Depois de ensinar um pouco de tailandês para a população com “SaWaDiKa”, Lalisa (Ou Lisa, para os menos íntimos) lançou hoje seu 1º EP solo “PRESS PLAY”, com “Tarantino” servindo de faixa principal junto com o lançamento do EP. Uma faixa com um nome desses me fez pensar “Ih, lá vem o caralhésimo projeto requentando Kill Bill na música pop” (O que, para mim, não é problema nenhum, já que sou um grande devoto dos dois filmes) e estava pronto para ver a Lisa de conjuntinho amarelo metendo a espada em trocentos figurantes e matando alguma branquela loira para inverter os papeis do filme… Mas a Lisa optou por um roteiro original com refs aqui e ali dos filmes dele, e a Black Mamba não veio aí… assim como não veio uma música que me fizesse segurar a mão até o fim:
A primeira metade de “Tarantino” é bem legal. Gostei muito do solo de guitarra da intro e dá uma forma meio country rock interessante, e a Lisa cantando o que vem a ser o refrão mais melódico da música é bem bom também. A primeira leva de versos mostra uma Lisa diferente, com um tom mais ácido pouco convencional em seu rap de fodona, indo para um lado mais hipnótico do que agressivo e dando um toque único ao que ela faz sempre. Se a música tivesse 1:20, seria um interlúdio arrasante.
Entretanto, na segunda metade de “Tarantino” a ficha cai porque o instrumental parece um eterno loop de 15 segundos, e a performance da Lisa nessa música não é interessante o suficiente para sustentar isso. O que soava fierce fica monótono e, aos poucos, eu vou largando de “Tarantino” e pensando “ah… é isso, né”. A música gira em círculos, a Lisa mantém a mesma intensidade a música inteira e nada parece chegar a algum lugar. Falta um momento de ápice para fugir desse jeito mais tedioso de ser cool, e a sensação depois de conhecer “Tarantino” é que não tem nada muito excitante acontecendo.
Se a Lisa queria fazer um trabalho que invocasse as obras do Tarantino na mente da galera, eu tenho que dizer que, até certo ponto, ela conseguiu. Tanto a música poderia ser uma trilha de algum filme dele quanto o MV é bem “Se o Tarantino decidisse dirigir um MV de K-pop”. O porém é que dava para o som ser bem mais extravagante. A ideia de uma música arrasante está presente, mas soa como se tivessem interrompido no meio do caminho e falado “aqui tá bom, a Lisa consegue carregar daqui em diante”. Ela não consegue, e o resultado é uma música bem tanto faz.
“SaWaDiKa”, em comparação com “Tarantino”, ganha muito pelo exagero (Bem ou mal), você tem gosto de falar que amou ou odiou tal parte e isso acaba fazendo o lançamento ser memorável no fim. Até o refrão, que eu odiei na época do lançamento, já desce tranquilo e hoje acho “SaWaDiKa” o melhor single solo da Lisa depois de “New Woman”, mas não sinto vontade nenhuma de ouvir “Tarantino” de novo. “Tarantino” é uma “música da Lisa” que você não imagina outra integrante do BLACKPINK lançando, mas não vai muito longe nisso.