ALBUM REVIEW: 4th Impact – 4th Impact

Quando eu ouvi falar que o 4th Impact não só estava vivo como lançou seu álbum de estreia esse ano, eu fiquei chocado. Me lembro de ouvir falar muito delas no auge do X Factor em fóruns e grupos pop de facebook, todo mundo apostava nelas como novas promessas da música pop e o grupo nunca emplacou. Tinha esquecido da existência do 4th Impact, até a fanbase do grupo filipino me mandar um gostoso pix para fazer o review do EP autointitulado que elas lançaram no início do ano. Então eu fui lá, ouvi e estou aqui para recomendar que vocês ouçam o grupo, especialmente se você é fã de Pop anos 2000 (Ou K-pop da 2nd gen):

Artista: 4th Impact
Álbum:
 4th Impact
Lançamento: 21/01/2024
Gravadora: 4th Impact Music
Nota: 88/100

Se você estiver pensando “Hum, 4th Impact é um nome familiar… já ouvi em algum lugar”, provavelmente foi por conta da participação do grupo no The X Factor UK como 4th Power lá em 2015, que viralizou e se tornou um dos grandes momentos da franquia. A performance delas de “Bang Bang”, da Jessie J, é o vídeo mais visto da história do programa no YouTube, e toda a presença do grupo foi bastante comentada até serem eliminadas na quinta posição. Para os mais alinhados com programas coreanos, o 4th Impact participou do Superstar K6 um ano antes com o nome MICA, ficando no oitavo lugar. 10 anos e alguns singles depois, o grupo está de volta com seu EP de estreia sendo lançado de maneira independente.

Essa intro é necessária porque, ouvindo o 4th Impact, podemos notar que o grupo usa o Pop dos anos 2000 como grande referência. Não se trata de um grupo novo, então faz todo sentido o EP reviver músicas pop marcadas por uma performance intensa, variações mais hip hop e instrumentais pesados e marcantes. Para os velhos de guerra no K-pop, praticamente todo o material invoca os lançamentos da segunda geração em diferentes contextos: Pop/Hip Hop, pop mais retrô, referências mais latinas e por aí vai. Para quem gosta de um trabalho pop mais vocal, esse EP é uma ótima recomendação.

Comigo esse álbum funcionou muito bem. 4th impact é um álbum mais voltado em servir versatilidade com faixas fortes individualmente do que funcionar de forma coesa como um conjunto, o que seria um problema se as faixas não fossem, de fato, ótimas. O grupo continua muito bom vocalmente, e isso dá brilho e charme para tudo no EP que, além de sons viciantes trazendo aquela energia emblemática de pop ’00, tem uma interpretação vocal poderosa. Também é nostálgico de certa forma, pois os nomes mais novos não apostam mais nessas sonoridades e a gente acaba dependendo de veteranas para manter essa chama viva. O 4th Impact acaba sendo bem fiel e não tenta modernizar as músicas, que soam exatamente como o que uma playlist de rádio pop teria lá entre 2004~2008.

Eu cresci ouvindo músicas como as do 4th impact, então foi fácil apreciar esse álbum que, acima de tudo, é muito bem feito. Os mais novinhos (E até os mais velhos de guerra) podem achar o EP meio datado na sua produção, o que eu acho compreensível e até concordo. Porém, me atinge de um jeito único com uma execução incrível de suas músicas. Não tem música ruim nesse EP, e o conjunto da obra acaba ficando muito forte por isso. Me deixou até curioso e imaginando como seria se fosse um full album, pois seria promissor ouvir mais do que essas poderiam oferecer com seu álbum de estreia.

Faixa a Faixa

O EP começa com a faixa “Distorted”, que também é o 1º single do grupo no mercado americano. Já na primeira faixa já dá para sentir a condução focada para o que bomba (Ou costumava bombar) nas rádios americanas, aquele pop dramático com referências hip hop, sintetizadores mais pesados, vocais fortes, um refrão potente que faz “Distorted” ser marcante. Na minha opinião “Distorted” é um debut americano bem mais funcional e radiofônico do que boa parte dos debuts americanos que o K-pop costuma fazer, por exemplo, e um ótimo revival para quem curte e cresceu ouvindo Pop no meio dos anos 2000 (Ou K-pop entre 2007 e 2010).

O violão de “Round And Round” dá uma pegada latina mais quente para o popzão da faixa, sendo o grande destaque do instrumental. E por ser um grupo vocal, o 4th Impact consegue imprimir uma intensidade ainda maior para a música. Uma ótima faixa, dançante e provocante do jeito que eu gosto, sendo o tipo de música que tocaria muito na Rádio Mix lá por volta de 2006/2007. O estilão anos 2000 segue vivo na baladinha “All At Once”, com um instrumental simples e extremamente discreta feito propositalmente para destacar os vocais das irmãs, que estão lindíssimos aqui. Um pequeno coral entre elas dá um charme a mais no refrão, se tornando ainda mais melancólico. Não é uma música que eu ouviria sempre que precisasse de um baladão na minha vida, mas não deixa de ser uma linda canção.

A nostalgia de uma boa e velha música pop 2000 retorna quando os violinos começam em “February”, as batidas mais pesadas e cheias de atitude combinando com a performance agressiva e explosiva das meninas. Consigo imaginar atos como The Veronicas e Aly & AJ aproveitando esse instrumental, mas os vocais expressivos e acima da média do 4th Impact dão um outro nível, especialmente no refrão. No meio de tantas faixas ótimas, “February” é a música mais memorável do EP. Fechando o álbum muito bem temos “Hate That Girl”, um carismático e energético pop retrô que conversa muito bem com números retrô que o K-pop lançou em uma determinada época depois de 2010. Facilmente uma Ailee da vida lançaria uma música assim, o que é um grande elogio.

Concluindo…

Ouvir as faixas do “4th Impact” me trouxe um sentimento adorável e memórias da minha adolescência com divas pop, músicas intensas e uma performance forte. Todas as músicas são feitas para VOCÊ que viveu os anos 2000 embalado pelo melhor que a música pop oferecia, assim como é muito bem feito para aqueles que não conheciam o grupo. Elas sabiam o público que queriam atingir com esse EP e, para mim, foi um grande acerto.

6 comentários sobre “ALBUM REVIEW: 4th Impact – 4th Impact

  1. Ótimo disco. Ela são uma maravilhosa mistura de talento e carisma. Uma pena que nunca tenham achado de verdade o caminho para o mercado internacional. Merecem bem mais do que parece.

  2. Amoo elas pena que as gravadoras que elas assinaram conseguiram matar a fama global do grupo. Nunca vi um grupo com tanta fanbase desativada

  3. Lembro de ver a apresentação delas do xfactor e torcer pelas queridas. Talento tem aí. Não sabia desse álbum, vou ouvi-lo e creio que irei gostar pelo que vc falou no Review. Sua divulgação deu resultado Dougie, que mais fanbases possam te mandar pixs gostosos.

  4. tô chocado que essas queridas ainda existem… lembro que em 2015 eu tava surfando pelos canais da TV e assisti um ep do the x factor daquele ano e gostei, daí comecei a acompanhar, a minha favorita era a louisa johnson que acabou vencendo posteriormente mas eu também amava o 4th impact. depois de 9 anos, ninguém lembra da existência nem da louisa e nem do 4th impact, SOS. vou ouvir esse EP mais tarde, mas pelo que tu descreveu parece ser hit

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