ALBUM REVIEW: ILLIT – I’LL LIKE YOU

Não sei como anda o desempenho desse comeback do ILLIT mas, julgando o fato de ninguém estar discutindo sobre os charts desse grupo nem mesmo no twitter, eu acredito que não anda fazendo o mesmo sucesso do 1º EP e do smash “Magnetic”. Porém, não somente de “Cherish (My Love)” vive o easy listening coreano, então temos todo um EP de músicas lutando para ter mais de dois minutos de duração para apreciar. Então vamos para o segundo album review do dia comentando sobre o 2º EP do ILLIT “I’LL LIKE YOU”, um trabalho melhor que o primeiro EP mas que provavelmente não desperte grandes sentimentos para quem ouvir:

Artista: ILLIT
Álbum:
 I’LL LIKE YOU
Lançamento: 21/10/2024
Gravadora: BELIFT LAB
Nota: 70/100

Muitos dos problemas do EP de debut do ILLIT podem ser, digamos, “perdoados” se pensarmos nele como uma grande introdução ao grupo. As faixas de 2 minutos, nenhuma música realmente forte ou que tenta ser mais emblemática, aquele tom mais neutro e suave que se estende pelo EP inteiro, podemos encarar tudo isso como uma forma de apresentar um grupo adolescente que vai se aproveitar do easy listening e transformar na assinatura sonora do grupo. Não é exatamente a ideia mais empolgante mas é a tendência mais atrativa do momento entre os grupos mais novinhos, e o “I’LL LIKE YOU” vem para reforçar ainda mais essa ideia do ILLIT ser o grupo com as músicas mais fáceis para você gostar.

Para esse 2º EP, o ILLIT trouxe sonoridades mais relevantes. Umas guitarras aqui e acolá mais marcantes, sintetizadores house mais potentes dentro da ideia de easy listening do grupo, um ritmo levemente mais vivo no geral. Ainda peca com músicas mais curtas que lutam para ter mais de 2 minutos, mas a produção das músicas não faz a gente pensar tanto assim nisso. A faixa principal “Cherish (My Love)”, por exemplo, dura quase 3 minutos e é uma gracinha que eu passei a gostar mais sem precisar ouvir um comeback bem mais emblemático no mesmo dia. “IYKYK” e “I’LL LIKE YOU” também são músicas onde a produção é um pouco mais ambiciosa e marcante, que me faz pensar mais em curtir as batidas do que reclamar do fato de terem 2 minutos e meio. No geral, “I’LL LIKE YOU” é uma evolução não tão impactante assim do “SUPER REAL ME”, mas é um passo para frente, pelo menos.

O que dificulta qualquer conexão mais profunda entre minha pessoa e as músicas do ILLIT é que o grupo soa muito desinteressante. A interpretação do grupo nas músicas segue sendo aquela coisa vanilla, mais dreamy e sem muitas nuances, notas mais altas ou qualquer momento com mais personalidade, e isso dá uma minada nos instrumentais do grupo, fazendo com que as músicas acabem chegando no mesmo lugar (Agradável, porém não muito memorável no fim do dia). Ainda é tedioso ouvir essas meninas cantando na maior parte do tempo, embora faça sentido dentro do que o grupo está afim de entregar musicalmente. Tudo é muito limpo, bem feitinho e bonitinho nesse EP pois o objetivo é criar o conjunto mais agradável e fácil de ouvir sem ser, de fato, a melhor experiência que terei ouvindo um álbum de K-pop. “I’LL LIKE YOU” cumpre muito bem esse objetivo, mas um álbum que tem como meta ser um trabalho nota 7/10 ainda consegue ser, no máximo, um 7/10.

A conclusão que tenho com o “I’LL LIKE YOU” é que é um segundo passo maior que o primeiro na vida do ILLIT, mas ainda não é tão grande assim. Tem ideias interessantes, é um EP bonitinho e simpático com uma ou outra coisa com potencial, mas não tem muito o que fazer quando um álbum é pouco ambicioso e feito para ser apenas um trabalho mais simpático que conta com a sorte de alguma música colar no algoritmo como BGM de vídeos e virais nas redes sociais. “I’LL LIKE YOU” cumpre o seu papel sendo um trabalho fofo que transmite a energia mais inocente e adolescente do ILLIT, mas só isso não é o suficiente para fazer um grande álbum teen pop. Pode ser que eu esteja ficando velho para os novos nomes do K-pop, ou pode ser que o ILLIT precise de uma personalidade mais forte para ter trabalhos mais memoráveis futuramente.

Faixa a Faixa

“I’LL LIKE YOU” começa com a faixa título, um popzinho mais estiloso com um instrumental interessante que abalaria diversas estruturas homossexuais se o álbum tivesse uma ideia mais dançante e agressiva. Como é o ILLIT, “I’ll Like You” é uma música de 2 minutos que tem seu charme com um refrão adorável, embora essa repetição do nome da música pareça meio desnecessária para uma música tão curta (Tá faltando liricista na Coreia para escrever uma letra com mais substância para uma música de 2 minutos?). Vale pelo instrumental, que me deu um calor no coração ouvindo. O mesmo eu posso dizer do single “Cherish (My Love)”, que tem um instrumental bem bom que cresceu comigo durante os dias. Destaque para a primeira leva de versos que a guitarra é o ponto de foco e dá toda uma energia mais fantasiosa e alternativa para a música. Do primeiro refrão em diante a música vira aquele popzinho mais fácil e despretensioso, mas ainda deixa uma boa impressão.

“IYKYK” surpreende com o garage na produção, mas sofre do mesmo problema de “I’ll Like You” onde a proposta do EP/grupo não explora todo o potencial que esse instrumental tem. Uma gatinha mais alternativa que não tem medo de brincar com os vocais e timbres mais exóticos faria essa música ser bem mais emblemática, mas a interpretação mais soft do ILLIT é fofinha e inofensiva demais e isso não faz “IYKYK” brilhar. Ainda é uma boa música (A melhor junto com o single), mas nada que encha os ouvidos ouvindo. “Pimple” desacelera as coisas sendo um midtempo que mantém a energia mais dreamy e fantasiosa, e tem uma inocência e fragilidade na interpretação que dá uma encantada no ouvinte, mesmo que falte um pouco mais de força para me dar vontade de ouvir de novo. Seria um fillerzão em qualquer EP mais ambicioso, mas funciona como um fillerzão gostoso no álbum do ILLIT. Fechando o mini temos “Tick-Tack” que é o momento mais divertido do álbum com seus sintetizadores 8-bit e uma performance mais “fora do personagem” onde as meninas parecem se divertir cantando a música também. É uma pena que é outra música curta sem um refrão de verdade e umas repetições que cansam ouvindo, mas é nessa música que eu senti um pouco mais de personalidade e ideias para o ILLIT se destacar no K-pop. Acho difícil a BELIFT ver isso e tentar seguir por esse caminho mais descompromissado com a ideia mais pura e delicada de teen pop, mas não custa torcer.

Concluindo…

“I’LL LIKE YOU” é uma evolução do easy listening do ILLIT e tem umas ideias com potencial que o grupo pode explorar e melhorar no futuro, mas é difícil criar qualquer apego com um trabalho que se empenha muito em ser mediano. Se o foco do ILLIT não fosse ser o girlgroup mais inofensivo/amistoso do K-pop atual, esse EP poderia ser muito bom.

7 comentários sobre “ALBUM REVIEW: ILLIT – I’LL LIKE YOU

  1. Lembrando que “gostar ou não de algo” é uma questão pessoal e não precisa ser defendida com agressividade, então chego a conclusão que críticas ofensivas são desnecessárias (muito comum que o povo apresenta sem ter conhecimento — vale ressaltar, afinal, em nosso tempo, as pessoas confundem opinião com conhecimento). As críticas podem existir se bem fundamentadas, mas a maioria (dirigidas ao ILLIT e Le Sserafim, por exemplo, no contexto de fandom de K-pop beira a bestialidade nos comentários esdrúxulos, que não trata de música, dança, qualidade musical, estética etc., é mais ataque pessoal e chiliques mesmos).

    Particularmente eu gostei do EP, por estar em acordo com minhas preferências (e, portanto, não precisam ser defendida ferrenhamente, afinal, isso é algo particular e preferencias esta na categoria da subjetividade).

    Há um drama desproporcional presente nas redes sociais com relação às subjetividades dos gostos pessoais das pessoas, pois ora, há mercado para todos os tipos, assim, sem necessidade de que haja homogenização de preferências. As discussões de preferência não precisam ser competitivas ou hostis, quem curte fica feliz, quem não, segue sua vida parça, sempre há público para tudo, e uma hora você encontra o seu.

  2. É um trabalho inovador e revolucionário? Não, mas durante o tempo ouvindo cria uma sensação reconfortante 😸. Eu já ouvi esse álbum mais de uma vez para dizer que as músicas realmente não são memoráveis, você não lembra delas depois que termina de ouvir com exceção de Cherish e Tick Tack. Acho que a Belift deveria investir mais em músicas como Tick Tack, faria o grupo ficar mais memorável.

  3. vejo muito potencial em tick tack o mano yasukata faria um estrago com esse instrumental pena que caiu nas mãos da hybe

  4. Não tenho nem como discordar porque não ouvi nada, a title track é horrível, o grupo não tem nada a oferecer, então vai ser um álbum que nunca irei conhecer por vontade própria.

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