ALBUM REVIEW: JOLIN – Pleasure

“Pleasure” está entre nós. Foram 6 anos, uma turnê que parecia não acabar nunca, muita promessa de lançamento do novo álbum e a gente teve que lidar até com música para vender MCDONALDS, mas o 15º álbum de Jolin Tsai (Para os íntimos, apenas Jolin) finalmente foi lançado. Será que a espera valeu a pena? O que Jolin pode entregar de novo nesse álbum? Que sonoridades essa mulher consegue explorar depois de 25 anos de carreira? É o álbum do ano? São muitas perguntas para serem respondidas em um álbum de 34 minutos de duração, e veremos se elas foram respondidas agora:

Artista: Jolin
Álbum: Pleasure
Lançamento: 25/07/2025
Gravadora: Eternal Music Production Company
Nota: 90/100

“Pleasure” é um álbum que tem como tema os 7 pecados capitais, e parte disso para explorar as diferentes expressões do prazer humano, desde as mais conscientes até os desejos mais irracionais. Isso é traduzido em diversas faixas eletrônicas que passeiam por diversos gêneros, mas com Jolin contando a história de alguém que mergulha no inferno do prazer e desbrava todos os sentimentos mais selvagens e caóticos que esse novo e conturbado universo pode oferecer. Isso tudo cria um fio condutor que faz o álbum parecer uma peça de teatro, com um enredo que sustenta mais de 30 minutos de performances emblemáticas e marcantes. Um projeto fechado que quer ser um projeto fechado, como um bom álbum deve ser.

“Pleasure” é também o álbum da Jolin com o maior envolvimento da artista na produção e composição do álbum, com a gata assinando 11 das 13 produções presentes. Isso dá um tom de honestidade e personalidade para o “Pleasure”, que a gente não vê em outros trabalhos da Jolin na década passada. Aqui, o foco é o sujo, o proibido, o misterioso, o que a Jolin instiga o ouvinte a sentir. Pode não ser a música mais polida do mundo, mas temos a visão de um grande álbum e a essência da artista em tornar complexo e elaborado um tema mais simples. Temos diferentes desenhos do que é um eletropop, interlúdios inusitados que invocam uma cantiga de ninar e o coral “O Fortuna” para dar mais substância e teatralidade ao álbum, músicas ambiciosas que elaboram a natureza do prazer de uma forma super inventiva e com um toque mais íntimo.

No geral, a sonoridade mais caótica, dark e com muito eletropop do “Pleasure” lembra o “MAYHEM” da Lady Gaga. Tem muitos poréns nessa comparação, mas as melhores músicas dos dois álbuns para mim conversam entre si de um jeito curioso, como duas artistas que sabem que seus melhores trabalhos estão voltados nesse nicho mais eletrônico, dramático e escuro, e o ponto mais fraco de ambos está nas baladas que não funcionam na tracklist. O mérito do “Pleasure” está em espalhar melhor as faixas mais lentas/leves ao invés de estacionar o álbum no final da tracklist, além de liricamente desenvolver bem o conceito do projeto. A única faixa mais “filler” do “Pleasure” é “Inside Out”, com todo o resto sendo relevante e essencial para mais um trabalho grandioso da Jolin.

“Pleasure” não é perfeito. Jolin optou por uma interpretação suave porém letal em vocais mais sussurrados na maior parte das faixas, mas alguns instrumentais mais pesados acabam engolindo a artista, o que incomoda nos primeiros plays, mas não é muito difícil de acostumar e deixar crescer. As faixas menos agressivas soam deslocadas do resto, mas não incomoda na hora de ouvir do início ao fim. Tem uma ou outra coisinha que não parece dar certo de primeira, mas é um álbum que cresce a medida que você vai ouvindo, e as melhores faixas do “Pleasure” (“Pleasure”, “DIY”, “SEVEN”, “Good Girl” e “Woman’s Work”) estão facilmente entre as melhores faixas desse ano. Espero muito que a Jolin invista em visuais/MVs para esse álbum para ilustrar de forma magnífica e deixar esse comeback ainda mais grandioso.

Faixa a Faixa

“Layers” abre o álbum como o momento mais “puro” do enredo, de uma Jolin que parece estar caindo na espiral dos sete pecados capitais. É a música com o instrumental mais light, mesmo que as batidas mais pesadas apareçam para corroer a melodia mais limpa criada no início da canção. Tem uma certa agonia em “Layers” que intriga o ouvinte e funciona muito bem como abertura de um álbum caótico e dark. A seguir temos “The Divine Comedy: Purgatorio”, que serve como interlúdio mais apocalíptico para te apresentar o inferno de Jolin E introdução ao grande hino do álbum “SEVEN” no melhor estilo non-stop (Se você é daqueles homossexuais que se emocionaram com a sequência Chromatica II > 911, terá orgasmos com a sequência Purgatorio > SEVEN nesse álbum).

“SEVEN” é aquela música que te dá injeção de adrenalina e abre portas para um novo mundo, distópico e perigoso, com a produção eletrônica mais intensa, a aceleração que o refrão ganha ópera dando aquele ar épico deixando a canção ainda mais emblemática. “SEVEN” é um eletropop destemido, audacioso, com vontade de ser icônico, com a agonia que aparece de forma mais limpa em “Layers” ganhando um tom mais sujo, o que desperta um certo medo aliado a um prazer estranho e irracional. Uma das grandes músicas pop de 2025, assim como a faixa seguinte “Pleasure” que te leva para as pistas de dança do inferno e te faz explorar o desconhecido e proibido junto com Jolinzão. O que é desconhecido em “SEVEN” se torna excitante em “Pleasure”, com uma produção eletrônica mais direta e objetiva e Jolin exalando tesão em seus vocais. Músicas como essa poderiam ser apenas farofas comuns nas mãos de qualquer básica, mas Jolin tem uma magia, uma peculiaridade, um fogo no olhar que tira “Pleasure” desse lugar comum. É estranho o sentimento de poder mais profundo que a música me dá, mas eu quero MAIS e me jogar nessa onda de prazer.

“Safari” mantém o tom eletrônico mais ofensivo, mas os sintetizadores estão adequados para uma fantasia mais selvagem e colorida, com uma direção de processamento mais rasgada na segunda metade da música que distorce a experiência e deixa uma marca em meus ouvidos, e isso é muito bom. Fica um pouco para trás depois de tanto pancadão fortíssimo rolando antes, mas tem sua graça e personalidade. “Inside Out”, por outro lado, já é um batidão mais introspectivo e “city pop vibes”, sendo o primeiro momento mais descontraído da Jolin e deslocadíssimo do álbum. “Inside Out” não é ruim, mas soa como a Jolin dando dois passos para trás e dando mais texturas e um alcance sonoro para o “Pleasure” não ser pancadão o tempo inteiro. Como música em si é uma graça, mas é esquecível para o conceito do álbum e tudo que foi construído na tracklist até aqui. Isso rapidamente é corrigido em “Woman’s Work”, retomando o prazer e adrenalina do início do álbum de um jeito convidativo, onde Jolin já entendeu o que você quer e está pronta para o seu toque. Suave mas objetivo, “Woman’s Work” é mais um destaque positivo do “Pleasure”.

“Pillow” é uma midtempo satisfatória que mistura pop, sintetizadores e um ritmo levemente R&B, com Jolin cantando sobre você ter virado a zona de conforto (e algo necessário) na vida dela. Como música em si é agradável, mas dentro do álbum… Eu não sei. É mais uma música que parece deslocada da proposta mais intensa e arrepiante dos batidões eletrônicos do álbum, mas achei menos filler que “Inside Out” e dá para interpretar como uma vitória da Jolin depois de passar a primeira metade do álbum me seduzindo com seus vocais e batidões. Só que esse prazer leve em “Pillow” não satisfaz mais a nossa taiwanesa, que sente que você não dá mais conta do recado e agora tem que se satisfazer por conta própria em “DIY”, e aí voltamos ao pancadão com versos discretos e um refrão funk safadíssimo, intenso e envolvente. Muito legal ver que a Jolin resgata rápido o álbum com um hino logo depois de uma faixa mais esquecível.

O interlúdio “Hush Little Baby” emula uma cantiga de ninar mais trevosa que interliga “DIY” com a faixa seguinte “Good Girl”, que traz uma Jolin mais confiante e com atitude, não dependendo mais de você. Muito pelo contrário, agora VOCÊ que tem que ser uma boa garota para Jolin satisfazer a sua vontade. Rola uma crítica social foda ao modelo vida baseado na busca por prazer no consumo que é bem interessante e dá mais sentido ao tom mais agressivo e intimidador que a produção tem. “Fish Love” é a última faixa mais lenta do álbum, uma baladinha mais etérea que ganha batidas suaves e uma discreta guitarra na 2ª metade da música, que dá margem para viradas mais explosivas mas Jolinzão opta por um som mais discreto, sem drásticas mudanças de expressão até o dubstep protagonizar um final mais caótico, sendo a melhor das faixas mais lentas do “Pleasure”. Encerrando o álbum temos “Bloody Mary” resgatando o controverso trap do “Ugly Beauty”, com momentos eletrônicos no pós-refrão que deixam a faixa mais única. Senti num primeiro momento que a Jolin pegou leve na performance com esse instrumental mais pesado pedindo algo tão ousado quanto, mas nada que me incomodasse no segundo play.

Concluindo…

“Pleasure” não é O álbum 10/10 da Jolin com um álbum de estúdio depois de mais de 6 anos, mas me dá a sensação dela ser a última diva pop viva com vontade de ser diva pop na Ásia. Quer dizer, ela não é exatamente a última diva pop viva na Ásia, mas é a que tem mais moral para lançar um álbum eletropop dark de forma relevante, com impacto e conteúdo.

2 comentários sobre “ALBUM REVIEW: JOLIN – Pleasure

  1. Esse álbum está maravilhoso, não tem uma música ruim.
    Acho difícil ela lançar outra bíblia como Ugly Beauty, mas esse até que chegou perto.
    Agora vamos para mais quatro anos de turnê ❤️

    • Sim, ela pode demorar pra lançar álbuns, mas quando lança a gente sabe que vem um trabalho de qualidade.

      Sem falar que, além das turnês longas entre um trabalho e outro, ela ainda costuma fazer uns medleys de sucessos na TV extremamente elaborados. Arrisco dizer que, hoje, nenhuma estrela pop ocidental faz performances tão boas como as da Jolin.

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