ALBUM REVIEW: T.O.P – TOP SPOT – ANOTHER DIMENSION

Tinha um tempo que não recebia pedidos por pix, mas esse mês vocês decidiram abrir a carteira e me bancar com uns dinheiros em troca de reviews de álbuns (O que vai me ajudar muito pois esse mês eu decidi viver como se ganhasse 10 mil por mês). O pix de hoje foi para falar do novo álbum do rapper, Thanos e assumidamente ex-BIGBANG T.O.P, “TOP SPOT – ANOTHER DIMENSION”, o que bem curioso para pedir em um blog focado em falar das farofas mais crocantes e cunty que divas e aspirantes a divas na Ásia lançam. Então, das duas uma: Ou seria a pior experiência da minha vida, ou esse álbum abalaria as estruturas e mudaria opiniões sobre rappers masculinos coreanos… E felizmente, esse álbum se inclina mais para a segunda opção.

Artista: T.O.P
Álbum: TOP SPOT – ANOTHER DIMENSION
Lançamento: 03/04/2026
Gravadora: TOPSPOT PICTURES
Nota: 86/100

Para além de qualquer crítica ou elogio que posso dar para esse álbum, “TOP SPOT – ANOTHER DIMENSION” (Que chamarei de “ANOTHER DIMENSION” pois sou íntimo dos trabalhos que ouço para fazer review) merece muito crédito por fugir do óbvio quando se trata de hip hop coreano (Ou, pelo menos, dos estereótipos que tenho de hip hop coreano). Da primeira a última faixa você sente, bem ou mal, essa ambição do T.O.P em não criar algo que você pense “Ah, isso é o que qualquer rapper metido a periférico faria”, e isso te prende com a curiosidade do que cada música pode trazer de novo. Cada música tem seu toque original, e a tracklist entrega um conjunto emblemático e com a cara do rapper.

“ANOTHER DIMENSION” é um álbum feito porque o T.O.P, basicamente, tem o que dizer nele. Os escândalos de drogas, a história de embarcar para a lua, a decisão de sair do BIGBANG e da YG, o caos midiático e por aí vai. E o T.O.P parece mais disposto a se expor e ser vulnerável em cada música, com uma performance agressiva, afiada e de personalidade ácida bem humorada, testando limites durante o álbum inteiro. Isso faz do “ANOTHER DIMENSION” um trabalho com mais substância do que o esperado de um álbum de hip hop coreano comum, pois é o T.O.P contando um longo e caótico capítulo da sua vida como personalidade pública em 11 faixas.

As produções acompanham essa ousadia do T.O.P e buscam um hip hop mais experimental bem mais agressivo e poderoso, transformando muitas composições mais vulneráveis em poder para a persona dele. Hip hop masculino no geral não é a minha praia , mas é louvável que o rapper tenha se empenhado em fugir das batidas óbvias de mano fodão, desde misturas não convencionais até estilos pop mais sintetizados, que dão versatilidade ao álbum sem deixar a imponente presença do T.O.P enquanto intérprete de cada canção. “ANOTHER DIMENSION” tem a pretensão de ser um daqueles álbuns que serão comentados por eras a fio, e o ex-BIGBANG sustenta com muito talento na maior parte do tempo.

Minha questão com o álbum é que o T.O.P não é vocalista, e os momentos que ele inventa de cantar e ter mais melodia são bem desconfortáveis de um jeito ruim. Não tem um momento cantado nesse álbum que eu tenha curtido, o que afunda, por exemplo, a faixa principal “DESPERADO”, que mais ou menos tenta trazer o mesmo humor e personalidade que as músicas mais rap, mas o resultado é bem desconfortável de ouvir. É em momentos assim que o T.O.P poderia ter chamado algum cantor de fato para colaborar e dar uma melodia mais cativante, mas entendo a pessoalidade do álbum e em como não faria sentido incluir outras pessoas para cantar as histórias dele. No final do dia, “ANOTHER DIMENSION” tem muito mais méritos do que coisas a serem criticadas.

O T.O.P passou 10 anos investindo e criando esse álbum, e o resultado final vale muito a pena não só para os fãs dele/BIGBANG, como para quem gosta desses álbuns mais pessoais e simpatizantes de Hip Hop no geral. Tem muita coisa para absorver num primeiro play e algumas experimentações são bem questionáveis/desnecessariamente exageradas, mas é um trabalho memorável, imponente, único e que recoloca o T.O.P como um dos melhores rappers do K-pop (Mesmo que o álbum seja uma “aposentadoria” dele do K-pop). Tanto para a velha guarda da fanbase quanto para as mais novinhas que estão conhecendo ele pelo “ANOTHER DIMENSION”, o T.O.P crava seu nome como o de um grande artista na indústria, e com certeza fará alguém dizer que é um dos melhores álbuns já feitos na Coreia.

Faixa a Faixa

O álbum começa com “SELF CRUCIFIXION”, que traz duas “intros” em uma música só: A primeira intro mais hip hop experimental que dá o tom mais irônico e denso aos raps do T.O.P durante o álbum, e a segunda trazendo notícias e polêmicas envolvendo o nome dele com um melancólico violino ao fundo, mostrando a vontade de encarar de frente todos os problemas. Afinal, ele é “99% anjo, mas aquele 1% sempre mete ele em encrenca”. É uma introdução interessante e expressiva do rapper a todas as dificuldades e exposição da mídia que ele passa com a fama, e como ele se reinventará a partir disso. “The Giant” traz um hip hop mais clássico para a mesa, com o T.O.P contando sua verdade como sobrevivente da indústria. Essa é uma música para você se conectar com o que o artista está dizendo e interpretando, já que ele é bem honesto sobre suas vulnerabilidades e como usa elas para crescer como artista. O início mais vocal é meio “err…” num primeiro momento mas fácil de engolir no repeat, e o T.O.P rapper aqui é um luxo.

“Studio54” quebra as expectativas hip hopescas no álbum para dar uma fervida em uma faixa synth mais intensa, que dão um brilho e melancolia aos raps pesados do T.O.P sobre como é estar no centro dos holofotes. Pelo nome eu poderia esperar algo mais, huh, “homossexual” dessa produção, mas é o tipo de trabalho eletrônico e introspectivo que mistura bem a sensação agridoce de ter todos os holofotes em você. “A SMALL, FILTHY SHOW WINDOW”, ou “OVAYA” para os íntimos, conta como ele lidou com essa exposição de um jeito não tão ideal para seus fãs, e como o público reage de forma inadequadamente exagerada a cada desvio do modelo padrão de ser idol. O hip hop volta e desacelera nessa música, deixando a experiência ainda mais introspectiva para esse álbum. “ZERO-COKE” tem o mesmo truque de interlúdio “2-em-1” da abertura do álbum, com a primeira parte passeando por um instrumental mais etéreo e sintetizado enquanto a segunda parte é o T.O.P cantando de forma mais imersiva, mas pouco agradável para mim.

A tracklist volta a ganhar mais peso com “Another Dimension Holy Dude !!!!!!!!”, num batidão trap mais gangsta, que mostra a força do T.O.P como rapper na primeira metade da música e brinca até demais com moduladores e autotune na segunda. É a música mais “cara de boygroup” do álbum (Especialmente na 2ª metade), e isso não cola comigo em nenhum momento. Tem seu púnlico, mas é um grande meh para mim. “Seoul Chaos” reage com o meu momento favorito do T.O.P rapper no álbum, que serve versos ágeis e afiados sobre o caótica e intensa vida em Seul. Sem viradas mirabolantes de produção ou grandes invenções para modular a voz, “Seoul Chaos” é um T.O.P hábil e enérgico que eleva esse hip hop para um dos destaques mais positivos do álbum… Aí “Desperado” joga tudo que deu certo pela janela sendo horrível. Quer dizer, eu curti a sonoridade mais suave e R&B que esse álbum não tinha experimentado até então, mas tudo na performance do T.O.P soa travado demais e envolvente “demenos” para entrar na vibe. E é uma música que ele canta muito, o que deixa tudo ainda pior para mim. “Desperado” é a única música que eu genuinamente acho ruim, então é claro que virou faixa promocional desse comeback.

“FOR FANS” é mais um exemplo de que o T.O.P cantando é desafiador demais para lidar, mas a produção disco mais divertida e brilhante consegue compensar e se sobressair como o momento mais carismático do álbum. Músicas para os fãs normalmente são um terror para os fãs, mas “FOR FANS” cria esse momento de celebração e gratidão do rapper com todos que estão com ele nos momentos bons e ruins que é o que toda música “para fãs” deveria ser. “STHENDAL SYNDROME” volta ao momento de introspecção e reflexão do T.O.P sobre a agitada vida como celebridade que ele tem, que gatilha igualmente o fascínio e a ansiedade pelo que ele vive. Todo hip hop mais “raiz” e noventista é sinal de música introspectiva e reflexiva sobre alguma coisa, e “STHENDAL SYNDROME” não foge disso. Legal, mas não essencial. Por fim, “BE SOLID”, uma faixa mais lenta e melódica com piano, um rap grosso e autotune nas partes vocais. Vale num primeiro play por ser uma balada R&B/Jazz interessante dentro da tracklist, mas se torna irrelevante e sonolenta já no segundo play.

Concluindo…

Não é o meu álbum favorito da música coreana, mas é ambicioso e grandioso o bastante para ser o álbum favorito de alguém.

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