TWICE tenta unir todas as tribos sem perder a essência do grupo com “FANCY”

Uma das maiores críticas em cima do TWICE é de como as músicas do grupo não são tão distintas e feitas no automático, aparentando que os envolvidos estavam fazendo músicas nas coxas apenas para aproveitar a boa fase do grupo na Ásia. Particularmente não concordo com essa crítica ao todo, mas como isso ficou ainda mais grave ano passado quando tinha MV/PV novo do grupo praticamente todo santo mês, estava difícil de defender. Aí chegamos em 2019, e o primeiro comeback do grupo na Coreia prometia mudanças de conceito e um conteúdo diferente para o grupo, o que gerou certo hype e dois pés atrás (Pelo histórico do grupo a gente sabe que o que o TWICE libera pra gerar buzz e o conteúdo final são duas coisas bem diferentes), mas “FANCY”, ao menos, cumpre com o combinado:

Não dava pra esperar que o TWICE sit and shake your ass to the floor porque… Bem, não é assim que o Kpop funciona mais. A tendência do kpop hoje em dia é de progressão e experimento de sons sem perder a personalidade do próprio grupo, num processo mais longo e contínuo de, digamos assim, evolução. Nem sempre esse processo signifique que venham conceitos adultos ou mais sóbrios (Exemplo: AOA em Bingle Bangle), mas FANCY tenta experimentar uma forma de evoluir com a idade e o público alvo das garotas ao mesmo que tempo que o ouvinte reconheça imediatamente que essa é uma música do TWICE, sendo basicamente a “I’m so sick” do grupo.

Mas se os vocais mais apurados e melodramáticos que são marcantes do Apink combinam perfeitamente com o som de “I’m so sick”, manter os vocais açucarados e agudos do TWICE não foi a melhor decisão para FANCY. Principalmente no pós refrão, onde tudo foca agudo demais e não funciona ouvindo de primeira. Isso é um mal necessário, afinal é a coisa mais marcante da carreira do TWICE, e a parte boa é que isso não mata a música. Nem acho que isso afeta muito o efeito que FANCY gera, de uma música dinâmica, dançante, com um tom mais confiante comparado aos outros singles do TWICE, diferente e, ainda assim, impactante. Gostar dos vocais do grupo, pelo menos nessa música, é só uma questão de costume mesmo.

O MV surge como algo (muito) inspirado em grandes acertos do E-Girls, e qualquer um que conheça o grupo quase que imediatamente associou o vídeo com “Pink Champagne”. E isso foi uma decisão certeira.

TWICE basicamente abraçou seu lado Jpop no MV, e que bom que miraram logo no grupo que mais investe em seus vídeos. FANCY traz uma imagem mais adulta, fierce, muito neon, luzes e brilho, mas a coreografia característica do grupo surge como algo para ser facilmente identificável. Tudo tão diferente, mas tudo TÃO TWICE, e isso foi ótimo para elas.

“FANCY” surge como uma espécie de “prova de fogo” a vida do TWICE. Um teste para a JYP ver se vale a pena continuar mudando e “amadurecendo” o TWICE ou volta para aquele color pop acessível que é dinheiro garantido na Coreia, afinal TWICE ainda é um grupo relativamente novo e dá tempo de errar, voltar atrás e tentar de novo futuramente. Para mim, FANCY funcionou e já estou aqui gritando melhor single delas e etc., embora nem tudo tenha evoluído do mesmo jeito nesse comeback. Não é todo girlgroup que consegue a sua Expectation logo de cara, mas “FANCY” ainda é uma música efetiva para o que o TWICE já entregou até aqui e, pelo jeito, pretende entregar no futuro.

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