O ano novo lunar segue deixando tudo meio paradinho no K-pop mainstream, então é uma boa oportunidade para revermos o que saiu no mês de janeiro que foi bem movimentado até. Tivemos o EP do NMIXX sendo chocantemente um dos melhores EPs recentes da JYP, e agora vamos dar uma conferida no que o (G)I-DLE entregou com seu segundo full album adequadamente nomeado “2”. Será que ele emociona? Já adianto que NÃO, e os meus motivos serão expostos depois que você clicar no leia mais nesse post:

Artista: (G)I-DLE
Álbum: 2
Lançamento: 29/01/2024
Gravadora: Cube Entertainment
Nota: 60/100
Antes de tudo vamos tirar o elefante da sala: Um full album de 21 minutos é para dar risadas mesmo. Quer dizer, na atual situação do K-pop com músicas lutando para ter mais de dois minutos, isso era inevitável e em algum momento poderia rolar um álbum completo de um girlgroup relevante que lutasse para ter a duração de um EP. Calhou do (G)I-DLE ser o grupo que conseguiu a façanha de lançar um álbum que dura menos que os dois full albums do BLACKPINK e dei gostosas risadas pensando nesse fun fact mas, honestamente, qualquer girlgroup por aí tem muita chance de fazer o mesmo.
Agora, o álbum: Uma coisa que aprendi lendo reviews de álbuns e singles do Asian Mixtape é que um álbum com um nome que não quer dizer nada é porque o produto não quer que você espere alguma coisa. O Bon Voyage da Koda Kumi, por exemplo, é um álbum com nome e visuais mais conceituais remetendo marinheiras e/ou férias de verão num cruzeiro, então eu acabo esperando um álbum que me dê essa sensação (E depois tomo no cu com ela jogando o conceito no lixo lá pela faixa 5, mais ou menos). Agora, o que dá para esperar de um álbum que se chama DOIS? Pois é, menina, TUDO poderia acontecer nesses e 20 minutos, ao mesmo tempo que NADA poderia acontecer também.
Quando terminei de ouvir o “2”, eu não sabia onde o (G)I-DLE queria chegar. Pelas sonoridades mesmo, o “2” tenta se mostrar um álbum diverso mas as músicas não se conectam tão bem e o álbum acaba parecendo uma mera playlist montada aleatoriamente com algumas coisas que já vimos em outros singles do (G)I-DLE e outras coisas que parecem novidade. Não é exatamente um conjunto muito empolgante, e me dá aquela sensação de que, ao mesmo tempo, tudo e nada acontece nele.
Individualmente as coisas melhoram. Muitas músicas poderiam ser melhores se fossem maiores (Incluindo os dois singles), mas tem músicas que eu aproveito muito bem. “Fate” é um bom exemplo, onde o (G)I-DLE gravou, basicamente, um j-pop moderno com as influências em jazz/rock que praticamente toda banda e artista lança lá no Japão, só que na Coreia. “Super Lady” é uma música intensa do início ao fim e foi uma ótima escolha de single dentro desse álbum, mesmo que a intenção seja melhor que a execução, e “Vision” é o (G)I-DLE tendo seu momento jersey club porque, bem, quem não tem seu momento jersey club no K-pop né. São faixas que sozinhas dão certo e me dão vontade de deixar no repeat, mas que não tem o mesmo efeito dentro do álbum.
No final do dia eu aproveito muito mais o “2” se escolher aleatoriamente qualquer faixa dentro do álbum, pois o conjunto da obra acaba se perdendo nisso de atirar para todos os lados na tentativa de mostrar qualquer versatilidade e alcance, fazendo o “2” se tornar qualquer álbum por aí. Uma experiência que parece tentar resumir o que o (G)I-DLE pode fazer, com uma execução ainda mais resumida em faixas curtas que não me levam ao ápice em nenhum momento. Não é um álbum totalmente dispensável, mas não é um álbum que eu penso que seja o melhor que o (G)I-DLE possa me entregar.
Faixa a Faixa
O álbum já começa com a faixa principal “Super Lady”, que traz toda a intensidade e força de uma música empoderadora para liderar esse álbum. Minhas impressões sobre essa música não mudaram muito desde o lançamento, sendo uma faixa onde uma parte vai engolindo e matando a outra com suas mudanças de ritmo e estilo, mas aprecio a intensão de reviver e modernizar a magia das farofas da segunda geração do K-pop aqui. E levando em conta ara o que o álbum tem, acabou sendo a melhor escolha como faixa principal.
“Revenge” já aposta em riffs mais rockish para manter a intensidade do álbum. Acho que a música seria melhor se as guitarras mais pesadas do pré-refrão/refrão aparecessem na música inteira, acrescentando um refrão final explosivo e agressivo. Os momentos mais suaves dos versos acabam me perdendo, mas cumprem seu papel de entregar uma energia mais vilanesca (Especialmente na interpretação das meninas nessa música). “Doll” mantém essa atmosfera de vilania e obscuridade, mas em um instrumental mais delicado em comparação. Mais uma faixa que seria melhor se fosse mais longa pois é uma faixa que chega ao fim quando estou começando a comprar a ideia, mas nada na execução é errada. Uma boa faixa, mas que não dura o suficiente para ir além.
“Vision” é o momento onde Soyeon mostra que também ouviu a PinkPantheress como absolutamente todas as pessoas da face da terra, e garantiu seu número jersey club de qualidade para o grupo. De todos os estilos do álbum esse é o que mais se sustenta sem precisar passar de 3 minutos, sendo uma música redondinha, emotiva e gostosa de ouvir, sendo o melhor momento do álbum. “7Days” é aquela midtempo mais melódica, misturando guitarras e elementos mais acústicos com drum n bass. Ela acaba caindo naquele limbo de “música mais emotiva para fã” que funciona bem num encore de final de show para criar aquele momento de conexão entre ídolo e público, mas sem nada muito chamativo ou que se destaque no álbum (além do fato de ser a única música com mais de 3 minutos de duração).
“Fate” é a grande surpresa que tive nesse álbum. Um popzinho carismático e mais moderno, com referências mais jazz/rock é algo mais comum no J-pop do que no K-pop, e ouvir aqui foi onde eu tive mais certeza que o (G)I-DLE tem muitas referências e pode entregar algo único dentro do mainstream coreano. É um dos poucos momentos do “2” onde a execução é tão boa quanto a intenção, e temos uma música divertida que me tira um sorriso do rosto ouvindo. Uma experiência inesperada e extremamente agradável que poderia conduzir esse final de álbum muito bem… Mas o grupo se transforma de novo para a faixa seguinte.
“Rollie” é o número hip hop com batidas de trap que surge como algo inédito dentro do álbum (De certa forma, uma surpresa que o número badass esteja lá para o final do 2). A atitude e interpretação de um grupo cheio de SxWxAxG está aqui, mas as batidas são tediosas e maçantes, a música não tem lá muita energia e o resultado é uma faixa totalmente insossa e dispensável. A impressão que dá ouvindo “Rollie” é de uma faixa cansada que não está ali pelas fodonas que estão cantando em cima. “Wife” finaliza o álbum de forma mais sassy, desbocada e irônica, mas as batidas simples não são cativantes e acabam deixando a faixa bem qualquer coisa. Ironicamente, “Wife” funcionaria mais como interlúdio, pois não tem necessidade de carregar um instrumental vazio e simples desse por mais de 2 minutos, mas acho que ainda é melhor finalizar assim do que com alguma baladinha chata.
Concluindo…
Esse é o primeiro álbum coreano que ouço e analiso “pra valer” do (G)I-DLE, e ele não é atrativo o suficiente para que me despertar qualquer interesse em conhecer os outros álbuns coreanos do grupo. O 2 quer mostrar muita coisa pois o (G)I-DLE é um grupo cheio de ideias mas, sem qualquer fio dando coesão para as músicas ou faixas muito boas para carregar, o álbum acaba se tornando um trabalho na média do que o K-pop costuma entregar. Tem seus destaques aqui e ali, mas essa experiência de 21 minutos está longe de ser inesquecível.
Dougie, é conceito, 21 minutos como referência ao 2ne1 !!
Ok passada a piada besta, eu tava até pensando em passar o pix pra esse review rolar mas nem precisou que o marasmo do kpop atual já foi suficiente pra te motivar hehe minha carteira agradece
E sobre o 2, eu como já costumo sempre dar uma chance pros trabalhos do gidle (elas parecem estar sempre no limiar de fazer algo arrebatador mas nunca chegam exatamente lá) eu já esperava que esse álbum fosse exatamente assim. Não perde nada negligenciando elas kk
Esse álbum até q é bom mas pra mim i never die continua sendo o melhor álbum q elas já lançaram até agr, e menção honrosa pro i burn q é sem dúvidas o melhor EP delas
De vdd eu amo os EP’s do gidle, de tds os grupos eu sinto q o gidle é oq tem os melhores EP’s da quarta geração, é tanta música boa q dói o fato de não serem promovidas por serem bsides
esse álbum é uma porcaria achei 6/10 muito ainda
acho que de todos os álbuns do idle, esse é o mais esquizofrênico em questão de escolha de músicas que não conversam entre si. individualmente, até gosto da maioria (revenge, doll e fate são minhas favoritas, mas super lady está crescendo comigo depois de eu ouvir trezentas vezes pelas promoções), a única que realmente dispenso é wife. inclusive acho válido ressaltar que as duas músicas mais alinhadas com as trends atuais de drum&bass e jersey club (7days e vision) são as produzidas pela minnie. mas eu de verdade recomendo que você dê uma escutada nos outros álbuns do idle porque tem muita música boa lá. eu particularmente acho o i burn o mais coeso delas, mas minhas bsides favoritas ainda são as do i love (a melhor canetada da vida da yuqi tá lá) e do i never die (que tem already, a melhor canetada da minnie pra mim)
Ainda acho o 2 como um dos melhores álbuns delas, seja mais por cativar com as músicas como um todo do que esperar uma costura muito boa. Agora não lembro se você fez review ou só comentou, mas ainda o álbum I Burn consegue ser o melhor delas, seja em qualidade, seja em conceito de todas as faixas conversarem (Caso vc queira dar uma chance e fazer algum review, mas não espere meu pix, pq estou zerado)
Eu não tive interesse nenhum no álbum delas, Super Lady não é convidativo, eu simplesmente esqueci que elas tinham feito comeback, só lembrei por conta do seu post.
Ainda não soltei a mão das divinhas, mas… Nem todo mundo consegue ser o IVE que nunca errou (Baddie? O que é isso? Música do IVE? Claro que não.)
Seria incrível ver uma Review sua do Perfect Velvet, e seria mais incrível ainda tirar a imagem de que você odeia as boleiras, e o álbum é sensacional.