Ai que saudade estava de receber um pix para ajudar a pagar a anuidade desse blog (Com o dólar custando 79 reais está cada vez mais difícil manter o sonho de maior blogueira de K-pop do Grajaú vivo), e o pix de hoje foi feito para falar de uma artista muito querida do nicho de J-velhas da internet: “Tommy Airline” da Tommy February6. E se você não conhece essa senhora mas vive por qualquer momento synthpop nostálgico eu recomendo MUITO que você escute esse álbum, pois a viagem que o Tommy Airline proporciona é açucarada, caótica e extremamente memorável:

Artista: Tommy february6
Álbum: Tommy Airline
Lançamento: 05/08/2004
Gravadora: Defstar Records/Sony Music Japan
Nota: 90/100
Para quem não conhece a Tommy February6, de maneira MUITO rápida: Ela é um alterego da cantora e compositora japonesa Tomoko Kawase que, no início dos anos 2000, lançava músicas em 3 alteregos diferentes: Tommy february6, Tommy Heavenly6 e… Tomoko Kawase, vocalista da banda The Brilliant Green. As duas últimas eram mais orientadas para o pop/rock mais dark, gótico e dramático, e a Tommy february6 era o seu refúgio pop. A ideia de Tomoko era fazer uma personagem fofa porém honesta com seus sentimentos e sua natureza, não sendo o exato modelo de inocência que se espera de um conceito kawaii mas abusando muito da estética e sonoridade mais adorável e “tom pastel”, num misto de ironia e homenagem a cultura idol dos anos 80. Ao mesmo tempo que funciona como uma válvula de escape para sentimentos mais pesados e sons mais rock das outras personas, Tommy February6 é a visão da Tomoko de uma popstar modelo que tenta, através de muitos sintetizadores pop e vocais delicados, reprimir ao máximo o seu lado mais vulnerável.
“Tommy Airline” é o segundo álbum da Tomoko Kawase com a persona Tommy february6 e, assim como o primeiro álbum, é BEM synthpop oitentista. Diferente do padrão de synthpops oitentistas que casualmente são divulgados aqui no blog, “Tommy Airline” (E a Tommy February6 no geral) não tem muita preocupação em se conter e não soar exagerado e tudo no álbum é bem colorido, vibrante, açucarado e fofo, que parece meio ridículo e irritante de primeira mas se torna mágico e encantador conforme você ouve… Ou simplesmente soa ridículo e irritante mesmo. Esse é o tipo que mantém a energia e a potência do som lá em cima (quase) o tempo todo, e você deve achar cansativo se não comprar a ideia do álbum nessa intensidade. Eu acho o “Tommy Airline” incrível e uma viagem nostálgica encantadora, mas não julgo quem achar o álbum doce demais e achar um play o suficiente.
O grande trunfo do Tommy Airline é ser, puramente, um álbum synthpop. Não existe muita pretensão ou profundidade conceitual que vá além, e a Tommy nem tenta fazer isso. Tem músicas nesse álbum que são só uma explosão de sintetizadores em uma produção açucarada e meio vulnerável, com vocais que podem ou não ser escutados (Não espere grandes vocais da Tomoko Kawase… E em certos momentos desse álbum, não esperem nem vocais), refrões com o intuito de elevarem e serem os pontos altos das músicas com letras e ganchos chiclete. É muito gostoso cantar com/pela Tommy February6 nesse álbum, e você embarca nesse personagem fofo e delicado que tem uma visão super pura de mundo, sem nenhum sentimento negativo. Você até esquece que o mundo é horrível ouvindo esse álbum, e talvez essa seja a intenção da Tommy February6 o tempo todo.
Faixa a Faixa
O álbum começa com a intro “Attention Please” (Vou poupar meu trabalho e não estilizar as músicas do jeito esquizofrênico que Tommyzão fazia), uma intro de 30 segundos que tem a proposta de fazer você pegar o avião Tommy february6 e embarcar na viagem do álbum, e logo temos “je t’aime je t’aime” que é um brilhante e adorável número synthpop oitentista que funciona como grande abertura ao show oitentista que ela quer entregar nesse álbum. Uma música bem doce menininha idol apaixonada que vive o brilho do primeiro amor que eu adoro, especialmente pelos sintetizadores que não tem medo de brilhar como toques adocidados e emotivos para deixar a música exageradamente apaixonante (O que é muito bom, nessa música). “sepia memory” já tem um ritmo mais rápido e dramático, com os vocais da Tommy mais sentimentais em cima de um teclado oitentista e batidas/palmas que conduzem toda a adrenalina do instrumental.
“Futari no Seaside” é a primeira faixa com toque de soundtrack retrô de videogame oitentista. Quem já tocou num mega drive consegue imaginar qualquer jogo de aventura da sega tendo esse instrumental de backtrack na 2ª ou 3ª fase, o que é bem legal mas um pouco menos charmoso e pretensioso que as faixas anteriores nesse álbum (Como se fosse uma “folga” para essa explosão doce, colorida e sintetizada do álbum). “Candy Eyes Dolls” bota o álbum de volta ao topo com esse teclado bem chamativo e uma bateria memorável. Invocando mais uma vez a energia de idol japonesa dos anos 80 mas com uma interpretação mais “bêbada” de gatinha que está servindo no karaokê depois da 3ª dose de saquê.
“Choose Me Or Die”, tal como a música sugere, traz uma atitude mais impulsiva e dançante de alguém que dá um xequemate no boy. Ao mesmo tempo que a música invoca os sintetizadores de videogame oitentista, “Choose Me Or Die” é facilmente o que qualquer loira da Suécia ou qualquer outro beco da Europa transformaria em eletropop ali na segunda metade dos anos 2000, mostrando que a Tommy conseguiu ficar atrás e a frente do seu tempo com uma única canção. O início mais tímido não parece ir a qualquer lugar, mas do primeiro refrão para frente essa música vira ouro. E se “Choose Me Or Die” estacionaria na Europa, “Dancin Baby” com certeza pararia nas mãos da Son Dambi se tivesse chance. Esse synthpop mais energético, dançante e com energia de pista de dança dos anos 80 é a cara dela e de qualquer outra gostosa que referenciasse os anos 80 na Coreia, fazendo desse outro grande destaque do álbum.
“Sweet Dream” tem uma atmosfera mais noturna e lenta que é novidade dentro do Tommy Airline, mas me perde um pouco os vocais da Tommy serem extremamente abafados pelo instrumental. Ok que a voz da Tomoko não é exatamente transcendental ou algo que você dê muita moral na hora de ouvir um pop dela, mas aqui houve uma tentativa de deixar a voz dela mais “atmosférica” enquanto o synthpop simplesmente passa por cima dela (O refrão deixa a Tommy praticamente inaudível). De qualquer forma, vale pela experiência imersiva que a produção proporciona. “The Rose Fragrance” é mais uma trilha de videogame retrô em formato de música pop oitentista, mas a música parece girar em círculos ao invés de te levar a ter uma experiência nostálgica que chegue em algum sentimento específico. Como música em si é uma gracinha, mas é meio filler dentro do álbum, assim como “Magic In Your Eyes” que é demasiadamente longa e com um instrumental meio irritante de programa infantil japonês dos anos 80.
O álbum está chegando ao fim, então é hora da baladinha rock de fim de álbum “I still love you boy”, uma versão oitentista e sintetizada das faixas mais românticas que ela lançou no The Brilliant Green. É outra música de 5 minutos mas que eu aceito melhor a existência por ser aquelas baladas rock dos anos 80 cafonas e exageradas que tocariam em qualquer rádio Alpha FM da vida, com o toque doce e mágico da persona Tommy February6 por trás. Fechando o álbum temos “Love Is Forever”, que resgata o synthpop mais exagerado e oitentista como uma despedida, um encerramento de ciclo. O amor é para sempre, assim como a nostalgia deixada por esse álbum.
Concluindo…
Apesar da sensação de estar acontecendo muita coisa enquanto ouço o álbum, o Tommy Airline é um álbum bem simples. E mesmo que tenha uma ou outra música meio over que não me conquiste, o conjunto da obra é carismático e contagiante. Se depois do primeiro play você não cansar da ácida e açucarada viagem oitentista desse álbum, COM CERTEZA vai querer ouvir de novo e de novo até enjoar (O que pode não acontecer).
Esse post foi bancado por um gostoso pix para fazer esse review para comentar sobre esse nostálgico e mágico álbum da pinguça Tomoko. Se você quiser fazer que nem nesse post e me ajudar a pagar as contas em troca de algum post safadíssimo sobre asian pop, ou só quer agradecer o tempo que dedico trazendo entretenimento para a fanbase, pode mandar um PIX com o valor que seu coração achar que eu mereço para a chave: dougielogic@gmail.com. Você também pode seguir o blog nas redes sociais: Instagram, Bluesky e Twitter (x).
Conheci a artista por meio desse post.
Estou ouvindo a discografia dela e curtindo bastante.
Pena que depois de 2013 não teve mais nada lançado( ou pelo menos eu não achei).
Os últimos álbuns das “Tommys” realmente são de 2013. Depois disso, em 2015 ela lançou um EP de Halloween com quatro músicas (uma da Tommy heavenly6, uma da Tommy february6 e dois “duetos” entre as duas personas, embora o segundo “dueto” soe mais como a Tomoko cantando como ela mesma, sem encarnar uma das “Tommys”), depois em 2018 ela lançou um single pra cada persona (“Cupcake Angels” pra february6 e “Ice Cream Devils” pra heavenly6) e depois, infelizmente, ela sumiu… deve ter se aposentado por idade avançada.
Pelo menos o EP de 2015 é muito bom (especialmente as músicas “solo” nele, “Living Dead Diner Girls” da heavenly6 e “Little Red Forest” da february6). Já os singles de 2018 a gente esconde na fanbase.
Idade avançada?
Ela é só um pouco mais velha q a Beyoncé e a Lady Gaga,tem a mesma faixa da Kylie e da Jlo e é mais nova a Madonna e a Dolly Parton
Todas essas na ativa
A referência à “idade avançada “dela é só uma zoeira comum na blogosfera de música asiática, onde a gente chama de velhas algumas cantoras que obviamente não são velhas mas que já têm uma longa carreira – vide Taeyeon e Ayumi Hamasaki, por exemplo.
Até porque a Tomoko, além de tudo, tem o mesmo perfil da Avril Lavigne, parecendo ser bem mais nova do que é (ou pelo menos ela era assim da última vez que lançou alguma coisa).
…e eis que foi só eu falar que a velha tinha se aposentado pro canal oficial dela no YouTube soltar um teaser HOJE anunciando que ela vai mostrar um filme de um show (só da persona Tommy february6, aparentemente) em Nova York e Los Angeles em novembro deste ano.
Estou reclamando? Pelo contrário; tomara que isso seja só o começo pra um retorno “das Tommys”, e que ela(s) seja(m) bem-vinda(s) de volta!
Que a Tomoko era artista, todo mundo sabe, mas a velha TRANSCENDEU na obra-prima “Je T’aime, Je T’aime”, tanto na música em si como no MV dela:
https://www.youtube.com/watch?v=I4JrXQrvidw
E vale lembrar que foi no lançamento do single seguinte desse álbum, “Love Is Forever”, que ela lançou simultaneamente a persona Tommy heavenly6 – o debut single “Wait Till I Can Dream” foi lançado junto, com as capas dos dois singles combinando e os MVs interligados formando um loop (o final do MV de “Love Is Forever” é o começo do MV de “Wait Till I Can Dream” e vice-versa).
https://www.youtube.com/watch?v=QszNwa2DOYw
https://www.youtube.com/watch?v=kfy9pGF_ZRo
Dualidade de conceitos bem-definidos; dá vontade, né Koda Kumi e Red Velvet?
(que pena, os vídeos não apareceram aqui… pros interessados em conhecer mais sobre “as duas Tommys” ou em ver o MV genial de “Je T’aime, Je T’aime”, vale a pena conferir os links e assistir)
Que album bom! Eu acho meio dificil de achar o album completo pra ouvir em ordem e tal, e conhecia apenas Je T’aime, Je T’aime. Ao todo o album é bem bom e coeso. E adoro essa vibe meio anos 2000.
álbum do milênio. Ela sabe q fez história nesse.
Dougie, fala da Tommy Heavenly6 e do primeiro álbum dela
Acho que o segundo álbum da heavenly6 seria mais interessante, o Heavy Starry Heavenly, já que é ele que tem a música que é possivelmente o melhor single da persona, “Pray” (que sim, é mais “pop” que o estilo roqueiro convencional dela, mas é impossível não amar):
album perfeito sepia memory musica do milenio