26 músicas para celebrar os 26 anos de carreira da BoA

BoA chegou a marca de 26 anos anos de carreira e, mesmo com o fim da parceria de longa data com a SM Entertainment, ela ainda deve permanecer por muito tempo na música pop. Para celebrar isso, um dos fãs da cantora me mandou um grande pix para fazer um post grande: Selecionar 26 músicas do catálogo de quase VINTE álbuns, 3 EPs e uma caralhada de singles da cantora. Ele me deixou fazer uma seleção livre que, minha nossa, deu mais trabalho do que esperava. Mas aqui estou, depois de revisitar e reviciar no material dela, para trazer uma curadoria com 26 das minhas músicas favoritas da rainha do K-pop. O post é longo, então não vamos enrolar muito e partir logo para os hinos dessa grande artista:

#1 — LAZER

O áudio oficial de “LAZER”, por algum motivo, não está disponível no YouTube para incorporar aqui. Isso me impede de aclamar esse hino? Claro que NÃO, então bora fazer isso com esse color coded mesmo. Quero começar esse post com a minha música favorita da BoA, e “LAZER” beira a perfeição e inovação do Electropop para mim. Especialmente pelo sintetizador agudo que dá uma sensação futurista, desconfortável e extasiante para a música toda. E amo como a BoA vai do intenso e performático nos versos para o dramático e provocativo no refrão, usando muito bem sua voz anasalada aqui. “LAZER” é boca de confusão, e me faz dançar a noite toda enquanto quero atirar em você com meu raio lazer.

#2 — Manhattan Tango

O último álbum japonês “pra valer” da BoA (Já que “The Greatest” é uma coletânea de reworks) já tem mais de OITO anos, mas “Manhattan Tango” segue na minha mente diariamente desde o lançamento. É como o próprio nome diz: É um tango e é de Manhattan, vindo de uma coreana que resolveu cantar em japonês. E é nessa mistura de ideias multiculturais sem cair nas acusações de apropriação que a morena conseguiu um trabalho envolvente, provocante e com uma elegância que só a BoA consegue proporcionar.

#3 — Clockwork

Mesmo tango de “Manhattan Tango”, mas mais sexy, clássico e em coreano. Adoro o “break de violino” que “Clockwork” proporciona e essa energia misteriosa-porém-gostosíssima que o instrumental no geral possui, me fazendo sentir uma cípora argentina com belas pernas prontas para conquistar um macho canastrão no ritmo do tango. Quente, sedutora e interpretado combinando com o tesão elegante proporcionado pela Title Track, “Clockwork” é um luxo para amantes de música latina.

#4 — Tail of Hope

Das faixas mais brilhantes e good vibes que a BoA tem na carreira, a minha favorita é “Tail Of Hope”. Trazendo uma abordagem bem mais leve de fazer um single de verão, eu escuto “Tail Of Hope” como um ritual para começar um dia quente de verão mais feliz. Todas as frustrações e tristezas são deixadas de lado pelos 4 minutos que essa música dura, dando lugar a uma leveza, pureza e felicidade que eu sinto com poucas músicas no pop. “Tail of Hope” é uma injeção de serotonina do início ao fim e, despretensiosamente, se tornou um dos meus singles favoritos da fodona.

#5 — GAME

Depois de 5 anos longe da Coreia para fazer o máximo de dinheiro possível na carreira japonesa e nas aventuras que o álbum em inglês proporcionou, “GAME” é um ótimo número para mostrar que BoA “estava de volta” mesmo. “GAME” vai para um caminho eletropop que é bouncy mas não tão eletropop assim, e traz elementos orgânicos que dão uma suavidade jazzy (Especialmente no refrão) para a faixa não mergulhar com tudo na farofa, assim como a desacelerada que a ponte dá. É quase como se a BoA tivesse tentando fundir o passado e o futuro em uma única música, e isso dá muito certo.

#6 — Copy & Paste

Muito se fala sobre “Hurricane Venus” e pouco se fala sobre “Copy & Paste”, o single de relançamento do grande comeback da BoA em 2010. Tem uma “esquisitice” nesse instrumental, uns sintetizadores que emulam anos 2000 ao mesmo tempo que servem algum futurismo essencial do eletropop com uma voz não tão processada da BoA. É uma mistura intrigante e difícil de descrever, mas longe de ser ruim. Pelo contrário: A melodia magnética e o refrão mais gemido são icônicos, e elevam “Copy & Paste” de forma absurda. Tudo parece errado, mas o resultado é certeiro.

#7 — U & I

Não é todo dia que a BoA estava disposta a fazer um synthpop geladinho para a nação, o que me fez ter um carinho especial por “U&I”. O bass em U&I já chega chegando, os versos pausados aliados a ele me causam arrepios gostosos toda vez que ouço e o refrão ganha uma camada de emoção com a BoA soltando a voz e o instrumental mais vivo que me pega desprevenido e me arrebata por alguns instantes. Clássico synthpop numa abordagem mais agressiva que eu amei desde o primeiro play.

#8 — Atlantis Princess

Eu sou um grande entusiasta da fase pop teen/jovem adulta de Sandy & Junior, e “Atlantis Princess” é exatamente isso: Uma faixa teen, colorida e entusiasmante da dupla (Uma versão mais animada e cheerful de “Love Never Fails” para mim). “Atlantis Princess” é uma canção adorável que desperta a versão mais inocente e pura que o meu eu de 16 anos pode ter, e ouvir hoje é como engolir uma capsula do tempo onde volto 20 anos e vibro junto com a jovem e descolada BoA Kwon cantando e dançando.

#9 — WOMAN

No salto de menina para mulher, “WOMAN” é uma música ESSENCIAL para você conhecer a BoA. Pode não ser a favorita dos mais fãs dela, mas tem tudo que a torna uma lenda no K-pop da performance ao canto. Tipo, ela começa a música com um CATWALK DE CABEÇA PRA BAIXO, sabe? Se tivesse hitado, ela teria virado o Michael Jackson de saias e sucedido o Moonwalk. Dos singles mais R&B dela (Esse não é exatamente R&B mas se está ali na casinha de Kiss My Lips, The Shadow, Better e derivados) na década passada, “WOMAN” tem o refrão mais impactante e dançante para mim, e é muito bom me sentir como uma MULHER enquanto ouço. Ela estava empenhada em ser memorável nesse single… E conseguiu com honra ao mérito.

#10 — Your Song

Eu amo como o “One Shot, Two Shot” tem um caráter mais “experimental” com a BoA se divertindo em algumas sonoridades que ela nunca experimentou antes (E nunca experimentou de novo, em alguns casos). Você jamais esperaria a BoA metendo um trapzão de mina fodona até ela não só fazer como redirecioná-la com uma letra em que a BoA é o seu veneno e não está nesse escuro quarto para brincar de amorzinho. Matando todos os trappers que eu conheço, a cantora fez um trap delicioso sem soltar um rap sequer em cima (O feat. faz isso por ela).

#11 — Sweet Impact

O bom do J-pop é que você é meio que livre para fazer qualquer tipo de throwback. Absolutamente NINGUÉM queria tirar o mofo do New Jack Swing em 2007, mas a BoA estava lá para fazer as honras e ser a Michael Jackson de saias (O MV é referência ao filme dele lá) da segunda metade dos anos 2000. E como esse tipo de revival retrô funciona (até demais) na música pop em 2026, “Sweet Impact” fica ainda mais divertida. A voz da BoA pode ser uma questão se você não estiver acostumado, mas não demora muito até você curtir essa música como se estivesse 1998 de novo.

#12 — Not Over U

Num álbum de sonoridade mais introspectiva como o “Only One”, “Not Over U” vem para servir aquela quebrada eletrônica e dar uma farofada no álbum (Junto com “The Top”, mas essa é bem basicona para o que se propõe). O contraste do violão nos versos com as adições eletrônicas no pré-refrão até explodir num safadíssimo pancadão do refrão é um grande hit or miss e pode soar uma bagunça sem tamanho para você num primeiro momento mas, quando bate, a sensação é deliciosa. “Not Over U” é um EDM de versos lentos que funciona tanto sozinha quanto para um projeto mais sentimental quanto esse.

#13 — Girls On Top

“Girls On Top” é a melhor música de “transição” da sonoridade da BoA na Coreia, que larga os trejeitos e melodias adolescentes para mergulhar de vez no pop/hip-hop que estava em alta exalando a confiança e agressividade de uma garota que está no topo. É uma faixa com o propósito de ser descolada, causar um choque inicial com as batidas mais potentes, impressionar na interpretação mais dramática e deixar a música no repeat o dia todo. Dos singles coreanos da BoA nos anos 2000, “Girls On Top” é o meu favorito.

#14 — Did Ya

Ahhh eu amo essa baguncinha aqui. A leve pegada retrô que a música possui junto com o excitante violão faz “Did Ya” ser emocionante, ágil e super divertida, além de ser um dos poucos momentos em que temos a voz da BoA não sendo desconfigurada pelo autotune do álbum e, ainda assim, servir a ação e atrevimento exagerados que a música pede. Uma das músicas mais diferentes da carreira da BoA.

#15 — LISTEN TO MY HEART

Um dos clássicos do início de carreira da BoA, “LISTEN TO MY HEART” é a essência adolescente sendo transmitida pelo melhor que o pop/R&B poderia oferecer em 2002. Era o que estava em alta na época e o Japão abraçou demais as cantoras de J-R&B, mas esse charme inocente e confiante que a BoA entrega na performance dessa música é o que faz “LISTEN TO MY HEART” brilhar nos primeiros lançamentos japoneses da cantora. Essa aura e energia jovem da jovem BoA faz esse instrumental mais cadenciado se tornar dançante e estiloso, fazendo “LISTEN TO MY HEART” alcançar outro nível e ser um dos trabalhos mais memoráveis da BoA.

#16 — Kiss My Lips

A melhor decisão da carreira da BoA para mim foi ela se repaginar como artista de Synth R&B na década passada. Primeiro por ser um som inesperado e fora da caixa para ela, e depois pelo quão BEM ela combinou com esse estilo de R&B mais maduro sem deixar de perder o fator dance clássico dela, resultando em title tracks extremamente luxuosas como “Kiss My Lips”. Toda essa suavidade e elegância nos vocais e sintetizadores para cantar para você beijar os lábios da buceta dela é envolvente, hipnotizante e glamurosa, e é um dos melhores trabalhos vocais dela em uma canção. Uma faixa absolutamente deliciosa.

#17 — Better

“Better” é uma versão elevada de “Kiss My Lips”. Com sintetizadores mais pesados e um som R&B mais noventista, BoA usa da sua maturidade e libido para fazer o single mais sensual da carreira. Os versos são lindos e o refrão é uma delícia, mas tudo que acontece depois do 2º refrão é um ápice não só da BoA na Coreia, como de toda essa onda PBR&B que a SM viveu na virada da década com metade dos solos da gravadora. “Better” comemorou os 20 anos de carreira da cantora de forma magistral.

#18 — I Did It For Love

O álbum americano da BoA nada mais é que ela vivendo o sonho de diva pop americana da época com muito autotune e um som eletropop que estava em alta. Falta personalidade? Talvez, mas sobra HINOS eletrônicos que podem muito bem ser reimaginados no atual revival do gênero. “I Did It For Love” bota tanto processador na voz da BoA que você não sabe exatamente quem é a gostosa que está cantando essa produção do Timbaland, mas você VIVE por cada momento e fica ainda mais vidrado vendo o MV com uma das coreografias mas hipnóticas da comadre. As boates em 2009 que levaram essa música ao Top 20 de algum subchart da Billboard viveram tempos muito felizes com esse hit.

#19 — Time To Begin

Eu não tenho tanto apego pelo material anos 2000 da BoA fora os clássicos, mas é inegável os lançamentos dela na Coreia até 2005 são perfeitos para entusiastas do pop anos 2000. “Time To Begin” é um grande exemplo disso: É IMPOSSÍVEL não ouvir essa música sem pensar nos híbridos de R&B com hip hop que bombaram no início do milênio com violinos conduzindo a faixa e até um solo de guitarra sem mais nem menos, com a BoA interpretando essa música como se fosse alguma novata negra em ascensão nos Estados Unidos. Deliciosamente nostálgico de ouvir hoje em dia.

#20 — Be The One

Já “Be The One” tem a mesma pegada anos 2000, só que mais branquela nesse instrumental que qualquer emulação de Britney Spears ou qualquer boygroup da época lançaria em início de carreira nos Estados Unidos, o que também é icônico para quem viveu o início da década em questão. É bem divertido revisitar os álbuns antigos da BoA hoje (Os japoneses, em especial) e cada faixa ser um awakening de tempos mais simples, onde era apenas uma criança vida fervendo com um pop mais impactante e confiante que abalaria qualquer playlist na MTV.

#21 — Rock With You

Toda vez que ouço “Rock With You” eu penso “Como assim a Ayumi Hamasaki NÃO lançou essa?”. Tipo, consigo imaginar a Ayu abalando com esse instrumental pop/rock ali entre o “Memorial Address” e o “MY STORY”, mas ela dormiu por 5 minutos e a BoA falou “Essa música é MINHA”, e o resultado é viciante. “Rock With You” é a BoA vivendo sua fantasia de rockstar japonesa por 5 minutos, e o fato dela ser ótima faz ela se destacar tranquilamente no meio da discografia dela.

#22 — The Shadow

“The Shadow” (E o Only One como álbum) é a BoA basicamente falando “Eu não preciso entrar nessa horrorosa trend dubstep, me garanto sem isso”. Existe uma espécie de “back to basics” com essa música e a performance da BoA revivendo tudo que aprendeu estudando as coreografias da Janet Jackson, mas com uma elegância e suavidade que faz de “The Shadow” mais madura e refinada, além da aura apocalíptica que estava em alta nos trabalhos mais “dark” da SM. É uma faixa sutil, mas arrebatadora.

#23 — Lady Galaxy

Apesar de japonês, a abertura do Made In Twenty “Lady Galaxy” bebe muito das referências norte americanas de música pop na época (É quase que uma versão menos safada de “My Humps” do Black Eyed Peas) e funciona quase como uma “prévia” do que viria a ser o álbum internacional dela dois anos depois. Como praticamente toda faixa pop da BoA tem que dar um jeito de valorizar o passe de fodona da dança (Principalmente por ser o grande diferencial dela no J-pop), “Lady Galaxy” traz um ritmo menos saliente e mais performático, com toques mais futuristas (Afinal, ela é a dama das galáxias aqui) e um break divertidíssimo que me ganha muito pela surpresa. “Lady Galaxy” é a BoA fazendo o que todo mundo já fazia, mas com o charme e poder que ela consegue sustentar sozinha.

#24 — Dakishimeru

“Dakishimeru” é bem… J-pop. É uma faixa dance, meio funky, com vocais bem altos, versos falados e uma execução que mistura sons e sintetizadores de forma mais rápida e incomum, o que é bem característico das produções japonesas para elevar o carisma dos artistas em questão. Uma música dance que o Hello!Project jogaria no colo da Maki Goto e falasse “Se vira, mulher”, e ela faria isso da forma mais rampeira possível. O que quero dizer é que “Dakishimeru” é o tipo de faixa pop que, apesar de não ser a coisa mais fora da caixa, só consigo imaginar uma japonesa determinada a alcançar o topo do pop japonês nos anos 2000 lançando, o que mostra que a BoA fez um ótimo dever de casa quando viu que teria uma carreira por lá.

#25 — VALENTI

Para encerrar esse post especial, nada mais justo do que colocar as duas ótimas músicas que estabeleceram a BoA como a fodona da Coreia E do Japão. Para começar temos “VALENTI”, grande sucesso que botou BoA entre os grandes e, mais tarde, carregou o álbum de mesmo nome para vender mais de 1 milhão de cópias no país (Algo inédito para uma artista coreana, e que ela sustentou sozinha por mais de 20 anos). “VALENTI” traz todo o pop/hip hop que já vimos algumas vezes nesse post, mas com uma pegada latina brilhante que deixa tudo ainda mais quente e ousado. É impossível não dançar com esse refrão, e o violão ganhando protagonismo no break de dança foi a coisa mais BoA Hernandez Gonzalez Espinosa que ela fez até hoje. Um marco.

#26 — No. 1

E fechando esse post, nada mais justo que a melhor música do K-pop. Não para mim, mas os coreanos vêem “No.1” como o ápice do K-pop, e quem sou eu para discordar? É um trabalho encantador, que encapsula toda a inocência e determinação de um pop adolescente dançante dos anos 2000, com um instrumenmtal energizante e uma interpretação que tira o sorriso de qualquer rosto, aliado a um refrão mágico que eu faço questão de cantar e dançar junto com a BoA. Se tem uma música que transforma todo o potencial da BoA em realidade e faz toda uma nação acreditar que está diante da rainha do K-pop, essa música é “No. 1”.


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