O que aconteceu em 2020: O álbum

Dezembro é aquele clássico mês no K-pop em que a pauta é escassa pois o pessoal lá está focado em vingar 420 premiações e 78 shows de fim de ano, e os blogueirinhos e youtubers acabam se virando nos 30 para achar alternativas e se esquivar de coisas menos interessantes da época. Uma dessas alternativas é fazer uma retrospectiva com os eventos que marcaram 2020, e realmente rolaram umas coisas muito legais que valem ser revividas. Então, sempre que eu achar interessante, vou dar uma passeada sobre grandes eventos que marcaram esse ano que, apesar de ser praticamente congelado pelo Covid-19, não fez a indústria parar em nenhum instante.

E não tem como falar de 2020 no K-pop sem falar de algo que finalmente aconteceu: BLACKPINK lançou seu primeiro álbum de estúdio, apropriadamente intitulado “THE ALBUM”:

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Para entender porque o THE ALBUM é tão impactante para a fanbase do BLACKPINK, precisamos entender que esse álbum está na promessa, pelo menos, desde o debut do grupo. Lá em 2016, quando o BLACKPINK deixou de ser Pink Punk e preparava o seu debut, a YG prometeu 8 MVs para o projeto de estreia. Teoricamente esses 8 MVs seriam divididos em 4 singles com 2 músicas todo mês, no mesmo estilo do BIG BANG quando lançou aquela catástrofe do MADE em 2015. Esses singles seriam chamados de “Square” (Quadrado). Quando terminassem os 4 singles, a YG juntaria tudo, botaria umas 2 inéditas e aí elas lançariam seu 1º álbum de estúdio, certo?!

Mas não foi bem assim. A YG lançou o “Square One” em agosto (Com “Boombayah” e “Whistle”) e o “Square Two” em novembro (Com “Playing With Fire” e “Stay”), para o projeto morrer ali mesmo. Ninguém sabia o que tinha acontecido, aonde foi parar o resto do projeto ou qualquer novidade do BLACKPINK, que só voltou a ver a luz dos lançamentos lá em junho de 2017, quando o grupo lançou “As if It’s Your Last”.

Maravilhosa, um hino do pop, a melhor do BLACKPINK até agora… Mas foi a única música que o grupo lançou em 2017. A partir daí a carreira do BLACKPINK e dos blinks foi desse jeito:

Blink: Hey, YG, você vai lançar o álbum de estúdio do BLACKPINK depois de “As if It’s Your Last”?
YG: Não, vou botar as dindas de vocês pra regravar tudo que lançaram em japonês e chamar isso de debut no Japão.

Na prática, a YG cumpriu com aquela história de juntar todos os “Squares” né

Passou 2017, um cover horroroso de “So Hot” do Wonder Girls, mas chegamos em 2018. Novo ano, novos álbuns, certo? Então lá vai o Blink na DM da YG no instagram:

Blink: Olá, YG, tudo bem? Pois aqui não está nada bem. A gente quer notícias sobre o álbum de estúdio do BLACKPINK, vai sair?
YG: Não, vou relançar o debut japonês delas em março e vocês vão comprar.
Blink: Não foi isso que eu pedi masok, se elas já regravaram toda a discografia, então nesse relançamento teremos músicas inéditas, certo?
YG: Não, vai ser a mesma tracklist com um DVD de show a mais.
Blink: Mas YG-
YG: É isso que vamos fazer e pronto, vão lá e comprem “Re : BLACKPINK”.

Depois dessa pataquada de relançamento onde elas relançaram as mesmas regravações, a YG anunciou comeback do BLACKPINK pra junho. E aí lá vamos nós com mais choro de BLINK no atendimento:

Blink: Meu deus, YG, você está nos enrolando há dois anos, relançou até o que não dava pra relançar, agora vem aí o full album né?! Você nos prometeu.
YG: … Não, vou fazer elas lançarem um EP de 4 músicas.
Blink: Caralho, YG, a JYP tá fazendo o TWICE lançar álbum todo mês e nada de vocês lançarem um álbum pras nossas meninas…
YG: A Jennie tem artrite, seus merdas, só aguenta gravar 4 músicas, vocês que se virem aí.

Até aqui o BLACKPINK tinha a incrível marca de 9 músicas lançadas, e então a YG anunciou um debut solo para a Jennie.

Blink: E a artrite da nossa menina? Você está sacrificando a lenda com tanto trabalho?
YG: Compramos um ômega 3 da Aracy da Top Therm e agora ela aguenta gravar uma música sozinha. Mas relaxa, as outras também vão ganhar solo depois dela.
Blink: Você promete, YG?
YG: Claro, promessa comigo é dívida, vocês vão ver.

Depois de solo a fanbase esperava um segundo solo ainda em 2018, mas recebeu o comeback das REGRAVAÇÕES JAPONESAS, com a YG reaproveitando regravação das músicas velhas (“Boombayah” foi lançada tantas vezes que não tinha mais Japão e Coreia para essa música destruir), passou as músicas do 1º EP coreano para o japonês e lançou o “BLACKPINK IN YOUR AREA”:

Chegamos em 2019. Mais um comeback do BLACKPINK anunciado, e o blink estava começando a ficar de saco cheio:

Blink: YG, seu PORRA, queremos um full album agora. Não temos álbum, não temos 8 MVs, não temos solo de todas as integrantes, vai cumprir alguma coisa nessa MERDA com esse comeback?
YG: Claro, vamos lançar outro EP de 4 músicas, stay tuned.
Blink: Mas YG a gente pediu-
YG: O Teddy só aguenta gravar 4 músicas, tá caducando já, é o que dá pra fazer.
Blink: Mas não tem outros produtores, YG?
YG: É o Teddy ou nada, caralho. Quer passar fome sem música?

E aí tivemos o “Kill This Love”, que mais tarde no mesmo ano foi relançado em japonês… E foi isso que o BLACKPINK teve de música em 2019. A essa altura o fandom já estava desesperado: Fez petição para a YG tratar melhor o grupo, ameaçou boicotar a YG, botou vários e vários caminhões exigindo uma série de coisas para o BLACKPINK, até ameaçaram soltar uma bomba no prédio da empresa (Mas não decidiram qual das 13 músicas do BLACKPINK eles iam explodir no prédio da YG), mas a YG prometeu: 2020 seria o ano em que o BLACKPINK lançaria seu primeiro álbum de inéditas.

Aí chegou 2020 e foi mais uma jornada: Começou prometendo para o início do ano, e esse “início do ano” virou março de 2020… Que virou abril de 2020… Que virou 2º trimestre de 2020… Que virou junho de 2020… E só foi sair mesmo em OUTUBRO. Mas, pelo menos, a última promessa rendeu de fato o comeback delas com a 49ª regravação de “DDU-DU DDU-DU” conhecida pelo kpopper: “How You Like That”.

Para agosto foi anunciado o 2º single do comeback do BLACKPINK, com uma colaboração internacional surpresa. Muita gente apostou em Lady Gaga (Que lançou “Sour Candy” com o BLACKPINK também em junho) e Ariana Grande, mas no fim a fanbase ganhou a colega de Interscope Selena Gomez colaborando com as 4 gatinhas até então sem álbum de estúdio para lançar a inacreditável “Ice Cream” (Afinal foi difícil acreditar que liberaram lançar um negócio tão ruim).

Mas não importava o tanto que a fanbase teve que fingir com duas músicas tristes (Ou com a discografia em si tão jogada nas coxas quanto), nem o fato da YG nem se importar com criar um conceito e chamar o álbum de “O ÁLBUM”, nem dele só ter 8 míseras músicas. O que importou é que ele estava pronto para ser lançado, e isso aconteceu no dia 1º de outubro (Se não me engano eles tinham prometido pro final de setembro mas adiaram por algum motivo) com o lançamento do álbum e do single “Lovesick Girls”:

FINALMENTE elas lançaram um álbum de estúdio E um single ótimo ao mesmo, dois feitos que ninguém levava fé que fossem acontecer mas aconteceu. E ao mesmo tempo. Depois de tantas tragédias, promessas vazias e dinheiro queimado para alugar 39 caminhões, finalmente os Blinks tiveram o seu dia de glória.

Comercialmente O ÁLBUM fez o que todo mundo esperava: Depois de tantos anos, o BLACKPINK bateu recordes e mais recordes femininos de vendas, estabeleceu um novo auge para um girlgroup de K-pop no mundo e mostrou que o BLACKPINK estava na área de geral mesmo. O álbum vendeu mais de 1 milhão de cópias só na Coreia do Sul, sendo o 1º álbum de girlgroup a conseguir esse feito no país no século XXI. Nos Estados Unidos, o álbum conseguiu a segunda colocação na Billboard 200 e já acumula 200 mil cópias SPS no país, um número impressionante para um girlgroup coreano na terra do Tio Sam. Os singles também não fizeram feio e o BLACKPINK conseguiu dois grandes hits com “How You Like That” e “Lovesick Girls”, enquanto “Ice Cream” ficou mais escondida na fanbase mas cumpriu seu papel rendendo o maior peak do BLACKPINK nos Estados Unidos com um 13º lugar (“How You Like That” ficou em 33º e “Lovesick Girls” alcançou um 59º lugar por lá). Os blinks mostraram que estavam ansiosos para esse momento, e compensaram todos os 4 anos de espera em vendas para o grupo.

Sobre o álbum… Ele é definitivamente um álbum de 2020. É bem óbvio que é um álbum focado de DDU-DU DDU-DU para frente, pois foi daí que o BLACKPINK ganhou toda essa projeção global que vem crescendo a cada comeback, e isso faz com que uma certa parcela do público fique meio decepcionada. Eu nem falo por mim que gosto de umas 4 músicas do BLACKPINK (Sendo 2 delas B-sides), mas do pessoal que gosta muito mais das primeiras músicas do grupo e meio que não reviveram isso nesse álbum. E era uma coisa que dava pra reviver, afinal o álbum só teve 8 músicas, então existia espaço para o BLACKPINK entregar mais coisa e sintetizar melhor o que é o grupo até aqui.

Isso não quer dizer que THE ALBUM seja uma tragédia, tem umas coisas legais nele. O feat. com a Cardi B é uma coisa que dá a volta e se torna uma música divertida de ouvir, “Love To Hate Me” é um trap safado e que desce redondinho (Com certeza hitaria nas mãos de Ariana Grande) e, como já foi dito aqui, “Lovesick Girls” é o melhor single do BLACKPINK em muito tempo. Para separar as coisas, pessoalmente acho que metade do THE ALBUM é realmente legal e a outra metade passeia entre o ok e o intragável, e isso é meio que o padrão de um álbum ou EP de K-pop. Ou seja, THE ALBUM não tem nada demais e só ganha mais força pelo fato de ser o BLACKPINK lançando, mas para o fã de BLACKPINK o importante é que finalmente veio um álbum de estúdio na conta das gatas (Afinal sabe-se lá quando vem outro, né).

8 comentários em “O que aconteceu em 2020: O álbum”

  1. Amei os diálogos dos blinks e a yg_ duvido nada que foi desse naipe na vida real_
    Primeiro me pergunto, como foi esse plano de marketing em eles manterem o interesse do público por tanto tempo em um grupo que tinha pouquíssimas músicas e serem sempre tão aguardadas. É um fato interessante, porque de todos os grupos elas são que lançam menos material para os fãs e ainda sim cresce a cada dia_ eu não digo que grupo tem que ser igual o Twice e outros grupos, mas sim de terem pouquissimos trabalhos, apresentações e tals e ainda sim ficar na boca do povo_
    Decidi acompanhar o grupo de longe um tempinho e sinceramente? Fosse do fandom já tinha largado de mão e nem tinha mais paciência com a YG_ o engraçado é que com os grupos masculinos eles divulgavam até o talo no começo e são tudo um saco e nem renderam o esperado que eles queriam_

    Segundo, sobre o álbum, ele é bem bacana, mas ainda acho um cumulo ser tão curto, as integrantes até deixaram ententido que tinham mais músicas gravadas e nada. E os solos? Nem falam nada, acho que os blinks esqueceram que eles prometeram do da Rosé sair depois do álbum, e aqui estou comentando é Natal e nem sinal de teaser, spoiler, nada do tipo.

    E terceiro, eu tenho a intuição que mesmo com o grupo crescendo, esse daí vai ser o único album delas depois de um disband eminente e cada uma virando modelo de grife e influencer.

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