Eu estou tão acostumado com a recente falta de pedidos por pix e o ritmo de postagens diárias que acabei não conferindo que recebi um saboroso dinheiro para falar sobre o mesopotâmico 2º álbum japonês do After School “Dress To Kill”. Aproveitando que não faria nada nesse sábado, eu revisitei o projeto e estou aqui para falar que, mesmo depois de 12 anos e uma caralhada de lançamentos e grupos novos na indústria, o “Dress To Kill” ainda é um álbum ESSENCIAL para você, homossexual que quer se aventurar no que o K-pop fazia de bom no Japão:

Artista: After School
Álbum: Dress To Kill
Lançamento: 19/03/2014
Gravadora: avex trax
Nota: 100/100
Uma GRANDE diferença da onda hallyu no Japão de 15 anos atrás para a onda hallyu no Japão de hoje é que, na década passada, os grupos de K-pop tinham que REALMENTE bater de frente com o que os japoneses estavam fazendo pelo pop. Hoje em dia não há essa necessidade com os próprios japoneses fazendo mais questão de ouvir os trabalhos coreanos e boa parte das músicas japonesas do K-pop serem bem aquém do que é na Coreia, mas em 2014 as gatas tinham que provar que eram fodonas em japonês para valer o yen deles enquanto rolava uma forte campanha para barrarem e minarem lançamentos coreanos no Japão. Era tudo ou nada para os girlgroups coreanos que não eram SNSD ou KARA no J-pop, e nesse contexto temos o 2º álbum japonês do After School “Dress To Kill”.
“Dress To Kill” é um álbum com o propósito de servir a maior experiência mainstream que você vai ter com um girlgroup pop, e os produtores de cada faixa parecem estar com fogo no olhar para mudarem sua vida em cada música nele. Se o PLAYGIRLZ tem uma som eletrônico mais fiel e característico de 2012, o “Dress To Kill” parece querer evoluir e ir além, superar a barreira do tempo e produzir algo atemporal. Mais ambicioso e com uma ideia matadora, chique e que seduz o ouvinte em melodias que são sexy, fortes ou ambos. Se no K-pop já não tinha muita gente fazendo o que o After School fazia por lá, no J-pop só consigo imaginar o E-Girls tendo culhão para lançar boa parte das músicas desse álbum em 2014.
O único ponto mais crítico que eu traria em cima desse álbum não é nem um problema dele, mas a minha opinião do “Dress To Kill” ser praticamente perfeito vem, praticamente, do fato de ser um homossexual criado e alimentado por bangers eletrônicos da década passada a rodo. Estou ciente que tem toda uma geração que não curte essas farofadas eletrônicas e vai pensar “Por que raios esse gay está renascendo com a pior música que eu já ouvi?” quando der play em coisas como Ms. Independent e Rock It! então, se você não é desses grandes fãs de electropop e vocais mega processados, vai com calma na hora de ouvir.
Mesmo assim, o “Dress To Kill” serve faixas atemporais como os dois singles “Heaven” e “Shhh”, “Triangle”, “Yes No Yes” e “Spotlight”, que são músicas que recomendaria a qualquer um tanto pela sensualidade das faixas mais soft quanto pela agressividade e adrenalina dos pancadões. E são músicas que vendem muito bem a marca e personalidade do After School, não jogando no pop mais safe e trazendo um som mais ousado e provocante que parece desafiar os limites das meninas enquanto mulheres fierce na indústria. Eu só fico imaginando as possibilidades de performances icônicas desse álbum se a Kahi ainda fizesse parte do After School (E elas fossem um hit no Japão ao invés de penarem para vender 5 mil cópias desse álbum).
12 anos depois, “Dress To Kill” ainda soa moderno e atual. Mesmo que o electropop soe datado enquanto estilo hoje em dia, as músicas desse álbum ganham muitos pontos por quererem ser icônicas, explorando o melhor do After School enquanto performers e do que a música pop poderia proporcionar em 2014. É um álbum que emocion, encanta e ressuscita 93% das pistas de dança, com os grandes momentos do álbum sendo algumas das melhores músicas já feitas no nicho de girlgroups de K-pop no Japão. É um álbum que quer dominar o mundo e, mesmo que não tenha dado certo comercialmentesobre o “Dress, segue sendo um dos meus álbuns favoritos da música pop.
Faixa a Faixa
O álbum começa com a intro “Dress Code”, que introduz bem a energia matadora e hipnótica que vem aí nas diversas faixas pop/dance pelo álbum. A faixa título “Dress To Kill” é muito mais intimidadora, trazendo uma sonoridade mais densa com elementos de “trilha sonora de 007” e outros elementos de “Blackout – Britney Spears” que criam uma faixa pop poderosa, caindo muito bem com a performance vocal mais sexy e com a ideia de “vestir para matar”. Um início forte e instigante para qualquer ouvinte.
A seguir temos “Ms. Independent”, um farofão mais desprendido e apocalíptico que aposta em sintetizadores mais explosivos e uma letra mais empenhada em ser chiclete e criar ganchos empoderados de gostosas independentes do que fazer muito sentido (É Japão e o engrish em 90% dos J-pops só estão ali para soar cool mesmo). O importante é que tudo aqui dá CERTO, e é uma música deliciosa para cantar junto e fritar no batidão, especialmente no refrão que é um dos melhores da carreira delas. “Triangle” volta com a adrenalina e sensualidade de “Dress To Kill”, mas com uma produção electropop mais futurista em comparação. Em “Triangle” eu me sinto uma gostosa pronta para combater o crime no futuro neon cyberpunk, e essa “ação” que os versos e o refrão proporcionam é eletrizante. Se você não estava 100% homossexual ouvindo esse álbum até aqui, com certeza vai chegar lá com essa música.
Uma coisa interessante sobre o “Dress To Kill” é que toda a “era” foi muito bem planejada com os 50 reais e um sonho que elas tinham de orçamento, a ponto de “Crazy Driver”, originalmente b-side de “Heaven”, entrar no álbum e funcionar como mais uma faixa eletrônica perfeitamente autotunada, que infecta a minha batida com esse som mega processado e intenso contrastando com elementos mais orgânicos como as ocasionais guitarras e violinos que pipocam no instrumental. Talvez envelheça meio mal para quem não curte muito autotune, mas continuo achando “Crazy Driver” deliciosa. Já o single “Shhh” é a 1ª música mais “limpa” do álbum, trazendo vocais mais reais e provocantes em uma faixa que mistura o synthpop e o house oitentista de um jeito bem classudo e envolvente, sem perder a adrenalina e intensidade que o grupo entrega em termos de performance. Quem viveu a aventura do After School e não ficou com os “xixixixixicret love” na cabeça simplesmente ouviu esse hino errado.
“Yes No Yes” mantém a vibe mais suave de “Shhh” e desacelera de vez o “Dress To Kill” para um pop/jazz refinadíssimo. É uma faixa que aposta menos em sintetizadores impactantes ou numa energia mais intensa como vimos em todo o álbum até aqui, com o After School exalando tesão e mesclando versos sussurrados com vocais bem sensíveis que deixam o refrão ainda mais envolvente. “Yes No Yes” é o After School vivendo seu momento “divas do jazz” do jeitinho que um girlgroup pop tem que viver. “Heaven” segue tirando a pressão eletrônica e te levando para a vibe mais sexual em uma faixa funky setentista que brilha tanto nos momentos sexy cantados quanto quando eles deixam apenas o instrumental rolar. Essa sequência “Shh” > “Yes No Yes” > “Heaven” proporciona um momento mais provocante, femme fatale, com o After School te seduzindo lentamente para você entrar nessa vibe libidinosa e tão matadora quanto as faixas de maior adrenalina da 1ª metade do álbum.
“In the moonlight” é o único momento mais questionável do álbum. Gosto muito dessa música hoje em dia mas, diferente de todas as outras que eu fiquei GAGGED e gritando que são as melhores músicas que já ouvi, eu aprendi a gostar de “in the moonlight” com o tempo. O instrumental é delicioso e saído diretamente de alguma sessão disco-ish da Kylie Minogue, mas leva um tempo para entender o que quiseram fazer com os vocais do grupo aqui (No prér refrão e no refrão estão muito bons, mas no resto… escolhas foram feitas). De qualquer forma, não será uma música 8/10 que me fará tirar a nota perfeita que o “Dress To Kill” merece ter. “Rock It!” tem a mesma questão mas, aqui, não me incomoda nem um pouco pois o instrumental mais eletrônico e as brincadeiras mais autotunadas que rolam na música tornam essa faixa bem divertida. “Spotlight” resgata a energia e adrenalina eletrônica da primeira metade do álbum como um “grand finale” em um instrumental e performance vocal mais vivos. Os momentos mais dubstep da faixa poderiam derrubar a música, mas eles são adequadamente colocados para deixar a música emblemática. Se você perder o gás com as faixas anteriores desse fim de álbum, com certeza será revitalizado por “Spotlight”. E é nesse brilho e poder que o álbum se encerra com o outro “Killing Eyes”.
Concluindo…
É o melhor álbum de um girlgroup de K-pop no Japão, ESSENCIAL para qualquer homossexual e VITAL para qualquer entusiasta de electropop. Simples assim.
Um dos melhores albuns de todos os tempos
Esse álbum é 10/10 mesmo. Heaven e Shh são as melhores. Os vídeos, nem se fala! Elas já tinham acertado com First Love na Coreia e depois vem com essa obra prima!
Como eu amo mídia física, quando encontrei para vender esse cê fiz questão de comprar pra ter ali, mais perto de mim porque vale a pena exaltar!
Se o Red Velvet explorasse o lado velvet delas no Japão, com Yes no Yes ao invés de Wildside, o 10.0 na Pitchfork vinha. Dito isso, só exalta a jp discography do snsd, quem tem preguiça de acessar o YouTube e não quer pagar a Apple Music pra ouvir Dress To Kill, e olha q eu falo isso sendo uma sone.
Quando eu entrei no K-pop lá em 2016 esse álbum ainda era um evento comentado e Deus como eu vivi com ele, reescutei agora lendo seu post e ele é tudo isso mesmo. A Avex tinha produtores muito bons nessa época, acho que todo mundo que passou por lá em 2014/2015 saiu com algum batidão icônico na discografia.
Nunca mais fui a mesma depois de ouvir esse álbum e a discografia japonesa do After School como um todo, Shh e Heaven são as melhores músicas japonesas de um grupo de kpop. Sinto muita falta delas.
Primeira vez que eu ouvi esse álbum na época fui muito impactado pois cada faixa havia algo de diferente que destoava dos sons genéricos da época. Pra mim ele é o melhor álbum do mundo justamente por uma farofa mas com personalidade forte.