Essa semana estava meio parada no K-pop até que *BOOM* todo mundo resolveu lançar MV ontem. BIGBANG foi o carro chefe do dia com o OURBIRTHDAY sendo o debut da vez no K-pop, mas ontem teve de tudo: Single de verão, remake, vídeo para b-track, comeback solo, MV de bandinha… E hoje teve ainda mais coisa. Então, vou me gastar e dedicar umas horas para falar sobre (quase) tudo que saiu entre ontem e hoje, com a única exceção sendo o comeback solo da Tiffany que deve ganhar um post a parte hoje ou amanhã.
Atheart – 3!4!
AtHeart é um grupo que se sustentava muito pelo potencial que mostraram no debut, mas vinha de uma sequência bem instável de singles que não me fizeram segurar a mão delas como um girlgroup nugu a se prestar atenção. Daí veio “3!4!”, um single que faz parte do caralhésimo projeto de remakes nostálgicos da Coreia esse ano (A original é do grupo Roo’ra, lançada em 1996) e a minha timeline vem aclamando como se fosse a melhor música delas desde a estreia… e meio que é mesmo.
“3!4!” do AtHeart é bem fiel ao que foi feito 30 anos atrás, só que sem vocais e raps masculinos na música (O que melhora a versão do Atheart em uns 87%). Tem toda a nostalgia que só um ripoff safadíssimo de algum grupo pop japonês um K-pop dos anos 90 pode proporcionar, ao mesmo tempo que moderniza a produção e criar um resultado extremamente cativante, com os vocais suaves e joviais do grupo trazendo aquela magia inocente e refrescante de um pop adolescente da época. E para quem não acha que a água mole não fura pedra dura: Se esses lalalalala não te fizeram pensar imediatamente em TripleS, é porque você ainda não ouviu TripleS o suficiente. No geral, um remake voluntário bem melhor que o remake involuntário de Lovefool, e é a primeira música que me dá vontade de ouvir elas mais vezes desde “Plot Twist”.
Kiss Of Life – WHAT
Como já é de praxe, os comebacks do Kiss of Life sempre garantem algum vídeo especial para uma b-side do grupo, e a fritação “WHAT” que veio como b-track de “SWEAT” não ficou de fora: Elas gravaram um vídeo “especial” bem melhor que muito MV oficial (Inclusive delas mesmas) e jogaram para o mundo. Além disso, tem um plus de entretenimento porque “Whiplash” do aespa está claramente no moodboard desse MV, o que vem garantindo uma série de tweets dramáticos hilários acusando de plágio porque os fãs do aespa AMAM chorar e servir um escândalo quando um girlgroup com um estúdio branco e edição rápida brota na internet.
Quanto a música: “WHAT” é a já clássica fritação house eletrônica que virou mania em tudo quanto é girlgroup no K-pop e até que demorou para elas terem uma dessas na discografia. Obviamente eu já amei e estou vivendo pela produção pois não precisar muito nessas músicas de boate para entrar na minha playlist, mas um amigue meu falou que essa música poderia ser facilmente uma daquelas intros eletrônicas que o LE SSERAFIM lança casualmente em seus comebacks e eu simplesmente não consigo mais ouvir essa música sem fazer essa associação. Provavelmente é porque “WHAT” não reinventa a roda do house ou se esforça em ser acima da média, daí fica essa impressão de ser o tipo de fritação que qualquer girlgroup lançaria e teria o mesmo efeito orgástico nos homossexuais que estão amando essa onda de fritações para a pista no K-pop. Ainda assim, ótima música.
ONEWE – Scenario
Já que estamos nesse embalo de falar de tudo que saiu ontem, nada mais justo que incluir o boygroup que lançou música também, né? Não que eu tenha algo a comentar sobre essa música, mas é importante fazer esse tipo de inclusão. Então, ONEWE está de volta com seu 3º full album “Unknown Atlas”, e “Scenario” foi a música escolhida para ser o single desse retorno.
Quando começou o rock de garagem e eles pegaram em guitarras eu pensei “Ué, eles viraram banda agora?” e fiquei encucado por uns segundos até lembrar que o GRUPO POP se chama ONEUS, e ONEWE é a bandinha da RBW mesmo. De resto, todas as músicas dessa onda moderna de pop/rock para jovens adultos na Coreia soan meio que a mesma coisa para mim e, mesmo sabendo que tem um público que curta e saiba distinguir qual música é e qual música não é do DAY6, não é um gênero que me empolga muito. Não tem nada de ruim em “Scenario” e é bem competente para quem curte essas bandinhas coreanas que saíram das garagens e ganharam um contrato musical, mas não vou fingir que lembrarei dessa música assim que terminar o post.
MJ (ASTRO) – 1~10 (Ghosting)
Posso dizer a mesma coisa dessa música do moço do ASTRO: Não tem nada de errado acontecendo na música, mas é o rockzinho que toda semana a Coreia desova uns 5 sem muita distinção e eles parecem não ter enjoado disso ainda. Cai muito nisso de você simpatizar mais com a música se você simpatizar mais com o artista em questão, e como eu não me importo com nada que o ASTRO esteja fazendo no K-pop, acabo achando “1~10” um tanto faz dos grandes. O MV é divertido, pelo menos.
ODD YOUTH – Can’t Go Back
ODD YOUTH está de volta com o 3º single album “Can’t Go Back”, mas a grande notícia sobre esse comeback envolve, na verdade, quem está por trás da música. Para fazer a alegria das viúvas da 2nd gen do K-pop, “Can’t Go Back” não só é assinada por ninguém menos que o SWEETUNE, como eles fizeram questão de resgatar o synthpop mais colorido e característico que fez o nome deles no início da década passada.
Por ser um single de verão, o instrumental mais apoteótico com uma performance mais dramática que compõe algumas das produções mais aclamadas do Sweetune é deixada de lado, com a atmosfera mais vibrante e vocais mais animados sendo o diferencial de “Can’t Go Back”. Está longe de ser a melhor produção do Sweetune, mas esse synthpop é ótimo o bastante para reviver a magia de tempos mais simples, onde eu ficava fascinado vídeos coloridos e animados entretendo minha visão enquanto a música mais alegre já feita na Coreia dominava a minha mente. “Can’t Go Back” me ganha pelo sentimento nostálgico mas também acerta como uma grande faixa de verão, sendo uma boa contribuição para o ótimo 2026 do ODD YOUTH até aqui.
Mimi (OH MY GIRL) – Bish Bash Bosh
Partindo para os lançamentos de hoje, a Mimi do Oh My Girl conseguiu um passe para debutar solo na DSP e… Pera, Oh My Girl na DSP? Pois é menina, a RBW deu uma reestruturada nas suas subsidiárias e o Oh My Girl passou a ser responsabilidade da DSP Media, enquanto a WM (Antiga empresa delas) mudou o nome para StrangeLab e vai cuidar da gerência do XLOV e do que quer que seja um LU. Ou seja, o próximo comeback do Oh My Girl pode ser a pior OU a melhor música delas nos últimos 4 anos, pois depois de “Dun Dun Dance” o Oh My Girl ficou empenhado em ser o girlgroup mais esquecível do K-pop e sinto que a DSP vai se esforçar em tirar o grupo dessa zona de conforto (Para o bem ou para o mal).
A DSP já está distribuindo as músicas do KARA a preço de banana mesmo, seria um arraso se dessem um remake de “Pandora” para o OMG, né?!
Mas voltando para a Mimi: “Bish Bash Bosh” tem a intenção certa com uma execução bem… confusa. Dá para entender a ideia de hip hop das festas noventistas e servir mais energia e intensidade que a aproximação comum do K-pop com o Hip Hop dos anos 90, além do esforço em vender a Mimi como MC ou algo além de intérprete para valorizar seu passe e referências como rapper do grupo, mas a música é uma bagunça caótica e repetitiva que ali no meio do primeiro play. È uma música para o pique de festa mesmo, com todo mundo mais desprendido no meio da pista de dança e não se importando com quem está do lado, mas entedia muito rápido ouvindo em casa ou quando você não está naquela vibe, virando uma barulheira irritante até. Entretanto, a ideia é boa no papel e espero que a Mimi tenha oportunidade de desenvolver isso em futuros lançamentos.
cosmosy – Stay Alive
“Stay Alive” funciona como o 1º single japonês do cosmosy E o 8º single da carreira, pois elas não separam o que é promovido na Coreia ou no Japão e você pode considerar tudo uma coisinha só se o seu coração sentir que é isso que tem que ser feito. A música foi lançada no dia 10 de julho mas só conheceu um MV hoje, então está qualificada para entrar nesse balaio.
Se “Bish Bash Bosh” acaba entediando por ter coisa demais rolando na produção, “Stay Alive” acaba entediando por ter coisa de menos. Não tem absolutamente NADA acontecendo nos versos além de uma batida simples e fraquinha do que elas descrevem como “Afrobeats com batidas jamaicanas” e uma performance pouco cativante, e até o refrão chegar com mais força você já soltou a mão do grupo. Dito isso, o refrão é bem bom e salva um pouco a experiência, ganhando mais força e sendo vocalmente mais expressivo e memorável. Seria incrível se a música toda tivesse a intensidade e drama do refrão, mas não temos isso e o resultado final é dispensável. Uma pena.
Baby Shark Boy – WAVE (feat. Joohoney of Monsta X)
Lembra de “Baby Shark”? como não esquecer, né? Foi o vídeo de segurança para pais estressados largarem os filhos no sofá e deixarem ser educados pelo que quer que o algoritmo infantil do YouTube jogasse para elas, e é o vídeo mais visto da história da plataforma com 17 BILHÕES de visualizações em seus 10 anos de publicação. Sim, “Baby Shark” completa 10 anos em 2026, e para fazer você se sentir ainda mais velho: O menino que aparece no vídeo original, Park Geonroung, já é um adolescente formado e debutou hoje como o idol de K-pop “Baby Shark Boy”, lançando hoje seu 1º single “WAVE”.
A música é uma bobagem pop boy next door com um rap ofensivo de ruim e casuais “baby shark doo doo doo doo” no refrão (Ele não escolheu o nome artístico “BABY SHARK BOY” para ficar só nisso), e só estou citando aqui para jogar na cara que estamos ficando velhos mesmo. É tipo ver a Na Haeun debutando como idol no UNCHILD ou descobrir que o Little PSY de Gangnam Style ganha a vida como cantor de trot hoje em dia… O tempo, né, Sueli.