A pessoa que mandou o pix para falar da trilogia THE PARK IN THE NIGHT a essa altura estava pensando “Puta merda esse viado me aplicou um golpe mesmo?” e a resposta é NÃO, é que só fui ver mesmo quando fui olhar minha conta para pagar a fatura do mês essa semana. Ai, ai, esse blogueiro super responsável financeiramente… Mas enfim, vamos falar de coisa boa. Ou melhor, de MÚSICA BOA: Esse post é para te convencer de que o GWSN, um girlgroup que durou 3 anos e você talvez nem lembre ou saiba da existência, fez um dos mais consistentes projetos de debut lá em 2018/2019.

Artista: GWSN
Álbum: THE PARK IN THE NIGHT part one
Lançamento: 05/09/2018
Gravadora: MILES
Nota: 83/100
Mas antes, vamos tirar um GRANDE ponto envolvendo os 3 EPs: Eles são uma saladona de gêneros musicais que, até certo ponto, se parecem. A parte 1 tem deep house, R&B, dance pop, synthpop, TROPICAL HOUSE (Lembram disso atormentando o K-pop ali em 2018? Pois é) e uma baladinha, a parte 2 remove a baladinha e troca o Tropical House por uma fusão de reggae house com latin pop. A parte 3, apesar de maior e mais centrada em faixas pop e R&B, também traz o deep house, elementos tropicais e synthpop na tracklist.
Projetos multigênero e que atiram em vários sons passaram a me dar muita preguiça no K-pop e isso deu uma boa influenciada em como ouvi os EPs do GWSN hoje, pois lembro de pensar que elas eram o futuro do K-pop ouvindo os álbuns em 2018 e 2019, e hoje não ter esse mesmo entusiasmo (A idade deixa a gente mais amargo, eu acho). Nada interfere na qualidade das músicas, mas os álbuns são playlists que poderiam ser lançadas em qualquer ordem, e o que parece contar uma “história” e “desenvolvimento” do grupo está mais nos singles mesmo. Mesmo assim, a qualidade das músicas por conta própria ainda era MUITO acima da média nugu.
Dos 3 EPs “The Park In The Night”, a parte 1 é a que mais parece alinhada com o desenho mais atmosférico e “dreamy” que o grupo possuía. Em músicas como a title “Puzzle Moon” e “Shy Shy”, por exemplo, eu consigo me sentir uma jovem mística e inocente que está descobrindo o seu poder mágico, embalado por sons mais inusitados como um synthpop vibrante e o housezão que estava mais próximo da fórmula de “4 Walls” do f(x). Hoje em dia isso parece meio batido e não tão impressionante assim, mas em 2018? As 40 pessoas e bots do YouTube que ouviram esse grupo ficaram GAGGED, e eu fui uma delas.
O resto do EP também é bem consistente, apesar de cada música atirar para um lado diferente. Em “YOLOWA”, elementos do tropical house/dancehall dão um clima quente de single que poderia ser promovido no verão coreano com muita graça e carisma. Já “Melting Point” é um R&B cadenciado e carregado por um piano chiquérrimo, que poderia estar em um álbum do Red Velvet e mostra como os responsáveis fizeram bem o dever de casa pegando o que deu certo nos girlgroups da SM. “Let it grow” é um popzinho sintetizado mais fofo para encantar as gatinhas mais alinhadas com o aegyo concept, e “Lullaby” é uma baladinha no violão que não ofende.
No fim, a parte 1 do “The Park In The Night” entrega uma estreia forte. Tem músicas de boas a muito boas, introduz adequadamente o charme e personalidade do grupo em diferentes sonoridades e é gostoso de ouvir do início ao fim. Se a tracklist mais dispersa não é exatamente algo que me prende no álbum, pelo menos cada faixa entrega qualidade e usa muito bem as referências de cada gênero, tornando o EP interessante e fazendo do GWSN um grupo a se prestar atenção.

Artista: GWSN
Álbum: THE PARK IN THE NIGHT part two
Lançamento: 13/03/2019
Gravadora: MILES
Nota: 75/100
A parte 2 do “The Park In The Night” é, basicamente, uma versão vitaminada da parte 1. Praticamente tudo que você ouviu na primeira parte será encontrado nessa segunda parte em uma versão mais “mais”, começando pela title track “Pinky Star (RUN)” que é um deep house mais enérgico e estimulante em comparação a “Puzzle Moon”. Acredito que a ideia do EP seja fazer o GWSN avançar em seu enredo com mais ousadia, e o caminho para isso foi acelerar as músicas pop/dance e dar sintetizadores mais fortes para as mais lentas/midtempo. É uma continuação que faz sentido, mas senti menos vontade de ouvir de novo.
Em comparação com a parte 1, a parte 2 é um “bom não tão cativante” para mim. Boa parte da graça da parte 1 está na sutileza com o GWSN brincando com a fantasia e o que eu defino como “mística desconhecida” de um jeito mais lúdico, enquanto a parte 2 já injeta uma dose a mais de adrenalina em cada música da tracklist. Adequadamente correto para o desenvolvimento de personagem e da lore do grupo mas, com exceção de “Pinky Star” e uma faixa que citarei logo a seguir, rendeu uma experiência levemente cansativa para mim. Algo BEM particular nesse caso, pois acho que o nível das músicas é bem parecido e essa energia a mais vai de cada um. Se a parte 1 não te impressionou, o “upgrade” da parte 2 pode fazer mais por você.
Porém, eu preciso chamar atenção para uma faixa: “BLOOM (True Light)”. Descrita como uma faixa “latin pop com uma expressão a mais de reggae house”, “BLOOM” é aquele tipo de música que você ouve uma vez na vida e dificilmente verá alguém fazendo de novo (A não ser que você pesquise fusões desses dois gêneros para discordar de mim). Os elementos em si não são novidade e tem uma ou outra coisa que pode te lembrar alguma outra música, mas a combinação é chocante do melhor jeito possível, e eu sinto como se os produtores entraram no estúdio com a benção de fazer a única música do mundo. Das três partes, é a minha album track favorita.

Artista: GWSN
Álbum: THE PARK IN THE NIGHT part three
Lançamento: 23/07/2019
Gravadora: MILES
Nota: 88/100
Fechando a trilogia, a parte 3 põe ainda mais energia no parque e rende o EP mais “mainstream” do projeto. Aqui as músicas são mais palatáveis e facilmente separáveis em lado “pop” e lado “R&B”, experimentando aqui e ali mas sem uma música muito absurda como “BLOOM” do EP anterior. Eu diria que a parte 1 introduz a ideia de garotas dreamy do parque, a segunda parte mostra mais ação nesse sonho e a parte 3 traz uma espécie de realização, com o grupo desabrochando no projeto mais forte, mas isso é mais eu querendo enxergar muito além (Como disse antes, se tem alguma lore sendo contada é na sonoridade dos singles mesmo)
Das três title tracks, “Red Sun” é a minha menos preferida. Novamente é o caso de direção que não me agrada: Se “Pinky Star” é uma versão turbinada de “Puzzle Moon”, “Red Sun” é a versão TURBOTRON 3000 e sinto que todo esse instrumental house mais caótico e recheado definitivamente não combina com as meninas para mim, MAS isso é algo mais meu do que um problema da música, e acredito que empolgue mais aqueles que acharem “Puzzle Moon” sutil demais.
Se a title track é a mais fraca para mim, o EP compensa servindo o melhor conjunto de album tracks. Pelo lado mais pop, o batidão refinadíssimo de “Total Eclipse (Black Out)” é exuberante, o riff de guitarra de “All Mine (Coast Of Azure)” exala carisma e tira um sorriso genuíno do meu rosto e “Kind Of Cool” tem a melhor vibe de “summer song” da carreira do grupo. Pelo lado R&B, “Night Aviation (The Interpretation Of Dreams)” é um sofisticado e vocalmente encantador número dreamy que me transporta diretamente para a virada do milênio, e “Black Hole” traz uma fusão de R&B com synthpop que, se lançado como single 1 ano mais tarde, entraria no panteão de trabalhos coreanos que seriam chamados de synthpop. Até as mais fillers (“Birthday Girl” e “Recipe ~ for Simon”) tem seu charme e contribuem para o alto nível do álbum, fazendo da parte 3 a mais essencial da trilogia.
No geral, “THE PARK IN THE NIGHT” é uma trilogia ótima, consistente e subestimadíssima, assim como o resto da discografia do grupo (+2 EPs kkkkk o que é bom dura pouco mesmo). Consigo enxergar uma visão de desenvolvimento do GWSN, que poderia culminar em um dos mais emblemáticos girlgroups da geração delas (Ou, pelo menos, engajar uma fanbase de viúvas que não larga o osso igual o Loona), mas o grupo não conseguir passar de 10 mil álbuns vendidos nessa trilogia numa época em que qualquer girlgroup minimamente organizado estava dando um jeito de vender 50 mil deve ter esfriado (e muito) o ânimo dos investidores. É uma pena que o grupo não durou, mas as músicas seguem vivas no coração da meia dúzia de fãs que lembra delas até hoje.
Esse post foi bancado por parte de um pix delicioso para falar dessa deliciosa trilogia de debut. Se você quiser bancar um post desse blog e/ou quer ajudar um gay a ter verba para se manter orgulhoso no mês do orgulho, você pode mandar um pix na chave: dougielogic@gmail.com. Você também pode seguir o blog nas redes sociais como Instagram, Bluesky e X/twitter.
patroas do loona
Realmente, a trinca de singles tirados desses EPs é excelente. Aliás, o GWSN como um todo era excelente. Uma pena que o fato delas virem de uma agência de fundo de quintal fez o público dormir pra elas (assim como infelizmente acontece com MUITOS grupos de k-pop de agências pequenas, mesmo que vários desses grupos sejam MUITO melhores que os grupos de agências grandes).
Fica a torcida pra que um dia “Puzzle Moon” seja redescoberta, viralize nas redes sociais e isso incentive as gatas a se reunirem e colherem o sucesso que elas merecem.
Ai que lindo…
eu que encomendei o post, e concordo o park in the night pt lll é o melhor mesmo e meu fav também. #JusticeForGwsn
Grupo mais injustiçado do mundo, pqp. Lena uma princesa e o resto do grupo é muito competente, infelizmente, debutaram numa época que ja tinha gente demais com conceito. Sendo sincero, a primeira empresa que tentar parecido vai ter muito prestígio.