Recebi um pix no final de semana retrasado (Que só fui ver nesse último fim de semana porque o picpay não estava notificando nada no meu celular) para falar sobre o último comeback do ENHYPEN “The Sin: Bliss”, fazendo questão de destacar que a title track “Bloody Paradise” ganhou uma versão em inglês com a Luisa Sonza (Nunca saberemos se na intenção de exaltar ou humilhar o comeback). E lançamento de boygroup bancado por leitor normalmente é aquilo: Ou é para falar muito mal ou muito bem… E, para a minha sorte, o “Bliss” está mais inclinado para a segunda opção.

Artista: ENHYPEN
Álbum: THE SIN : BLISS
Lançamento: 21/08/2026
Gravadora: BELIFT Lab
Nota: 70/100
Em termos de sonoridade, não tem nada nesse “THE SIN” que pareça ser muito característico do ENHYPEN. Todas as ideias e execuções para as músicas parecem ter sido feitas a rodo por diversos grupos ao longo dos últimos anos, e é isso que me irrita em álbuns “versáteis” que exploram diferentes estilos de performance e produção: Nessa tentativa de mostrar o alcance que os grupos possuem musicalmente, nada é realmente desenvolvido para engajar qualquer ouvinte casual ou, pelo menos, mostrar a personalidade do artista em questão. “THE SIN : BLISS” é uma coleção dos estilos musicais trending que poderia ser dada para qualquer grupo por aí e a experiência seria bem parecida.
Dito isso, o “Bliss” tem muita música competente. A 1ª metade do EP é confortavelmente boa e traz uma “Stuck” que surpreende sendo um BOM exemplo de hip hop agressivo e performático que muito boygroup falha em entregar. O EP é charmoso quando o ENHYPEN adota uma personalidade para as faixas e faz eles cantarem com algum sentimento, o que torna a primeira metade mais emotiva do álbum super cativante (Apesar de extremamente safe). Além disso, “Two Fools” e “Bad For You” claramente são faixas para FECHAR o EP, mas a BELIFT acertadamente inverteu a ordem da tracklist e gerou início bem acolhedor para esse projeto.
O que dá uma afundada no EP é quando a persona e emoção é substituída pela atitude, rendendo músicas que mais pretendem ser impactantes do que são de fato. A faixa principal “Bloody Paradise” é o grande exemplo disso, contando com batidas, vocais e raps extremamente tediosos que fazem do ENHYPEN um grupo ruim que não sabe o que fazer no “Brazilian Funk” tal como 90% dos grupos ruins tentando emplacar “Brazilian Funk” no K-pop. O techno em “Checkmate” cai nesse mesmo limbo mesmo com um instrumental mais promissor, e “Highlight” consegue ser o filler desinteressante de um EP que tem um pop/rock e uma baladinha no início do álbum.
“The Sin : Bliss” tem mais prós que contras. Ok que nenhuma música é 10/10 e eles pegaram logo a PIOR para ser a title track, mas eu passei mais tempo curtindo o trabalho do que me irritando, o que já é muito se tratando de um boygroup para mim. Pode ser que, ouvindo ele junto com o “Vanish”, as escolhas musicais desse EP façam mais sentido e toda a lore vampiresca realmente eleve o conjunto das obras, mas isso não é algo que vou descobrir de graça.
Faixa a Faixa
(Disclaimer: Para essa review, foquei na versão digital do EP que não conta com os interlúdios. Esses interlúdios estão disponíveis para o streaming e são narrações que, pelo que entendi, dão continuidade a história de amantes vampirescos que começa no “The Sin: Vanish”, mas a BELIFT não achou necessário incluí-las na versão digital para entender o álbum em si. De qualquer forma, não é nada que mude a minha visão ou minha nota sobre o EP, só acrescentam algo para os fãs de lore mesmo)
O álbum começa com “Two Fools”, um pop/rock mais melódico com um riff de guitarra delicioso de ouvir e uma interpretação mais emotiva de uma música que fala sobre dois tolos que acreditam que o amor deles durará para sempre. Uma melodia bem segura no gênero com uma performance mais romântica, vocais mais limpos e uns coros para servir a emoção que a música pede. Nada muito impressionante acontece nessa música mas, no geral, é um bom trabalho e serve um momento de conforto para começar o EP. Esse conforto vai para o ralo já na faixa seguinte, com “Stuck” servindo o desespero e caos da mente do eu lírico lutando contra a arte de deixar ir em cima de um instrumental hip hop com sintetizadores e batidas que dão um ar mais intimidador e tóxico para a faixa. Senti falta de algo diferente desse sintetizador mais agudo que faz a música parecer girar em círculos e começou a me irritar ali pelo terceiro play, mas achei a coisa toda bem… boa? Tipo, esses números hip hop mais apocalípticos de boygroup não são muito a minha praia, mas gostei muito do drama que eles servem nos versos e no refrão de “Stuck”, me dando uma sensação de perigo que é excitante.
“Bad For You” é uma baladinha pop de bandinha que, assim como “Two Fools”, não traz nada de muito novo (Se me falarem que essa é um descarte do BTS eu acredito, inclusive), mas é um fillerzinho safe que não compromete o resultado final. Senti falta um vocal mais marcante para sustentar esse refrão mais melódico com carisma e emoção (O menino que saiu era main vocal, né? Provavelmente ele cumpriria essa função aqui), mas ainda está ok e deve entreter quem engaja mais nessas baladinhas masculinas.
Depois de uma primeira metade incrivelmente consistente, “Bloody Paradise” surge para derrubar a experiência. A faixa é descrita como uma “ousada e inesperada faixa de funk brasileiro” e isso me deu vontade de CONDENAR todos que conseguiram exportar esses projetos de música de Dennis DJ e Pedro Sampaio como a essência do funk daqui porque MEU DEUS que batida chata que não leva nada a lugar nenhum. Quer dizer, deve ser tudo para quem ainda ferve com “Jetski” e derivados, mas eu mesmo achei um saco já no primeiro dos dois minutos de música e essa performance mais sussurrada deixa tudo ainda mais chato. A versão com o verso da Luisa Sonza só deixa a música AINDA MAIS a cara de produção do Dennis DJ e isso me deixou ainda mais irritado. Facilmente a pior música desse EP.
“Checkmate” serve mais adrenalina sendo o número techno da vez que a HYBE provavelmente evitou de usar como title depois de botar todos os seus girlgroups para inundarem de forma bem controversa o gênero no primeiro semestre. Gostei muito do instrumental e o refrão é a loucurinha de rave que eu bateria muita cabeça e transcenderia na bala se usasse essas coisas, mas eles cantando em cima deixou tudo muito… meh. Cai naquilo de servir uma performance menos suja e mais palatável para um grupo de K-pop vender, tirando muito do brilho que “Checkmate” poderia ter. Se deixasse pelo menos o refrão ser só fritação sem alguém cantando em cima, “Checkmate” já melhoraria muito. Fechando o EP, “Highlight” é um hip hop noventista que bota o ENHYPEN nas periferias de Seul com uma mensagem de esperança e boas vibrações. Tem um refrão fofo, os versos são o momento onde os rappers do grupo tem a chance de brilhar como rappers do grupo… e meio que é só isso mesmo. Não é grandes coisas, mas tem cara de música para fechar ábum de boygroup mesmo.
Concluindo…
“The Sin : Bliss” conta com todas as decisões, estilos musicais e execuções que você pode esperar de um mini álbum de K-pop em 2026, mas a execução é boa o bastante para sentir que não perdi meu tempo ouvindo ele. Não é nada que me faça querer prestar mais atenção no que o ENHYPEN está fazendo, mas cumpre o seu papel e os mais simpatizantes devem curtir tudo (Com exceção do single) sem problemas.
Esse post foi bancado por parte de um pix delicioso que também pediu pela review do EP na vã esperança de ver a Sonza ser aclamada nesse blog. Se você quiser bancar um post desse blog e/ou quer ajudar um gay a ter verba para se manter orgulhoso no mês do orgulho, você pode mandar um pix na chave: dougielogic@gmail.com. Você também pode seguir o blog nas redes sociais como Instagram, Bluesky e X/twitter.