Mais um pix, mais um pedido de post revisitando a carreira de algum grupo morto há anos. Dessa vez, um dos 10 kpoppers que viveram o SPICA em 2012 e ainda estão na vala do K-pop hoje em dia me mandou um gostoso dinheiro para falar sobre o grupo e os lançamentos que abalaram o terceiro escalão do K-pop na década passada. Também é uma ótima oportunidade para rasgar uma seda para o grupo, pois o SPICA foi um dos meus grupos favoritos da minha fase mais fanboy de K-pop, então se preparem para ouvir um dos melhores grupos vocais que o K-pop já desovou com um front de singles praticamente imbatível nesse post.
Tier D — Ruim/Horrível
Nenhum
Se tinha um grupo injustiçado durante toda a carreira toda ali no início da década passada, foi o SPICA. Não só pelo inegável talento das integrantes, como pela qualidade das músicas em si. O SPICA meio que caminhou os mesmos passos do Brown Eyed Girls na ideia de fazer um som mais maduro logo no debut e rendeu muita música boa para cima, mesmo feito de um jeito bagunçado e sem muita visão do que seria esse “estilo maduro”. Não tem uma música ruim não só entre os singles, mas também nas B-tracks dos dois EPs do grupo, e até os trabalhos menos impressionantes eram impulsionados por um dos melhores conjuntos vocais que o K-pop já teve. É uma pena que a desorganização envolvendo todos os responsáveis minou qualquer chance de sucesso do SPICA, pois elas mereciam muito.
Tier C — Mais ou Menos
Nenhum
Eu era muito fã do SPICA na época de atividade e os singles do grupo envelheceram muito bem. Provavelmente colocaria “I Did It” e “I’ll Be There” nesse tier se um post nesse estilo fosse feito logo após o disband delas, mas ouvindo hoje eu pego a graça e carisma que essas músicas possuem e acho bons trabalhos (“I Did It” é um pouco mais questionável, mas passa bem hoje). E o mérito, novamente, vai para o conjunto vocal do SPICA, que é brilhante e super gostoso de escutar tanto nas faixas mais pop quanto nas baladinhas mais sentimentais. Se você gosta de grupo vocal, vale a pena ouvir o que esse grupo lançou (A discografia delas tem umas 20 músicas, em menos de duas horas tu ouve tudo e se apaixona).
Tier B — Bom
I’ll Be There
“I’ll be there” é o single mais “jovem” do SPICA. Ele bebe da fonte do New Jack Swing que moldou o K-pop do fim dos anos 90 e aposta nessa nostalgia para ganhar o público, mas a abordagem é bem mais leve e descontraída do que o que elas fizeram no debut (Até demais, já que é o single mais deslocado do catálogo do grupo). É uma música bem divertida e alto astral, interessante para mostrar uma persona mais descontraída do SPICA e com um refrão bem gostoso de cantar junto. O SPICA tem músicas mais impressionantes, mas “I’ll be there” é uma música boa que diverte pela leveza e me tira um sorriso do rosto ouvindo.
I Did It
Sabe-se lá por qual motivo colocaram o SPICA para debutar nos Estados Unidos sem sequer ter estabelecido um público na Coreia, mas isso aconteceu com o single “I Did It”. O instrumental retrô e sassy meio Meghan Trainor das ideias é meio “hm, tá”, mas é aí que os vocais do grupo entram e dão força o suficiente para me sentir uma diva dos anos 60 enquanto canto essa música. Todas as partes da Kim Boa são deliciosas e eu amo o final da música com a parte dela na ponte dando todo um charme para o refrão final, só é uma pena que o resto da música é bem ok e subestima bem a maioria das vocalistas do grupo. “I Did It” não é nada muito uau nesse nicho de músicas retrô, mas é carismática.
GHOST
O SPICA tem algumas das minhas baladas favoritas do K-pop, e até uma música mais genérica nesse estilo e “fraca” no catálogo delas é acima da média. “GHOST” é uma produção meio óbvia e pouco esforçada para o que o grupo já tinha entregado, mas é impossível não se encantar com essas comadres ouvindo essa música. Essa tristeza, melancolia e “clima de disband” (Essa foi a última música do SPICA antes de sair da B2M) na interpretação dessa música emociona qualquer um, tornando “GHOST” bem bonita de ouvir.
Tier A — Ótimo
Lonely
Essencialmente, “Lonely” é o SPICA mais ou menos acompanhando a trend de midtempo sensual de gostosa triste e com tesão que o SISTAR inaugurou com “Alone” no mesmo ano, com um instrumental mais intenso e um toque jazz mais vivo para aproveitar o fato do grupo ter mais de uma power vocalist no SPICA. Essa música seria perfeita s fosse mais retrô que sexy com o grupo vivendo a fantasia de divas dos anos 60 tal como o Wonder Girls fez em “Be My Baby”, por exemplo, mas a música ainda é ótima. E quando chega no refrão final, onde as gatas estão livres para soltar a voz, a música ganha uma adrenalina única com todas as extensões e a pequena batalha de vocais entre Boa e Bohyung.
You Don’t Love Me
“You Don’t Love Me” traz a Lee Hyori assinando a produção, o que talvez justifique o fato da música parecer tanto uma sobra do “Monochrome”. A direção mais retrô é corretíssima e o “You don’t love me” na intro é sensacional (O ao vivo é disso é orgasmático), mas repetir o título praticamente durante a música inteira foi uma escolha que não deu certo, enche o saco nos versos e tira um pouco da força no conjunto da obra. Fora isso, é mais uma música onde as divas podem mostrar que são mais vocalistas que a sua favorita numa guerra de notas altas, timbres fortes e extensões de arrepiar.
Secret Time
A existência de “Secret Time” é curiosa: A B2M já tinha largado o SPICA na vala do disband mas a CJENM ainda acreditava que o grupo poderia acontecer, então chamou elas para lançar esse single diretamente com a gravadora ao invés da subsidiária. Claro que não deu certo, a música flopou e aí foi disband pra valer, e “Secret Time” virou mais um dos flops injustos na vida do SPICA. O single embarca na onda retrô mais synthpop um pouco depois do “Reboot” do Wonder Girls e antes do synthpop oitentista virar febre no K-pop, mas ainda é deliciosa por conta dos versos mais rápidos que a Jiwon ganha no refrão e, claro, a amistosa batalha entre Boa e Bohyung para ver quem é a melhor vocalista que só valoriza a canção. Tragam as vocalistas potentes de volta para o K-pop, eu imploro.
Tier S — Perfeito
Potently/Doggedly
“Potently” ou “Doggedly” (Essa música teve uns 3 nomes em inglês diferentes) foi a introdução do SPICA para o K-pop. Uma música mais séria, vocalmente mais encorpada e e com uma performance mais melancólica, de gatinha sofrendo por um boy lixoso em uma letra mais profunda sobre mentiras e traições numa relação falida. O MV com esses espaços no instrumental tira um pouco do clima que “Potently” tem, mas o áudio oficial mais redondinho é perfeito, com o minuto final sendo um dos mais emocionantes que um girlgroup de K-pop entregou em uma ballad. Se a Coreia fosse justa, elas hitariam desde o debut.
Russian Roulette
“Russian Roulette” é um luxo. A letra sobre uma mulher desesperada que até se mataria para salvar uma relação é crua e cruel, e a linda interpretação do grupo deixa a música ainda mais dramática e rica. A pressão que “Russian Roulette” propõe é intimidadora e emocionante, eu compro a ideia do início ao fim e fico tenso pensando no que o eu lírico é capaz de fazer apenas para manter a chama do amor vivo. Envolvente, arrepiante e especial, “Russian Roulette” é um dos melhores debuts do K-pop (E seria um dos mais emblemáticos se a Coreia tivesse feito dessa música o smash que merecia ser).
Painkiller
A era de debut do SPICA é tão icônica que até o single de relançamento “Painkiller” é um arraso. Gosto muito dessa dor mais sensível na interpretação dessa letra de uma mulher exausta mas que não consegue superar o fim do relacionamento, e esse piano mais intenso que tem destaque na música dá uma atmosfera dark que, de novo, me arrepia só de ouvir. Também é o single onde todas as vocalistas soltam a voz e servem extensões a rodo, então podemos apreciar Boa, Bohyung e Narae dando tudo de si para os vocais de “Painkiller” acompanharem todo o drama e agonia do instrumental. Incrível.
Tonight
Assim como “I’ll be there”, “Tonight” foge da linha mais dramática que o grupo construiu e, com a ajuda da Lee Hyori, é uma música que se esforça em mostrar um lado mais descontraído e carismático em um pop mais vibrante de amigas em um dia de férias, num estilo mais “ocidental” de fazer música com a guitarra conduzindo a música toda. “Tonight” aposta na leveza para trazer uma canção bela, divertida e que faça a gente ficar feliz ouvindo, e consegue isso com muito mérito, e vocalmente é a música mais diferente por parecer livre e fora de qualquer personagem ou sentimento mais pesado que as músicas anteriores do grupo pediam. Não é uma música que representa o que o SPICA fez ao longo dos anos, mas é facilmente a mais carismática e viciante para quem não viveu o grupo na época.
Esse post foi bancado com um pix super gostoso para eu fazer esse post para um dos grupos que mais tentou salvar o K-pop e vocês deixaram flopar. Se você quiser bancar algum post esperto aqui no blog ou só quer me mandar algum dinheiro para bancar o computador novo que comprei, você mandar um glorioso pix para a chave: dougielogic@gmail.com. O blog também está nas redes sociais para você seguir, temos Instagram, Bluesky e Twitter também.
Na vida passada elas cometeram um crime, pois não tem condições dela não ter hytado.
10 grupos da 4ª/5ª geração não dão um SPICA.
Spica junto com o 9 Muses são meus grupos favoritos e super injustiçados.
Lembro quando elas se apresentaram nos Estados Unidos e eu sabia que não seria nenhum sucesso, mas fiquei feliz por elas.
Roussian Roulette produzida por SweetTune é incrível e as outras músicas também.
Saudades ouvir os agudos da Kim Boa!
Que nostalgia boa que deu ver todas essas indicações!
SECRET TIME HINOOOOOOOO
Esse MV de Tonight veio diretamente do Tumblr meu deus.
Putz, uma pena mesmo elas não terem acontecido. O catálogo delas é maravilhoso.