Todo artista tem aquela música que não ganha a devida promoção, fica meio escondida como album track ou b-side e acaba desperdiçando o potencial de uma música icônica que é fácil um dos auges da carreira. E o Lado B nasceu para comentar essas grandes músicas que o artista não fez questão de divulgar mas que eu ouvi e acho que merecem muita atenção.
E vamos a mais uma lista de 5 músicas femininas escondidas como b-tracks/album tracks, pois para ter música masculina aqui eu teria que ter o trabalho de ouvir álbuns masculinos e, bem, todos sabem que SÓ pagando para isso acontecer. Quem sabe um dia venha aí, bgstans (Provavelmente não).
UNCHILD – ENERGY
Acreidto que “ENERGY” só não virou single pois os produtores estavam mais afim de mostrar uma “identidade” para o UNCHILD e evitar comparações com o que deu (muito) certo para o Hearts2Hearts e o KiiiKiiii esse ano, mas o housezão entregue nessa música é um arraso que bateria de frente com o que “RUDE!” e “404” fizeram no início do ano (se tivesse uns 50 segundos a mais). Tal como todo house adolescente coreano, “ENERGY” aposta na energia jovial e no brilho performático que um house noventista pode ter, resumido ao que a atualidade aceita como música pop… E isso dá certo: “ENERGY” é divertida, é desprendida, você entra na vibe das batidas e sintetizadores que a música proporciona. Poderia ser um tico maior para servir uma experiência mais completa, mas é o bastante para promover o UNCHILD como uma das grandes promessas do K-pop.
SISTAR – Lead Me
É meio curioso como o SISTAR tem uma vocal line muito interessante e uma vocalista bem acima da média para uma discografia tão fraca. Quer dizer, não é como se eu achasse que os grupos da 2nd gen tivessem discografias grandiosas no geral (Ainda mais os grupos que lutavam por suas vidas para vender 10k físicos, como o SISTAR), mas existiam tantas possibilidades de fazer músicas muito legais, emocionantes e tal com esse grupo… Para o SISTAR ser basicamente only singles com um monte de filler na carreira. A grande exceção é o ótimo 1º mini álbum “ALONE”, com faixas bem fortes na tracklist como “Lead Me”.
“Lead Me” é uma midtempo que valoriza muito bem os principais vocais do SISTAR.O contraste de uma música mais fofinha e submissa com o batidão de gostosa triste e com tesão da Title Track é muito gostoso de ouvir no álbum, e a melodia é adorável por conta própria. Um som confortável, onde todas as meninas tem seu momento de brilhar e serem românticas numa letra sobre fazer de tudo para viver um amor fofinho. Não é exatamente inesperado, mas é bem distante da imagem do grupo E super gostosa de escutar. Não é todo dia que o K-pop acerta em uma faixa mais lenta e cadenciada que não seja para descer até o chão e pagar calcinha, então aprecio demais o que foi feito aqui.
Son Dam Bi – Even If It’s the Second Time
Muito antes da trending synthpop oitentista assolar o K-pop na virada da década (E não sair mais, aliás) e até do Wonder Girls estar a frente do seu tempo com o “REBOOT” em 2015, a Son Dambi lançava seu 1º álbum “Type B – Back To 80’s” para se consolidar como uma das grandes solistas do final dos anos 2000 no K-pop (Simplesmente para a Pledis escantear a mona por anos sem mais nem menos). O álbum é melhor no conceito do que em execução, mas o álbum rendeu hinos como o hino “Saturday Night” (Que segue sendo A canção mais querida dela) e a pérola “Even If It’s the Second Time”.
“Even If It’s the Second Time” mantém a vibe synthpop viva, mas mais dramática por ser uma música de gata que está decepcionada por ser a segunda opção/amante. E essa melancolia em cima de um instrumental vibrante como esse e com um refrão exuberante dela implorando por um amor de verdade, deixa tudo ainda mais emocionante. É uma pena que a mixagem disso soa esquisita (Gravar as coisas na garagem da Pledis era complicado em 2009) e torna a música mais “datada”, mas a essência e cafonice oitentista estão lá para fazer dessa uma das músicas mais legais da não tão recheada carreira musical da Dambi.
Yves – Halo
Não fiquei muito fã desse EP novo da Yves (review dele em algum momento por aqui), mas “HALO” é exatamente o o batidão gay para as pistas mais conceituais que eu SABIA que ela lançaria em algum momento. Há uma grande diferença entre o house idol (Peguem “ENERGY” desse mesmo post como exemplo) para o house mais alternativo e vibing que “HALO” possui. Não rola muita coisa em termos de letra porque a estrela é o instrumental, com a Yves repetindo “Urin” (Nós) com mais firmeza enquanto sussurra algumas coisas sobre se deixar levar pelo momento, mas a estrela está realmente no instrumental pronto para dominar passarelas, soundtracks de vídeos de moda e homossexuais em volta.
A persona da Yves como artista alternativa pode não ter rendido tanto para mim nesse comeback, mas “HALO” é tranquilamente uma das minhas músicas favoritas dela. Não só por eu ser uma cadelinha do house ou coisa do tipo, mas também porque a morena brilha muito quando pega algo que já está bombando e faz um negócio diferente da manada. “HALO” poderia ser o house dançante e quebrativo que todo mundo está fazendo muito bem, mas ela vai por um caminho mais introspetivo que deixa qualquer ouvinte instigado no quão profundo a Yves pode ir com sua interpretação e melodia. Um trabalho refrescante e hipnotizante.
MY MY – DELULU
Gosto muito de como “Delulu” vai ganhando corpo através do instrumental que parece partir para um lado R&B e vai ganhando camadas dancehall para tornar a faixa mais dançante, tudo isso se fundindo a um som mais folclórico que eu AMO nessas músicas vietnamitas, dando todo um misticismo e mistério para a produção. É uma música provocante, e a MY MY dá o tom certo para ela tanto nos versos mais suaves quanto no refrão mais dramático. “Delulu” encarna tanto uma música mais introspectiva quanto um trabalho mais pulsante, o que torna a faixa memorável no meio do ótimo “BURNING BLUE”.
As solistas vietnamitas não me decepcionam quando não estão fazendo a balada mais emocionante de suas vidas (O que, pelo menos com as que acompanho, rola com muita frequência), e a MY MY é uma das mais consistentes nesse sentido. Os singles dela são ótimos, e o “BURNING BLUE” tem faixas tão deliciosas quanto “Delulu”, então recomendo MUITO ir atrás da diva e apreciar as músicas mais pop que ela lança para os homossexuais do Vietnã.