No início de dezembro a The Deep lançou o seu 1º full album “KPOP B!TCH” e virou o grande evento da comunidade independente do K-pop, sendo entrevistada por grandes revistas e ganhando até reviews e aclamação da Pitchfork (Que é o ápice dos sites de crítica musical para artistas no geral). O álbum ainda não tinha ganhado uma análise exclusiva desse blogueiro aqui, mas alguém me mandou um pix bem gostoso falando que vale a pena ouvir esse álbum. E, sendo bem honesto, eu concordo: “KPOP B!TCH” é o meu álbum favorito do K-pop em 2025.

Artista: The Deep
Álbum: KPOP B!TCH
Lançamento: 02/12/2025
Gravadora: The Deep
Nota: 100/100
Em algum momento eu comentei como o revival do EDM do fim dos anos 2000 no K-pop era legal na teoria mas estava polido demais para servir a magia e diversão da época na prática (Acredito que foi no comeback do i-dle com “Super Lady”). Tipo, a ideia está certa, mas o Electropop/EDM da época tinha uma coisa mais extravagante e sem medo de soar cafona que foi deixada de lado com o passar dos anos por vários motivos, que vão desde a considerável melhora de orçamento das empresas de médio porte no K-pop, a projeção global que pediu um maior polimento da indústria e os temas de músicas que exigiam ir além do “sou a fodona da festa” e “vamos dançar a noite toda” com autotune no talo. A gente precisava de alguém mais underground com um produtor, uma vontade de desfigurar a voz com vocoder numa fritação eletrônica e um sonho. E quando veio o álbum chamado “VADIA DO K-POP” com a buceta estampada na capa, eu sabia que esse alguém era a The Deep.
“KPOP B!TCH” é um álbum essencialmente EDM com referências hyperpop, mostrando uma faceta da The Deep que é diferente dos EPs anteriores, mas que conversa muito bem com o que ela vem construindo como artista recentemente. O polimento é deixado de lado em prol de batidas agressivas, meio nonsense e extremamente divertidas, enquanto a The Deep canta por cima com muita personalidade, irreverência e processadores vocais de apoio. A execução é quase que ofensiva ao que o K-pop é hoje com muita brutalidade nos sintetizadores, pouco polimento nos vocais e uma vontade de ser maximalista, mas encaixa perfeitamente no K-pop de 15 anos atrás onde tudo é uma festa colorida, brilhante e meio trash. Yeah, ela é a rainha da festa de 2010 e quer que você esteja ciente disso.
Apesar de ser bem centrado no EDM, o “KPOP B!TCH” serve muita variedade de sons e letras. Nada tem um significado exatamente profundo, com composições mais fierce sobre ser a rainha da festa e a fodona que faz tudo acontecer por conta própria, e instrumentais que passeiam por momentos mais sintetizados e melódicos até batidões mais pesados e diretos. Tudo faz parte da festa, e eu quero transcender com cada música do álbum.
A The Deep não te dá descanso nesse álbum, e acho que o “KPOP B!TCH” não precisa disso. Tipo, muito da essência desse álbum me lembrou o FEMM-Isation do FEMM, mas na década passada os álbuns pop duravam 40 minutos e uma baladinha como Unbreakable serve para cortar e dar uma descansada para assimilar o batidão anterior e se preparar para o batidão futuro. “KPOP B!TCH” dura 25 minutos, então dá para ouvir todo esse fervo eletrônico que dá uma certa nostalgia para quem viveu o auge do EDM na década passada. A música que mais chega perto disso é “Flaw Flaw”, mas até ela traz sintetizadores e bass para você transcender e se perder nas batidas.
O “KPOP BITCH” faz jus em ser o grande trabalho da carreira da The Deep e é o meu álbum favorito dela. Desde que a cantora embarcou na música eletrônica e suas variantes, cada projeto dela mostra uma personalidade diferente e sonoridades distintas, mas ela tem um comprometimento em fazer cada álbum ser divertido tanto para quem faz quanto para quem ouve. A The Deep é um grande ponto fora da curva na indústria, e “KPOP B!TCH” é o contra ataque mais agressivo ao que o Kpop se tornou hoje. Ousado, descontraído e meio sujo, a surra de EDM que o álbum proporciona é essencial para animar o seu fim de ano. “KPOP B!TCH” é um álbum legal que quer te mostrar como as vadias do Kpop se divertem, te dando vontade de ser uma delas depois de ouvir.
Faixa a Faixa
O álbum começa com “BEEP BEEP”, uma faixa eletrônica que tem uma energia mais etérea, como uma introdução para preparar o ouvinte para a fritação. Os oontz oontz estão lá, mas o foco está no refrão com ela falando que Seul não é para ela e agora ela vai trilhar o próprio caminho (Uma alusão ao fato dela ser mais popular fora do que dentro da Coreia). Logo depois temos “Lucky Star”, uma faixa mais pulsante com um toque hyperpop sobre ela ser a sua própria estrelinha da sorte e como ela faz a própria jornada. Os sintetizadores e a performance da The Deep são adoráveis, num conjunto fofo que é quase um exemplo de “EDM aegyo”. A música em si é bem gostosa, mas acho que “Lucky Star” poderia estar no meio da tracklist enquanto um pancadão mais frenético servir toda a fritação que “BEEP BEEP” nos preparou.
A seguir temos os dois grandes destaques do álbum. “I Hate Silence” é uma música de alguém que odeia silêncio e não quer a música parando, e é uma mistura caótica e psicodélica de batidas que justifica o nome da música muito bem. Os refrões e a parte final dessa música são ouro, e me deixa curioso e ansioso para ouvir todas as transformações e mudanças de humor que uma faixa de 2 minutos pode oferecer. Já a faixa título “KPOP B!TCH” é basicamente ela falando que é a vadia mais legal da Coreia e como a vida dela é um fervo tão grande que a Coreia do Sul não é mais capaz de segurá-la. É nessa música que temos o melhor da The Deep: Atitude “tanto faz” descolada, sem medo de rótulos e, sabe, se divertindo com o mundo a abraçando. O céu é o limite para essa mulher (Ou não?).
“SOLO” é como se uma música da DEV de 2012 que estava parada por aí fosse descoberta por uma gostosa coreana em busca de referências eletrônicas de 2010, com mais uma música sobre como ela faz tudo por conta própria e todo mundo sabe (e gosta) disso. “SOLO” surge como a faixa mais cadenciada e “dark” depois de tantas farofas vibrantes nessa 1ª metade do álbum sem perder o ótimo nível que o álbum construiu até aqui. “Wrong Number” começa a trazer um lado mais vulnerável e sentimental da The Deep, numa música sobre uma relação chegando ao fim. É um tema interessante mas a letra se perde um pouco no fervo que o instrumental proporciona (Especialmente quando ele protagoniza a música e deixa a voz da The Deep mais “de fundo”). Fora isso, temos outra fritação deliciosa com um refrão glorioso. “Flaw Flaw” é a faixa mais “relax” do álbum, que começa num pop mais leve e limpo mas ganha camadas eletrônicas e autotunadas no refrão, que tem a intenção de me fazer transcender ouvindo.
A segunda metade do álbum é bem mais sentimental e vulnerável liricamente do que a primeira, e “Birthday” é a uma música que me surpreendeu pela letra de alguém buscando atenção, nem que seja uma mensagem de parabéns no aniversário. Lendo a letra eu percebi um toque meio melancólico e no instrumental que tenta mascarar isso com sintetizadores bem vibrantes, criando um resultado muito fofo. “Who” vai pelo mesmo caminho, um EDM de letra mais sentimental mas com um instrumental mais pulsante em comparação. Fechando o “KPOP BITCH” temos “EDM”, que a The Deep transformou numa sigla para “Everyone Deserves a Moment”, um farofão mais leve de fim de álbum sobre se divertir com os amigos e a galera, que resume muito bem o sentimento que esse álbum me dá. “KPOP B!TCH” é incrível, e estou ansioso para o que a The Deep proporcionará no próximo álbum.
Concluindo…
Que 2026 nos traga mais vad!as do K-pop como a The Deep. Simples assim.
foda sao os 3 gato pingado com essa iniciativa na asia.. as solistas tao tudo na fase songamonga
a the deep arrasa, achei um absurdo a nota da pitchfork…….. é tudo sobre a atitude do álbum e ela acertou perfeitamente. banger do início ao fim
Ai, como estava esperando por essa review (eu que fiz o pix heheh), uns dos melhores álbuns do ano com certeza, a the deep nos trazendo o EDM babadíssimo. É uma delicia e esse frescor dos batidões dos anos 2000. Ainda espero muito mais reconhecimento para nossa menina, espero que ela voe muito.