Analisando “BLANC” e “null”, os dois últimos álbuns do cantor de R&B JUNNY (E um deles é um dos melhores álbuns do ano)

Se aproveitando da máxima “Só ouviria essa música se me pagassem”, alguém me mandou um pix para falar não só de um, como de DOIS álbuns do cantor JUNNY, que chocantemente não tem nenhum histórico de 7 anos se humilhando em um boygroup ou acumulando derrotas em survival shows. Na luta desde 2017, “BLANC” e “null” são os dois primeiros álbuns de estúdio do cantor. Ele deve ser muito bom para quererem que eu ouça dois álbuns de estúdio de uma vez dele, então vamos ver o que ele proporcionou nos últimos anos para o mundinho R&B coreano. A começar por “null”, que é uma inesperada e muito bem vinda surpresa para o ano de 2025:

Artista: JUNNY
Álbum: null
Lançamento: 20/08/2025
Gravadora: mauve company
Nota: 90/100

“null” é, essencialmente, um álbum que segue uma sonoridade do início ao fim. Ele é um cantor de R&B e o álbum mostra isso. Ele tem aquilo de trazer tudo que um coreano médio sabe de R&B que o DEAN fez muito bem no álbum que resenhei um dia desses, mas mais longo por ser um full album de 12 faixas. É um álbum que o JUNNY descreve como a história do colapso emocional, que no início era quente e brilhante mas se esvazia conforme a mágoa e sentimentos mais tristes se acumulam com o tempo. Isso é muito bem desenhado no álbum, com a primeira parte do “null” sendo mais energéica e colorida e, a partir da faixa “Sweet Release”, sons mais profundos e retraídos começarem a invadir a tracklist, gerando um conflito que se resolve em uma parte final mais introspectiva.

Se tem algo que tenho que pontuar como negativo é a 2ª metade da tracklist tem faixas que parecem seguir um único tom, o que deixa o álbum monótono. Acho que tem um sentido nisso para manter o “null” com um som mais centrado e não viajar muito na versatilidade de estilos musicais (E eu aprecio a intenção), mas vira o clássico caso de todas as faixas parecerem chegar ao mesmo lugar, mas isso é algo mais pessoal e não diminui a qualidade do álbum. Individualmente tem seus destaques, como a audaciosa faixa de quase 8 minutos “Weight Of Time” que soa como um surto mais criativo nesse final de álbum mais introspectivo e calmo, passeando por diversos humores que vão do som mais sintetizado até a baladinha no piano, e eu viajo nessa música do mesmo jeito que viajei com “Somewhere Near Marseilles” da Utada Hikaru (De um jeito bem menos impressionante, em comparação).

A primeira metade é mais estilosa nesse sentido por conta de faixas com mais pulso e uma direção pop de cantor de K-pop que está com a libido em dia e quer te falar que está afim de transar, que pode ou não ter uma referência muito forte dos trabalhos mais R&B do The Weeknd. Para quem busca mais ritmo e vivacidade, faixas como “Energy”, “limbo” e “SOUR” são ótimas, e “Passion, Pain & Pleasure” é a música essencial desse álbum, misturando o R&B cadenciado com synths eletrônicos Daft Punk-escos e sendo daquelas que você sente o impacto e prazer em cada sintetizador na produção e cada verso que o JUNNY canta. A segunda metade não tem esse apelo comigo, mas o “null” é um álbum bom demais de se ouvir para se apegar a detalhes que não funcionam tanto assim.

Se o “null” fosse um EP, seria um mini álbum de R&B com diferentes cores perfeito, mas o álbum se alonga com faixas mais introspectivas e vibing que tiram um pouco do meu interesse em ouvir até o fim.. De qualquer forma, “null” está longe de ser um álbum ruim e traz muita consistência e cor, mostrando que dá para servir variedade e personalidade em um álbum de sonoridade mais centrada. Sinto que quando estiver mais alterado eu vou apreciar melhor as faixas mais lentas do “null”, mas ele é com certeza um dos melhores lançamentos que ouvi na música asiática esse ano.

Artista: JUNNY
Álbum: null
Lançamento: 12/08/2022
Gravadora: mauve company
Nota: 70/100

A distância de 3 anos entre o “null” e o “BLANC” mostram bem a evolução e amadurecimento do JUNNY como artista, pois o “BLANC” é um álbum bem menos expressivo. Na maior parte do tempo, o “BLANC” tenta fazer um pop bem simpático e sentimental que flerta com um ou outro som mais synth, R&B, rock e até folk, o que é fofo mas bem, como diz a segunda faixa do álbum, “óbvio”. Se o “null” ganha muitos pontos pela personalidade R&B mais forte e a profundidade de produções e letras, “BLANC” peca em músicas que poderiam ser feitas por qualquer um.

Há uma imaturidade que o JUNNY quis expressar nesse álbum, como a visão de alguém que passou por pessoas, sentimentos e desilusões no início dos 20 anos que eu até pego de primeira com essas produções e performance mais simples durante o álbum, mas faltou alguma coisa para me convencer que o que estou ouvindo é, de fato, o JUNNY relatando suas experiências em seus 20 aninhos. Não é uma questão de duvidar da sinceridade dele no álbum, mas fiquei com a sensação que ele se esforçou mais em contar histórias para me identificar com o que estou ouvindo, sem qualquer coisa que mostre alguma personalidade do cantor. O “BLANC” é uma experiência que, ao invés de me aproximar da vulnerabilidade, me distancia do artista.

As duas faixas principais são os destaques desse álbum, pois o synthpop é algo que me conquista com facilidade. Tanto a coisa mais sentimental e ressentida de “Not About You” quanto os sintetizadores mais envolventes de “Color Me” resultam em faixas que eu gostei de ouvir e colocaria na minha playlist para ouvir de novo até surgir o novo melhor synthpop que já ouvi na semana seguinte. Mas o “BLANC” cai naquela armadilha de querer ser tudo ao mesmo tempo e acaba não sendo nada muito relevante. O abismo entre as faixas principais e as album tracks é notável e não tem qualquer highlight nas album tracks do álbum. É fofo, é adorável, é um grande 7/10 que não marca a vida de ninguém, sem despertar qualquer interesse em saber o que há por trás de cada faixa.

O grande salto que o “null” dá em relação ao “BLANC” é que o JUNNY parece ter menos medo de mergulhar no que está cantando. Se o “BLANC” soa mais “genérico” em todas as ideias de músicas pop mais vulneráveis que tiveram para o álbum, o “null” parece muito mais ter muito mais identidade, ousadia e até coragem. Isso não quer dizer que o “BLANC” seja um álbum ruim, mas é um trabalho bem menos impressionante no geral, com músicas bem menos comentáveis individualmente. É um álbum bom de ouvir, mas recomendo você ouvir primeiro o “null” e procurar outros trabalhos dele. Depois que você criar uma simpatia por ele, o “BLANC” soará bem mais agradável.


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2 comentários sobre “Analisando “BLANC” e “null”, os dois últimos álbuns do cantor de R&B JUNNY (E um deles é um dos melhores álbuns do ano)

  1. Tipo, eu vejo muito do jk em null, ele poderia lançar um álbum desse, era só ter escolhido demos melhores.

  2. Adoro null escuto todos os dias. Eu achava que era a única pessoa que conhecia o junny, na minha bolha ninguém fala do querido kkkkk passion pain and pleasure é minha fav. Essa música é o que o jk achou que tava fazendo com standing next to you. Inclusive se a hybe tivesse deixado o jk ser artista, o golden seria no nível do null.

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