Ao longo dos anos pós disband do GFRIEND tivemos diversas carreiras paralelas sendo construídas. Delas, a mais robusta é a do VIVIZ, formado pelas integrantes SinB, Umji e Eunha, que lançou seu 1º full album “A Montage Of ( )” depois de 5 mini álbuns lançados nos últimos 3 anos. Um grande evento que foi abençoado pelo “La La Love Me”, que é um dos melhores singles do ano no K-pop gera expectativas, pelo menos, para um álbum tão bom quanto. Será que elas conseguiram?

Artista: VIVIZ
Álbum: The 1st Album ‘A Montage Of ( )’
Lançamento: 08/07/2025
Gravadora: BIGPLANETMADE
Nota: 80/100
Muitos “primeiros álbuns” no K-pop não são exatamente montados em um conceito específico ou com uma história para contar. Ainda mais grupos como o VIVIZ, que não exatamente tem um conceito bem definido e estão ali simplesmente na busca pelo melhor synthpop possível, mas que não exatamente amplia isso para criar o melhor álbum synthpop que você já ouviu. Para mulheres com 10 anos de carreira e uma formação que já existe há 3 anos, o VIVIZ é um grupo que poderia se empenhar menos em ser aquele grupo simpático que funciona em qualquer playlist e ter mais ambição em fazer um álbum grandioso, mas elas costumam ser bem boas no que estão acostumadas a fazer. Cada álbum que o grupo lança é mais polido que o anterior, e tem músicas que você vai curtir sem muita pretensão. Nada muito impressionante mas também não é nada que você possa reclamar, com “A Montage Of ( )” sendo o grande exemplo disso na vida do VIVIZ.
“A Montage Of” é um álbum que, em sua base, você já ouviu várias vezes no K-pop: Diferentes sonoridades e variações de músicas pop, algumas músicas impressionantes para o que o VIVIZ costuma lançar, algumas ideias que buscam mostrar a versatilidade do grupo em diferentes estilos e uma title track que desabrocha o melhor que o grupo pode fazer. Alguns momentos soam como novidade na vida delas, mas não é exatamente algo impressionante por serem elas fazendo. A grande exceção é a faixa título “La La Love Me” que brilha de um jeito diferente, mostrando toda a personalidade do VIVIZ como grupo pop com sintetizadores mais coloridos e charmosos, e um batidão que permite explorar a performance que o grupo pode entregar. Porém, o resto do álbum é bem aquilo de calhar serem elas fazendo, mas qualquer grupo poderia fazer um álbum igual a esse.
O VIVIZ é um grupo, acima de tudo, consistente. Pode não ser AQUELE grupo que me deixa ansioso por cada lançamento, mas quem cuida do grupo na parte musical faz um trabalho muito bom e esse álbum é a prova disso. “A Montage Of ( )” traz o VIVIZ em sua versão mais refinada, explorando a suavidade dos vocais do trio em faixas que vão do elegante ao deslumbrante, em músicas que se esforçam em não serem desconfortáveis de ouvir e te desperte sensações positivas com os vocais e melodias presentes. Há alguns tropeços em faixas não tão carismáticas, mas nada que derrube muito a experiência. Mesmo que a obra não seja lá muito específica em sua sonoridade ou conceito, um conjunto de músicas boas ainda faz um bom álbum e é isso que elas querem que você pense ouvindo cada faixa.
No final do “A Montage Of ( )” você sai com a sensação de que ouviu um bom álbum pop. O VIVIZ não tem esse culhão de tentar sair da zona de conforto entregando um comeback muito fora das expectativas, e é melhor assim mesmo. Não tem muito onde correr ou dissecar em cima de um álbum que é simples e até meio padrão para o que já ouvimos do K-pop, mas é um prazer ouvir a maior parte dele com seus passeios no R&B e no synthpop, com duas faixas mais “dark” que mostram um outro lado do grupo e abre uma gama de possibilidades. “A Montage Of ( )” é o melhor álbum da carreira do VIVIZ, mas ainda espero que essas gatas se arrisquem no futuro para entregar O grande álbum da carreira do trio.
Faixa a Faixa
O álbum começa com “La La Love Me”, que ainda funciona muito bem como o melhor synthpop do VIVIZ. O refrão cresceu demais comigo, dá seu toque house potente e dançante para uma faixa sentimental que explora muito bem os vocais suaves do grupo e torna o conjunto bem memorável. “La La Love Me” não é exatamente a essência do K-pop, mas é o tipo de música colorida, vibrante e fácil de curtir que os melhores K-pop possuem. “Hands Off My Heart” tem a mesma elegância como faixa dance pop, mas com menos batidão e um refrão mais limpo em comparação. Músicas assim sempre me fazem sentir que faltou um vocal mais expressivo para dar mais nuances e me prender no que estou ouvindo pois, no final, eu sinto que “Hands Off My Heart” não é uma música impressionante e essencial, mas não compromete tanto na tracklist.
“Citrus” tem um instrumental muito interessante, pesado e fora da curva se tratando do que espero do VIVIZ. O instrumental soa bem alternativo e algo que uma Yves ex-Loona ou Sulli ex-f(x) faria em carreira solo, pois tem uma coisa mais leve e lúdica, que brinca com o fantasioso e cria uma sonoridade adorável junto com vocais fofíssimos que combinam muito bem com o som. “Sticker” é o que você espera de um girlgroup cintilante como o VIVIZ entregando um pop mais afiado e “dark”, com o violino dando todo um drama. Não parece tão natural ou confortável para as meninas quanto “Citrus”, mas vale pela produção. E “Toxic” é a midtempo R&B que quase todo álbum de K-pop tem, não surpreende no geral mas, por outro lado, tem uma execução ótima é bem gostoso de ouvir. Essa sequência é a mais fora da zona de conforto do VIVIZ, explorando um tom mais profundo e forte que os habituais números pop mais vibrantes do grupo.
Depois disso temos a sequência de solos do grupo que mostram a personalidade de cada integrante do VIVIZ fora da esfera e conceito do grupo. “Hypnotic” é um trapzão safado da SinB de atitude e certa sensualidade, mas acho que ela acaba sendo engolida pelas batidas da produção. O solo da Umji “Love Language” volta ao Pop/R&B com um tom mais anos 2000 que é bem charmoso que eu curto muito tanto pelo sentimento nostálgico quanto pela execução bem polida, com o vocal e sussurros da Umji mais presentes e memoráveis dentro desse instrumental. Por fim, o solo da Eunha “Milky Way” é uma mistura de synthpop com um toque new jack swing que deixa a música bem noventista, ao mesmo tempo que os sintetizadores dão um tom mais leve e colorido para a música. Não vivi tanto por ele quanto “Love Language”, mas também não achei tão esquecível quanto “Hypnotic”. Fechando o álbum temos “Wildflower”, que nada mais é que a balada R&B de fechar álbum. Cumpre seu papel, mas não é nada demais.
Concluindo…
“A Montage Of ( )” mostra que o VIVIZ é o grupo mais safe do K-pop atualmente. Quando você precisar de um álbum pop carismático e gostoso de ouvir do início ao fim, o A Montage Of ( ) é o álbum ideal. E quando você precisar de um grupo para ouvir sem grandes pretensões além de ouvir um bom pop, você pode contar com qualquer trabalho do VIVIZ.
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Gostei muito da Title Track, bem animada. O resto do album não vai pra minha playlist não.