ALBUM REVIEW: XG – AWE

Com mais de 65 mil cópias vendidas no Japão e 55 mil na Coreia com o novo EP “AWE”, o XG vai pouco a pouco marcando seu território como um dos girlgroups relevantes da atual cena do J-pop e do K-pop. E hoje chegou a hora de conferir se o segundo mini álbum do grupo merece vender ainda mais ou se estão superestimando demais essas pequenas grandes mulheres japonesas. Então eu fui lá, dei play no EP, absorvi esses 23 minutos e decidi que: Elas merecem ser o novo girlgroup das duas nações.

Artista: XG
Álbum: AWE
Lançamento: 08/11/2024
Gravadora: XGALX
Nota: 84/100

Nessa atual tendência de mini álbuns com muitos estilos musicais em uma tracklist com a proposta de mostrar versatilidade, o New DNA do XG certamente é um dos mais marcantes no sentido de você ouvir e pensar “Meu deus que salada é essa” com o tanto de sonoridade distinta que o grupo quer abraçar em um EP com 1 intro e 5 músicas. Então ouvir o “AWE” é sentir que o XG evoluiu, de certa forma: O EP é uma bagunça de sonoridades, mas uma bagunça menor que o EP anterior.

“AWE” é um EP que é mais focado em divulgar o XG como gatinhas mais fodonas dos subúrbios de Tóquio através do R&B/Hip Hop, e partindo disso elas exploram diferentes vertentes desde o trap de mina fodona até o R&B mais cadenciado e intenso, passando pelo miami bass do momento entre os girlgroups da geração atual. Músicas como “In The Rain” e “Is This Love” são ótimas para os entusiastas do single “Shooting Star / Left Right” que estavam com saudade de ver o XG fazendo algo mais old school, enquanto “Howling” e “Woke Up” são traps que acredito que estão mais alinhados com a imagem mais selvagem, extravagante e explosiva que o XG quer vender como a principal do grupo. Ali no meio, temos “IYKYK” e “SOMETHING AIN’T RIGHT” fazendo a linha mais homossexual como faixas para fritar em qualquer boate gls.

Como vocês podem ver, “AWE” ainda atira em muitos lados, mas esses tiros parecem mais focados e tentam entregar algo que minimamente funcione no conjunto da obra. A tracklist poderia ser melhor organizada: O remix de Woke Up poderia ter vindo depois do Skit, fechava a primeira metade do EP como a metade de lobas do trap e deixava a segunda como a metade mais leve e explorando versatilidade. Mas podemos dizer que dá pra relevar o fato de ser um conjunto não tão harmonioso do início ao fim pelo fato de quase tudo aqui ser trabalhado como single (Mais um exemplo de se preocupar em fazer um álbum com faixas fortes do que um álbum, em si, forte).

No faixa a faixa o XG segue servindo muito. Se a ideia é mostrar faixas poderosas, o grupo consegue na maior parte do tempo. A única escolha mais questionável aqui é porque raios escolheram o remix de Woke Up onde elas sequer soltam um rap ao invés de colocar a música original, mas não é como se eu fosse muito fã da “WOKE UP” original. O resto das músicas é interessante, tem seu tempero e personalidade e funcionam em diversos momentos comigo. Individualmente o XG traz um dos EPs mais interessantes do ano e isso meio que já basta para o grupo, mas o todo sendo montado como se fosse uma playlist de hip hop do Spotify é confuso e faz o álbum não ser tão gostoso de ouvir do início ao fim.

Acompanhando o XG até aqui eu entendi que, quando chegar a hora de um futuro full album do XG, ele seguirá um dos dois caminhos: Ou será o maior álbum de hip hop japonês cantado em inglês feito por um girlgroup sedento para dominar o K-pop, ou será como ouvir um álbum do auge da carreira da Koda Kumi (Uma confusão caótica de sons sustentada por pancadões muito bons). Eu espero que vá mais pelo caminho da primeira opção mas, se for uma coleção de bops, não reclamarei se chegar algo na linha do segundo. Como um único produto, “AWE” acaba sendo um EP com uma tracklist confusa que tenta mostrar os diversos lados do XG, mas se beneficia do fato de todos os lados serem focados na persona clubber e descolada do grupo, e isso é uma proposta mais ambiciosa para fazer delas o girlgroup da nação japonesa ou coisa do tipo.

Faixa a Faixa

A intro “HOWL” é uma ótima introdução para “HOWLING”, assim como uma boa intro para a persona fodona do XG. A inserção dos violinos mais dramáticos e elementos mais tradicionais durante a intro é muito chique e poderosa, e os uivos dão a selvageria que o XG quer mostrar. Daí temos “HOWLING”, que eu sigo achando que é o melhor momento de mina fodona do hip hop por parte do XG. Não é a minha persona favorita do grupo, mas é a mais potente e deixa a forte impressão que o grupo quer. Os uivos delas ainda não deram a volta e continuam toscos para mim, mas todo o resto da música é interessante e envolvente demais para ignorar. Poderia ser melhor, mas assim está bom.

O interlúdio “SPACE MEETING Skit” é apenas elas falando umas coisas enquanto introduzem uma viagem espacial, mas acho que outro trapzão funcionaria melhor como sequência do que “IYKYK”. Se no álbum a música parece aleatória, sozinha é um ótimo bopzão house que é dançante, envolvente, cósmico e que me tira um sorriso do rosto. A dobradinha house dela com “SOMETHING AIN’T RIGHT” é incrível, com a primeira explorando uma melodia mais fantasiosa e atmosférica enquanto a segunda já é mais batidão noventista para fazer carão e dar pose na balada. São duas faixas menos “selvagens” e mais glam, o que soa um pouco fora da ideia do álbum mas HEY, são facilmente as músicas que mais ouvi do grupo esse ano, então elas são SIM necessárias e destaques do álbum.

“IN THE RAIN” é o mais perto que tivemos do XG lançando uma sucessora de “LEFT RIGHT” até agora, sendo um R&B muito gostoso, passional e com um ritmo cadenciado que é hipnotizante e, de certa forma, sedutor. Uma Ciara da vida lançaria essa produção como a música mais sexual e sentimental que o R&B norte americano seria capaz de fazer, mas estamos falando de um girlgroup de jovens adultas que não tem esse apelo, então “IN THE RAIN” acaba sendo mais sentimental com um toque mais charmoso sem esse apelo sexy, o que não deixa de fazer dela a minha favorita das inéditas do álbum.

O remix de “WOKE UP”… hum… não é para mim. Também não sou muito fã da original, mas não faz o menor sentido o remix ser album track do XG uma vez que o XG não canta. De resto, são 6 minutos de vários rappers soltando umas frases num batidão trap e o Jay Park é um dos melhores nesse remix, o que já diz tudo. Fechando o EP temos “IS THIS LOVE” trazendo o grupo de volta para os anos 90, mas dessa vez explorando o Miami Bass que parece ser a nova tendência dos girlgroups no K-pop. Se o futuro é noventista, o Miami Bass (E sua variante Atlanta Bass) é o que quero ouvir desses grupos, e “IS THIS LOVE” é um belíssimo exemplo de como fazer isso.

Concluindo…

“AWE” é outro álbum que parece playlist de hits do momento do Spotify no mundo mas, para um trabalho que se escora muito mais na força das faixas do que no poder do conjunto, é muito bom. Um álbum coeso e conceitual parece um sonho distante na vida desse grupo, mas o XG tem muito potencial para entregar algo assim de forma gloriosa em algum momento.

11 comentários sobre “ALBUM REVIEW: XG – AWE

  1. Sim, esse grupo de anãs é superstimado. Morro que reclamam do Babymonster por se passarem por minas fodonas mas passam pano pra essas patricinhas que fingem ser o que não são tanto quanto as Baemon.

  2. Eu morro com povo forçando que elas são kpop, sendo q kpop é uma indústria e elas não tiveram nenhum treinamento em empresas coreanas, não são coreanas e não lançam músicas em coreano. dito isso, eu acho que elas são um grupo asiático com apelo global.

    Eu curti o ep delas. Não é a coisa mais inventiva do mundo, mas as músicas são legais. Eu não sou o tipo de pessoa chata que pega no pé de álbuns que não são tão coesos pq desde que o trabalho entregue boas músicas, pra mim já tá bom. Esse ep tem uns sons bem legais. Boa sorte pras meninas.

    • Dois, só porque elas vão as vezes promover lá, não quer dizer que são K-POP. É um grupo pop global com integrantes japonesas, simples assim. Igual o Katseye que aparece nas playlists de K-pop, se é um grupo global, haja como tal.

    • Ah me poupe dessa ladainha! Vocês é que forçam pra fingir que o XG é superior ao kpop kkkkkkk sendo que o CEO da empresa delas é LITERALMENTE um ex-idol coreano e TODO o treinamento delas foi feito com base em treinamento coreano. Tanto é assim que até mandaram a Hikaru pra participar do GP999. Além disso elas fazem divulgação PESADA na Coreia e até participam de eventos de kpop como o KCON. Mas vocês aí JURAM que o XG não se encosta no kpop pra fazer sucesso kkkkkkk então tá, né?

      • É foda não ter argumentos pra rebater o que eu disse, né? Só resta mesmo fingir demência e vir com uma resposta genérica como essa. Eu entendo. Nem todo mundo têm um cérebro em pleno funcionamento pronto pra debater comigo. Mas tenta que um dia você consegue. Boa sorte!!

      • Calma, amigo. Jpop tá em queda já faz uns anos, Avex viu uma oportunidade de lucrar numa indústria na qual eles têm envolvimento desde os anos 90, chamou o Simon q é ex idol de Kpop pra investir num girl group pra promover e é isso. Não precisa surtar. Elas não são Kpop, só promovem lá pq assim é mais fácil de chamar atenção.

    • A Hinata é na verdade metade coreana/de família coreana e o CEO delas, o Simon também é. Mas enfim, eu também não considero Kpop não. Pra mim é “grupo global”.

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