ALBUM REVIEW: Chungha – Querencia

Foi mais de um ano de promessas, mas o QUERENCIA finalmente chegou como o 1º grande álbum de 2021. Já sabemos que “Bicycle” não é uma faixa tão forte para representar sozinha um projeto tão grande, mas como está o resto do álbum? Já sabíamos que algumas músicas nele estão entre os grandes destaques da carreira da Chungha, mas o que o material inédito mostrou para nós? 21 faixas alimentaram bem os gays? Vamos conferir agora.

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Artista: Chungha
Álbum: Querencia
Lançamento: 15/02/2021
Gravadora: MNH Entertainment
Nota: 88/100

Quando saiu a tracklist de 21 faixas e a Chungha meio que saiu correndo para explicar que, na verdade, eram 16 e a gravadora saiu enfiando .mp3 que nem doida, acho que deu para entender o ponto dela. Querencia é um álbum de 21 faixas, sendo 5 delas intro/interlúdios/epílogo que variam entre 1 minuto e 1 minuto e meio, e isso acabou “quebrando” a experiência de ouvir um álbum, pois tudo foi feito de um jeito em que ele se divide em 4 EPs, e isso é a coisa que mais me incomoda aqui.

Entendi a ideia de mostrar quatro lados da cantora nesse álbum, e isso é muito bem feito até: Temos a Chungha “selvagem e agressiva” (Side A), a Chungha “chique e poderosa” (Side B), a Chungha “latina e experimental” (Side C) e a Chungha “emotiva e vulnerável” (Side D). O que eu não sinto ouvindo o Querencia é que esses 4 lados estão conectados dentro desse disco, como se fossem 4 CDs diferentes ao invés de 1 CD mostrando 4 personas da Chungha. Isso do álbum não parecer uma unidade é algo que ela já aconteceu no Flourishing, mas aqui foi feito de forma proposital e não funcionou comigo do jeito que eles esperavam.

Isso não muda o fato de que tem muita música legal no Querencia. Eu fiquei impressionado pois são poucos os momentos em que a Chungha deixa a peteca cair numa música totalmente dispensável, e em cada lado existem músicas muito legais e que completam bem a experiência dos singles. Músicas como “Demente”, “Bother Me”, “Masquerade” e “All Night Long” são muito impactantes dentro do disco, além de outras que conseguem ser agradáveis e me deixam na vibe certa para curtir e querer ouvir de novo. Mas toda vez que eu entrava em harmonia com o álbum surgia um interlúdio cortando tudo, o que incomoda.

Querencia é um álbum onde eu consigo enxergar a força e o brilho nas músicas individualmente, e é aí que temos que dar todo o crédito para a Chungha. Muitas músicas são ousadas, fora da casinha e das expectativas que eu normalmente tenho com a Chungha, e é muito legal ver uma artista pronta para se desafiar desse jeito. Não deu para acertar 100%, mas ainda é um álbum de estúdio muito forte dentro do K-pop, que só precisava ser melhor lapidado para ser um álbum 10/10.

“SIDE A {NOBLE}” é uma intro que funciona como intro. É bem evidente que nenhum interlúdio desse álbum é pensado para funcionar dentro do conjunto, mas esse SIDE A acaba colando como intro. Não é a melhor introdução da vida da Chungha, mas tem toda uma ideia noturna, intrigante e pesada que gera a expectativa necessária para o que vai abrir os trabalhos de fato… E aí somos presenteados com “Bicycle”. O sentimento com “Bicycle” não é de ser uma faixa ruim, mas ser muito pouco para ser A faixa principal desse álbum. “Bicycle” é um trapzinho safado competente, mas nada além disso e inferior a quase tudo que ela lançou como buzz para o Querencia.

“Masquerade” é o primeiro grande destaque do álbum, sendo o primeiro vestígio de latinidade do Querencia mas ainda naquela pegada trap meio suja de “Bicycle”. Tudo funciona melhor e a mistura dos gêneros criou um som sensual e provocativo que encaixa e envolve o ouvinte. Se o SIDE A fosse um EP separado, “Masquerade” seria a minha escolha de single. “Flying On Faith” é um popzão gostoso que tem como base a voz da Chungha e uma guitarrinha, ganhando elementos mais perto do refrão e se transformando numa genuína faixa pop. É uma faixa mais contida, feita para mostrar a Chungha segurando uma música na base do vocal, e acaba sendo um prazer de ouvir. O SIDE A termina com “Luce Sicut Stellae”, e apesar da audácia da Chungha botar um título em LATIM, a música não tem nada demais. Ela carrega a mesma ideia de produção leve e simples, mas é tão inofensiva que até passa batido ouvindo no álbum. O famoso “agradável, porém esquecível”.

“SIDE B {SAVAGE}” é o 2º interlúdio (Ou, no caso desse álbum, “2ª intro”, o que fizer mais sentido pra vocês) do Querencia, e introduz muito bem o “lado para os gays” do álbum. É um som de passarela pronto para uma cantora de algum beco da Romênia soltar uns gemidos em cima e servir carão e close para qualquer bicha da The Week se soltar para a ainda melhor “Stay Tonight” que, para mim, é o melhor single da carreira da Chungha até aqui. Ela sabia o que estava fazendo, ela se arriscou e fez uma música dançante, contagiante e hipnotizante, com cada linha cheia da personalidade de Chungha. “Stay Tonight” é o tipo de farofa eletrônica que qualquer uma poderia lançar que eu iria achar incrível, mas a Chungha fez de um jeito que transformou a música em algo único e perfeito para ela.

“Dream Of You” segue a mesma linha de “Stay Tonight” e é outro house fortíssimo, com a Chungha servindo um inglês maravilhoso e umas diferenças de produção que distanciam uma faixa da outra, mas mantendo as duas no mesmo círculo. O grande ponto de “Dream Of You” está nas quebra que rola no refrão, que é muito bem marcada e dá um sentimento totalmente diferente do resto da música, servindo uma montanha russa de sons extasiante.

Ainda nessa mesma linha house temos “Bother Me”, que é mais inspirada na soul music e menos dançante que os dois singles do SIDE B, servindo mais como uma música em que você desfila pela sua casa se sentindo a gostosa mais gostosa das passarelas, sendo uma música sólida e gostosa de ouvir. Por fim temos “Chill”, que dá uma segurada nos batidões para os gays e, como o nome sugere, é a faixa tranquila desse “segundo EP”. Melhor do que a música em latin, eu me sinto abraçado pela Chungha cantando essa faixa nessa forma fofa e feliz, algo que não rolou no álbum até aqui. O SIDE B é o mais consistente do Querencia, onde tudo funciona muito bem (Da ordem até a qualidade das músicas) e forma uma parte imbatível desse álbum.

Chegamos no 3º EP do Querencia, trazendo o desconhecido. Em “SIDE C {UNKNOWN}” temos o momento mais controverso do álbum, no qual todo mundo se chocou com o instrumental frenético estourando desde o teaser conceitual de PLAY. Teve quem amou essa loucura toda, teve quem odiou a barulheira, mas o problema dentro do Querencia é que ele fica totalmente avulso ao resto do álbum, tanto que em PLAY já voltamos ao popzão típico da Chungha. Um popzão latino mais rasgado e um reggaeton mais acelerado criaram mais uma farofa gloriosa para a Chungha brilhar como a diva pop que é. Se “Bicycle” não vingou “Flourishing” como eu pensava, “PLAY” deu muito orgulho para “Chica”.

E aí temos “Demente” que é o grande momento das faixas inéditas desse álbum. A Chungha cantando em espanhol um pop não indo pelo tão óbvio Reggaeton com participação de um rapper dominicano, numa música cheia de personalidade e autenticidade. “Demente” é a música que mostra todo o esforço da Chungha nesse álbum, pois todo segundo é dela saindo da zona de conforto e se puxando para o desconhecido, sendo totalmente novo e totalmente dela, que deu o sangue latino que ela não tem para entregar a melhor inédita do Querencia. As outras duas faixas do SIDE C não são tão fortes, e enquanto “Lemon” ainda consegue ser bem agradável com um refrão refrescante e uma melodia que me traz uma paz de espírito e me faz acreditar que essa música merecia estar aqui, “BYULHARANG (160504 + 170607)” é o tradicional filler para os fãs que ninguém se importa muito e só vale a pena para ver ela cantando em fim de show.

O 4º e último lado veio com a proposta de ser o mais lento e emotivo, e ele cumpre bem com isso. “SIDE D {PLEASURES}” não serve essa ideia e parte para algo mais sensual e cadenciado. É estranho ouvir isso e seguir com “X”, que é uma música muito mais emocional e tensa mostrando uma fragilidade que não é tão comum em singles da Chungha. “X” é a música mais vulnerável do álbum, e derruba qualquer parede que eu tente botar em cima dela pois é realmente um baladão muito lindo de se ouvir.

Quando ouvi “All Night Long” pela primeira vez eu pensei “Nossa, a Baek Yerin entregaria fácil uma dessas naquele último álbum dela”, e quando vi que a Baek faz parte da composição dessa música eu fiquei “Uau, que coincidência kkkk”. Mas “All Night Long” tem essa pegada mais alternativa de álbum mais discreto e intimista, que você ouve em momentos específicos ou para deixar tocando no fundo da casa e eu entendo totalmente isso. Não é uma música que você vai querer ouvir sempre, mas não deixa de ser muito boa e mais memorável que “Everybody Has”, uma música que traz o mesmo sentimento só que é bem mais fraca em comparação, se tornando dispensável no álbum.

A última faixa do “Querencia” é “Come & Goes”, que eu fiquei com a impressão de ter escutado outras duas vezes nesse álbum mas é tão bonitinha e com uns elementos no instrumental tão fofinhos e suaves que eu dei um sorriso genuíno ouvindo. Por fim temos “Querencia (Epilogue)”, onde rola uns 20 segundos de silêncio do nada e eu não entendi o que estava acontecendo, então só vou ignorar e fingir que o álbum acabou em “Come & Goes” mesmo.

O Querencia poderia ter passado por uma BOA peneirada, pois 21 faixas acabaram sendo demais para o álbum que fica cansativo de ouvir (Ainda mais nessa disposição que fez a gente ouvir 4 trabalhos diferentes ao invés de 1 único projeto). Isso não tira a qualidade de várias faixas do álbum que são incríveis e mostram a evolução da Chungha como artista pop, e o “Querencia” é um álbum muito bom no final do dia. A Chungha entregou muitos hinos e músicas deliciosas que sem dúvidas estão indo morar na minha playlist, só acho que seria um álbum ainda mais brilhante se tivesse uma organização melhor nele.

2 comentários em “ALBUM REVIEW: Chungha – Querencia”

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