Uma das graças que os pedidos por pix me dão são de ouvir coisas que muito provavelmente não ouvirei novamente, mas que me dão uma experiência única e vontade de divulgar e falar como isso foi muito bom. Por exemplo, o mini álbum “130 Mood: TRBL” do DEAN não é algo que eu pense em ouvir toda vez que eu pensar em escutar R&B coreano (Não é muito, e é ainda menos se tratando de intérpretes masculinos), mas é um álbum tão bom que me dá vontade de divulgar para a galera que curte esse estilo musical feito na Ásia, especialmente pelo fato do DEAN parecer saber como um álbum de R&B deve ser:

Artista: DEAN
Álbum: 130 Mood: TRBL
Lançamento: 25/03/2016
Gravadora: Joombas Co. / Universal Music
Nota: 82/100
A primeira vez que ouvi o “130 Mood: TRBL” eu estava sóbrio e adequadamente sem sono, aí eu terminei o álbum pensando “É, ok” e segui com o meu dia. Então, comprei umas skol beats para curtir minha noite, voltei a ouvir esse álbum sabendo que ele bateria diferente se estivesse levemente alterado e, realmente, é outra experiência. “130 Mood: TRBL” é um álbum de R&B que funciona também como uma coletânea (Metade do álbum já tinha sido lançado como single antes), onde ele acrescenta faixas para depor, de forma crua e honesta, sobre um relacionamento que não deu certo e como ele se encontra “afundado” nisso. O início do álbum, numa relação abusiva com tóxicos, mostra a fraqueza de um homem perdido sem o seu amor, e o resto do álbum vai mostrando os motivos que levaram o DEAN a chegar nesse estado.
Muito do que o R&B coreano faz de melhor desde sempre é encontrado nesse EP: Faixas cadenciadas, sexuais e fortemente inspiradas no que a ala mais alternativa do R&B/Soul costuma fazer. “130 Mood: TRBL” é um mini álbum de um DEAN que se identifica com o estilo musical e sabe transmitir sua mensagem com isso, o que torna o álbum bem mais íntimo e cativante. Tem uma espécie de introspecção e vulnerabilidade no álbum que me aproxima do intérprete, especialmente lendo as letras (Todas compostas pelo DEAN) e entendendo a intensidade e o caos de um relacionamento que é quente, mas fadado ao fracasso.
Dito isso, o meio do EP, apesar de longe de ser ruim, é monótono. O melhor do “130 Mood: TRBL” é quando o DEAN explora o lado sexy da relação, com o tesão exalando na interpretação e na produção. O meio de álbum é mais sentimental, trazendo um artista que percebe a insatisfação da pessoa amada na relação e está sentindo esse vazio, percebendo que o relacionamento está afundando. É interessante e dá um conteúdo mais honesto e sóbrio ao mini álbum, mas a execução de faixas como “Bonnie & Clyde” e “What 2 Do” soam inespecíficas para mim. Passam no meu ouvido e não faço questão de ouvir, sabe? O início e o fim do álbum, entretanto, são bem fortes e expressam bem a persona do DEAN enquanto artista de R&B.
No geral, “130 Mood: TRBL” é um EP bem consistente. Não diria impressionante, pois muito do R&B contemporâneo que cresceu na música mainstream desde a década passada se encontra nesse álbum e já foi feita e refeita por aí, mas é muito bom quando temos um álbum coeso e bem direcionado do início ao fim com uma composição mais ousada e algumas decisões criativas (Como a sensação de ouvir o álbum “ao contrário da ordem da tracklist) que mostram a personalidade do DEAN e porque ele tem esse hype todo dentro dos fãs de R&B/Hip Hop coreano. Como é um álbum de quase 1 década, talvez ele tenha sido mais emocionante e incrível na época do lançamento, mas ainda é um álbum muito bom para servir de introdução do DEAN na música (E que não parece que ele está afim de dar continuidade porque, né, 9 anos depois e esse é o único EP dele).
Faixa a Faixa
O álbum começa com a outro “And You?”, que abre o álbum ao invés de fechar pois o DEAN disse que o álbum foi pensado para ouvir ao contrário. Isso fica ainda mais criativo na execução, com a polícia batendo na porta no início da música e a fita rebobinando no final, dando a impressão de que uma história aconteceu e ela será reprisada para o ouvinte. A seção de trap no fim da música é meio “err” para mim, mas combina com a ideia de homem ressentido e sofrendo por ex que a outro proporciona. A seguir temos “Pour Up”, um R&B mais suave e sexy que traz um DEAN meio louco das ideias querendo um prazer mais fácil enquanto se intoxica com bebidas e outras drogas. Eu gosto muito de músicas que se permitem ser sexuais e que me deixam sentir a libido enquanto escuto, e esse ápice acontece de forma deliciosa no pós-refrão. Consigo sentir que o DEAN está alterado e está afim de transar gostoso ouvindo “Pour Up”, fazendo dessa faixa muito boa para o que se propõe. Ah, não me importei muito com a participação do ZICO aqui.
Toda faixa chamada “Bonnie & Clyde” propõe trazer uma adrenalina e risco de um casal que desafia os limites e não tem medo do perigo, e não sinto que a do DEAN traga isso. É outra faixa R&B com vários elementos trap e uma execução mais alternativa que tenta mostrar intensidade através da sutileza, mas não colou muito comigo e achei a coisa toda meio morna. Diferente de “Pour Up”, não é algo que ouviria de novo. “What 2 Do” é um R&B mais romântico e suave com o piano conduzindo a canção toda, sendo o primeiro momento mais leve depois de faixas mais “pesadas”. Vocalmente é a melhor música do álbum, e gosto desse contraste entre a melodia tranquila e a interpretação e letra melancólicas de fim de relacionamento que “What 2 Do” possuem, dando um charme a mais para a música dentro do EP. “D (Half Moon)” é a melhor desse meio de álbum, dando uma energia soul mais carismática que transmite bem a sensação de se sentir vazio e incompleto. Eu gosto que o refrão é bem Sam Smith (Sem o poder vocal do Sam Smith) no sentido do DEAN se deixar levar pela emoção e o instrumental e soltar a voz, resultando em algo muito bonito de ouvir. Um amor de faixa de jovem insatisfeito com o relacionamento.
“I Love It (feat. Dok2)” resgata o tom mais sensual/sexual do início do álbum, sendo o single de estreia do DEAN e trazendo um moço que tem uma noite livre de sexta e está afim de transar com a sua namorada. A energia mais intensa e libidinosa de um R&B mais cadenciado está de volta e, assim como em “Pour Up”, dá muito certo para o que se propõe. “21” finaliza o álbum coma faixa pop/funky padrão que a gente ouve de absolutamente todo homem na Coreia quando querem garantir que eles lançaram música boa uma vez na vida. Nas mãos de um integrante do BTS isso tranquilamente seria o single principal de um comeback solo, mas o DEAN deixou como faixa de fim de álbum para o mesmo ter algo mais catchy e upbeat (Ao invés de abrir com algo upbeat pois, lembram, esse álbum tem a experiência de você ouvir ao contrário).
Concluindo…
Um homem na Coreia fazendo um álbum bom e coeso? Não é todo dia que temos isso, então aproveitem.
Esse post foi bancado por um gostoso pix para falar sobre o único álbum desse grande artista do R&B na Coreia. Se você quiser bancar um post para esse blogueiro ou simplesmente quiser me mandar dinheiro para ajudar a bancar o computador novo que comprei na Black Friday, você pode mandar um pix de qualquer valor na chave: dougielogic@gmail.com. Você também pode seguir o blog nas redes sociais como X, Bluesky ou Instagram.
esse álbum mudou muito o que era o r&b da época. o trbl era pra ser parte de um trilogia, o próximo era pra s chamar 130 mood:rbl.
ele ainda lança uns singles e faz uns feats por aí, mas ele abriu a própria empresa e tem uns artistas bem interessantes.
espero um dia uma resenha do tabber, que faz parte da empresa do dean. é pra mim um dos únicos artistas do krnb que ainda perduram
Saudade de quando o Dean trabalhava e não ficava fumando maconha em países aleatórios
noooossa, eu era obcecada por esse álbum antes da pandemia
esse post resgatou memórias do fundo do baú
não conheço o material dele só um feat com a taeyeon na verdade, vou ouvir nos próximos dias pra conhecer o frank ocean coreano
eu sou apaixonado por i love it mds musica mais linda do mundo