Tem muito tempo que não sento na tela do meu computador para fazer uma review de algum álbum desse universo do K-pop, e recentemente saiu muita coisa que vale a pena ouvir e escrever aqui no blog (Seja pelas boas expectativas ou só para passar raiva com o ato em questão). Então, é hora de tirar a poeira do meu teclado e voltar com a editoria mais wannabe Pitchfork dessa bagunça, analisando e recomendando (Ou não, nesse caso) que você ouça e tenha um pouco de fé que o pop será salvo por algum projeto da Coreia do Sul (Ou não, nesse caso).
Começando pelo pior de todos os lançamentos recentes que é “WILD” do KATSEYE, e olha que eu nem precisei ouvir os outros álbuns lançados para chegar nessa conclusão.

Artista: KATSEYE
Álbum: WILD
Lançamento: 14/08/2026
Gravadora: HYBE x Geffen
Nota: 35/100
Bom, estamos no 3º EP e 3º ano do KATSEYE na música pop, e esse sentimento de ouvir os trabalhos e pensar que o grupo tem potencial, que elas são grandes performers e que elas só precisam de músicas melhores para aplaudir as fofas como o grande girlgroup global do momento deixa de ser uma esperança e passa a ser… frustrante. Especialmente quando a gente vê que o KATSEYE JÁ é o grande girlgroup global do momento, acumulando hits com esses projetos de música milimetricamente calculadas para viralizar no TikTok e fazendo acontecer. Se cantar pros haters comer abobrinha ou cantar que a fruta delas é diferente em cima do phonk mais automático do momento é que o vai encher os cofres da HYBE e da GEFFEN, é o que elas farão até o fim do grupo.
“WILD” é mais um projeto disperso do KATSEYE. Umas demos velhas ali, descartes acolá, músicas que acompanham tendências por aqui e pronto, mais um EP na mão. Sobra muita ambição de manter o viral vivo e o KATSEYE em alta como o girlgroup do momento, mas qualquer senso de personalidade ou criatividade sobre o próprio material. Ou é a fritação mais propositalmente odiosa do momento, ou é o pop mais genérico que qualquer rádio b-list que ainda se propõe a tocar pop internacional tem em sua playlist. E ambos os casos resultam em músicas que qualquer cantor emergente e mais desesperado a tocar nas rádios toparia lançar.
Para além do conjunto sem identidade, as músicas do “WILD”, individualmente, são fracas. Eu ainda me dobrei e passei a aceitar “PINKY UP” com mais calma e um certo carinho (Foi meio que na marra, mas é faixa caótica mais cativante do grupo até aqui), mas todas as outras músicas são dispensáveis em diferentes níveis. Eu ouço, penso “É isso que o grande girlgroup do momento tem a oferecer?” e passo sem qualquer grande impressão, com exceção de “Hootie Frutti” que eu encaro como uma ofensa pessoal. Não existe qualquer coisa nesse EP que eu ouça e me faça pensar “Nossa, isso é uma evolução”, e a única assinatura sonora do grupo é vista quando elas tentam replicar o mesmo caos hipnotizante da horrível “Gnarly” em algum pancadão.
Em suma, “WILD” é um EP muito pobre. Ninguém espera que o KATSEYE venha com a música mais introspectiva e culturalmente relevante para revolucionar o pop mas, tipo, até os EPs de K-pop mais feitos a toque de caixa parecem querer desenvolver minimamente uma persona para seus grupos terem um momento mais orgulhoso na carreira, enquanto a HYBE e a Geffen parecem mais incentivar que o KATSEYE seja esse grupo controverso e desaplaudido que engaja a parte mais cronicamente online da fanbase, mas desaponta qualquer ouvinte casual que tente se aproximar depois de ver as boas performances que o grupo entrega (Apesar dos pesares). “WILD” não tem substância e pouco entrega no entretenimento, gerando mais um trabalho que será vendido e longevo através de virais nas redes sociais de vídeo e debates sobre o quão longe estão levando a sexualização do grupo.
Faixa a Faixa
O EP começa com “PINKY UP”, e eu tenho que admitir que não acho essa música tão ruim quanto no lançamento. Acho que muito por conta do refrão delas repetindo o nome da música não me irritar mais e achar até divertido combinado com o pré-refrão que é genuinamente muito bom. De todas as marteladas gnarly em forma de gancho da carreira do KATSEYE, “PINKY UP” é a mais chiclete e deixa o techno mais divertido. Já “Animal” é um pop genérico que o Ed Sheeran não fez questão nenhuma de disfarçar que fede a descarte dele, sendo a tentativa de pop radiofônico mais básica da carreira do grupo. Tudo soa qualquer coisa que você ouve na Rádio Disney 9:30 da manhã e a única questão que fica é: Por que RAIOS você estaria ouvindo Rádio Disney 9:30 da manhã? Pouco marcante e dispensável para mim, mas dá para entender o motivo de colar com o público de crianças e adolescentes que o KATSEYE possui.
Aí temos “Hootie Frutti”, que basicamente sintetiza tudo que o KATSEYE se tornou: Um grupo para acertar algoritmos. Não dá para achar que temos uma música de fato rolando por aqui mas, se você picotar TODAS as partes de “Hootie Frutti”, consegue extrair uns 5 ou 6 áudios para vídeos e dancinhas curtas que bombarão no TikTok e é para ISSO que essa música existe. Qualquer trecho de 15 segundos dessa música servirá muito bem para viralizar o usuário e o trabalho, mas a obra como um todo é um amontoado de frases de efeito numa batida phonk que não leva nada a lugar nenhum, se tornando uma barulheira “cool” e cansativa de 2 minutos.
O EP é fechado com duas inéditas que estão ali para encher tracklist. “Bel Air” traz um pouco mais de personalidade… mas não a delas, pois a música é uma demo velha levemente retrabalhada da Charli XCX e a performance não é tão emocionante quanto elas queriam. Com um instrumental desnecessariamente diluído desses, “Bel Air” precisaria entregar algum sentimento mais intenso nos vocais para funcionar como faixa mais emotiva do álbum, mas tudo passa tão despercebido que é impossível não pensar num grande “É ISSO?” no fim. “That Way” é a música mais catchy “do bem”, pois consegue ser um pop mais atrevido e descontraído tanto nos vocais quanto no instrumental levemente funky, tornando a música mais envolvente como um todo. Não é muito menos genérica que “Animal”, mas as escolhas de produção são muito mais divertidas e fecham esse EP besta, pelo menos, com uma nota positiva.
Concluindo…
É muito comum defender críticas ao KATSEYE indo por um caminho mais “O grupo tem uma faixa etária alvo e você não faz parte dela” que eu até concordo. Mas assim, até as crianças e adolescentes mais sem critério da sua família merecem/deveriam ouvir coisa melhor que o “WILD” ou tudo que elas vem entregrando desde a “gnarlyzação” do grupo.