Vocês sabem que ontem foi o primeiro show da READY TO BE TOUR aqui no Brasil, e vocês sabiam que eu garanti minha presença no show, tirando o lugar de algum fã que provavelmente não tinha dinheiro para comprar o ingresso e mesmo assim se sentiu insultado porque alguém que não é tão fã do TWICE como ele foi ver o show. Depois de viver esse incrível momento ontem e dormir umas 10 horas para me recuperar da inusitada prova de resistência que foi a coisa toda, estou aqui hoje para contar como foi a minha experiência vendo esse show, onde saí de lá com a certeza que o TWICE é mesmo o grupo da geração e que o VCHA é o futuro do K-pop. Sem mais delongas, vamos ao meu relato sobre o que eu experenciei no dia 6 de fevereiro de 2024:
A fila
Eu acabei indo sozinho ao show porque, como tinha umas coisas para cumprir pela manhã, não tinha como eu combinar um horário para encontro com alguém porque eu não sabia que horas eu chegaria na Barra Funda, para início de conversa. Acabou sendo conveniente pois até prefiro ir em eventos e shows assim sozinho, mas estava lá um pouco depois das 15h, bem básica e dando de cara com a fila QUILOMÉTRICA que estava no estádio. Eu andei mais tempo para achar o final da fila do que para chegar no Allianz. Também estava extremamente complicado saber para qual fila eu tinha que ir, já que não tinha muita gente para informar o que e onde eu deveria ficar. Um dos vários problemas de organização que a fila teve.
Como estava longe dos acampados e dos mais descompensados em fila de show, acabou sendo uma fila bem tranquila de acompanhar. Fiquei entre um grupo de jovens adultos chegando aos 30 anos e dois primos adolescentes, o que me rendeu gostosos momentos como os jovens falando como o trabalho estava sobrecarregado, quando caía o salário deles e o sacrifício de ter que voltar ao batente depois do show, e 2 segundos depois os adolescentes discutindo se poderiam ou não ter mais de um bias no ITZY. Queria estar vivendo os dois momentos na minha vida mas eu estou desempregado e só sei o nome da Ryujin do ITZY, então vamos seguir em frente. Você também poderia ir pelado para o show e comprar as roupas na fila, pois tinha basicamente de tudo lá. Uma oportunidade perdida da JYP não ter lançado as CALCINHAS READY TO BE, pois com certeza teria algum ambulante vendendo e COM CERTEZA eu compraria.
Lá pelas 16:20 a fila começou a andar, e mais momentos pitorescos como um dono do bar que resolveu colocar a videografia do TWICE para tocar enquanto uma dezena de velhotes almoçavam lá dentro. Se ele conseguiu atrair um jovem para comprar uma coxinha com isso eu não sei, mas a fila inteira deu umas gostosas risadas com isso, além de uma organizadora descendo o pau no ambulante falando que alguém estava furando fila e ela “MEU AMOR DA PARTE QUE EU CUIDO NINGUÉM FUROU”. Do nada a fila dava umas travadas longas (E pelo processo de entrada, desnecessárias), então levei mais ou menos meia hora para entrar no estádio, que estava mais desorganizado lá dentro. Porém, apesar dos pesares eu achei que seria pior (Ou estava animado demais para me importar).
O pré-show
Cheguei no estádio e sentei no meu assento umas 17h (Todos os horários são imprecisos pois estava salvando bateria já que o meu celular resolveu não carregar durante a noite de ontem). Provavelmente a visão lateral das cadeiras inferiores estava melhor que a frontal (Que foi onde mais fiquei perto), mas ainda foi muito tranquilo de ver o show. Como não teve nenhuma playlist tocando eu fiquei umas boas 2 horas encarando o VCR do TWICE girando em uma expressão de paz de espírito como se fosse propaganda para algum absorvente íntimo. Foi um bom exercício de paciência.
Obviamente o estádio também estava entediado e gritava e fazia onde de OLA por QUALQUER COISA. Quando o vídeo da saída de emergência apareceu o estádio entrou em completo êxtase e várias criancinhas desmaiaram de tanta emoção. Nunca imaginei tanta aclamação em cima de um aviso de saída de emergência e pontos de hidratação, mostrando que a fanbase ONCE é engajada em segurança e saúde dentro dos eventos. Também teve um vídeo apresentando os artistas da JYP e, na primeira vez que rodou, o estádio gritava por qualquer coisa. J.Y. Park nunca foi tão aclamado por um estádio quanto ontem e eu fiquei chocado pelo 2PM ainda existir no catálogo da empresa, tal como o resto do estádio não ter a menor ideia do que é um NEXZ. Até achei que colocariam menções honrosas a Wonder Girls e miss A mas não rolou e fiquei triste. Não teve muita coisa acontecendo, mas foram momentos que me distraíram da vontade que eu estava de comprar um pacote de absorvente intimus com o VCR do TWICE em loop.
Uma outra coisa que me distraiu foi o rapaz que sentou na minha frente. Alto, cabelo cacheado e cortado dos lados, de barba, óculos, camisa listrada… Enfim, eu fiquei uns bons minutos encarando ele de costas enquanto dava grandes aplausos lgbt num raro momento da minha vida onde um homem bonito e gostoso aparece na minha frente enquanto a minha libido estava alta. Aparentemente ele estava sozinho e tinha ali a oportunidade de fazer uma amizade lgbter (Nem sei se era viado mesmo mas estava ali acreditando nisso pois um homem formado indo sozinho para o show do TWICE nunca seria hetero) mas, para variar, eu desperdicei o momento pois nem saberia o que falar. Poderia ter perguntado pelo menos as horas, já que não tinha relógio no estádio e eu tinha uma desculpa para isso, mas acabei não pensando nisso. Problemas de ser um gayzinho lerdo e meio desinteressado que não pega as chances que a vida lhe dá.
O show do milênio: VCHA
Ainda no pré-show o estádio estava emocionadíssimo gritando “BICHA! BICHA! BICHA!” e por um momento pensei “Meu deus o pessoal escancarando a homofobia desse jeito? Essa fanbase já foi mais respeitosa”, mas lá pelo terceiro coro eu fui entender que o estádio estava gritando “VCHA!”, o que pode demostrar aspectos da minha surdez ou simplesmente que esse nome é muito ruim mesmo. Lá pelas 18:30 começou o show mais aguardado da noite, com o VCHA subindo no palco para cantar o smash hit “Girls Of The Year”. Ainda no palco as lendas cantaram os outros dois singles do grupo, “Y.O.Universe” e “Ready For The World”.
No geral o que eu comentei sobre elas no single se transmitiu no show: Elas estavam super animadas VIVENDO o momento e a oportunidade que a JYP deu para elas e esbanjaram carisma na apresentação. Obviamente a Kaylee era a mais hypada pelo público, mas eu particularmente me senti magnetizado pela presença da Savannah ali, a bicha é muito boa mesmo. Gostei também que todas elas se esforçaram para soltar frases em português, mostrando mais empenho que boa parte do TWICE nesse quesito.
Não tem muito o que comentar da setlist porque, bem, foram só 3 músicas. Poderiam ter encaixado a b-side de “Girls Of The Year” nessa setlist também (Até por “XO Call Me” ser a melhor música delas até aqui) mas faz sentido elas só cantarem as músicas promocionais. Mas é um grupo muito esforçado e carismático que deu a vida nas 3 músicas e estavam encantadas com toda a energia que o público estava transmitindo. A coisa mais legal do público do show foi o ânimo que se manteve o dia inteiro e dava uma energia muito boa lá dentro, elas sentiram isso e ficaram muito felizes no final da apresentação.
Quando o show do VCHA acabou eu achei que o público iria embora pois a principal atração já tinha acontecido, mas aparentemente tinha um outro show para acompanhar e todo mundo ficou lá imóvel esperando e vendo mais 1 hora de propaganda de absorvente. E como eu não gastei quase 1000 reais para não ficar no evento completo, acabei esperando o show do TWICE começar também. As 19:30 certinho o show do TWICE começou, dando uma paulada na Madonna que está sendo processada por atrasar duas horas seus shows.
O outro show: TWICE
Nunca pensei que um show passaria tão rápido de tão legal que estava assistir, e foi assim que me senti quando elas anunciaram que faltavam duas músicas para acabar. A experiência de ver um grupo que você curte muito ao vivo é muito boa e estava muito confortável na minha cadeira inferior, vivendo vivências e sentindo sentimentos por cada música que passava ali. Também conseguia sentir a paixão dos fãs mais fervorosos tanto nas arquibancadas quanto na pista, com todo mundo empenhado em causar a surdez da galera de tanto grito. É tudo tão contagiante que até euzinho, que não tenho uma personalidade muito expressiva ou forte, estava lá gritando e pirando junto a ponto de sair com a garganta arranhada no final do show.
Toda essa energia transbordando deve ter pego as meninas de surpresa também, pois dava para ver a cara de assustadas em alguns momentos com todo o barulho que os fãs estavam fazendo. A Dahyun mandando um “Nossa…” na hora que o público começou a latir aleatoriamente e a Jihyo mandando o pessoal calar a boca para poder falar nas interações (E o público fechou a boca mesmo, surrando a plateia da Renaissance World Tour), além delas falando várias vezes como nunca tinham presenciado um público tão barulhento e caloroso, era nítido ver o grupo surpreso com toda a força que o público brasileiro costuma jogar na cabeça do ídolo e elas estavam adorando.
O público levantava muito durante cada performance para dançar e gritar as músicas, o que me incomodou num primeiro momento mas depois percebi que poderia admirar a bunda do moço de ~1,90 bonito de camisa listrada por um tempinho antes de voltar a minha atenção para o show, o que acabou deixando tudo mais prazeroso. Teve um momento que ele decidiu ficar em pé encostado em um daqueles ferros de proteção da arquibancada que eu tive que ser muito guerreira para aguentar o tesão e me controlar diante da família que estava sentada do meu lado, mas eu venci tudo isso e aproveitei muito o show.
A estrutura era algo que já esperava ser mais simples, até porque deve ser muito caro carregar qualquer coisa do outro lado do mundo para palco de show. Só não sei se é assim em todos os shows da Ready To Be porque não acompanhei nenhum show dessa turnê, mas teve Momozão deitando e rolando naquele pole dance então já valeu a pena. Os VCR estavam perfeitos em compensação, tudo muito colorido e bonito de se assistir. A mulher que estava do meu lado falou que o show delas era muito bonito basicamente por conta dos vídeos e luzes rolando tal como um homossexual assistindo um MV de 2011 e sendo distraído por todas as cores e movimentos do vídeo passando em seus olhos, e realmente é tudo muito gostoso de ver.
Por fim, elas interagiram muito com o público, o que deu muito trabalho para a tradutora presente que tinha que traduzir o que as meninas falavam e vencer o público que gritava em cada frase que as meninas soltavam. Chaeyoung e Nayeon até se esforçaram em falar uma ou outra frase num português tão crocante quanto euzinho tentando falar em coreano, o que foi fofinho. No final do show teve a OnceCAM, onde o público era pego pela câmera e tinham que dançar a música que estavam tocando no show. Foi um momento onde eu rezei para não estar nessa câmera e felizmente eu não apareci. Ao invés disso tivemos muitos fãs que sabiam dançar direitinho e viveram muito aquele momento. Teve um ou outro que não sabia o que dançar, o que rendeu umas cornas comentando que estava ruim, que não sabiam dançar e que estavam rindo do pessoal que aparecia na câmera masok, o que importa é que eu fiquei muito boiolinha vendo os fãs dançando.
A Setlist
A primeira impressão que tive é de que a setlist foi um grande single collection, o que não era exatamente o que esperava levando em conta que a turnê leva o nome de um dos álbuns do grupo. A única b-side do Ready To Be foi “Crazy Stupid Love” que elas tocaram lá no final/encore do show, o que me deu um misto de estranheza e paz de espírito, já que não é lá um dos meus álbuns favoritos do TWICE mesmo. Uma outra coisa estranha é, da parte “Single Collection” da setlist, elas não incluíram Like OOH-AHH e TT, que são duas músicas queridas por tudo quanto é once. Faz sentido se pensar que elas estão meio velhas para performar músicas do tempo de rookie (Só Cheer Up aparece dentro de um Medley) mas ainda assim, foi meio chato não ouvir essas duas músicas ao vivo. Elas também não incluíram “SIGNAL”, mas ninguém precisa lembrar que essa música existe mesmo.
Com o show sendo ocupado pelo monte de singles que o grupo lançou e os covers/performances solo de cada uma das nove integrantes, tivemos pouco espaço para b-sides. Isso meio que facilita o engajamento do público, já que todo mundo cantou os singles do início ao fim, e elas acertaram em músicas como GO HARD e Queen Of Hearts que são algumas fanfavorites que deixaram o público delirando. Eu mesmo queria uma performance bem putífera de BRING IT BACK e Love Foolish mas tá valendo, o que elas fizeram em GO HARD vai ficar na minha mente para sempre.
Quanto aos covers/performances solo… muitas ali fizeram uma escolha de cover que definitivamente foram uma escolha. Lembro delas falando depois de “BRAVE” que as próximas músicas eram cheias de energia e aí do nada a Dahyun aparece com um piano para cantar Colbie Caillat… Eu dei uma risadinha da enganação, mas foi uma performance bonita. No final só deu para confiar nas japonesas sendo as maiores lobas do grupo mesmo.
- READY TO BE
- SET ME FREE
- I CAN’T STOP ME
- GO HARD
- MOONLIGHT SUNRISE
- BRAVE
- Try (Colbie Caillat cover – Dahyun solo)
- Done for Me (Charlie Puth cover – Tzuyu solo)
- New Rules (Dua Lipa cover – Sana solo)
- MOVE (Beyoncé cover – Momo solo)
- 7 rings (Ariana Grande cover – Mina solo)
- Feel Special
- Cry for Me
- FANCY
- The Feels
- My Guitar (Chaeyoung solo)
- Closer (Jihyo solo)
- CAN’T STOP THE FEELING! (Justin Timberlake cover – Jeongyeon solo)
- POP! (Nayeon solo)
- I GOT YOU
- Queen of Hearts
- YES or YES / What Is Love? / CHEER UP / LIKEY / KNOCK KNOCK / SCIENTIST / Heart Shaker
- Alcohol-Free
- Talk That Talk
- When We Were Kids
- CRAZY STUPID LOVE
- Encore: DO NOT TOUCH e Doughnut
O que eu mais gostei
- GO HARD é DE LONGE a minha performance favorita do show. O jogo de luzes, sombras e cores, especialmente no refrão, é extremamente memorável e realmente me marcou ali no show. Elas foram lendárias e fizeram GO HARD ganhar um espaço muito grande na playlist de agora em diante.
- FANCY com banda. Todas as músicas que tiveram banda foram muito legais de ouvir ao vivo, mas FANCY ficou simplesmente divina. E eu sabia a coreografia (do refrão), então dancei junto e isso ficou ainda mais marcante em mim.
- A fé que eu tive para acreditar que o microfone da Tzuyu estava ligado no solo dela. Nem me importei dela estar cantando CHARLIE PUTH, só de ver a minha fave tendo seu momento de destaque sendo bela e radiante em seus dois minutos solo já valeu a pena os 900 reais do ingresso. Nem em Deus com D maiúsculo eu acredito tanto quanto acreditei na voz de anjo da maior taiwanesa do K-pop.
- Momo no pole dance. Period.
- Toda e qualquer aparição da Jihyo que estava estourando de gostosa o show inteiro, incluindo ela mandando o pessoal calar a boca e as cadelinhas no estádio ficaram lá, caladinhas, ouvindo o que ela tinha para dizer e dando um momento de paz para a tradutora fazer seu serviço.
- O medley que elas fizeram incluindo grandes hits do TWICE e SCIENTIST. A maioria das músicas já eram bem velhinhas e não senti necessidade delas cantarem completas mesmo, do jeito que fizeram já me deixaram feliz com a nostalgia.
- A trucagem que elas fizeram na roleta para o Misamo cantar Do Not Touch, elas fizeram isso por mim.
O que eu não gostei
- Feel Special. A mistura de VCR com performance ao vivo da banda e um acapella não me conectou, a música é uma das minhas favoritas do TWICE mas foi uma parte matando a outra comigo e meio que não engajou o meu coraçãozinho assistindo. Mas engajou o coração de alguns pedidos de casamento que rolaram durante o show, então tudo bem.
- Jeongyeon ganhou um inimigo público cantando música do Justin Timberlake e ainda querendo que eu cantasse junto com ela. Mulher tu é uma querida mas conheça seu público de homossexuais e nunca mais me faça cantar Can’t Stop The Feeling.
- O solo da Chaeyoung eu achei uma chatice também. Dos solos foi a performance mais esquecível.
Concluindo…
A “READY TO BE TOUR” foi uma experiência incrível. Foi o meu primeiro show em um estádio e a atmosfera ali dentro é coisa de outro mundo, 40 mil vozes cantando junto, gritando e indo ao delírio em uma oportunidade que talvez seja única, foi impressionante demais e eu guardarei no meu coração. Se você não frequentou algum show em estádio eu recomendo MUITO que tenham essa experiência, pois o público brasileiro é apaixonado e eleva a energia de qualquer show. E para aqueles que estão vivendo o segundo dia do show, espero que se divirtam muito.
PS: Queria pedir desculpas para querido que me reconheceu depois do show e me deu um oi, estava um bagaço no final do show e só juntando forças para apressar o passo nas linhas 8 e 9 para conseguir pegar o último ônibus para casa lá no final da linha 9, devo ter sido a pessoa menos querida que ele cumprimentou.