O ótimo primeiro EP solo da Yves me deixou animado pelas possibilidades dela enquanto artista solo, sendo a mais promissora de todas as carreiras das ex-Loona musicalmente. Não estava esperando um segundo EP sendo lançado ainda em 2024, mas a Yves agilizou novas parcerias com os produtores MILLIC e IOAH e garantiu novas e frescas músicas para lançar “I Did” ainda nesse final de ano. Já falei que a faixa principal “Viola” é ótima, e hoje é dia de falar como o EP mantém a qualidade de gatinha alternativa da Yves lá em cima:

Artista: Yves
Álbum: I Did
Lançamento: 14/11/2024
Gravadora: PAIX PER MIL
Nota: 85/100
O “I Did” é descrito brevemente como um EP que mostra as emoções que a Yves enfrentou em sua busca por serenidade, o que me fez pensar que seria bem mais tranquilo do que eu esperava e do que a faixa principal “Viola” mostrou. “Viola” seria uma espécie de “tempestade antes da calmaria” sendo um Pop/EDM bem autotunado e representando um momento mais caótico nessa busca por serenidade, enquanto as outras músicas mostram uma Yves mais leve, depois de superar esse inferno pessoal. Sem qualquer pista, eu esperaria que o álbum fosse seguir por essa sonoridade mais eletrônica, mas o “I Did” pode servir uma experiência bem inesperada nesse sentido e, definitivamente, não é algo ruim.
O mini álbum em si vai para um lado mais R&B/Soul mais introspectivo, repleto de músicas que você ouve em momentos mais calmos, buscando desligar a mente e sentir a vibe mais relaxante para encontrar a paz que o EP quer que você encontre junto com a Yves. Hora com batidas mais descoladas como em “Hashtag”, hora em uma melodia mais profunda e pacífica como “Gone Girl”, mas sempre buscando fazer o ouvinte ficar em paz ouvindo. Um álbum vibing na maior parte do tempo, com os pontos fora da curva realmente sendo o single principal e a segunda metade de “DIM”, onde a Yves deixa o dnb torando durante 1 minuto e meio porque sim.
“I Did” não é um EP para todos os momentos. A ideia de servir uma experiência relaxante que o álbum possui é bem forte e não é para ouvir qualquer música nele (Exceto o single) para limpar a casa ou dançar livremente, por exemplo. Mas para ouvir no trem depois de um dia de trabalho exaustivo ouvindo muito esculacho e precisando apenas de um som que me faça desligar por meia hora enquanto aprecio a vista horrorosa que a linha 9 da CPTM proporciona? Ah, esse EP é essencial. Digo isso pois eu fiz isso uma vez e, nossa, levantei até revigorado e pronto para superar mais um dia.
“I Did” meio que estende a ideia do 1º EP em mostrar uma Yves imperfeita e em busca de seu verdadeiro eu, sem muita pressão de fazer algo mais comercial e focada em entregar músicas que moldam a personalidade que ela quer mostrar enquanto artista. O “I Did” pode ser tedioso e pretensioso dependendo de quem for ouvir, mas também pode ser incrível e essencial. Se é melhor que o “LOOP”? Não sei te dizer com 100% de certeza, mas é um trabalho sólido, centrado e que me deixa ainda mais excitado para ver o que a Yves pode entregar nessa jornada solo.
Faixa a Faixa
O álbum começa com “Viola”, que é um trabalho deliciosamente curioso. Não é todo dia que a gente vê alguém minimamente relevante no K-pop se preocupando em usar autotune pesado em 2024, daqueles de distorcer, recriar e robotizar pra valer a voz do artista (E isso não ser a pior coisa de todos os tempos), mas o grande acerto da Yves foi fazer isso com uma produção que PEDE por um processamento violento nos vocais. Daí temos um EDM robotizado direto de 2014 com um ritmo esquisito que dá a volta e fica conceitual (E um pouquinho nostálgico para quem gosta). Entusiastas de vocais mais limpos e instrumentais mais clean podem estranhar de primeira, mas é nessa esquisitice que a Yves apostou para entregar algo inesperado, e eu curti muito isso.
Batidas descoladas e mais legais embalam a 2ª faixa do EP, “Hashtag”. A decisão de fazer uma música de 2 minutos aqui parece mais certeira uma vez que a própria produção não é lá muito carregada ou tem força para se sustentar por mais tempo. Isso faz dela uma grande produção que supere as reclamações que fazemos dia sim dia não dessa atual tendência de músicas de 2 minutos? Não, mas não senti que a música precisava de mais 1 minuto para ficar melhor. A batida é legal, a vibe é ótima e eu entro no clima. “Gone Girl” vai ainda mais fundo nesse R&B vibing, quase alternativo, que você ouviria em bares mais hipster da cena mais cool de São Paulo. Se “Hashtag” tem uma atmosfera mais cool, para ouvir de olhos fechados e balançar a cabeça, “Gone Girl” já vai para um lado mais chill, onde olho para o nada e reflito sobre qualquer escolha enquanto tomo alguma bebida mais barata. Essas duas músicas juntas se completam e poderiam ser um single ótimo de alguma artista R&B coreana que só 7 pessoas fuçando o Melon ouviriam em condições normais, mas é a Yves ex-integrante do Loona lançando, então acredito que 17 pessoas ouviram e acharam ótimo junto comigo.
“Tik Tok” é uma música que meio que ignorei quando lançada como single, mas funciona melhor dentro do álbum e nessa tracklist. A ideia do “I Did” é mostrar o que a Yves pode fazer quando encontra sua paz de espírito, e essa tranquilidade é muito bem transmitida em “Tik Tok”. Tudo na música é tão leve e suave que me deixa relaxado ouvindo. E quando a guitarra entra com mais destaque no final, eu já estou naquele estado de catarse profundo onde qualquer sutil toque me deixa mais sensível. Dentro da proposta do álbum, incrível. Por fim temos “DIM”, uma música que parece caminhar como apenas um pseudo trap mais parado e genérico na primeira metade até que, de repente, a música ganha camadas mais profundas e uma energia mais atmosférica com a entrada dos sintetizadores dnb. Uma virada inesperada, interessante e que me fez pensar “Oh, na verdade isso aqui é muito bom”. São coisas como “DIM” que mostram que valeu a pena a Yves acreditar em sua carreira solo, pois NUNCA veríamos a Yves lançando algo assim se tivesse optado em dividir linhas em algum dos girlgroups pós-Loona.
Concluindo…
É muito bom quando uma ex-integrante de girlgroup de K-pop resolve querer mostrar que é artista sem lançar as músicas mais chatas que a Coreia seria capaz de desovar no processo. “I Did” pode não ser um álbum que quero ouvir a todo instante, mas é um trabalho que pensarei em ouvir com carinho sempre que quiser desfocar e deixar a minha mente em branco.
A Yves era a minha segunda favorita no Loona (minha Bias era a Chuu) e achei que ela não fosse se destacar muito depois que resolveu ir solo e me surpreendi com tudo o que foi lançado até agora.
A mulher sabe o caminho que quer percorrer e o conceito que deseja.
Só me resta ouvir muito essas músicas e torcer por uma parceria com a The Deep que seria tudo!
o que é MUITO engraçado pois os principais compositores e produtores dela agora na ppm são o ioah e o millic e eles são full coreanos também
ai era pra responder a ella ali em cima wordpress ta mt quebrado </3
mentira scrr com essas músicas em inglês eu achei que ela tava sob tutela do top 10 produtores americanos mais brancos em atuação na coreia do sul
ai é melhor q o loop sim kkkk
E FALA DA NOVA DO ICHILLIN
achei esse EP perfeito!!!! amei muito mais que o primeiro, que, no caso, eu não gostei, nenhuma fora loop me interessou
esse caminho que ela e a empresa estão indo tá perfeitoo, espero que não caiam na tiktokizaçao (desespero por hits e dinheiro)
obs: acho curioso como 90% das letras das músicas dela são em inglês, mas ela claramente não fala inglês, o importante eh tentar
pqp, quando ouvi dim pela primeira vez, fiquei desacreditado que meus ouvidos estavam apreciando uma música desse calibre. Sempre é triste pensar no finado loona ( gostava muito do grupo). Mas ver o quão interessante esta a carreira de todas do grupo me deixa muito feliz.