Na última segunda o IVE lançou o segundo full album da carreira “REVIVE+”. Com “BANG BANG” cumprindo o papel de faixa principal desse retorno e já garantindo mais um #1 para a coleção (“BLACKHOLE” virou a “ATTITUDE” desse comeback mesmo) e o álbum vendendo mais de 600 mil cópias na primeira semana (Um número baixo para quem vendia 1 milhão em 1 dia, mas um sucesso mesmo assim), o IVE garante mais um comeback para consolidá-las como um dos maiores nomes femininos da geração delas (Se não O maior nome) sem maior esforço, como dá para ver pelo conteúdo do “REVIVE+”:

Artista: IVE
Álbum: REVIVE+
Lançamento: 23/02/2026
Gravadora: Starship Entertainment
Nota: 74/100
Tratar o IVE como o “melhor grupo de pop básico” do K-pop não me faz criar qualquer expectativa com os EPs/álbuns do grupo (E o histórico delas não ser lá grandes coisas mesmo), evitando grandes tombos ou decepções. Não é um grupo exatamente previsível, mas é simples ler e entender o que a Starship quer com elas: Maquinar hits que colem nas rádios pop/playlists/redes sociais. Elas já estão há 5 anos nessa “aura” de se preocupar em lançar grandes músicas pop sem necessariamente lançar grandes álbuns pop, e não vão mudar tão cedo. “REVIVE+” é mais um exemplo disso.
“REVIVE+” é, basicamente, dois EPs colados em um álbum, com a 1ª metade servindo músicas do grupo e a 2ª entregando trabalhos solo que elas já performam há meses na atual turnê. Elas nem tentam vender o álbum como um todo ou, pelo menos, ter uma ideia mais conceitual para contar uma mínima história e vender uma experiência do início ao fim. “REVIVE+” é um álbum que refina a evolui ideias já existentes do IVE como grupo pop, mas ainda segue com o objetivo de fazer você escolher duas ou três faixas favoritas em uma tracklist que varia do mediano ao bom (Normalmente são os singles, mas não foi o meu caso nesse álbum).
As músicas do grupo têm como ponto fazer melhor o que o IVE já faz bem: Pop radiofônico para divertir os jovens. Não esperem nenhuma ideia nunca vista antes nas músicas do IVE, pois músicas como “BLACKHOLE”, “Fireworks” e “HOT COFFEE” reforçam e evoluem a identidade synthpop colorida que o grupo possui. Até mesmo as músicas mais fora da caixa como “BANG BANG” e “Hush” são coisas que elas já fizeram antes, mas de um jeito mais maduro e refinado para combinar com o status atual de veteranas do K-pop. Nem tudo é muito bom, mas já é melhor que o último EP delas.
Entre os solos, dá para notar aquelas que tentaram surpreender o ouvinte com músicas mais expressivas e aquelas que só foram cumprir o seu papel. Pop/rock alternativo para a main vocal do grupo não é exatamente a coisa mais inovadora que poderiam ter feito, mas os pancadões eletrônicos sujos para as comadres visuais se virarem sustentando foram coisas que eu ouvi e pensei “Oh, tem umas monas com personalidade aqui”, o que acabou prendendo mais a minha atenção. Poderia ser um EP especial separado já que são músicas da turnê? Poderia, mas já estava na hora da Starship dar um 2º full album para o IVE e esses solos acabaram quebrando o galho.
A coisa mais impressionante do REVIVE+ é que a escolha dos singles (E boa parte do álbum em si, de certa forma) parece mais reforçar um conceito sonoro já consolidado para o IVE do que exatamente seguir uma nova tendência ou mostrar versatilidade em um estilo totalmente inédito. As músicas synth e os solos eletrônicos são coisas que o grupo faz desde sempre, e as faixas eletrônicas mais pesadas e dark também não fogem muito do que o IVE já força como “o outro lado” delas. Num K-pop onde todo mundo pula de estilo musical drasticamente a cada comeback, a consistência do IVE se torna uma grata exceção. De resto, não existe muito no REVIVE+ que vá além de mais um álbum pop coreano.
REVIVE+ é um álbum bom do IVE. Mudará a sua vida depois de ouvir ou entrará no hall de grandes álbuns do K-pop? Lógico que não, mas a playlist tracklist serve músicas interessantes e pops chiclete sem nenhuma falha gritante ou música horrorosa, entretendo qualquer pessoa que já simpatize com a discografia do grupo e até conseguindo atrair um ou outro homossexual mais perdido que quer um conjunto de músicas girly para cantar e dançar junto. Um álbum satisfatório que não deixa nenhuma grande impressão no fim do dia, e isso é o que parece funcionar para o IVE.
Faixa a Faixa
Os dois singles desse álbum são dois grandes QUASES. “BLACKHOLE” no geral cumpre bem o papel de evoluir e amadurecer o synthpop que o IVE faz desde sempre, mas ainda sinto falta de um refrão emblemático para ser O grande single da carreira do IVE. Já “BANG BANG” cumpre bem a ideia de single diferentão e “fora da casinha” para o grupo, que dá uma impressionada em qualquer ouvinte mais desprevenido mas, no fim do dia, o resultado não é tão empolgante assim. Eu acho até melhor hoje do que na época que lançou, mas a versão para cacuras feita pela Jessie Ware faz mais por mim. De qualquer forma, são dois singles que mostram a vontade do IVE de se reinventar em sua zona musical e evoluir como grupo, e eu aprecio essa intenção.
“Hush” deixa a intensidade dos singles de lado e aposta num número pop mais calmo, sem perder o ritmo mais dançante mas soa como uma versão mais suave de alguma reinvenção do pop dos anos 2000. O refrão aqui é delicioso e as repetições do “hush” nele são super chiclete, mas me incomoda a primeira leva de versos não ter nada muito relevante para já entrar na vibe. Do primeiro refrão para frente, entretanto, é a melhor música do grupo nesse álbum. “Stuck In The Head” parte para um lado R&B fofo e eletrônico, mas faltou mais ambição em ir além. Adorável e com uma batida bem gostosa, mas não é nenhum destaque.
“Fireworks” é “REBEL HEART” com um toque rock (Ou seja, é a versão mainstream de “CINEMA” do PRIMROSE), e isso era o que faltava para “REBEL HEART” ser uma faixa incrível. Assim como “BLACKHOLE”, “Fireworks” é o IVE reinventando seu pop sintetizado e trazendo algo diferente para ser comentado entre os fãs, e isso é bem legal. Fechando as músicas do grupo temos “HOT COFFEE”, um pop/dance mais soft que serve bem como encerramento de álbum/encore de show. Não decidi ainda se gosto ou não do refrão dessa música (Tem algo que parece errado dentro da música, mas também é bem charmoso) e todo o resto é aquele pop coloridinho mais safe que quase todo girlgroup de K-pop faz.
Os solos do álbum, obviamente, começam com “8” da Wonyoung, um pancadão eletrônico que ganharia VIDA se fosse produzida por algum produtor da cena LGBT+ brasileira. É um pancadão sujo e BEM ousado para o que eu esperava de um solo da Wonyoung, mas ainda parece faltar um pouco de caos na produção. O pós-refrão e o final da música são ótimos e eu sinto minha mente fritar com eles, mas todo o resto parece mais uma tentativa mediana de fazer um EDM dark. “8” perde muito quando passa a surpresa do primeiro play, mas valeu pela Wonyoung mostrar que pode ser mais que a bonitinha it girl da nação. O solo da Gaeul “Odd” é um popzinho mais calmo e etéreo de rádio americana, com uma guitarrinha soft e uma melodia mais fantasiosa que traz paz para um dia mais frio. Simpático no primeiro play, dispensável nos outros.
“Super ICY” da Leeseo vai pelo caminho “pancadão eletrônico mais sujo” da Wonyoung, mas mais fiel ao EDM mais bagaceiro de 2010 que você encontraria num álbum da DEV ou em alguma colaboração do Far East Movement. Com uma execução mais certeira e estilosa, eu já achei “Super ICY” mais divertida depois da surpresa do primeiro play e uma das melhores do álbum, e seja lá quem foi responsável por dar esses números eletrônicos para as gatinhas por favor CONTINUE. “Unreal” da Liz é descrita como um vibrante e emotivo “pop/rock alternativo com foco guitarra e bateria”, e se você conhece o mínimo de K-pop sabe EXATAMENTE como essa música é. Óbvia demais para a main vocal do grupo, não é a minha praia e nem acho que é carismática o suficiente para ter vontade de repetir (E achei a Liz meio chata nos vocais também). Meh.
“In Your Heart” da Rei é um dnb que tenta acelerar tudo para encaixar em 2 minutos, sendo uma baguncinha que balança entre o divertido e o caótico da maneira mais fofinha e “variante de PinkPantheress” possível. Ideia certa e é definitivamente a coisa mais “alternativa” que o álbum proporciona, mas não comprei muito a execução não. Em alguns momentos é uma baguncinha adorável, em outros só me irrita mesmo. Fechando o álbum temos “Force” da Yujin que é… curiosa. O hip hop de gostosa nos primeiros versos me deixou “Uau, tá aí algo interessante”, mas o pré-refrão e o refrão transforma a faixa em música do Little Mix e não tem nada a ver com nada, especialmente pelos versos hip hop VOLTAREM depois do primeiro refrão e pelo fato da Yujin parecer morta cantando esse refrão. Dá para ver que a morena está dando a vida nos versos, aí chega o refrão e ela parece murchar/não ter vocal para elevar a coisa toda.
Concluindo…
O IVE segue longe de lançar o álbum que mudará a trajetória da minha vida para sempre, mas REVIVE+ é um bom álbum para quem não pretende nada além de ouvir e se divertir com uma seleção de faixas pop boas.
concordo que todas as músicas aqui elas já fizeram antes, mas acho que já fizeram até melhor. salvei mais o álbum pelos solos porque até pra um disco pop do ive faltou mais diversão