Do pior ao melhor: Ranqueando os singles da carreira do BerryGood

Continuando a lista de pix para divulgar girlgroups do 2º e 3º escalão da década passada no K-pop, chegou o dia de falarmos do BerryGood. Quando eu recebi o pix para falar sobre os singles do grupo eu pensei “Ah, elas devem ter meia dúzia de singles, não será um post tão complicado de fazer”, Então eu quase caí para trás quando abri a wikipédia delas e dei de cara com TREZE músicas lançadas como single durante a carreira do grupo. Então eu respirei fundo, abri meu coração e fui com a maior boa vontade do mundo ouvir o que o grupo entregou durante 7 anos de existência. Será que tem algum single tão bom quando “Angel” e “Don’t Believe” escondido na carreira do grupo? Vamos descobrir agora:

Because Of You

A empresa do BerryGood não era muito boa em disfarçar que elas tinham 20 reais, uma garagem servindo como estúdio de gravação e alguns estagiários no 2º semestre da faculdade de cinema para fazer os comebacks do grupo, e algumas músicas acabaram sofrendo com isso. “Because Of You”, por exemplo, tem uma ideia fofinha de fazer uma música adorável que explore a graciosidade das meninas, mas a produção da música é tediosa e isso deixa as meninas tão tediosas quanto. Umas duas ou três ali estão sem vida nenhuma para cantar essa música, e o resultado ao invés de ser charmoso e encantador, é meio deprimente. A intenção é boa, mas a execução de “Because Of You” é muito ruim e precisaria de MUITO mais polimento para funcionar.

Oh! Oh!

É até impressionante como o BerryGood conseguiu lançar mais de 10 MVs com a falta de orçamento que a empresa delas transparecia ter. E o pior em “Oh! Oh!” nem é o vídeo (Que até dá para encarar como camp de tão ruim), mas a música que é, basicamente, uma versão mais barata, sem graça e desinteressante do próprio BerryGood. Chatinha e irrelevante, você com certeza ouvirá coisa melhor nesse post.

My First Love

Baladinha de primeiro amor 101 no K-pop. Não é ruim a ponto de colocar “My First Love” como ruim e o final da música indo para um caminho mais rock é interessante, mas elas não são o grupo mais especial vocalmente para segurar uma música assim (Principalmente a primeira metade que é um tédio). Se você não está aqui por baladinhas de girlgroup de k-pop, pode pular essa música tranquilamente.

This Winter

Música pop de natal-barra-presente para os fãs com um vídeo especial com cortes de vários MVs e apresentações do grupo com um efeito de neve dos mais vagabundos. Não faz muito por mim.

Time For Me

Outro exemplo de muitas ideias sendo aplicadas para a música não chegar a lugar nenhum. A diferença de “Time For Me” para “Because Of You” é que os vocais estão melhor editados aqui, mas ainda é um popzinho com muitos estilos incorporados para entregar algo mais colorido e good vibes que, no final, se torna mais um número genérico de girlgroup de K-pop sem nada muito especial. É quase como se elas falassem “Ah, já estamos chegando ao fim e não vendemos nada durante 7 anos, o que temos a perder lançando isso aqui?” e lançaram “Time For Me” como já quem não tivesse muita pretensão de ser relevante. Se colasse com os coreanos bem, como não colou… disband.

Love Letter

“Love Letter” é uma música que dá certo. A sensação que tive é que os produtores misturaram 49 ideias de como fazer uma música fofinha no K-pop, bateram no liquidificador e falaram para o grupo “Se virem”, e aí cada uma acaba entregando uma performance diferente (Tem a fofinha mais vocal, a fofinha de atitude de rapper, a fofinha mais apaixonada do refrão e por aí vai). É uma música bagunçada e meio caótica mas, no final, eu achei fofa e me diverti ouvindo. Acho válido que todo mundo tentou fazer essa música ter aquela sensação confusa e encantadora de viver um primeiro amor (Seja de propósito ou não), e isso gerou um bom trabalho de debut.

Bibbidi Bobbidi Boo

A mágica de “Bibbidi Bobbidi Boo” está no refrão, que é basicamente um refrão do BESTie em uma música de um grupo ainda mais nugu (E isso é muito bom). O resto da música vai por um caminho mais campy/country-ish que é divertidinho, mas a música ganha vida quando deixa isso de lado e recebe um refrão bem disco pop, animado e adorável. Uma coisa não combina com a outra, mas o resultado é cativante. Uma boa música que infelizmente é ofuscada por uma das piores e mais baratas edições de vídeo que um MV de K-pop já teve.

Crazy, Gone Crazy

O BerryGood tentou, em 2018, emplacar uma subunit sexy que contrastasse com o conceito mais fofo e colorido do grupo principal, uma ideia padrão para subunits (Explorar um novo lado das integrantes e do grupo em si) com um direcionamento interessante. “Crazy, Gone Crazy” é uma faixa mais escura, com um drama diferente e mais profundo na interpretação e uma sensualidade padrão de midtempo sensual sem partir para o baixo nível (O auge do sexy concept na década passada já era algo moralmente banido em 2018). Tem uma ou outra coisa que me lembra “Coming Of Age Ceremony” da Park Ji Yoon e acho que a música teria mais futuro se fosse por esse caminho ao invés de cair no clichezão das midtempos do Brave Sound, mas é uma música boa e melhor ainda para homossexuais entusiastas do estilo.

Mellow Mellow

É mais uma música que seria melhor se explorasse mais a ideia fora da curva. No caso, as referências mais disco/synth de “Mellow Mellow” renderiam um ótimo número pop oitentista se tivessem pensado em dar um conceito retrô e fizessem elas se jogarem na ideia de divas da pista de dança, mas partiram para o mais básico e a música acaba sendo apenas um agradável pop de meninas agradáveis. É uma pena ver o potencial de singles que poderiam ser emblemáticos dentro do mundinho nugu ir embora por conta de equipes que só se preocupavam em seguir o que era tendência no momento.

Green Apple

Um número fofo e atrevido de verão com elas rebolando de shortinho e explorando os atributos da integrante peituda no MV? É claro que isso renderia um ótimo batidão de verão. Tudo é bem quente e divertido, o refrão é super rebolativo assim como os sintetizadores “uh uh” que passeiam pela música, não é um trabalho que descamba pelo EDM mas é como se fosse emular a energia de uma ótima farofa de verão. Acima de tudo, “Green Apple” é super divertida e o grupo parece se divertir muito cantando isso, o que faz o próprio ouvinte ficar mais feliz ouvindo. Muito bom.

Accio

Achei interessante o fato do BerryGood ter uma quantidade grande de singles involuntários de verão. Essa “Accio” foi lançada em novembro mas poderia ser muito bem um lançamento de julho com muito sol, shortinho, cores e uma farofa refrescante da estação. “Accio” explora muito bem um dos melhores truques do grupo que é de fazer a música crescer para o grupo subir alguns tons no final da música e entregar um trabalho bem emocionante e revigorante. Os versos são bons mas é o refrão brilha demais nessa música e, assim como o final mais gritado, eleva a música para um outro nível. Seria perfeita se os versos fossem mais fortes, mas “ACCIO” é um ótimo trabalho de qualquer forma.

Angel

Eu não sou muito adepto de usar “Christian Horse Song” para definir esses números aegyo mais inocentes, de tons pastel e delicados do K-pop, mas o instrumental de “Angel” poderia realmente ser o instrumental de qualquer coral pentecostal servindo a Jesus Cristo. A música e a letra dessa aqui tem uma energia pesada de louvor gospel e eu poderia culpá-la pela ascensão evangélica na Coreia do Sul se mais de 25 pessoas tivessem escutado isso aqui no lançamento, mas isso nem de longe é uma reclamação. A ideia de transformar esse instrumental em um K-pop fofo, dramático e emocionante é genial, e a parte final com todas subindo o tom da música é de arrepiar. Não dei muita moral para essa música quando saiu, mas hoje acho “Angel” um dos melhores white aegyo que surgiram no K-pop.

Don’t Believe

A melhor música de praticamente todas as tendências sonoras que o K-pop passa vem de um girlgroup nugu. No caso do infame tropical house que foi febre no K-pop ali em 2016/2017, “Don’t Believe” do BerryGood brilhou muito na minha playlist por não partir por um caminho mais óbvio do estilo (Uma sonoridade mais quente e vibrante de single de verão) e optando por uma abordagem mais dramática de fim do relacionamento. A interpretação mais melancólica do grupo serve um ótimo contraste com os sintetizadores vibrantes e coloridos que “Don’t Believe” traz, é marcante e faz essa música ser especial. E o batidão servindo de pós refrão/outro é a cereja do bolo. Incrível, e um dos meus singles nugu favoritos do K-pop.

14 comentários sobre “Do pior ao melhor: Ranqueando os singles da carreira do BerryGood”

  1. Don’t Believe e Angel são realmente perfeitas.
    Esse MV de Bibbi Booo sei lá o que é vergonhoso. As vezes, é menos pior fazer algo com 100% Chroma Key, do que essa pataquada mal filmada.

  2. nossa que nostalgia, eu era meio fãzinho do berrygood lá pra 2017, mas nunca mais lembrei delas…
    quem só conhece don’t believe e angel nem imagina o tanto de fome que essas coitadas deviam estar passando, quase todas as musicas delas tirando essas duas tinham uma mixagem e uma produção de MV EXTREMAMENTE nugus, chegava a ser deprimente a aparente falta de recurso. as piores são de longe because of you e bibidi bobidi boo, mas também tem outras bem ruinzinhas também.. tadinhas, elas tinham talento mas não dá pra fazer algo decente tendo o orçamento de uma coxinha com dolly guaraná por comeback

    • Sim, ele vai ter bastante trabalho ouvindo a gigantesca discografia de DOIS SINGLES delas.

      O Pocket Girls deve ser o único grupo que teve mais mudanças de formação que músicas lançadas (se bem que o RANIA/BP RANIA/Blackswan chega perto).

    • Eu estava tentando lembrar o nome desde grupo desde que o Dougie começou com essas resenhas de grupo nugus!

      Eu lembrava do MV baixo orçamento do débito delas, lembrava delas (e dos seios fartos pq me marcaram na época) mas não lembrava o nome da música e do grupo. Obrigada por me dá oportunidade de revisitar essa memória!

  3. Velho, coincidentemente hoje mais cedo lembrei da existência desse grupo e fui atrás pra ouvir. Don’t believe me da uma nostalgia absurda (se bobear, um dos poucos números tropical house envelheceram bem aos meus ouvidos).

  4. Angel hino! Nas mãos do GFriend no início de carreira teria sido smash hit facilmente.

  5. A nível de curiosidade, Love Letter era uma música de boy group da primeira geração que o BerryGood foi lá e melhorou (no caso, a agência já tinha os direitos da música e não queria gastar dinheiro, mas não dá pra negar que melhorou!)

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