ALBUM REVIEW: IVE – IVE SWITCH

IVE fez seu comeback na última semana com o EP IVE SWITCH, e a faixa principal “HEYA” já está no Top 10 dos charts evitando todo o choro de fãs por conta de “title flopada” que as primeiras semanas do I’VE MINE renderam. Não vivi pela faixa principal, então não esperava grandes coisas quando fui ouvir o EP. Então quando eu terminei o álbum GAGGED por achar todas as faixas bem melhores que o single tive que absorver toda a surpresa positiva e pensar “Caramba, finalmente um girlgroup entregando um álbum bom esse ano”. E a minha review do IVE SWITCH tenta explicar o motivo de tanta emoção que senti ouvindo:

Artista: IVE
Álbum:
 IVE SWITCH
Lançamento: 29/04/2024
Gravadora: Starship Entertainment
Nota: 85/100

Eu não fico muito empolgado com álbuns da Starship porque não costumo curtir a experiência dos que ouvi, sendo grandes fillers onde só o single e uma ou outra album track são realmente relevantes. Não posso falar pelos boygroups da empresa, mas o SISTAR mesmo só tem o “Alone” de álbum bom, os álbuns da Hyolyn na Starship são bem chatos (Não que a situação esteja muito melhor nos EPs que ela lançou independente) e o WJSN só virou artistas para mim nos dois últimos trabalhos do grupo (Se o “Unnatural” e o “Sequence” fossem um álbum só ele seria o álbum da década para mim).

O IVE estava indo no mesmo caminho: I’VE IVE é um álbum ok com um ou outro destaque, e eu acho o I’VE MINE um grande fillerzão (Embora eu simpatize mais com Off The Record hoje em dia), então eu fiquei surpreso quando terminei de ouvir o IVE SWITCH e achei ele muito bom. O IVE se dá muito bem em músicas com esse template de synthpop mais dark e misterioso e o IVE SWITCH está recheado disso, é competente na maior parte das faixas com momentos memoráveis e alguns dos grandes destaques da carreira do grupo. Em muitos momentos eu pensava como tal música é legal e colocava na minha playlist, e quando terminou o álbum eu fiquei chocado em como não tem uma música ruim nele. É realmente um grande trabalho com ideias que funcionam bem e execuções que vão do muito bom ao incrível.

Com um EP cheio de bops, a escolha de “HEYA” como faixa principal não fez muito sentido para mim. Deixando de lado se é ou não uma música boa (Spoiler: Continuo achando bem qualquer coisa), “HEYA” não conversa muito com o que o álbum é. “HEYA” não é um single que dita o tom do álbum, e o IVE SWITCH seria um álbum muito mais forte sem ele. A impressão que tenho é que “HEYA” foi inserida apenas para reforçar o aspecto de dualidade/versatilidade que a Starship quer emplacar no IVE, mas o resto do álbum tem uma construção tão diferente e mais interessante que torna “HEYA” desnecessária nessa tracklist. “Accendio” (Que foi anunciada como o outro single do EP) seria um carro chefe muito melhor, tanto por ser uma música com a cara do EP quanto por ser uma das melhores músicas da carreira do IVE.

Deixando de lado a escolha questionável de single, IVE SWITCH é um ótimo EP. Sem “HEYA” o mini-álbum é redondo, tem ideias que se conversam entre as faixas mas cada uma tem sua própria força e personalidade. A sequência Accendio – Blue Heart – Ice Queen é a mais memorável dos álbuns que ouvi esse ano, e o final do álbum não descamba em fillers e conquista pelo charme e ânimo que possuem. Tem potencial para ser um dos melhores álbuns do K-pop em 2024, e o IVE tem tudo para ser um grupo memorável se seguir esse caminho. Resta saber se a Starship terá competência para manter o nível do grupo ou se o IVE SWITCH será apenas outra exceção.

Faixa a Faixa

“HEYA” continua um grande OK para mim. Sigo achando que nada na música é ruim, mas falta alguma coisa que faça essa música crescer e ser grande. “HEYA” é o melhor de todos os singles que são tentativas de mostrar o IVE como grupo versátil e que vai além do synthpop bonitinho de girl next door dos grandes hits delas, mas ainda acho que não é O single que defina o alcance do IVE como grupo pop (Pelo menos ESPERO que não defina). Em compensação “Accendio” é um lacre cis e estarei apoiando essa como uma das melhores músicas da carreira do IVE. O synthpop dominante é intenso, as marteladas que aparecem casualmente na música são desconfortáveis de um jeito que me hipnotiza e todas as batidas e elementos que entram e saem da música contribuem para a atmosfera e tom mais dark que “Accendio” possui, assim como a combinação de vocais suaves e raps mais fortes na interpretação que deixam a música ainda mais intensa. Uma faixa que, ao mesmo tempo, é familiar e inovadora dentro da discografia do IVE.

“Blue Heart” segue a linha mais misteriosa de “Accendio”, mas de um jeito um pouco mais eletrônico e colorido em comparação. Uma música que ganha profundidade com o bass mais pesado que conduz a música, delicadeza com os vocais mais suaves dos versos e o autotune do refrão é magnético. Tudo é muito bom e funciona muito bem em “Blue Heart”, que surge como outro grande destaque da carreira do grupo. “Ice Queen” começa simples com um sintetizador e um sonho, mas brilha na virada para o refrão mais pesado e intenso do álbum. Sinto essa música como, basicamente, uma versão synthpop de “Run For Roses” do NMIXX, seguindo a mesma ideia de versos com poucos elementos para dar uma profundidade ainda maior no refrão intenso e misterioso que a música possui e você ficar “UAU, elas foram geniais aqui”. “Ice Queen” é muito legal e me deixa impactado nos momentos que a música quer que eu sinta o impacto. Ótimo trabalho.

“WOW” é outra faixa que eu começo não levando muita fé nos versos e parece ser a obrigatória midtempo filler de todo álbum de K-pop, mas a entrada do dnb no refrão agita as coisas de um jeito bom, que torna a música mais emocionante e com um ritmo mais memorável. Não é uma música que brilhe tanto dentro de um EP tão bom quanto esse, mas é memorável e um ótimo play de qualquer jeito. “RESET” encerra o álbum com o IVE sendo mais um grupo experimentando o afrobeat do momento e eu curti muito elas encerrarem o EP assim. A execução é muito mais original e não me remete a outros afrobeats logo de cara (= Não é uma cópia safada de “Water”), combinou com o IVE, é muito colorida e traz a produção mais leve que contrasta muito bem com a atmosfera mais misteriosa que os grandes momentos do IVE SWITCH possuem. Um ótimo jeito de encerrar esse ótimo EP.

Concluindo…

Se eu fingir que “HEYA” não existe, IVE SWITCH é o álbum do ano.

7 comentários sobre “ALBUM REVIEW: IVE – IVE SWITCH

  1. Eu discordo da nota, o álbum é bem mediano pra mim, as bsides não me lembro de nenhuma, a única que chegou a mexer UM POUCO comigo foi Ice Queen, mas o pré refrão e o refrão acabaram com o clima da música, não que signifique que as músicas são ruins, elas são só esquecíveis, acho que 60/100 tá bom, Heya não é horrível, mas infelizmente (ou felizmente) o IVE começou acertando demais em tudo, depois de Baddie parece que decairam.

    • Eu adoro quando abaixo as expectativas pra um lançamento e acabam me surpreendendo e me pegando. Eu também adorei esse álbum e ouvi ele inteiro pela manhã e pensava que capricharam. E concordo contigo também, até aqui pra mim álbum do ano.

  2. nossa fui ouvir ice queen e meu deus o vocal delas quebrou a qualidade da musica completamente

  3. Accendio me pegou de cara porque os versos lembram MUITO picky picky do weki meki, e eu amo essa, então amei ela, heya tbm não funcionou comigo, até hoje sinto uma raiva de holy moly não ter sido a tittle principal do comeback anterior, acho APOTEÓTICA, mesma coisa accendio agora, sinto que a starship até da músicas boas pro ive, mas por algum motivo nunca apostam delas como tal

  4. As 3 primeiras b-sides tbm foram minhas favoritas. Pra mim o primeiro full ainda é o melhor de todos e vai ser difícil superar assim como I Am q colocou um patamar mt alto n só pra elas, mas pra outros grupos na msm proposta superarem. Sinto q falta algo como Eleven de novo tbm na carreira. Essa tentativa de mostrar versatilidade da Starship tá enfraquecendo a consistência q e o hype q o grupo me deixou esperando.

    • Estou gostando mais de HEYA pois tem uma euforia diferente na música que funciona melhor nos palcos do que as bsides, na minha opinião.
      O álbum está muito rico, as músicas tem camadas (diferente de Merddie). Vamos ver o que o aespa vai lançar, mas já estou prevendo que elas vão ganhar melhor álbum do ano novamente.

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