ALBUM REVIEW: BABYMONSTER – WE GO UP

O BABYMONSTER vinha de uma sequência aceitável e até divertida de lançamentos desde o primeiro full album “DRIP” e, por mais que algumas músicas do grupo realmente sejam acima do esperado da YG, o medo delas derraparem feio era real. Quer dizer, a gente sabia que a YG não acertaria para sempre e jogaria outra bomba na cabeça dos fãs desse grupo, a questão era QUANDO. E essa questão foi respondida na última sexta feira, com o lançamento do 2º mini álbum “WE GO UP” sendo um real teste para a fanbase desse grupo:

Artista: BABYMONSTER
Álbum: WE GO UP
Lançamento: 10/10/2025
Gravadora: YG Entertainment
Nota: 45/100

Não dá para esperar muito de um mini-álbum de 4 faixas. Quer dizer, eu ainda vivo pelo EP de 4 faixas da Yeji (Talvez não daria nota máxima hoje como na empolgação do lançamento, mas ainda é um dos melhores projetos do ano), mas um EP de 4 músicas geralmente não tem como desenvolver nenhuma ideia direito pois tem muito pouco espaço para criar algum conceito relevante, especialmente na atual fase do K-pop onde temos que colocar o máximo de gêneros musicais possíveis em um pacote de 10 minutos. E a YG já mostrou que não consegue ser consistente com EPs de 4 músicas há muito tempo, então ouvi o “WE GO UP” já com todos os preconceitos possíveis. E, quando terminei, concluí que estava certo com todos os preconceitos.

“WE GO UP” é, na melhor das definições, óbvio. 4 faixas, diferentes sonoridades em cada uma delas, narrativa de girlgroup versátil pronta para abalar com as estruturas da fanbase. Esse tipo de EP é tão genérico e sem objetivo que a YG sequer se dá o trabalho de explicar alguma coisa sobre o álbum, e o máximo que achamos nas entrevistas é “É um álbum que mostra os diferentes personalidades das integrantes e esperamos que isso mostre o charme delas para o grande público abraçãr o grupo”. Nisso, o EP acaba contando que o faixa a faixa salve com músicas fortes… E isso é um outro problema pois o single parece ser a única música com decisões certas nesse EP.

Duas coisas me estressaram no geral: A existência da faixa “WILD” como um todo (Antes metessem “HOT SAUCE” pelo lolz) e os raps do grupo. Eu não estou questionando as habilidades delas ou coisa do tipo mas, assim, por que quase todos os raps desse EP parecem crianças tentando ser descoladas e malvadonas? Fora algumas decisões de produção que, junto aos raps, rendem experiências meio constrangedoras. Acho legal que, sem a figura e o time do Teddy, a YG esteja tentando ser menos engessada com sua assinatura hip hop e permita fazer com o BABYMONSTER coisas que nem pensariam em fazer com o BLACKPINK mas nossa, foi puxado ouvir as meninas fazendo rap nas b-tracks do “WE GO UP”.

Nenhuma música do “WE GO UP” é 100% boa e rende momentos muito bons e detestáveis (Com exceção da já citada “WILD”, que é para dar risadas mesmo), e isso deixa o “WE GO UP” absurdamente inconsistente. Ao mesmo tempo que rolam refrões bem legais, temos raps assustadores. As produções tentam extrair algo inventivo nas viradas que cada instrumental possui, mas tudo é pouco efetivo (Para não dizer horrível). A parte vocal está prejudicada com a ausência da vocalista principal, mas os momentos mais cantados brilham um pouco mais nesse álbum e, infelizmente, dura bem pouco. No final, “WE GO UP” é um álbum sem objetivo e montado com músicas medianas, vindo de um grupo que ainda precisa se firmar como um grande nome do K-pop para carregar o legado de grandes girlgroups desovados pela YG.

Faixa a Faixa

O EP já começa com o single “WE GO UP” que, além de brilhar por ser a coisa mais forte e com decisões de produção mais certeiras, segue interessante. Ainda genérica nesse espectro de mina fodona, mas essa guitarra mais punk que a música traz tira um pouco o BABYMONSTER do óbvio hip hip badass da YG e dá um tom mais “música de heroína em peça de ação”. Elas são icônicas, vencedoras, vão para CIMA e não tem medo de ninguém, sempre buscando o topo. É impossível ouvir essa música em loop sem pegar um pouco de raiva no 3º play, mas casualmente eu aceito calmamente.

“PSYCHO” é a música que os fãs estavam forçando como a grande pérola do álbum, me deixando com os dois pés atrás (A gente não espera bom gosto de fã hardcore de grupo da YG). E quando o hip hop na flauta veio no início eu já fiquei pronto para falar “Ah MAS É CLARO que eles aclamariam esse descarte do BLACKPINK”, mas a música toma um outro rumo mais electropop que é mais legal. Não deixa de ser menos questionável e o rap depois do 1º refrão, em especial, é uma atrocidade sem tamanho, mas gostei muito do refrão aqui, é potente e dá para imaginar um conceito de patricinha rebelde que combina com o BABYMONSTER. Dava para ser o single desse comeback, mas não acho que seja o single moral do EP como andam propagando por aí (E nem é melhor que “WE GO UP”).

“SUPA DUPA LUV” poderia ser um R&B mais cantado e menos rapper. Obviamente esse mini álbum priorizou uma atitude mais ofensiva na hora de definir a performance de cada música, mas o melhor de “SUPA DUPA LUV” está justamente nas partes mais vocais com um instrumental mais sutil e brilhante. Mas entendo que os raps estão aqui para dar um pulso a mais na música e ela não ser um mero R&B filler de comeback de K-pop. Aprecio a ideia, mas a execução é meio… meh. Fechando o álbum elas simplesmente me metem um country de início de carreira da Taylor Swift com “WILD”, que eu vou encarar como elas rindo da minha cara. Então, o instrumental resolve virar um bate panela esquisitaço para a seção de rap depois do primeiro refrão e aí eu fico rindo da cara delas. Sabe-se lá como raios a YG concordou em dar essa música para elas mas, sei lá, deve ter quem curta isso aí.

Concluindo…

O “WE GO UP” é um EP que mostra que a YG quer se desapegar das velhas fórmulas para fazer o BABYMONSTER acontecer como a versão moderna do hip hop assinatura da gravadora, mas parece não fazer a menor ideia de como fazer isso de um jeito bom. Quer dizer, até tem, mas o taste da YG para demos e produções é uma das coisas mais datadas do K-pop e as músicas boas do BABYMONSTER parecem mais golpe de sorte do que qualquer outra coisa.


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17 comentários sobre “ALBUM REVIEW: BABYMONSTER – WE GO UP

  1. Elas quase, bem quase acertaram com Drip (sim, minha opinião mudou depois que ouvi no aleatório)
    Daí fui ouvir essa e achei bem fraquinho. A eu acho que se a yg parar de tentar forçar hip-hop poderia as coisas irem pra frente. Esse mini parece o descarte do descarte

  2. Eu acho elas muito talentosas para a quantidade de música questionável que a YG faz elas lançarem. É uma tristeza ver música boa indo para grupo que nao tem metade do talento delas.

  3. Gostei de WE GO UP e PSYCHO, o resto eu fingi que não existem. Quando ouvi a intro de PSYCHO achei que ia vir uma bomba, mas adorei o resto da música.
    Um EP bem meia boca e teremos que esperar até ano que vem pra ver outra coisa nova (e possivelmente duvidosa) dessas meninas.

  4. eu passo mal que no dia eu fui ouvir wild jurando que elas seriam as sucessoras do 9muses e quando a musica terminou eu ri de desespero

  5. e olha, ainda acho que a nota foi foi muito generosa.
    aliás, divo, vai ter review de burning up do meovv ou vai fingir que esse single nem existe pra não ter que hablar?

  6. Acho um total desperdício você colocar diversas meninas com vocais excelentes pra lançar um grupo de hip Hop onde a maior parte é rap.
    Não que as rappers não sejam boas, porém acho que dá pra explorar todos os talentos igualmente, vide o XG em que tudo é bem dividido.
    YG deveria parar de querer replicar o 2NE1 e o Black Pink e entender que o Baymon tem sua própria força e são os vocais e a dança.
    Espero que se encontrem no caminho e elas venham a fazer sucesso porque merecem!

  7. Achei engraçado que você chamou atenção pro rap de Psycho, mas pra mim foi o menos pior do EP todo. Os raps das outras duas b-sides são tenebrosos, principalmente porque nenhuma das músicas precisava ter.

  8. falar do babymonster me faz parecer um grande hater mas eu acho tudo que envolve o projeto desse grupo tão preguiçoso que chega a dar tristeza por essas meninas se enfiarem nessa empresa diabólica. anos treinando, até reality pra divulgar e no final essas músicas, vários comebacks faltando integrante e pior, sem promoção nenhuma com esse star quality da yg datado.

    • toda vez que lembro delas, me vem à cabeça a cena delas parecendo umas lacraias tentando dançar drip no palcoKKKKKKKK.

  9. Ainda não tive vontade de ouvir esse EP, não sei porque a YG não consegue entender que essas meninas são muito mais do que mais uma versão do 2ne1, acho que até a JYP conseguiria fazer justiça ao talento do babymonster.

    • Eu ainda espero que elas se encontrem igual aconteceu com o NMIXX que no início só lançava música questionável. São dois grupos com vocais incríveis, dança e presença, mas as empresas fazendo elas lançarem tranqueiras. Até o IVE que eram bem fraquinhas vocalmente (a dança ainda continua) começaram lá em cima e continuam. Realmente k-pop é música boa >>>>>>>>>>> talento

      • o que mais acontecia era elas viralizarem no reality pelos covers chega no debut matam maioria disso. tudo bem que hoje maioria se diz fazer de tudo, mas elas realmente são um grupo com várias ace/all rounder sabotadas desse jeito

      • Eu não aguento mais álbuns “versáteis”. Eles tentam fazer vários genêros em 1 só, e adivinha? Tudo fica ruim!

        Saudade de álbuns bem construídos (por isso que REBOOT das Wonder Girls é meu álbum favorito de K-pop)

      • Eu acho que elas se encontraram com forever mas a yg fez elas se perderem, o primeiro álbum delas é muito bom.

      • sim, mesmo forever sendo uma as if it’s your last vibes acho que distancia elas do hip hop yg e junto com stuck in the middle (uma balada bem subestimada) conseguem dar um tom pro grupo

      • E são duas músicas bastante difíceis de cantar, a YG pode insistir nessa emulação do 2ne1 mas pelo menos que construa músicas que mostrem o talento delas.

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