ALBUM REVIEW: STAYC – Metamorphic

Como o K-pop tem uma cultura de EPs/Singles muito forte entre seus artistas, o lançamento do 1º full album acaba sendo o grande evento na carreira de um idol ou grupo idol. Tem grupos que morrem sem um álbum completo no currículo e idols que levam mais de uma década para conseguir um álbum completo com o nome deles, então a realização de um álbum de estúdio acaba sendo um evento especial para fãs e os artistas. Depois de 4 anos sendo bem sucedidos (Na maior parte do tempo), STAYC conseguiu lançar seu primeiro álbum completo com o “Metamorphic”. Será que a espera valeu a pena? Vamos conferir agora:

Artista: STAYC
Álbum: Metamorphic
Lançamento: 01/07/2024
Gravadora: High Up Entertainment
Nota: 73/100

Normalmente os primeiros “1st full album” no K-pop se propõem a mostrar uma gama de estilos que mostram o alcance e versatilidade do artista ou grupo em questão, e o STAYC não fez diferente. Na verdade o grupo me impressionou mostrando MUITA coisa nesse álbum, e se repete muito pouco entre suas 14 faixas. Ele tem 3 estilos mais principais (Pop, Pop/Rock e R&B), cada música se desenvolve em uma sonoridade ou subgênero diferente e cada música acaba tendo sua própria cor dentro da tracklist. Obviamente nem tudo nele é um acerto e tem estilos que se destacaram bem mais comigo (No geral, as músicas com pegada R&B foram os momentos mais fortes do álbum), mas é muito interessante o STAYC conseguir fazer isso em um com tantas músicas, intensificando essa sensação gostosa de “esperar o inesperado” que sempre brilha toda vez que vou ouvir um álbum e nunca sei o que vem pela frente.

Por outro lado, o faixa a faixa do Metamorphic é o ponto fraco do álbum, não por ter músicas ruins mas por pouca coisa se destacar de verdade nele. Quando eu ouvi cada música do álbum de forma individual, fui percebendo coisas que não tinha notado quando ouvi o álbum completo de uma vez. Uma música mais básica, outra música que não chama atenção, algumas músicas que soam como se precisassem de um refrão final para soar mais completas e por aí vai (Chega a ser criminoso como “Twenty” e “Fakin'” DEVERIAM durar mais, por exemplo). Ao mesmo tempo que não tem nenhuma música que eu odiei, quase nada no Metamorphic me faz pensar em colocar na minha playlist ou destacar como uma grande album track. Eu diria que “Trouble Maker” é a única que me deixou realmente empolgado (E “Give It 2 Me”, mas mais pela viagem no tempo que me rendeu ouvindo).

No geral, “Metamorphic” é um bom álbum para você ouvir do início ao fim. A experiência de ouvir um álbum por 40 minutos no estado atual da música pop coreana é um alívio, e por mais que ele atire para diversos lados, o fato de todas as músicas terem mais ou menos o mesmo nível deixa tudo coeso, além da proposta de versatilidade ser bem executada e me deixar com vontade de ouvir até o final. E é um álbum sem balada chata, o que é um feito e tanto levando em conta a quantidade de faixas que possui. Nenhuma música em específico me fez pensar “Uau, é uma das músicas do ano” (Tem algumas que tinham esse potencial mas morrem na praia por algum motivo) e eu senti falta de uma música assim, mas o “Metamorphic” é um álbum simpático que mostra bem o que o STAYC quer fazer daqui em diante.

Faixa a Faixa

O álbum começa com Twenty que, segundo a HIGH UP, representa a graduação da era “Teen” do grupo e o início de uma nova fase na carreira. Ou seja, infelizmente não teremos a nova “Bubble” que é o meu single favorito delas. Mas a música em si é bem boa, o tipo de R&B mais alternativo que funciona sempre que alguém quer mostrar um lado mais maduro do grupo. Uma pena que elas ainda não estão maduras o suficiente para superar o TikTok, já que a duração de 2 minutos e 8 segundos simplesmente não dá tempo da faixa me prender do jeito que deveria. O que tem é legal, mas deveria ter mais para ser icônico. Podemos dizer o mesmo de “Cheeky Icy Thang”, a faixa principal do álbum. A ideia de um synthpop mais intenso e de atitude foi bem executada aqui, a música é descolada, atrevida e envolvente, mas quando estou mais empolgado por um climax ela simplesmente acaba. Eu gosto de “Cheeky Icy Thang” no fim do dia, mas a música tinha tudo para ser um dos grandes singles de 2024 até decidirem que não deveria ser um dos grandes singles de 2024 e cortar uns 45 segundos dessa música (Que eu sei que existem em algum lugar).

“1 Thing” é uma farofa bem gostosa. Uma faixa pop que encontraria em algum lançamento de girlgroup mais farofeiro lá em 2014, uma batida marcada bem gostosa e dançante com uma energia mais descolada e descompromissada de gatinhas despreocupadas que só querem se divertir. Não é uma música que brilhe tanto dentro desse álbum, mas me diverte nos momentos que preciso de uma farofa mais rebolativa para fazer agachamento ou coisa assim. “Give It 2 Me” surge com o R&B anos 2000 geladinho onde só faltou uma gatinha com vocais mais agudos e potentes para viver sua fantasia de Mariah Carey idol. Gosto dos momentos que o K-pop me leva direto para um camelô vendendo CDs alternativos com o melhor da Black Music por 3 reais, então eu tenho um carinho maior por essa música do que pelas outras do álbum até aqui.

“Find”, música do trio Seeun, Sieun e J, é o STAYC fazendo o UK Garage do momento. Os vocais estão gostosos, a suavidade da música é legal e tudo mais mas não é nada muuuito diferente ou destacável nos semanais UK Garage que o K-pop desova. Talvez essa energia mais sentimental com uma fofura mais “triste” seja um pouquinho mais interessante, mas nada que impressione. “Let Me Know” é outro fillerzinho gostoso, um popzinho simpático e fofo com o STAYC apaixonadas e confessando que querem ser amadas que poderia estar enchendo um álbum da Carly Rae Jepsen mas está por aqui. “Nada” volta com o R&B mas de um jeito mais descolado, com batidas mais marcadas, palminhas conduzindo o instrumental e uma interpretação mais desbocada de gatinhas que viram que o boy não tem nada demais e decidiu terminar a relação. Desse trio de fillers é o mais adorável e fofinho, mesmo sendo a faixa que menos tenta ser fofa dessas três músicas em específico (Afinal é uma música de término).

“Fakin'”, dueto da Sumin e Yoon, é uma faixa mais essencial com esse pop/rock de garagem que é uma graça. O teclado que fica de fundo no refrão foi uma adição especial que prendeu a minha atenção e deu um tom mais melódico junto com o sintetizador que casualmente aparece na música. É mais uma música que eu sinto falta de uns 40 segundos a mais com ponte e refrão final mas eu vou ter que reclamar praticamente do álbum inteiro se me prender a essa questão, então para essa música eu vou deixar pra lá e curtir a energia do dueto e a melodia mais amistosa do instrumental. Fechando o trio de “músicas do STAYC que não envolvem o STAYC” temos o solo da Isa “Roses”, um R&B mais lentinho que imagino uma novata do R&B tipo Normani lançando. Meio simples, mas super gostosinha de ouvir e fácil para a Isa segurar sozinha de forma competente.

Agora temos a dupla de músicas com uma duração de verdade: “Beauty Bomb” (3 minutos e 20 segundos) é a canção mais borbulhante do álbum, pop R&B com sintetizadores eletrônicos que é delicioso. A interpretação delas poderia ir um pouco além dessa coisa mais fofinha e amistosa com uma performance mais imponente que puxaria a música para um outro nível, mas a produção é muito boa e meio que supera essa questão que tive com a música. Já “Gummy Bear” (3 minutos e 30 segundos) é exatamente o que você pensaria se eu falasse para você “Olha, o STAYC está fazendo um pop com pegada trap”. Os versos trap são meio “Caramba, tiveram coragem mesmo” mas aí vem o pré refrão e refrão mais good vibes e dá uma amenizada na música toda. Não deixa de ser a mais fraquinha do álbum, mas não é como se eu tivesse odiado também.

“Stay WITH Me” é um pop/rock adolescente/avril lavignesco para os fãs do grupo, que vai servir de encore nos shows do grupo e é isso aí. Pelo menos não é uma baladinha xoxa né, os fãs podem considerar isso uma vitória. “Flexing On My Ex” é outra música pop mais good vibes adolescente com uma guitarra conduzindo a melodia que mostra que o Little Mix impacta o pop sul coreano até hoje, pois é uma música que tem a cara do grupo britânico. Se isso é ou não um elogio fica por você, mas é uma album track competente para aparecer no final do álbum. Chegamos no fim do Metamorphic e eu já esperava uma baladinha encerrando o álbum, mas fui surpreendido com “Trouble Maker”, uma canção pop com banda descolada e bem jovem. Por algum motivo imagino algum ato japonês lançando essa música como tema de anime que não seja shonen de lutinha, e isso é um grande elogio. Se o álbum tem altos e baixos, pelo menos “Trouble Maker” fecha ele muito bem como uma das grandes músicas do Metamorphic.

Concluindo…

Um dia eu reclamei no twitter sobre como falta um full album no K-pop que me faça sentir que mudou a minha vida esse ano. O álbum do STAYC certamente NÃO é esse álbum, mas não deixa de ser um trabalho competente para o que se propõe.

3 comentários sobre “ALBUM REVIEW: STAYC – Metamorphic

  1. Nem ouvi o álbum das tidys a title é muito esquecivel, e pensar que elas tinham tanto potencial e ficaram assim.

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