ALBUM REVIEW: aespa – LEMONADE

Eu não confio em fã do aespa. Todo comeback delas é tratado como um grande álbum, vocês falam que é o AOTY para mim e, quando dou play, recebo alguns dos lançamentos mais pressão baixa da geração. Eu não caí no hype de todo mundo que aclamou o “LEMONADE” na internet e esperei ouvir por conta própria para ver se essa limonada estava doce mesmo mas, lá no fundo, esperava que vocês estivessem certos e a minha vida fosse realmente mudada após ouvir esse comeback. E agora, depois de ouvir, posso concluir que: Vocês estavam certos e o LEMONADE é um álbum incrível se comparamos a tudo que o aespa lançou:

Artista: aespa
Álbum: LEMONADE – The 2nd Album
Lançamento: 29/05/2026
Gravadora: SM Entertainment
Nota: 80/100

Um álbum do aespa padrão arrasa em seus conceitos visuais, looks e postura de modelo das integrantes, mas peca muito em tracklists medianas com faixas propositalmente fracas para destacar o material promocional, resultando em trabalhos dispensáveis. O que torna o aespa interessante é essa evolução de imagem fierce e com um toque mais apocalíptico sendo as guerreiras mais descoladas da SM Entertainment, mas era dar o play em qualquer álbum do grupo e dar de cara com as músicas mais derivativas (Quando não eram ruins) que você poderia escutar (Com exceção, obviamente, dos singles).

“LEMONADE” é o 1º álbum do aespa onde as músicas são tão chamativas quanto os visuais. Com o objetivo de deixar uma grande impressão do início ao fim e uma orientação de álbum dance que amarra todos os estilos musicais, boa parte das faixas tentam (E conseguem) me prender como ouvinte e querer performar e ser tão descolado quanto o aespa. Tudo tem personalidade, é divertido, combina com o grupo e me dá vontade de ouvir o álbum de novo e de novo. “LEMONADE” é um álbum muito bom para as pistas de dança e para mostrar a evolução do aespa, que precisava de um lançamento grandioso como esse nessa etapa da carreira.

Tem muita coisa destacável no “LEMONADE”. A title track e “Switchblade” estão entre as duas melhores músicas da carreira do aespa, mas é o tipo de álbum que (quase) todas as faixas tem potencial para serem a favorita de alguém. Os números dançantes são dançantes de fato os momentos mais hip hop tem seus momentos de glória no álbum, e até a assumidamente horrorosa “Roll” funciona como momento mais descontraído, pois o resto do álbum impõe a presença e força que um grupo como o aespa promete em cada lançamento. “LEMONADE” é um álbum estrondoso, com faixas que se estapeiam para ter a sua atenção ao invés de se apequenarem em prol de destacar as faixas promocionais. Nem tudo é impressionante no álbum e rola alguns momentos tediosos e esquecíveis, mas o “LEMONADE” vale bem mais pelos pontos positivos.

O aespa eletrônico e distópico é o melhor aespa para o K-pop, e que bom que, dessa vez, essa persona infecta o álbum. A exceção é o final do álbum, que tem uns números vocais mais lentos que fazem cota em todo álbum de K-pop, mas até “My Plan” tem seu charme e eu acho necessário. A SM trabalhou duro para o aespa ter esse álbum como um grande evento na carreira delas, e o “LEMONADE” realmente está dois níveis acima de tudo que o aespa vinha servindo antes disso.

Faixa a Faixa

O álbum já começa com as duas title tracks, “WDA” é “esquisita demais” para eu falar “nossa, vou colocar esse HINO na minha playlist” e acho tediosa para ouvir como single, mas desce mais fácil dentro de um álbum. O que é legal continua legal (Os sintetizadores eletrônicos, a coisa mais “distorcida” do instrumental como um todo, cada refrão tendo uma personalidade diferente) e o que é chato continua chato (Praticamente toda vez que elas E o G-Dragon abrem a boca) mas, no geral, é um okzão com cara de evolução se levarmos em conta o que estavam desovando ano passado. Já “LEMONADE” é uma delícia mais refrescante, com o aespa voltando para o eletropop com muita cuntyficação e yasslayzação para você fritar na pista de dança na base do carão e pose. EU inverteria a ordem e botaria “LEMONADE” para abrir o álbum com tudo, mas isso é um mero detalhe. E já adiantando: A versão com a Becky G que finaliza o álbum não difere em nada da versão do single, com a Becky G praticamente se fundindo e virando uma quinta integrante do aespa com o verso dela (Surrou a naevis).

“Shakin'” é o aespa dando a sua identidade eletrônica distópica a um popzão/hip hop anos 2000 do Timbaland. Entendo onde elas querem chegar, aprecio a atitude de gostosas que balançam seus quadris para abalar as estruturas e, apesar de preferir algo mais “puramente y2k” nesse estilo, “Shakin'” fez de um jeito super legal e envolvente, sendo mais um destaque do álbum. “Can’t Help Myself” leva o aespa para o rock de gostosas, mas achei essa guitarra dos versos tão chatinha que a música já tinha me perdido já no início. Senti tudo meio morto nessa música, e isso fica mais evidente quando as meninas começam a cantar com mais força e drama ali no pedaço final que é BEM mais empolgante, mas tenho zero vontade de aguentar essa música até o fim.

“Camouflage” bota o aespa em uma persona diferente e mais simpática pela primeira vez no álbum, numa performance suave em cima de um hyperpop que alguma cria do Danny L Harle soltaria no auge da PC Music na década passada. É uma música mais POP que HYPER, servindo um alívio interessante sem perder a adrenalina do álbum e tornando a experiência bem agradável como um todo. “Bite” volta com o hip hop de gostosa, com um instrumental menos anos 2000 e mais “cria de boygroup” com a atitude no ponto certo, mas todo o resto é esquecível para mim. Não é ruim, mas o álbum entrega coisa muito mais interessante para eu lembrar dessa no fim do dia, como o pancadão delicioso de “Switchblade” que botou 500ml de silicone nos meus seios para balançá-los no ritmo dos sintetizadores. É de uma adrenalina e selvageria que farão os fãs mais selvagens delas terem o momento de suas vidas no show do grupo em setembro, e não tenho absolutamente nada a reclamar aqui. Já é a melhor album track da carreira do aespa e, se tivesse um refrão final enlouquecedor depois do rap do Ty Dolla Sign (Que, diferente de muitos, eu achei muito bom), o aespa teria garantido a melhor b-track do ano aqui.

“Roll” é o que a HYBE deveria estar fazendo com todas as tentativas de troll/brainrot song que andam fazendo: Assumir que é uma bobagem ridícula e descontrair. Pega uma música infantil para usar como sample, bota um trap besta com uma letra non sense e, principalmente, garanta que tenha músicas ótimas no álbum para fazer de “Roll” uma música que ninguém leva a sério. “Roll” é ridícula, mas canaliza todas as críticas de música ruim desse álbum E funciona para dar risadas depois de tanta música boa para dançar na tracklist.

As duas últimas faixas do álbum desaceleram o álbum de um jeito bem tradicional: midtempo R&B e pop/rock para encore de show. “My Plan” é charmosa, abre com a caixinha de música e depois descamba para o R&B padrão que você deixa para ouvir de fundo como uma música para te ajudar a dormir (Não é uma crítica). Já que é um fillerzão aqui, eu dispensaria os momentos mais pesados dos sintetizadores do meio da música e deixaria a música só nessa mistura de caixa de música e R&B mesmo, masok. Seria o destaque da tracklist por falta de concorrência em qualquer um dos vários álbuns meia boca do aespa, mas perde força em um álbum dance bom como esse. Por fim, “Till We Die” é pop/rock sing along que eu ouviria de qualquer ato da Disney aos 14 anos e pensaria “ah, bota “Poker Face” aí meu”. É fofo e renderá um adorável momento de interação entre o grupo e os fãs no fim do show, faria o seu papel de fechar álbum se não tivesse o remix de LEMONADE depois, e é isso.

Concluindo…

Finalmente os fãs do aespa tem um álbum bom de verdade para espalharem por aí que é um álbum bom.

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