Review Retrô: Quando a BoA tinha joelho para dançar até música lenta no último grande hit coreano da cantora “Only One”

O pedido por pix de hoje é um review retrô de “Only One”, o último grande hit da BoA na carreira coreana (Não discutirei com os otakus sobre “MASAYUME CHASING” ser hit ou não). 2º lugar nos charts semanais, 33ª música mais popular de 2012 na Coreia E só não pegou #1 por ser lançada no meio do fenômeno “Gangnam Style”. O que transformou “Only One” nesse sucesso todo? O fato da “Dance Ver.” de “Only One” ser o MV mais visto da BoA no YouTube explica isso muito bem:

O que botou “Only One” no mapa dos grandes hits de 2012 foi a coreografia, tanto por conta própria quanto por ser uma coreografia para uma música lenta. Chamou MUITA atenção a BoA fazendo uma rotina de dança MEGA elaborada para um R&B cadenciado e romântico como esse. Não chega a ser uma balada, mas é o tipo de música que você espera a lenda olhando para o nada com uma carinha meio sofrida em qualquer cenário que a SM montasse, mas o joelho estava aguentando pressão, o abdominal estava em dia e ela decidiu ousar. Deu certo, rendeu muitos comentários e ela saiu aclamada com o público.

Quanto a música… Posso estar enganado, mas é o primeiro grande flerte da BoA com o R&B que renderia alguns dos melhores álbuns da carreira nos lançamentos seguintes da década passada. Também é uma escolha bem fora da caixa para a BoA, que estava fazendo carreira nas faixas eletrônicas/dance mais intensas e bombásticas e, do nada, ela vira a chave em um número mais sentimental e dramático. A coreografia dá uma intensidade para o conjunto da obra, mas não deixa de ser uma title track mais suave e menos performática que você não espera ver ela lançando como lead track na Coreia.

“Only One” é a música que mais testa os limites que eu tenho com a voz nasal da BoA, já que é uma música onde a produção fica em segundo plano e a gente tem que prestar na voz da intérprete. Lembro de quando lançou essa eu pensar “Jesus amado que voz horrível é essa?” mas, sendo justo, na época eu tinha bem menos boa vontade com a BoA e não tinha vergonha de caçar barraco nos fóruns por aí como Hyori stan. Hoje em dia eu ainda acho que a voz dela não funciona tanto com o instrumental, mas não me incomoda em ouvir. De resto, “Only One” é um amor com um refrão mágico que apaixona até o mais descrente no amor.

“Only One” não é exatamente essencial ou a primeira coisa que eu recomendaria para você conhecer a BoA, mas esse comeback é um primeiro passo interessante para o que ela viria a se tornar para amadurecer sua imagem como artista. Isso fica mais nítido em “The Shadow”, follow up desse comeback que conversa melhor com os trabalhos coreanos que viriam a seguir, mas o sucesso de “Only One” mostrava que a BoA ainda tinha fôlego para bater de frente com toda uma nova geração do K-pop que começava a criar forma em 2012, então tenho muito respeito pelo impacto dessa música na carreira da cantora.

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