ALBUM REVIEW: Yuna (ITZY) – Ice Cream

Tem ainda quem tenha trauma das piores músicas já lançadas pelo grupo, mas elas parecem ter achado um rumo musical em 2025 com EPs sólidos e algumas das minhas músicas favoritas do ano passado, o que me deixou com boas expectativas para o que o grupo fará nesse ano de 2026. Essa semana tivemos o debut solo da Yuna com o 1º EP “Ice Cream”, e eu ouvi ele esperando que a Yuna, pelo menos, seguisse essa boa sequência de lançamentos que o ITZY como um todo emplacou recentemente. Será que ela abalou as minhas placas bucetônicas do mesmo jeito que a Yeji conseguiu ano passado? Já adianto que NÃO, mas o “Ice Cream” não deixa de ser um mini álbum bem satisfatório:

Artista: Yuna (ITZY)
Álbum: Ice Cream
Lançamento: 23/03/2026
Gravadora: JYP Entertainment
Nota: 72/100

Eu dei uma olhada na wiki do ITZY esse fim de semana para ver qual era a função da Yuna no ITZY e fui pego desprevenido. Ela não é a rapper principal, não é a dançarina principal e sequer tem um papel relevante como vocalista, estando no ITZY, basicamente, para ser bonita e jovem. Fiquei surpreso que a JYP pegou a bonitinha para debutar solo antes das outras main qualquer coisa do grupo, mas isso não é um problema para qualquer apreciador de música pop (Sabemos que cantar com a beleza é o suficiente e, às vezes, até melhor do que com a voz) e justifica até o conteúdo do “Ice Cream”, um mini álbum pop milimetricamente calculado para ser agradável.

Conforme o EP passava, eu sentia falta de algo mais explosivo. Sabe aquele momento momento UAU que te faz arregalar levemente o olho e pensar “Uia, essa querida arrasou aqui” quando uma música te pega desprevenido? Eu não senti isso ouvindo as músicas desse mini álbum. É bem claro que o EP quer servir uma experiência doce, suave e refrescante como a de tomar um sorvete, respeitando as limitações da Yuna como vocalista em trabalhos fáceis de curtir. A coisa mais ousada desse EP é o flerte house que o synthpop de “Hyper Dream” possui, mas nada no “Ice Cream” é feito para te chocar.

Se o EP fica devendo uma surpresa para tentar ser 10/10, ele sobra em carisma. Nenhuma faixa me faz gritar “música do ano”, mas todas são redondinhas e difíceis de desgostar, servindo um pop em diferentes variações que passeiam pelo synth, hip hop e R&B, mas focado em servir um prazer reconfortante em cada melodia e performance vocal. “Ice Cream” é daqueles mini álbuns que eu não faço questão de ficar obcecado por alguma faixa, mas deixo rodando de fundo enquanto faço outra coisa sem pular nada. E como o EP dura 10 minutos, numa limpeza básica de quarto ele já rodou umas 3 ou 4 vezes no repeat.

Uma produção que desafiasse mais a Yuna como performer poderia render a surpreendente melhor música do ano que ninguém esperava dela, mas também poderia ser um desastre. Fazer o arroz com feijão da música pop foi o caminho mais seguro para a cantora, e o “Ice Cream” se mostrou certeiro e catchy com as músicas mais básicas que você vai ouvir. “Ice Cream” não tenta nada além de passar de ano deixando uma boa impressão para o debut da Yuna e, comigo, deu super certo.

Faixa a Faixa

O álbum começa logo com a faixa título, que realmente é a escolha mais certeira de single. “Ice Cream” não só é o synthpop mais chiclete e radiofônico desse EP, como os ganchos são mais efetivos e claros, me fazendo cantarolar a música por aí involuntariamente. “Ice Cream” faz bem o que todo mundo já fez na hora de gravar um synthpop, e a Yuna tem uma performance adorável que dá charme para a coisa toda. “B-Boy” é descrita como uma mistura de hip hop com break beat, e soa como uma versão bem básica do que o que o K-pop acha que a PinkPantheress faz no mundo. Bem fofinha e com um instrumental soft bem gostoso, mas a mais irrelevante do EP para mim.

Das b-tracks do EP, “Blue Maze” é a minha favorita. Esse som mais lento e R&B com leves toques city pop traz uma melodia mais profunda e introspectiva que o resto do álbum, e eu me peguei curtindo essa música como se estivesse aproveitando uma caminhada noturna com as luzes da cidade me protegendo. Mesmo sentindo que “Blue Maze” poderia mergulhar mais na vibe city pop, a doçura e delicadeza faz dessa a música mais marcante do EP para mim. Fechando o álbum temos “Hyper Dream” servindo um synthpop mais colorido com flertes house que dão uma agilidade única para a faixa. O problema da música não ir muito fundo no que se propõe se repete aqui (Poderia explorar mais o batidão ou deixar os synths mais vibrantes e marcantes)

Concluindo…

“Ice Cream” não vai mudar a sua vida em nenhum desses 10 minutos de duração, mas é o mini álbum 7/10 mais carismático que você ouvirá por esses tempos.

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