ALBUM REVIEW: LISA (BLACKPINK) – PRESS PLAY

Já que estamos nesse pique de ouvir solos do BLACKPINK hoje, que tal falar do “PRESS PLAY”? O primeiro EP da Lisa vem 20 meses depois do lançamento do desaplaudido “Alter Ego”, traz mais músicas para te convencer que ela é uma das rappers mais fodonas do cenário feminino atual e traz a sua herança tailandesa para dar identidade ao projeto… Por uma ou duas músicas. O EP não é de todo mal, mas já adianto: Se você não gostou do “Alter Ego” e acha a carreira solo da Lisa a pior das integrantes do BLACKPINK, o “Press Play” pouco se esforça para mudar sua opinião.

Artista: LISA
Álbum: PRESS PLAY
Lançamento: 23/10/2026
Gravadora: RCA/LLOUD
Nota: 60/100

Uma coisa que vale ser dita: Músicas sobre ser a gostosa mais gostosa da quebrada funcionam mais quando 1) Você convence o ouvinte que é fodona mesmo e/ou 2) se você simpatiza e/ou é fã da gostosa em questão. Por exemplo: A Jessi é uma rapper que vai cantar em quase todo single que ela é a fodona do rap feminino e eu me divirto muito com o flow dela, a atitude que ela imprime, os trocadilhos sexuais que ela tem a liberdade de botar e o fato dela ser bem unserious. Daí, ela pode cantar que é a mais gostosa em letras como “Vem mascar meu chicletinho, tem de vários sabores” e eu vou estar lá na grade gritando “É a rainha do rap mesmo”.

Com a Lisa isso não rola, e tudo isso dela cantar em loop que é empoderada, confiante e independente se torna exaustivo quando eu chego na 3ª ou 4ª canção. Nada contra ela, mas “PRESS PLAY” é mais uma coletânea de faixas com a Lisa mostrando sua independência e força e isso, novamente, não é muito empolgante.

“PRESS PLAY” é, basicamente, uma versão mais curta do “Alter Ego”, o que acaba sendo uma coisa boa. A temática é a mesma, as produções desse EP não fogem muito do melhor que o full album tem a oferecer, O problema do álbum da Lisa é que tinham muitas ideias mal desenvolvidas e muita falta de vontade de fazer músicas não promocionais boas, tornando um álbum de 13/15 faixas com trocentas personas cada extremamente cansativo. No “PRESS PLAY” temos apenas 6 músicas, então mesmo que o problema dos singles serem muito melhores que as album tracks permaneça, a experiência é mais curta e, portanto, digerível.

Outro avanço que o “PRESS PLAY” possui é que as produções são mais interessantes… até certo ponto. “Tarantino” tem um instrumental que melhor emula a ação mais cadenciada de um filme e isso me prende por 1 minuto até perceber que o instrumental parece estar em loop e a Lisa não serve uma performance muito contagiante. “Cut U Off” traz o assobio clássico de “Kill Bill” para jogo em um pop com um bass mais forte, mas a Lisa é a pessoa mais monótona cantando essa música. Já “Sweat” é exatamente o contrário: A Lisa esbanja sensualidade para salvar a batida pop 2000 mais cansada que você vai ouvir. Não tem músicas exatamente descartáveis nesse álbum, mas são trabalhos que não te prendem do início ao fim, e você já nem presta tanta atenção no que está ouvindo ali pelo segundo ou terceiro play no EP.

O grande trunfo do “PRESS PLAY” está em sua abertura. “SaWaDiKa” é agressiva, ousada e a Lisa brinca com sua persona de mina fodona muito bem entre raps, pré-refrões mais melódicos e os gritos que servem de ganchos no refrão. No começo eu fiquei meio “err” para esses Hello Sawadika estourando o meu ouvido, mas agora? Acho insano e saio convencido da Lisa ser a maior gangsta da Tailândia. O combo da ousada produção com a audaciosa performance dela sustenta uma grande música, mas falta esse “fogo” para sustentar uma tracklist de EP.

No final, eu gostei mais do “PRESS PLAY” do que do “Alter Ego”, mas a sensação é de que a Lisa não parece ter muito o que contar para justificar essa frequência de CDs anuais. O álbum e o EP nessa fase independente somam 19 músicas, e já é muito se 5 delas forem aproveitáveis porque o resto se debate entre ideias interrompidas, produções mornas e uma Lisa que não parece ter carisma ou malemolência para sustentar uma música sozinha. Você começa o “PRESS PLAY” esperando a força da mulher tailandesa no rap e termina com um pacote de músicas que qualquer emergente a rapper lançaria sem muito a se destacar ou que me empolgue por ser a Lisa.

Faixa a Faixa

O EP começa com “SaWaDiKa”, que é um arraso. Uma vez que você aceita com carinho os “Hello Sawadika” e os “lalalisa ladiva” gritados, todo o resto ganha mais atitude e brilho. Os versos de rap da Lisa aqui são os meus favoritos da carreira solo, e me sinto envolvido em todas as mudanças de intensidade proporcionadas. Me sinto foda com os versos, sexy com o pré-refrão e grandioso nesse refrão, fazendo dessa uma das melhores faixas da carreira solo da Lisa. “V12” já é mais morna, pega um instrumental hip hop inespecífico de 10 anos atrás e bota a Lisa para servir uma performance qualquer coisa com esse rap instável sobre ter os brinquedos e a ostentação que VOCÊ, branquelo de condomínio classe média que se acha rapper e votou 22 para acabar com a corrupção ou coisa do tipo, acha que terá um dia. Não é a pior do mundo (Nem é a pior música que a Lisa já gravou), mas é besta e apela em graves para dar um peso superficial e fazer você acreditar que está ouvindo algo grande.

“Cobra” é a 1ª faixa mais “pop” do EP. Um alarme e palmas de fundo dão o ritmo para palavras soltas “Dance, Floor, Tempo, Fast, Slow, Go” servirem como um gancho mais hipnótico. Por um segundo eu achei que “Cobra” iria por um caminho hip hop latino anos 2000 interessante, mas o instrumental pouco parece querer isso e soa vazio. Os ganchos funcionam nos primeiros 5 minutos, mas falta substância nessa produção e eu fiquei genuinamente entediado com a performance da Lisa fora das palavras soltas. “Tarantino” volta para a seriedade de uma produção que, dependendo da sua referência com a guitarra que conduz a música, pode soar como “música country de filme de faroeste” ou “música folclórica asiática”. Dado o nome, eu chuto que a ideia era realizar a visão mais fierce e “lalisástica” do que é “Bang Bang (My Baby Shot Me Down)”. Divertida na 1ª metade, tediosa na 2ª.

As referências em cima de “Kill Bill” não param, pois temos “Cut U Off” resgatando o famoso assobio da caminhada da Elle Driver no filme como sample para a música mais “batidão” do EP. O espírito anos 2000 está presente mas a Lisa não, e os melhores momentos são quando a Lisa está caladinha enquanto o instrumental rola solto. Fechando o “PRESS PLAY”, “Sweat” é o número mais sexy tanto pela letra dela cantando que quer transar 2 minutos e meio quanto pela performance da Lisa cumprir o seu papel e ser envolvente, mas é uma pena que isso veio junto com a batida hip hop mais genérica que qualquer cantora negra b-list usaria para encher linguiça em álbum nos anos 2000. Como eu gosto desse tipo de som mais rebolativo e provocante de qualquer jeito, acabou que “Sweat” é a minha favorita das album tracks, mas a sensação dessa (E das outras músicas do EP fora “Sawadika”) é “… é só isso?”.

Concluindo…

“PRESS PLAY” mostra que a Lisa não tem muito o que dizer com suas músicas, mas acerta em fazer dele um EP ao invés de encher linguiça até ser insustentável como seu 1º álbum de estúdio. Vale por “SaWaDiKa” e o resto do EP não ofende tanto, mas ela ainda está longe de entregar um projeto realmente relevante em sua carreira solo.

Um comentário sobre “ALBUM REVIEW: LISA (BLACKPINK) – PRESS PLAY”

  1. Ela não é muito artista, sendo sincero parece que não tem uma equipe que a ajude a organizar as ideias. Tudo é muito mal preparado, ela deveria fazer algumas aulas de canto, melhorar no flow e até mesmo escolher melhores músicas.

    Sendo sincero, até vejo potencial nela, porém, é necessario mais que isso para funcionar.

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