanto boa parte da fanbase ainda era planejada (Ou não) pelos seus pais e boa parte dos leitores desse blog estava vivendo os desenhos da TV globinho (Para anos depois ir xingar a Fátima Bernardes na internet por ter tirado os desenhos da globo), a DSP planejava o debut solo da Lee Hyori no K-pop. A Hyori até então era uma integrante do Fin K.L, que foi um dos grandes grupos da 1ª geração do K-pop mas decidiu tomar caminhos separados naquele ano, e o 1º álbum da Hyori tinha muita expectativa por conta de sua popularidade individual. Mas o seu debut solo ganhou proporções ainda maiores, e “10 Minutes” transformou Lee Hyori no grande nome de 2003, ganhando prêmios de popularidade e musicais e ganhando até o título de “2003: O ano da Hyori” por esse grande número. Mas o que “10 Minutes” tem de especial?

“10 Minutes” tem como grande destaque a letra, que conta uma sensacional história de uma garota que está entediada na boate e viu um carinha com sua namorada, e aí ela pensou: “Hum, vou esperar a menina dar um rolê pra dar o bote nele”. É sério, vamos acompanhar a letra dessa música:

Essa noite
Eu vim sozinha a boate
As pessoas dançando
E lá está você e sua garota
De algum modo, eu fui atraída por você e te quero para mim
Naqueles 10 minutos quando ela sai e senta

KKKKKKKKKK. Lee Hyori querendo se aproveitar do momento em que a mina vai no banheiro retocar a maquiagem para sentar no cara comprometido, afinal a véia estava na flor dos seus 24 anos e com um fogo incontrolado por homens em um relacionamento. Completamente identificável, pois não conheço um gay que nunca sentiu tesão por homem casado também

O momento é entediante
Mas tudo mudou quando você me viu (estou dizendo a você)
Esquecendo o seu grande amor, o fato importante é que
Você se atrai mais por mim

Eu tenho quase certeza que esse trecho foi essencial para o Pussycat Dolls lançar “Don’t Cha” anos depois:

Hino da talaricagem

Mas Lee Hyori é uma gostosa determinada em pegar o SEU homem, que sabe que ele já caiu nos poderes de sedução e é só questão de você virar as costas para dar sua chave de buceta no seu mozão.

Apenas 10 minutos, o tempo que você se torna meu
Ela está voltando e tudo estará acabando antes de começar
Querido o brilho do batom vermelho dela é horrível
Venha para mim, está tudo certo agora pode me abraçar

A lenda gongando a SUA maquiagem pelas suas costas e mandando na lata que é mais gostosa que você sem precisar de muito. Nesse momento ela quer ação, afinal você está arrumando o seu reboco e não sabe o que o seu namorado está fazendo (E se depender dela, nunca irá saber).

Não minta para você mesmo
Não faça que isso seja difícil dentro de você e se afaste dela
Diga-me para seguir você (faça do seu jeito)
Bling bling uma idéia está aparecendo
Diga-me que eu me apaixonei por você
Se você for dizer uma mentira
Finja que nada disso aconteceu

No que é a minha parte favorita, Hyorizão estava convencida de que fisgou o moço a ponto dele se apaixonar por ela, praticamente falando “Acabe com seu relacionamento AGORA pois eu sei que você me quer”. Lee Hyori a primeira destruidora de lares da Coreia, incentivando a traição e libertinagem em boates… Quase um gay da The Week nos dias de hoje.

A música é um R&B/Hip-Hop bem safado, acompanhando todo esse espírito de gostosona safada da letra. Como eu disse lá em cima, em 2003 o K-pop ainda era algo bem novo, cheio de referências óbvias de artistas que estavam bombando nos Estados Unidos, até pra experimentar o que funcionava ou não para a indústria coreana e criar uma forma própria para o K-pop (BoA, por exemplo, recebia altas comparações com Britney Spears). Lee Hyori era uma gatinha mais periférica que batia ponto nas favelas de Seul, então é óbvio que a gata chupou tudo que deu da Jennifer Lopez não só em “10 Minutes” como também em “Hey Girl”, 2º single do debut da cantora.

Desafio: Assistam esse vídeo sem lembrar em nenhum momento da Jennifer Lopez na época de latina do bronx (Ou de Namie Amuro nos primeiros álbuns da fase rainha do hip-hop)

Obviamente “10 Minutes” não seria uma música aceitável hoje em dia, afinal o consenso que temos é que trair é errado e temos que respeitar o relacionamento alheio é a melhor opção (Se executam a teoria aí vai da piranhagem de cada um), mas em 2003 estava liberado rivalizar mulheres e adotar práticas promíscuas e moralmente erradas, então dá para passar um pano sim, além do MV com a Hyorizão sendo a rainha das perigosas ruas do bronx coreano com um bronzeamento/maquiagem que deixaram a mulher LARANJA.

Who orange it better?

Eu tenho pra mim que o sucesso de “10 Minutes” é uma combinação de fatores: A música, que é uma delícia de ouvir até hoje; O vídeo, que explora toda a sensualidade da Hyori; E a própria Hyori, que elevou o conceito de música e MV para algo que só a Hyori poderia fazer. “10 Minutes” poderia ser um hit na mão de qualquer uma, assim como a Lee Hyori provavelmente hitaria com qualquer outra música no seu debut, mas o combo desses dois foi fundamental para se tornar uma das músicas mais populares da Coreia do Sul até os dias de hoje (Um movimento bem exagerado na minha opinião, mas se é um clássico pra eles, melhor pra Hyori né)

4 comentários em “Review Retrô: Quando a Lee Hyori queria pegar o SEU homem em 10 minutos com “10 Minutes” (2003)”

  1. “Se executam a teoria aí vai da piranhagem de cada um” eu morri nessa parte kkkkkkkkkkkkk
    Engraçado como a gente ouvia cada coisa na epoca e achava ok, ainda tem gente que acha ruim a evolução. A letra é bem, sei lá.
    E outra, só conseguia pensar em como ela tá com a pele esquisita mesmo, mas ao menos a gente põe como parâmetro_ a estética de hoje em dia na Coreia é quanto mais palido igual vampiro do Crepúsculo, melhor_

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