Chuu ex-Loona lançou mês passado seu 3º EP “Only cry in the rain”, e muita gente rasgou seda para o conteúdo desse comeback e falou que era (Disparado) o melhor álbum solo da cantora. Por conta dos outros dois EPs dela serem bem esquecíveis e não precisar de muito para a Chuu lançar o melhor EP da carreira dela, eu estava com os dois pés atrás diante da aclamação do povo mas, no final, decidi ouvir o que esse EP tinha a dizer. E não é que o pessoal tinha razão?! “Only cry in the rain” é realmente o melhor álbum da Chuu, tanto por demérito dos outros álbuns dela quanto pela qualidade que esse EP possui:

Artista: Chuu
Álbum: Only cry in the rain
Lançamento: 21/04/2025
Gravadora: ATRP
Nota: 80/100
Não é muito segredo aqui que eu queria que a Chuu traduzisse toda a persona mais palhaça e camp que a fez famosa para as músicas pois ela daria um ótimo ato cômico, divertido e descompromissado para o K-pop atual, mas o mais perto que tivemos disso foi aquela “Strawberry Rush” (Que segue sendo meu single favorito da atual fase solo dela). A veia artística da Chuu aparentemente vai para um lado pop mais “gatinha indie que produz música na garagem” sem necessariamente perder o carisma que ela possui, mas de um jeito mais refinado e menos empolgante do que eu queria. Nos primeiros trabalhos eu pensei “Puts, outra gatinha desperdiçando uma oportunidade para ser pedante e ocupar espaço no K-pop” mas, com o “Only cry in the rain”, eu senti que talvez ela esteja certa em buscar a sua verdade como artista.
“Only cry in the rain” é um EP que passeia ali por um synthpop, um funky pop, um ou outro toque mais disco, coisinhas pop que dariam um ótimo álbum conceitualmente retrô se ela quisesse partir com algo mais dance, mas tudo vai para um lado mais introspectivo, para você sentir as emoções que a Chuu quer transmitir em cada trabalho dessa tracklist. Tem coesão, tem sentido, cria uma atmosfera de reflexão e desenvolve um sentimento de seguir em frente apesar dos momentos nebulosos, o que é muito bem transmitido na title track (Que até deu uma crescida comigo desde o lançamento) e sustentado pelo resto do EP. Nenhuma faixa tenta engolir a outra, e o álbum aposta na harmonia para ganhar pontos e elevar a experiência do ouvinte com o projeto. Daí, temos em “Only cry in the rain” um álbum com uma sonoridade simpática que dá vontade de ouvir do início ao fim.
Uma outra característica das músicas do “Only cry in the rain” é que, por apostar em um lado mais sutil e delicado da Chuu, elas são bem inofensivas. Isso funciona para o que o EP se propõe em ser mas acaba perdendo pontos no sentido de: Esse álbum poderia ser mais memorável do que é. “Kiss a Kitty” se destaca do resto do EP justamente por se permitir ser mais “doidinha”, com um vocal mais agudo, versos falados que acompanham a vibe disco e momentos mais descontraídos tanto em coisas mais pontuais (O “she says I’m PERRRRRRRRRRRFECT” é muito bom) quanto o conjunto da obra, enquanto o resto do EP é muito mais safe nesse sentido. As músicas do EP pedem uma Chuu realmente mais contida, mas ainda acho que dava para ela ser mais interessante do que foi nas outras músicas desse comeback.
De qualquer forma, “Only cry in the rain” passeia entre músicas boas e muito boas, com ideias mais interessantes que fazem desse o EP mais comentável da carreira solo da Chuu até aqui. Não é um projeto impressionante ou que mude a minha vida/percepção sobre a Chuu, mas o “Only cry in the rain” é um êxito pop que mostra que a Chuu tem referências e personalidade para mostrar que é mais que um meme act ex Loona. Eu deixei esse EP tocando a manhã inteira enquanto arrumava meu quarto e o ambiente criado por ele é bem gostoso, vai do início ao fim sem dar vontade de pular nenhuma faixa. É um passo no caminho certo, e com sorte isso rende um álbum synthpop retrô da Chuu no futuro.
Faixa a Faixa
“Only cry in the rain” começa com a faixa título, um synthpop oitentista melancólico que traz uma performance colorida e simpática da Chuu de um jeito onde ela claramente disfarça uma tristeza e profundidade daquela que só se permite chorar em um dia chuvoso. A música deu uma crescida comigo nos últimos dias pois achei ideal em tempos mais nublados e momentos onde você quer desligar a mente com os sintetizadores tocando no seu fone de ouvido, é um trabalho fofo que aquece o meu coração e me faz relaxar e seguir em frente. “Back in town” meio que chega no mesmo lugar, mas trocando o synthpop por baixos mais funky. A produção é mais colorida e o groove é delicioso demais para a performance extremamente sutil e morna da Chuu. Você percebe que tem uma música retrô icônica no momento de leve intensidade que rola antes do segundo refrão e nas aparições do autotunado “back in town”, mas o resto da música somente pega leve para manter essa energia que te envolve pelo quão simpático e agradável é o canto da Chuu.
“Kiss a kitty” leva a Chuu direto para a disco music e mostra que ela sustentaria muito bem uma diva do ano de 1974. É a música onde a Chuu mais se deixa levar por todas as cores e brilhos que o instrumental proporciona, com uma voz mais aguda, uma performance mais viva e momentos mais descontraídos como o já mencionado “she says I’m PERRRRRRRRRRRFECT” e os versos falados. Aliando bem a persona mais descontraída da Chuu com uma produção chique, suave e refinada, “Kiss a kitty” é o meio termo entre o que eu quero ver a Chuu fazendo como artista e o que a Chuu se vê fazendo como artista e ficou bem legal, me dá vontade de subir na pista de dança e fazer uns passinhos para acompanhar o ritmo enquanto uma disco ball ilumina o meu palco. A melhor música do álbum.
As duas últimas músicas deixam o retrô de lado e apostam em um pop mais contemporâneo, com um pé e meio no indie pop, o que é uma pena pois “Je t’aime” poderia ser uma icônica referência/remake de “Je t’aime Je t’aime” da Tommy february6. De qualquer forma, a aventura francesa da nossa Chuu é agradável, retoma ao mood mais relaxante e tranquilo de se ouvir em um tempo mais fechado enquanto você pensa naquele que você ama tanto que só consegue definir isso em francês. Nada muito especial para minha playlist, mas deve fazer algo pela playlist de alguém. Por fim, “No More” é um pop mais presente que tem cara de album track de artista feminina da SM para mim, mas muito mais simples em sua execução. “No More” é, de todas as músicas do EP, a que mostra mais presença com sintetizadores, batidas e até um vocal no refrão mais forte, mas parece que falta mais coisas acontecendo na produção para essa força se transformar em uma faixa memorável. Um bom filler para finalizar o EP sem ser com uma obrigatória baladinha, mas ainda um filler.
Concluindo…
“Only cry in the rain” quase me convence que a Chuu não precisa ser a maior palhaça do K-pop para ser artista. Continuo não achando que essas músicas para ouvir sozinho no canto do quarto são o caminho para a marca dela enquanto solista, mas esse EP tem pelo menos a melhor execução da carreira dela nesse sentido, além de alguns trabalhos pop com mais potencial como “Kiss a kitty” e o instrumental de “Back in town”, que ela deve olhar com carinho no dia que quiser fazer um álbum pop mais marcante e que tente ser menos vulnerável.
Achei uma review justa e de acordo com a proposta que ela quis entregar com esse comeback. Ando viciada nesse mini, você ouve todo numa tacada só sem nem sentir o tempo passar… Espero que a menina mulher Chuu continua nesse caminho, pois entregou seu melhor trabalho até agora.
A Chuu era minha favorita no Loona. E nem era por ela ser extremamente carismática viu.
Ela me lembra muito a Minah do Girl’s Day (ser vocalista e o sorriso), e sempre gostei MUITO da Minah (infelizmente ela não quis ser uma diva no kpop depois do fim do grupo).
Mas entendo que o brilho dela vem do carisma e de ser palhacinha. Não gosto muito dos primeiros trabalhos dela, acho tidinha demais.
Enquanto aqui eu vejo que ela vai por um caminho que agrega o talento vocal, com o carisma e a persona engraçadinha.
Creio que pra Chuu crescer mais COMIGO nessa fase solo, seria apostando em evoluções do que fez nesse álbum. Envolvendo músicas que potencialize o vocal dela, com algo engraçadinho (sei que não tem como fugir disso, é a personalidade dela), mas sem cair no infantil.
Não enxergo ela vivendo a fantasia “diva pop”, não combina com ela sair com farofonas de boate com muitos gays na coreografia batendo cabelo.
Mas só de parar de parecer um personagem da turma da galinha pintadinha me faria feliz.
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