Acompanhar pop asiático em 2026 significa também acompanhar o desempenho da “fórmula K-pop” em outros países da Ásia. Vários países da Ásia querem ter seus “girlgroups da nação” para competir com o K-pop pelo menos no continente, e alguns já tiveram êxito como o BINI, que marca presença nos festivais e vem sendo o primeiro girlgroup filipino a conseguir diversas coisas tanto dentro como fora das Filipinas.
Com isso e o YouTube entendendo que eu tenho um trabalho sério em fazer os meus leitores irem além do que a Coreia anda desovando, diversos girlgroups tiveram algum destaque e foram recomendados pelo algoritmo da plataforma. E como muitos deles foram brotando essa semana no meu perfil, decidi fazer um mini pacotão para falar um pouco sobre todos eles e divulgar para vocês.
kiOra – Coco
O kiOra é um girlgroup japonês já conhecido pelos seguidores da 88rising, já que elas bateram ponto nos festivais “head in the clouds” promovidos pela gravadora em Tóquio e Los Angeles esse ano, e no último dia 9 elas lançaram a primeira música do grupo “Coco”. Descrita como a definição do “Tokyo hyper city pop”, “Coco” tenta condensar tudo em pouco mais de 2 minutos para o ouvinte se sentir na noite mais badalada e iluminada que a capital japonesa pode proporcionar, enquanto elas cantam sobre se transformar “pouco a pouco, aqui e agora, e seguir em frente num caminho cheio de incertezas, dúvidas e esperança”.
“Coco” é interessante e mostra potencial no papel, mas sinto que a música precisava lutar por bem mais que 2 minutos para funcionar em seu 100%. O instrumental é bem gostoso e a fusão no estilo “mixx pop” botando 10 segundos de city pop dá um choque gostoso, mas a música acaba no momento em que eu começo a entrar no clímax e fica aquela sensação incômoda de que a música está incompleta. Pô, é um grupo japonês fazendo música eletrônica, cadê aquele extended mix esperto para me fazer transcender na pista de dança? O que temos aqui é bem legal e me fez querer acompanhar os próximos projetos do grupo, mas espero que não demore muito para os produtores do grupo, pelo menos, botarem uns 40 segundos a mais nas demos e fazer elas lançarem a fritação japonesa do ano.
babyMINT – i
O babyMINT é um girlgroup bem quisto pelos meus mutuals que são mais ligadinhos no que anda rolando no Mandopop, e em 2026 elas estão lançando o projeto “BBmission”, que contou com 3 singles: duas músicas de sub-units “WILD” e “I’m Not Perfect” e a música “i” com o grupo completo sendo um grito de autenticidade e da visão delas mesmas para o mundo.
A música é um híbrido de EDM com hip hop, juntando raps intensos com batidas e sintetizadores mais pesados que exalam a intensidade e confiança mais caótica que o grupo possui. Ironicamente, “i” é a menos caótica e mais radiofônica de todas as músicas que já ouvi delas, a produção bota o babyMINT numa zona mais comum de girlgroup badass e o refrão com elas repetindo “i i i i ea ea i” é algo que me cansou rapidinho. “i” acaba se vendendo pela atitude das meninas, com vozes bem marcantes e visuais extravagantes que acompanham e elevam essa energia mais “hardcore” que a música propõe ter, mas o conjunto em si não é algo que botaria para dançar no meu quarto ou lavar uma louça até ela crescer e se tornar um bop para mim. Elas tem trabalhos mais insanos e ousados que isso.
DOLLA – G.O.A.T
O DOLLA já figurou aqui nesse blog mostrando como um girlgroup gringo deve fazer funk em “MWA” e na deliciosa pop perfection “Question”, mostrando ser uma ótima alternativa para quem busca pop na Ásia mas está cansado do que o K-pop andava entregando. Mas, assim como nem tudo são flores, nem todo girlgroup vai entrar na minha playlist em todo santo single, e o novo trabalho do grupo “G.O.A.T” derrapa muito comigo.
Praticamente todo grupo com alguma orientação mais hip hop uma hora ou outra cairá na armadilha do trap de gangsta, e agora é a vez do DOLLA me estressar um pouco com isso. Não é dos piores traps que já ouvi, mas não é nada que me faça abrir alguma exceção (Ainda mais com esse rapper de participação especial que definitivamente não quero ouvir de novo). Vou simplesmente passar para o lado e deixar os simpatizantes desse tipo de trap conhecerem e aclamarem as princesas da Malásia.
MARBLES – Catch Me
MARBLES é um girlgroup da Indonésia que debutou esse ano com “HOMPIMPA”, e “Catch Me” é o segundo single delas. Esse comeback segue mais a tendência de fazer música pop com Jersey Club, Breakbeat e subgêneros nessa pegada, mas com mais pulso e um refrão catchy mais dançante que deixa o resultado mais descolado, mas sem perder a aura mais inocente de jovem vivendo um primeiro amor.
“Catch Me” é o clássico “poderia ser melhor, mas tá bom”. COM CERTEZA eu me livraria do break de rap depois do primeiro refrão e manteria a música com o batidão mais linear e, no geral, a música não é tão empolgante quanto eu gostaria que fosse, mas isso é mais questão pessoal do que achar que teve um problema com o grupo ou com a música. “Catch Me” ainda é aquele 7,5/10 sólido, com partes interessantes e potencial para crescer se você estiver com um bom coração. E eu vi alguns indonésios falando como essa indústria de girlgroups por lá ainda é “nova” e como o mercado local ainda é dominado por baladões vocais, então números pop como esse acabam sendo bem vindos tanto pela variedade quanto para criar experiência e evoluir nos próximos lançamentos.
Kiismet – Give Me More
Já a Tailândia está bem mais empenhada/estruturada em fazer seu T-pop acontecer igual o K-pop, e a todo instante pipoca um girlgroup lançando coisa nova por lá. E o grupo da vez é o Kiismet, que fez sua estreia hoje com o 1º single “GIVE ME MORE”.
“GIVE ME MORE” é uma ótima “música para debut”. Não é nada muito diferente nesse nicho de pancadão pop anos 2000 com traços de hip hop com mais atitude e performance fierce, mas é uma fórmula que agrada qualquer fã de girlgroup pop e faz qualquer homossexual descer até o chão e desafiar a coluna ouvindo. O único momento mais questionável para mim é o pré refrão tirar a pressão com uma sinfonia que eu acho não ter muito a ver com o que o resto da música entregou deliciosamente, mas aprecio a intenção de desacelerar as coisas para aquecer um refrão bombástico. Todo o resto funciona e “GIVE ME MORE” vira ouro depois do segundo refrão, provando que a música pop precisa SIM de pontes e breaks para fazer acontecer. Para uma introdução de um novo girlgroup no mercado, “GIVE ME MORE” é um grande lançamento.
MEPC – Protectors
Apesar de ser de uma empresa coreana, decidi colocar o MEPC nesse post por só ter 1 integrante coreana na formação e seguir a linha BLACKSWAN de grupos globais, com integrantes nascidas em países mais periféricos como Tunísia, Myanmar e Nepal, além de TRÊS indianas na formação para tentar capturar mais de um bilhão de indianos para elas. “Protectors” é o segundo single do grupo, e é o tipo de música que seria aleatoriamente descoberta e abraçada pelos entusiastas nugu por servir um pancadão crocantíssimo para a nação.
O instrumental de “Protectors” tem uma ideia muito boa nessa mistura de instrumentos tradicionais com house music para criar algo menos óbvio e mais emblemático. Eu particularmente não abracei 100% por ter uns momentos bagunçados demais nessa mistura, mas a música em si se segura bem e o break que rola no final cura almas de tão bom. O refrão também não é imbatível e os “we are the shie-ie-ie-lds” são mais irritantes do que catchy, mas o pós-refrão resgata a adrenalina da música muito bem. No final, as partes boas são BEM boas e as partes mais ou menos não são difíceis de acostumar, fazendo de “Protectors” um farofão digno de ficar junto dos melhores pancadões nugu que a Coreia já desovou.
Errei, não era pra sair como resposta 😭
“MEPC – Protectors”, eu cliquei no MV aqui, tem certeza que elas não são feitas de IA??? O áudio e o vídeo em si são bem questionáveis
Sim, o grupo é real e tem uma trajetória de pré-debut bem legal (e a empresa delas classificam as trainees que não debutaram no grupo como DESAPARECIDAS sendo que a maioria delas já debutou em trocentos outros grupos fundo de quintal)
https://kpop.fandom.com/wiki/MEPC
A empresa que é bem vagabunda e não tem dinheiro para pagar um editor ou alugar um estúdio decente mesmo
Aproveitando a deixa aqui pra panfletar esse grupo Cazaque que eu descobri por acaso numa madrugada aí que segue bem essa fórmula de kpop com uma música gostosinha
https://youtu.be/MXjU-0kbrrM?is=izopVkgSojPmHqbY