Review Retrô: Um post para falar dos singles da primeira tidinha do K-pop Lee Gai no Baby V.O.X, “Yayaya” e “Change”

Fazer um post de dia das crianças sem cair no óbvio de “fotos de idols como crianças” é uma tarefa muito difícil no K-pop. Então, a alternativa acaba sendo cair em outra obviedade: Reviver umas tidinhas da história da indústria e comentar por aqui. E hoje é dia de voltarmos ao ano de 1998, ano onde a grande tidinha Lee Gai abalou o mundinho da música pop coreana se passando por uma jovem de 20 anos quando, na verdade, estava começando a trilhar seu caminho na casa dos 30.

Opa, Tidinha errada. A Lee Gai é essa aqui, a de óculos na capa do 2º álbum do Baby V.O.X.

Basicamente, Lee Gai debutou pelo Baby V.O.X em 1998, 1 ano depois do debut oficial do grupo e fez parte da fase nugu do Baby V.O.X, uma vez que o grupo só fez sucesso e se tornou um dos principais girlgroups da 1st gen do K-pop em 99. Na época noticiaram Lee Gai como uma jovem de 19 anos nascida em 1979 mas isso foi muito questionado por conta dela sempre parecer uma tia das integrantes ao invés de uma adolescente chegando na fase adulta. Então, depois de muita investigação e uma caça as bruxas em cima da verdade por trás da véia, foi revelado que Lee Gai se chamava Lee Eunjung e tinha nascido em 1968 e já tinha uma carreira até que longa na indústria musical (Ela já tinha carreira solo antes mesmo de debutar pelo Baby V.O.X), o que gerou um mega escândalo que culminou na expulsão da cantora do grupo. A história completa da Lee Gai foi muito bem contada pela Rafa no blog dela, então eu recomendo muito vocês lerem.

Esse post está aqui para falar das duas aparições de Lee Gai nos dois singles do Baby V.O.X, “Yayaya” e “Change”, mas temos que voltar um pouquinho mais no tempo para contextualizar a entrada de Lee Gai: O Baby V.O.X debutou em 1997 com o single “Hair Cut” e, supostamente, era para a Lee Gai estar no grupo desde o início, mas ela teve uma lesão e acabou sendo cortada do debut. O conceito do Baby V.O.X era algo mais hip hop, fierce e descolado que servia como contraponto da imagem mais adolescente e jovial que S.E.S e, futuramente, Fin K.L definiriam como o modelo ideal de girlgroup no K-pop.

Na minha percepção, esse conceito foi pensado justamente para a Lee Gai, uma vez que os visuais e maquiagem mais fortes/pesados disfarçariam melhor o fato dela ter 10 anos a mais que as outras integrantes, e talvez não precisariam nem mentir sobre a idade dela nesse caso já que não é um conceito muito focado das integrantes (Embora já tivesse um histórico da Lee Gai mentindo a idade para debutar como solista nos anos 90).

Enfim, o debut do Baby V.O.X foi um fracasso e metade da formação original tinha batido perna do grupo, seja por problemas de saúde ou conflitos mal explicados, então a DR Music teve que correr e chamar a Lee Gai para o grupo. Só que a DR Music decidiu mudar a estratégia devido ao fracasso que foi o debut, e o conceito jovem e inocente que bombava nos girlgroups acabou indo para o colo do Baby V.O.X. Com isso, foi praticamente impossível disfarçar a idade da nossa velha.

O primeiro single de Lee Gai no Baby V.O.X foi “Yayaya”, faixa principal do 2º álbum do grupo “Baby V.O.X II”. A música é uma mais mistura de um pop mais cadenciado e inocente com hip hop nas partes mais dançantes, uma daquelas misturas sem sentido e mal feitas que rolavam na 1st gen do K-pop pois ninguém na Coreia sabia exatamente como fazer música pop ali. A coisa toda era muito mal masterizada, a rapper simplesmente foi engolida pelo instrumental e rolas umas oscilações bem esquisitas de volume para destacar a única que cantava de verdade enquanto as outras cantavam com o aegyo. “Yayaya” é um exemplo de K-pop clássico da 1st gen que tem o carisma da época mas precisava de muito polimento para funcionar como música mesmo. Talvez essa música aparecesse em throwbacks e covers mais para frente como um efeito nostálgico, mas tudo desse início de carreira do Baby V.O.X foi escondido pelo tempo dado o flop que foi.

Voltando para Lee Gai: A imagem do grupo mudou radicalmente, com as meninas adotando uma postura menos agressiva e mais inocente de jovens vivendo o primeiro e mais puro amor, e obviamente a Lee Gai não sabia fazer isso. A solução foi colocar Lee Gai de óculos para esconder os olhos (Que denunciavam bem a idade da comadre) e colocar ela de fundo nas apresentações. No próprio MV ela não tem muito destaque, tem uns 10 segundos na música e fica sempre no canto das coreografias e mais escondida na interação das integrantes, mas como ela era a ÚNICA integrante usando óculos o vídeo INTEIRO, ficava impossível não se perguntar o motivo e prestar atenção nela. E como isso acabou sendo estendido para todas as aparições públicas do grupo, obviamente os fãs reclamaram e indagaram o que ela tanto escondia para usar óculos ali.

Com as reclamações aumentando a DR Music decidiu tirar os óculos de Lee Gai no segundo single do álbum, “Change”:

“Change” é uma música bem melhor, o instrumental já servia uma fusão melhor do New Jack Swing com um pop mais chamativo. O refrão disso aqui é MUITO BOM e bem anos 90, você conseguia ouvir a rapper fazendo o rap dessa vez (E perceber que ela não sabia fazer rap) e tudo era bem mais divertido no geral. “Change” já é o tipo de tranqueira noventista mais fácil de simpatizar no K-pop e eu ouviria não ironicamente em uma festinha mais nostálgica. Tem uma energia mais inocente de teen pop mas não era tão melosa ou cansativa.

Quanto a Lee Gai: Ela havia removido os óculos de seu outfit e podíamos ver melhor o rostinho dela (Embora a DR Music ainda tenha tentado disfarçar deixando ela de touca o vídeo inteiro), e aí o negócio degringolou pois era NÍTIDO que ela a trintona era uma trintona. A estratégia de esconder Lee Gai no cantinho da sala para cortar ela do enquadramento sempre que possível no vídeo permaneceu, mas os 10 segundos de solo que ela ganha no MV mostram bem que a Lee Gai tinha mais idade (E mais carreira no Marlboro) perto das outras. Além disso a coreografia é bem mais rápida e movimentada e a Lee Gai não conseguia acompanhar, então dava para notar a tia de touca errando passos e fazendo movimentos mais lentos e cansados durante os takes de dança. O público obviamente notou isso, e foi mais babado e confusão na vida de Lee Gai até o inevitável disband.

Esses foram os únicos singles do Baby V.O.X com participação da Lee Gai. Logo depois a bomba da idade dela explodiu, ela foi expulsa para a entrada da Yoon Eun Hye e, coincidência ou não, o Baby V.O.X estourou na Coreia com “Get Up”. Talvez, involuntariamente, esse escândalo com a Lee Gai tenha voltado a atenção do público coreano para o Baby V.O.X, e aí elas só precisaram da música certa para se tornarem um grande hit da virada do milênio. Porém, nos dois singles com ela, podemos ter uma noção do quão caótica foi a vida da Lee Gai como idol de K-pop.

Vale mencionar também “Two Of Hearts” do grupo Setorae, primeiro grupo de Lee Gai na música, simplesmente pelo fato delas terem dinheiro para conseguir comprar a demo de “Two Of Hearts” da Stacey Q para lançar na Coreia e cantar nas Paralimpíadas de Seul.

4 comentários sobre “Review Retrô: Um post para falar dos singles da primeira tidinha do K-pop Lee Gai no Baby V.O.X, “Yayaya” e “Change””

  1. Meu Deus, só agora tô descobrindo que essa Yayaya é a mesma que o WJSN Chocome lançou de bside no single de debut. Ambas as versões são terríveis, inclusive.

  2. Eu acho essa história hilária e sempre me pergunto pq eles decidiram manter ela no grupo ao invés de corta logo ela né.

    Mas vendo os vídeos eu percebi que ela sempre chamaria atenção pq a tentativa de fazer ela jovem só deixou ela mais feia. E ela não sabia dança e tava sempre fora do ritmo o que faz qualquer um perceber ela na sala kkk.

    Outro ponto que é sempre a Dr. Music que está envolvida em grupos estranhos que acabam em meio a polêmica né kkk

  3. Essa história é MARAVILHOSA! Aliás, a trajetória inteira desse grupo é uma bagunça maravilhosa; sei que depois que a Lee Gai saiu, o Baby VOX tomou uma onda massiva de hate quando surgiu um rumor de que uma integrante do grupo estava namorando um integrante de um boygroup popular da época (mesmo ela dizendo que nem conhecia o cara).

    Pena que o público de k-pop é extremamente etarista, porque pra Lee Gai ter conseguido debutar QUATRO VEZES (e sem ser parente de figurão de gravadora), é porque algum talento ela tinha. Por outro lado, a agência também não ajudou jurando que ela ia conseguir se passar por uma garota de vinte anos (ainda mais com os penteados ridículos pra “tidinhizar” ela).

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