ALBUM REVIEW: TWICE – DIVE

O quinto álbum japonês do TWICE chegou nessa quarta feira, e como era meio que o único álbum ali entre a zona K-pop que eu ouviria essa semana (Não vou ouvir álbum de boygroup ou passar 20 minutos ouvindo a voz de anjo do Jimin de graça ou sem um bom motivo), eu decidi dar uma chance ao DIVE mesmo com a minha resistência a discografia japonesa delas. E eu meio que me surpreendi com o álbum, então estou aqui para escrever essa review. Não esperem um post aclamando esse como um grande álbum porque não é, mas vamos dizer que a quinta tentativa é a da sorte.

Artista: TWICE
Álbum: DIVE
Lançamento: 17/07/2024
Gravadora: Warner Music Japan
Nota: 72/100

Minha questão com a discografia japonesa do TWICE é que eu acho quase tudo descartável. Eu ouvi os 4 álbuns anteriores do grupo na semana de lançamento deles 1 vez e nunca mais quis ouvir de novo. E quando a qualidade dos álbuns coreanos delas subiu de vez com ótimos trabalhos ali entre 2019 e 2021, , foi aí que a discografia japonesa se tornou ainda mais esquecível. É claro que tem uma ou outra música/single mais fora da curva no meio do que elas lançam no geral, mas se me falassem para ouvir um álbum japonês delas de novo eu falaria NÃO. Mas, no caso do DIVE, eu diria TALVEZ.

DIVE é, de fato, o álbum mais redondo do grupo, e consequentemente o mais forte da discografia japonesa. A ideia de entregar um trabalho nostálgico com uma sonoridade mais acolhedora e veranesca funciona bem, combina com o nome do álbum e dá um mergulho refrescante em músicas calorosas que funcionam no conjunto. No meio do DIVE tem umas faixas mais pesadas que quebram um pouco esse clima, mas nada que desvirtue muito o álbum como um todo. “DIVE” é um álbum que tenta transmitir a sensação de ter vivido um final de semana inesquecível de verão, e dá certo comigo. Não é TÃO inesquecível, mas é um álbum que lembro com carinho quando termino de dar play.

Individualmente temos como destaque “Ocean Deep” que é a melhor música do TWICE como grupo esse ano, “Here I Am” que é um trabalho mais dramático e fora da expectativa que tenho com o grupo, e “Peach Soda” que é um synthpop retrô de respeito que sempre funciona comigo. O ponto fraco é o material promocional: As 3 músicas usadas como single em algum momento (“Dive”, “Dance Again” e “Hare Hare”) são as 3 mais dispensáveis do álbum, seja por serem músicas mais irrelevantes dentro da tracklist ou por não despertarem nenhuma emoção mais forte em mim individualmente. Nada que eu ache ruim de fato, mas são músicas que eu ouço 1 vez e já acho que foi o suficiente.

No final, “DIVE” surge como um álbum que posso usar como token quando falar que acho os outros álbuns do TWICE uma chatice. Não é nada que me faça pensar “Nossa, elas lançaram um dos melhores álbuns do ano” como já fizeram no Eyes Wide Open e Formula Of Love, por exemplo, mas é um álbum que segura a minha atenção até o fim com boas músicas e alguns bons destaques do grupo esse ano. Não é um grande destaque dentro dos quase 10 anos de carreira do TWICE, mas o DIVE tem um conceito legal, músicas competentes e um conjunto redondinho e super simpático que funciona bem no final do dia.

Faixa a Faixa

“Beyond The Horizon” é uma ótima abertura para esse álbum. A guitarrinha conduzindo a música é relaxante, assim como os vocais das integrantes que conseguem manter um tom mais suave cantando. Obviamente temos Essa música combina com uma interpretação e timbres mais calmos e relaxantes, o que faz com que essa força que Nayeon e Jihyo colocam no refrão soe um pouco exagerada aqui, mas nada muito grave. Uma faixa pop de verão para começar o dia (E o álbum) muito bem e energizado. “DIVE” melhora um pouco dentro do álbum, mas a minha impressão do lançamento se mantém aqui: É só mais um disco pop sem muito diferencial se compararmos com os outros disco pops que os grupos de K-pop desovam quase que semanalmente. A essa altura, músicas assim precisam ter algo a mais, uma característica mais única ou uma força que faça se destacar na multidão, e “DIVE” não tem nada disso. A música existe, é um play gostosinho e fica por isso mesmo.

“Ocean Deep” é ótima e, para mim, o grande destaque do ano do TWICE até aqui. Tem elementos e sintetizadores que encontraria em uma faixa city pop mas de um jeito mais vibrante e colorido que traz um som mais especial em meio a nostalgia que a música desperta. Aqui é TWICE em seu melhor, em uma faixa que explora toda a elegância e sofisticação do grupo sem perder o estilo mais carismático e dançante que uma ótima faixa pop do grupo possui. Fechando a sequência de faixas mais veranescas do grupo, “LOVE WARNING” revive o dancehall que o K-pop já não usava há um bom tempo. Se fosse em 2019 isso aqui seria cansativo pelo tanto que usaram no final da década passada, mas hoje em dia passa de forma agradável aos meus ouvidos como uma faixa tropical quente e sexy. Só dispensaria a parte mais “hip hop” do “rap” que rola depois do primeiro refrão, mas nada que não me faça achar essa música bem legal.

“Here I Am” muda a chave mais fresh que o álbum tinha até aqui para entregar um som mais dramático e intenso, uma pop com uma inspiração em música clássica que vai por um caminho quase “experimental” com batidas e sintetizadores mais intensas e imprevisíveis. Lá pelo final a música fica uma bagunça com os vocais brigando com o instrumental para saber o que faz mais barulho, mas é o tipo de coisa mais ousada que foge muito da zona mais confortável de synthpop que o TWICE tem. Vale ouvir pela curiosidade, e talvez seja a música mais marcante para você caso decida ouvir o álbum. “Inside Of Me” já caminha pop um Pop/R&B mais comum e fillerzão que não fiz muita questão. O drama se mantém, mas de um jeito bem menos interessante. “Peach Soda” volta com o clima mais retrô e refrescante de summer song que o início do álbum entregou, mas com uma energia mais “fim de tarde” para ouvir enquanto curte o pôr do sol. Meio fillerzinha também, mas bem mais gostosa e que funciona melhor no álbum.

O piano da última faixa inédita do álbum, “Echoes of heart”, por um momento me fez pensar “Nossa elas vão meter um bossa nova inspired aqui mesmo?”, mas logo a música me dá um chá de realidade e é um R&B bem anos 2000 com o piano conduzindo o ritmo quase que de toda a faixa. Parece uma música que eu ouviria do MISAMO, e isso é um grande elogio. É uma faixa chique, envolvente e deliciosa, que encerraria muito bem o álbum se o grupo ainda não tivesse que colocar os dois singles que lançaram antes do DIVE, então o álbum encerra com as dispensáveis “Dance Again” e “Hare Hare”. “Dance Again” é uma música de natal animadinha para uma loja de departamentos japonesa e isso é tudo que você precisa saber dessa música, enquanto “Hare Hare” é uma música pop de verão que tem mais cara de grupo emergente lutando pelo seu primeiro grande hit na Coreia. Essa última talvez funcionasse melhor na 1ª metade do álbum, mas como encerramento do álbum soa meio desnecessário pois o TWICE já contou tudo que tinha que contar até a faixa 8.

Concluindo…

“DIVE” é o melhor álbum japonês do TWICE, mas não chega nem perto dos melhores trabalhos que o grupo lançou na Coreia.

3 comentários sobre “ALBUM REVIEW: TWICE – DIVE

  1. kkkkkkkkk adorei sua review, sempre fico querendo q vc poste mais reviews de albuns do twice e por isso fico feliz que vc tenha feito desse!

    o dive me surpreendeu muito pq ate eu como fa eu nao esperava muito do lancamento, apesar de não ter tido tanta resistência ao single quanto varios fas por ai. por isso, o álbum me chocou. quando fui dar o 1° play pensei “duvido ser melhor que o celebrate”, quando terminei estava chocada em como o dive foi um lançamento que cumpriu muito bem com a sua proposta: pop de verão gostoso. não tem nada de inovador aqui, mas não significa que eu não va torar as minhas faixas favoritas desse trabalho por um bom tempo (ocean deep, love warning, here i am, echoes of heart).

    e sim, acabei quebrando a cara pq o dive é melhor que o celebrate, que tem uns dos meus pancadoes favoritos da discografia do grupo (flow like waves, sandcastle).

    enfim, divas

  2. Atualmente a carreira do TWICE no Japão da uma surra na Coreia. Seja pela fanbase que ainda lota estádios ou pelos conceitos.

    Dive pra mim é uma música fraca, mas só de não ser uma ocidentalização igual Set Me Free e a esquecível I Got You já tá bom.

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