ALBUM REVIEW: KOKIA – Fairy Dance ~ KOKIA meets Ireland ~

Essa semana eu recebi um pix para comentar sobre “Fairy Dance ~ KOKIA meets Ireland”, 7º álbum de estúdio da cantora KOKIA, lançado em 2008 como parte das comemorações de 10 anos de carreira da cantora. Eu não sabia da existência do álbum e da cantora, então fui ouvir esse álbum no escuro e, olha, eu não esperava ouvir um álbum irlandês saindo no Japão. “Mas Dougie, está escrito KOKIA meets Ireland no nome, você não devia saber disso?” Sim, mas o que quero dizer é que me pegou desprevenido o fato de uma japonesa servir música tradicional irlandesa tão bem assim.

Artista: KOKIA
Álbum: Fairy Dance ~ KOKIA meets Ireland ~
Lançamento: 24/09/2008
Gravadora: Victor Entertainment, Wasabi Records
Nota: 80/100

Eu nunca tinha experimentado um álbum japonês de música folk celta (Acho que o mais perto que cheguei disso foram os trabalhos do Kalafina que, se não me engano, possuem referências nesse estilo), então fiquei impressionado quando dei na primeira música do “Fairy Dance”. Ali eu percebi que tinha que recalibrar as expectativas e estar aberto a uma experiência nova, pois o álbum possui esse universo próprio é bem diferente do que uma básica pop bitch como eu costuma consumir. Não consegui achar entrevistas da querida sobre esse EP, mas imagino a imersão que ela teve na Irlanda para criar as canções desse álbum.

Boa parte do álbum, que foi criado em viagens que a KOKIA fez para a Irlanda (Daí o nome “KOKIA meets Ireland”… wow), traz a magia da música medieval para o ouvinte. Todas as flautas, violinos e instrumentos são bem “campestres”, folclóricos e que facilmente seriam temas de animes que se passam na Idade Média. Até a interpretação da KOKIA faz essa “viagem do tempo”, e tem uma beleza peculiar nesse tipo de som e performance. Todas as músicas tem uma cara única, mas contribuem para um álbum conceitualmente sólido e feito especialmente para quem quer fugir das guitarras do J-rock ou sintetizadores do J-pop.

O álbum poussui, ao todo, 3 músicas originais e 5 covers. Dos covers, 3 são de canções tradicionais irlandesas e 2 são trabalhos kayokyoku reimaginados para o contexto irlandês do álbum. Eu conheço alguma música? Óbvio que não, então todo o álbum soou como inédito para mim. Nenhuma música é um grande destaque individual já que o álbum é focado em criar uma experiência mística e fantasiosa em seu conjunto, mas podemos destacar a faixa que abre o álbum “Lydia ~ Fairy Dance” como uma literal “dança das fadas” embalada pelos belos vocais da KOKIA na canção, e o cover da canção tradicional irlandesa “Black Is The Colour”, que dá mais brilho para a KOKIA entregando conforto para o ouvinte com sua voz. De qualquer forma, o que faz esse álbum ser muito bom é o conjunto da obra.

Apesar de não ser o tipo de álbum que ouvirei sempre, “Fairy Dance” é um EP fascinante. Num primeiro play ele me pega pela surpresa da música irlandesa em um álbum japonês, e essa surpresa se transforma em encanto pelo comprometimento da KOKIA em entregar essa magia que ela obteve visitando um outro país e transformando a cultura e vivência em música. Não posso falar com propriedade nesse aspecto, uma vez que esse é o primeiro trabalho da KOKIA que escuto, mas imagino que o “Fairy Dance” é o tipo de trabalho que amplia os horizontes da artista na música com toda essa arte celta que soa incomum para um álbum japonês padrão na minha vida, e tem uma execução delicada e encantadora.

Faixa a Faixa

O álbum abre com “Lydia ~ Fairy Dance”, uma das 3 faixas originais da KOKIA para o álbum. “Lydia” se destaca muito pela produção, que introduz a ideia de folk celta que o álbum possui como um todo, e pela sofisticada harmonização da KOKIA. Instrumentos surgem, se vão e voltam para criar uma deliciosa melodia. É simples mas, ao mesmo, é profunda e dá vontade de acender uma fogueira no meio do mato europeu para dançar e beber cerveja em volta. “Song Of Pocchong” é outra faixa original, não tem letra de verdade e é só a KOKIA repetindo umas sílabas em loop para combinar com a atmosfera da música, então o brilho está nas flautas e violinos que dão toda uma graça irlandesa para a canção. Combina com o que o álbum quer entregar, mas sozinha não é tão forte quanto a faixa anterior.

“Kanashikute Yarikirenai” é a primeira música em japonês do álbum e um cover da banda The Folk Crusaders, redesenhado para o álbum da KOKIA como uma canção irlandesa ao invés do tradicional kayokyoku japonês, mas mantendo a atmosfera relaxante e confortável da canção original. Outra música que fica melhor dentro do álbum do que sozinha, mas ainda é uma música graciosa. “Black Is The Colour” é outro destaque do álbum, uma cantiga tradicional que tem origem escocesa e que a KOKIA trouxe para mostrar a riqueza de sua vivência na Europa. É a música mais “idade média” do álbum, seja pela performance charmosa da cantora ou pela flauta que brilha com muita graça no instrumental.

“Siuil a Ruin” é outra cantiga tradicional resgatada para o álbum, e conta com a KOKIA cantando em irlandês para mostrar que ela REALMENTE conheceu a Irlanda. Vale pela voz da KOKIA que está preciosa nessa música, mas acho que o instrumental, dentro desse álbum, é mais uma peça para encaixar na tracklist do que uma obra forte e com cores próprias. “Sono Mama De ~ Be As You Are” é a última faixa original do álbum, e a que mais traz letra na música (A KOKIA canta quase que na música inteira). A música é praticamente voz e violão, mas se destaca na parte final com a cantora harmonizando junto com o instrumental que ganha mais intensidade e instrumentos (De novo, a flauta nessa música é mágica).

Fechando o álbum temos “Taimse Im’ Chodhadh”, uma cantiga baseada em um antigo poema irlandês. É a música mais diferente do álbum por ser algo que destaca os belos vocais da KOKIA através de um instrumental mais simples e discreto com base na gaita de fole, que ganha presença e força na segunda metade da canção. Não sei se a versão em estúdio consegue traduzir a calma e magia da música, mas imagino que um ao vivo dessa música seja catártico. A versão europeia do álbum conta com o cover de “Soshuu Yakyoku” da Yoshiko Yamaguchi, e é mais uma reinterpretação irlandesa folclórica de um kayokyoku japonês.

Concluindo…

Quando eu acho que já vi de tudo, a indústria me proporciona uma cantora folk irlandesa na música japonesa. Definitivamente uma experiência única para se viver em um sábado a noite, e que eu achei fascinante.


Esse post foi bancado por um gostoso pix para me proporcionar uma noite de sábado que nunca pensei em ter ouvindo música japonesa. Se você quiser bancar um post para esse blogueiro ou simplesmente quiser me mandar dinheiro dizendo “Ei blogueiro, parabéns pelo esforço em nos entreter, tome um trocado para ajudar a trocar o seu computador”, você pode mandar um pix de qualquer valor na chave: dougielogic@gmail.com.

3 comentários sobre “ALBUM REVIEW: KOKIA – Fairy Dance ~ KOKIA meets Ireland ~

  1. como eu amo recomendações de álbum q são literalmente o meme do homem cavando a rocha e achando diamante

  2. Eu não conhecia essa artista e achei uma ótima descoberta.
    Ela me lembra Kalafina que foi um grupo que eu muito amei, pois elas eram bem diferentes da cena do J-pop e as músicas sempre faziam me sentir uma camponesa medieval rsrs.
    Vou ir atrás de mais álbuns dessa cantora!

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