Esses álbuns bedroom pop, alternativos e introspectivos são trabalhos que, a julgar pelas coisas que aclamo por aqui, estão longe do meu gosto. Fica até difícil fazer uma crítica a um álbum como o “Lil Fantasy” pois muitas músicas que ouvi nele me fizeram questionar se são chatas mesmo ou se eu simplesmente não sou o público alvo, pois tenho certeza que minha recepção com esse álbum seria outra. Mas eu me esforcei para entender o debut da Chaeyoung como uma pessoa que consome esse tipo de R&B/Indie pop com mais frequência para ter uma visão mais honesta sobre o que a cantora entregou aqui. E, sendo bem honesto, a Chaeyoung entregou um trabalho bem bom aqui.

Artista: Chaeyoung
Álbum: Lil Fantasy Vol. 1
Lançamento: 12/09/2025
Gravadora: JYP Entertainment
Nota: 75/100
De certa forma, a Chaeyoung me lembra a Yeeun do Wonder Girls no sentido de ambas serem gatinhas mais alternativas que possuem uma visão artística diferente do idol pop coreano que seus grupos entregam (A Yeeun adere até a alcunha HA:TFELT para promover solo e mostrar esse distanciamento dela do pop mais radiofônico). Essa persona fica mais forte na Yenny depois que ela sai da JYP, mas a liberdade que a Chaeyoung teve em lançar um álbum como o “Lil Fantasy” DENTRO de uma das principais gravadoras pop coreanas é impressionante e traz um ar fresco e original dentro de uma indústria cujo o mainstream parece mais padronizado do que nunca. “Lil Fantasy Vol. 1” pode não ser o álbum que bata com a sua playlist, mas é bem interessante ver uma idol com o calibre da Chaeyoung fazer algo tão… fora do que se espera de uma idol de K-pop em gravadora grande.
Acima de tudo, “Lil Fantasy” é um álbum inteligente e que conhece as limitações da artista. Ela mesma reconhece não ser uma vocalista potente e buscou referências de músicas mais frágeis e delicadas que respeitassem as capacidades da Chaeyoung, e isso é muito bem feito no álbum. Boa parte das músicas tem vocais mais suaves, gemidos e que buscam “se fundir” com seus instrumentais, com muito destaque para o ritmo mais lento e instrumentos de banda (Em especial a guitarra) protagonizando músicas mais fantasiosas e relaxantes. “Lil Fantasy” traz uma Chaeyoung optando por uma rota mais alternativa de música pop e quer se provar como artista mesmo sabendo que não é uma vocalista modelo, e a escolha de colaboradores e produções para isso é muito certeira.
Dito isso, “Lil Fantasy” pega leve demais. Já dava para prever isso na escolha das faixas promocionais desse debut, e o álbum, na maior parte do tempo, segue essa pegada de vocais inofensivos, produções mais lentas e sonoridades de música ambiente que não estão ali para incomodar. “RIBBONS” e “Shadow Puppets” são as melhores músicas do álbum e a quelas que tem algum elemento extra mais chamativo e que tem vontade de marcar o ouvinte (Elementos esses que não envolvem, necessariamente, a Chaeyoung), enquanto o resto do álbum se esforça mais em criar uma experiência relaxante e imersiva dentro do mundinho da Chaeyoung, com a maior parte do álbum sendo uma ideia interessante e fora da curva se tratando de uma idol de K-pop, mas com uma execução que não me dá vontade de me aprofundar ao que a cantora quer transmitir. Dava para ser um álbum mais ambicioso com produções mais expressivas, mas essa realmente não era a intenção da artista aqui.
Não é todo mundo que tem a coragem de sustentar e lançar um projeto mais lo-fi e alternativo em uma empresa de K-pop relevante como a JYP, então o “Lil Fantasy Vol. 1” tem seus méritos no quesito autenticidade. E nenhuma música é objetivamente ruim (Algumas são bem chatas, mas ruins mesmo não são), o que faz do “Lil Fantasy Vol. 1” um projeto bem competente em sua proposta. Pessoalmente não é um álbum que eu colocaria na minha playlist por ser mais pop bitch das ideias, mas é bom fugir dos synthpops e dos dance hits de vez em quando e ter seu tempo mais relax e intimista com músicas que estão ali para compor o ambiente e te fazer relaxar sem muita pretensão. E para esses momentos (E num ano onde o TWICE está lançando muita música e pouca música boa), o “Lil Fantasy Vol. 1” será uma companhia muito bem vinda.
Faixa a Faixa
O álbum começa com “Avocado”, que existe para te introduzir o tom que o álbum todo vai seguir e funciona, basicamente, pelo instrumental. A calma e cadência que as guitarras simples e a bateria desacelerada proporcionam é deliciosa e estou ali pela vibe, mas nada muito relevante acontece na música e aí um número psicodélico vira, apenas, uma música ambiente meio chata. A Chaeyoung canta alguma coisa por cima mas é tão irrelevante que acho que seria melhor se “Avocado” fosse só um instrumental mesmo. Já “BAND-AID” traz uma Chaeyoung mais presente com um instrumental puxado ao R&B mais potente, e isso ajuda a música a servir mais essa fantasia lúdica e relaxante que a faixa anterior. Se “Avocado” é um tanto faz, “BAND-AID” é essencial para quem quer viver a magia de gatinha alternativa burguesa.
“Shoot (Firecracker)” é meio que o máximo de música dance que a Chaeyoung deve estar afim de fazer sozinha, e eu fico levemente mais entusiasmado ouvindo hoje que na época do lançamento. O instrumental é daqueles popzinhos synth de banda indie que tenho um soft spot, a execução é adorável e é gostoso cantar o refrão com a Chaeyoung aqui. Senti falta de um elemento menos leve ou um momento mais wow para elevar a música, mas dá para ouvir em uma noite mais despretensiosa. “GIRL” é a música que traz o manifesto bissexual da Chaeyoung segundo a fanbase, e uma música para garotas que tem o mesmo gosto que ela segundo a própria. Dava para essa guitarra ser mais ousada e sexy para uma música que fala discretamente que ela vai chupar uma xoxota quando quiser? Sim, mas combina com a ideia mais fantasiosa e a aproximação mais cadenciada que o álbum como um todo possui. Definitivamente não ouvirei de novo, mas imagino uma sáfica fã de Clairo e Girl In Red falando que esse é o K-pop da vida dela.
“RIBBONS” é a primeira música com mais pulso do álbum, e chega até a assustar depois de tanta música mais inofensiva que encaramos até chegar aqui. Batidas mais fortes no lugar da guitarra habitual do álbum marcam presença e os versos da Chaeyoung e da Sumin dão outro bom R&B coreano, mas é a participação dessa Jibin do Y2K92 (Cujo vídeo mais visto tem 60 mil views no YouTube… a Chaeyoung estava empenhada em fazer a persona alternativa acontecer aqui) que dá todo o molho e faz a a música ser memorável, com uma agressividade que espanta de primeira mas é extremamente saborosa no segundo play (A menos que não seja do seu gosto uma gata cantando distorcidamente em um instrumental mais afiado). Definitivamente a primeira música memorável para quem não é lá muito fã de indie pop.
A seguir temos duas músicas de menos de dois minutos e, uau, estou tão animado para pular essas duas. “DOWNPOUR” é assumidamente repetitiva, uma música que parece um loop de 30 segundos tocando 3x que é até intrigante no início mas enche o saco se deixar no repeat, e BF é uma mensagem de identificação para as gatinhas cuja depressão já comeu toda sua bateria social e só querem ficar isoladas do mundo. Apesar da duração de um minuto e meio eu consigo comprar a ideia de música mais “arrastada” sobre uma garota anti social que tem muito o que dizer mas não QUER falar nada e só ficar no canto dela sem incomodar ninguém, e tem uma escrita única e fácil de se identificar. Queria que fosse maior, mas esses 90 segundos se conectaram bem comigo.
“Shadow Puppets” retoma com a coisa mais lúdica da produção, em outra letra de caráter mais pessoal de uma Chaeyoung que, por ser uma pessoa pública, tem que estar alerta em se esconder quando sai para os lugares como uma cidadã comum, com uma certa saudade dos tempos onde não tinha essa preocupação. A primeira metade é uma gracinha despretensiosa, e a virada para o drum & bass na segunda metade da música me lembrou “DIM” e isso foi muito legal (Mesmo que não tenha metade da magia da virada de chave da música da Yves), se tornando o segundo grande destaque do álbum. Fechando a pequena fantasia da Chaeyoung temos “My Guitar”, uma baladinha acústica padrão que só é mais memorável comigo pois me fez lembrar dela cantando da Ready To Be Tour. E para uma música chata dessas me lembrar do show do TWICE que assisti ao vivo, é sinal que aquele dia foi muito especial.
Concluindo…
“Lil Fantasy Vol. 1” não é um álbum essencial na minha vida, mas eu tenho certeza que a Pitchfork não só aclamaria como colocaria na lista de melhores álbuns do ano se fosse uma loira do interior de qualquer estado mais roça dos Estados Unidos lançando.
Eu sempre imaginei que um álbum da Chae seria assim mesmo. É o estilo que ela curte. Não faz meu tipo mas ok. Pelo menos deixaram ela fazer o que queria. Mas eu confesso que ainda preferiria a unit com a Dahyun porque eu amo a Dahyun e não sei se ela também vai ter o momento solo dela ou não. Espero que sim.
Dougie eu amei esse, foi feito pra nós indies fãs de Crumb e todo pacote alternativo vozes sussuradas dream pop shoegaze e similares — esperado que fãs de pop raiz não gostem mesmo. A Chae mesmo disse que teve a Clairo como uma das referências e percebi isso na segunda música do álbum. Avocado inclusive poderia mto bem ser uma b-side do Steve Lacy. Nós gatinhas alternativas vencemos!
Só fiquei triste pela duração mesmo, que álbuns são esses de 20 minutos
Adorei que o algum segue uma linha de sonoridade do início ao fim.
Não é dos meus favoritos, mas mostra que ela quis se manter na persona alternativa e dou pontos à ela porque não ficou parecendo playlist do Spotify.
Gosto que a JYP a deixou fazer um álbum do jeito que queria, mesmo sabendo que não faria sucesso entre os coreanos.
Espero que as outras tenham essa liberdade criativa também.
Até que o álbum presta, mas nunca vou entender a dificuldade do Kpop fazer uma capa de álbum decente hoje em dia.
já deixei meus dois dedos de prosa no post da title, mas ouvindo mais uma vez queria dizer
por mais que no fim do dia é abcd, do not touch e até killing me good que vão estar na minha playlist, achei ótimo ela dizer que conhece seus limites e nisso, conseguiu criar seu próprio universo. inclusive, queremos mais idols nessa mesma autoconsciência e sensatez. eu ainda prefiro a voz doce que tem uns momentos de ataque (como em ribbons que é a minha favorita do álbum) do que pegar a main rapper do grupo (que já recebe muitas críticas por esse posto) pra arriscar high notes duvidosos. por ser da personalidade e do desejo dela, acho essa persona she so crazy bem convincente, mas vejo esse full álbum e: lembro de gobblin da sulli (inclusive, correndo indo ouvir) e tb me dá vontade de procurar artistas underground de verdade (stream leonie biney/flowerovlove/rin)
novamente, pra quem é do k-pop, mas tá cansado do pop em si, vai fritar horrores e adotar a chae igual adotaram a melanie martinez ali em 2015.
Morta que ela tirou mais que o Ive com esse sonífero.
Deve ser porque é uma integrante do twice então o dougie adiciona 40 pontos por isso.
Faria isso pela Tzuyu
Devia fazer pela Jihyo!
Primeiramente, que capa feia
Eu acho que não consigo comprar muito a ideia de idol que quer ser indie pq sempre tem tanto orçamento, dá pra ver que eles querem que eu veja como eles são artistas, que compõe a própria música e costura a própria roupa. Mas dá pra ver que tem o dedo de muita gente (a capa do álbum da pra perceber que é coisa de estilista), eles dizem como querem e a empresa toma de conta, tudo muito polido também, enfim
Achei tudo chato