Um álbum que passou totalmente batido na minha bolha foi o PLAY do MISAMO. Ok que álbuns japoneses não são realmente comentados entre meus moots como os coreanos (Mesmo aqueles que tem uma carreira consistente por lá como o TWICE), mas achei que a galera teria mais consideração em ouvir o 1º álbum completo da unit de japonesas do TWICE. Então eu decidi dar uma chance para esse lançamento e comentar o que achei para vocês. Será que vocês tem razão em serem indiferentes com o álbum ou tem algo que vale a pena ouvir e você está perdendo? Vamos descobrir AGORA:

Artista: MISAMO
Álbum: PLAY
Lançamento: 03/02/2026
Gravadora: Warner Music Japan
Nota: 70/100
Encaro o “PLAY” como uma tentativa não tão forte do MISAMO fazer um álbum com conceito. Indo por um caminho teatral, passeando por estilos e elementos mais jazz que trazem uma experiência de musical vintage da Broadway, mas sem perder a essência que o MISAMO construiu nos EPs anteriores (Em especial, o R&B anos 2000), misturando a ousadia de um conjunto musical novo na vida do trio com o conforto de estilos musicais já consolidados na discografia. Ou seja, elas serviram a experiência Koda Kumistica de entregar álbuns cujo fio condutor só vai até a página 2, e depois só fazem o que dão na telha até encher a tracklist.
Essa reinvenção retrô é promissora no papel, mas a execução não parece chegar lá principalmente porque o lado “broadway” do álbum, que deveria ser o principal se julgarmos pela faixa promocional “Confetti”, vira figurante nas faixas que lembram de fazer alguma referência a um musical big band. Músicas como “Hmm”, “Not A Goodbye” e “Catch My Eye” tem uma ou outra referência retrô/jazz mas não deixam uma grande impressão, e a segunda metade do álbum simplesmente deixa pra lá isso e meio que faz o que elas sustentam. Tanto a parte conceitual quanto a zona de conforto do MISAMO não impressionam, e o resultado final é um álbum indiferente, que não muda a vida de ninguém.
Individualmente o álbum tem alguns destaques, como metade da faixa “Hmm” e a deliciosa “Deep Eden” que mostram sons mais inesperados e interessantes. A parte de solos do grupo também é acima da média e mostra potencial para o dia que o trio conseguir lançar um álbum focado no batidão Pop/R&B dos anos 2000, e “Do Not Touch” sempre será uma música muito querida por mim. Tirando “Identity”, nenhuma música é terrível ou me deu raiva ouvindo, mas a maior parte do álbum fica naquela linha agradável, mas nenhuma música deve durar mais de 30 minutos na sua cabeça. EU não tiraria nada da minha playlist para botar algo desse álbum no lugar, mas ouviria se acordasse um dia pensando “Hum, e se eu começar minha manhã ouvindo MISAMO?”.
Algo que define bem o PLAY é que ele é adequadamente bom. As músicas no geral acabam ficando naquele limbo de “é bom, mas” que não me faz viver loucamente por qualquer coisa que o MISAMO entregou aqui, mas nenhuma das novidades do álbum é ruim e a tracklist é gostosa de ouvir de forma mais despretensiosa. É o álbum do ano? Não, e sinto que o PLAY nem tenta isso na maior parte do tempo. Seria muito mais interessante se o MISAMO fosse fundo em alguma das ideias que o trabalho possui (Seja na parte mais “musical do broadway” ou na parte “Pop/R&B de gostosas”), mas cumpre o papel de servir músicas e sons que a gente não escutaria do TWICE como grupo completo e é o suficiente. Se você não criar nenhuma exigência ou expectativa com o álbum, terá um saldo positivo ouvindo.
Faixa a Faixa
“PLAY” começa com a faixa principal do álbum “Confetti”, um número jazz BEM retrô, que vai longe nos gêneros mais vintage. É uma faixa 7,5/10 fofa que ganha muito pelo “uniqueness” da coisa, já que não é todo dia que um grupo mainstream aparece tentando resgatar a magia das músicas mais cunty de 1932, mas a música ganharia mais vida dentro do álbum se a tracklist mergulhasse mais de cabeça no conceito “Modern Times” do single. Como não é o caso, “Confetti” fica meio aleatória como um lançamento do MISAMO. “Hmm” já bota o MISAMO na rota do batidão R&B noventista que o trio poderia ter seguido desde que “Do Not Touch” deu certo para elas, mas aí elas lembram que estão na era retrô e, no final, a música dá um giro e vira um número de musical anos 50. Os dois primeiros minutos de “Hmm” são facilmente os melhores minutos desse álbum, mas não fiquei muito fã dessa virada e isso dá uma derrubada na música para mim. Antes deixasse o batidão de gostosona rolando mesmo.
“Not A Goodbye” é a Sabrina Carpenter/Fifty Fiftyzação do MISAMO. Adorável, sing along e easy listening, mas inofensiva demais para me importar no final do dia. Acho que tem alguma tentativa de manter a aura retrô musical do álbum, mas se torna irrelevante quando a música em si fica devendo alguma coisa memorável. “Deep Eden” é o momento mais dramático e “dark” do álbum, com o trio apostando em sintetizadores mais fortes e uma aura mais “profunda”, que ganha um tom intenso e elegante quando o refrão surge com os violinos brilhando. “Deep Eden” é a melhor música do MISAMO nesse álbum.
“Red Diamond” é outro destaque do álbum, mantendo a profundidade dos sintetizadores profundos da faixa anterior mas em um tom mais eletrônico e uma performance mais ~sexy~, mas me pega um pouco sentir que essa música poderia ser lançada por qualquer grupo pop de meninas por aí. É uma faixa BOA, mas não tem nada que me prenda como uma faixa do MISAMO. “Catch My Eye” volta com a energia retrô/jazzy da faixa principal mas de um jeito mais sintetizado e quase house que me fez, estranhamente, pensar que poderia ser algo para o IZ*ONE lançar na Coreia (O refrão/pós-refrão é a cara delas). Outra música boa, mas que não vai muito além do 7/10 ou me dá vontade de falar “Nossa, elas arrasaram muito aqui”.
Chegamos nos solos do álbum, começando por “Kitty” da Momo que segue o padrão de solos da gata: Ela canta com os quadris e serve o pop rebolativo de diva pop anos 2000 que toda cacurinha ama. Bem divertido, com um batidão envolvente e sem uma virada esquisita no final (O shade para “Hmm”, mds), “Kitty” é perfeita para você tirar o estresse e se deixar levar por uma batida pop simples e chiclete, sem exigir muito do ouvinte. “Ma Cherry” da Sana tem a mesma ideia, mas uma execução pop mais acelerada que poderia muito bem ser o comeback solo da Nayeon, e seria bem melhor se fosse a MC POP! forçando vocais mais altos para deixar a música mais memorável. Com a Sana, “Ma Cherry” é simpática e tem um refrão legal. “Turning Tables” da Mina é a menos dançante e mais vibing das 3, sendo um R&B com referências jazz mais relax para você caminhar tranquilo na sua quebrada ou tomar um copão de gin na adega do lado de sua casa. É uma sequência interessante, mas esses 3 solos parecem coisa de OUTRO álbum e foge real do que o trio mais ou menos entregou com as músicas em grupo do PLAY.
Fechando o álbum, 3 músicas já lançadas pelo grupo. “Identity” é uma joça, uma música pop que aposta em batidas mais pesadas que não vão a lugar nenhum e só parecem marteladas no meu fone de ouvido, sendo um meh do início ao fim que o MISAMO poderia ter guardado na gaveta. “Do Not Touch” já é uma faixa mais princesinha do R&B que é a minha queridinha do MISAMO até hoje, me sinto com muita classe e poder ouvindo esse R&Bzão com um refrão precioso. Fechando o álbum, a filler “Message” até serviria bem como encerramento de um álbum mais teatral e vocal mas, com metade do álbum fugindo desse conceito que “Confetti” criou, soa como mais uma música aleatória e irrelevante na vida do MISAMO.
Concluindo…
“PLAY” não é um álbum conceitualmente expressivo ou que tem muito o que dizer mas, sinceramente, esperava coisa pior. Não é um PLAY essencial que vale ouvir por anos a fio, mas vale o PLAY despretensioso num dia que você só quer ouvir música nova enquanto lava uma louça.
Meu problema com essa unit é que não tem ninguém com vozeirão. as músicas ficam monótonas com essas vozes básicas delas. Pena que a momo é fanha, pq de longe é a com mais carisma
“Experiência Koda Kumistica” é a descrição perfeita para os álbuns do Misamo. Me frustra um pouco elas sempre trazerem um conceito estético muito legal e não manterem ele nas músicas, tanto no Haute Couture quanto nesse álbum. :/ Mas pelo menos as músicas do Play, em maioria, são agradáveis. Hmm e (principalmente) Deep Eden são bem boas, Deep Eden me parece uma irmã mais nova de Hell In Heaven. A virada de Hmm não me incomodou porque pelo menos é uma virada boa e não um pancadão Blackpinkesco, mas acharia melhor se fossem duas músicas diferentes (genuinamente fiquei triste por não terem se entregado mais ao pop retrô anos 20-50).
Compreendo seus sentimentos dougie, principalmente quando saiu confetti e eu fiquei tipo E QUANDO VEM O SINGLEZÃO DE R&B??? e no fim confetti que era o single do álbum.
e eu odeio também quando um album recicla musica já lançada, Do not touch e Identity já tem seus mini albuns, larga elas lá, que terminasse o album só com message que ficaria melhor