ALBUM REVIEW: Taeyeon – INVU

Taeyeon segue sendo uma das solistas mais populares da Coreia, com seu comeback “INVU” morando o topo dos charts e alcançando o inédito Perfect All Kill para a cantora, algo que nem o próprio SNSD conseguiu na carreira. Então parece que ainda temos timing para comentar sobre o álbum que ela lançou nesse retorno triunfante. O “INVU”, afinal, é um bom álbum? (Spoiler: É mais que isso)

INVU - The 3rd Album - Album by TAEYEON | Spotify

Artista: Taeyeon
Álbum: INVU
Lançamento: 14/02/2022
Gravadora: SM Entertainment
Nota: 85/100

Na prática, as músicas do “INVU” possuem várias texturas que variam o conteúdo do álbum, mas a bandinha gótica que mais ou menos segue a trend pop punk mas com um toque de luxo que a SM incorporou para a Taeyeon combinou muito bem com ela, e é mais maduro e sóbrio do que eu costumo esperar desses atos de K-pop bancando os roqueiros e tal. A carreira solo da Taeyeon e a forma como ela se desenvolve é muito interessante pois eu nunca sei o que ela pode aprontar, seja pelo bem ou pelo mal. Daí tiramos “INVU” como um álbum mais sério e profundo do que os álbuns anteriores, com a Taeyeon mostrando que cresceu e virou mulher em um álbum que, na maior parte do tempo, é um pop que tenta “não ser pop”.

Entretanto, o que virou single para promover esse álbum não promove exatamente… o álbum. Não me entendam mal, “INVU” e “Weekend” são dois ótimos singles na vida da Taeyeon, e são singles que vendem muito bem essa Taeyeon como artista versátil que pode passear por vários estilos e servir qualidade em todos eles, mas quando eu ouço o álbum inteiro eu percebo que, pelo menos sonoramente, os singles não conversam com as outras faixas do álbum por serem leves demais. “Can’t Control Myself” seria uma música que liga mais com o que o álbum transmite, mas ela é meio chatinha e ninguém acaba se importando. Sinto que faltou nas promoções um trabalho bem gótico com Taeyeon berrando no deserto e servindo o rock de verdade como a SeungYeon fez naquele projeto de solos do KARA, por exemplo:

Mas eu posso superar isso e aceitar que “INVU” é um álbum muito bom. Muita coisa nele se destaca de uma forma positiva, e a Taeyeon soa naturalmente madura e forte na maior parte dele. Eu consigo sentir nesse álbum uma Taeyeon mais segura de suas emoções e original na execução de cada faixa, saindo da zona de conforto em muitos momentos e surpreendendo na maior parte deles, tornando “INVU” um álbum ainda mais atrativo. “INVU” é a Taeyeon florescendo em um novo mundo como uma nova mulher, e junto a isso sua melhor versão como artista.

FAIXA A FAIXA

O álbum já começa com a faixa principal “INVU”, servindo inegavelmente o momento mais “diva pop” da carreira solo da Taeyeon. Visualmente falando eu ainda acho que a Taeyeon não vende bem esse estilo, mas ainda serviu uma música icônica e facilmente um dos meus singles favoritos da cantora até aqui. Toda a energia fantasiosa e sofisticada da música me dá a sensação de estar ouvindo algo divino, e isso é muito bom. Pontos para a Taeyeon aqui, que mostrou ser uma deusa que sabe gravar um pop dos bons. Na sequência temos uma rápida mudança de expressão e “Some Nights” vem como um baladão emotivo com a guitarrinha sustentando a faixa nos versos… Até que o refrão chega e vira uma trilha sonora de conto de fadas que deu errado. “Some Nights” é basicamente uma versão mais madura dos baladões que a IU soltou no Real+ (Sério, na hora lembrei de “The Story Only I Didn’t Know” ouvindo isso aqui) e isso é bom, pois duas das melhores baladas da carreira da IU estão naquele relançamento e a Taeyeon fez um trabalho brilhante aqui, com “Some Nights” sendo fácil uma das melhores baladas da carreira da Tae.

Então temos o pré-lançamento do álbum “Can’t Control Myself”, que é um pop/rock com mais pulso e mais vontade da Taeyeon emular Olivia Rodrigo ou quem quer que seja a adolescente tentando reviver o som de emo nos Estados Unidos. Ainda fico com aquela sensação de que essa faixa é polida demais para funcionar como o rockzinho de garagem que ela tentou vingar aqui, e isso acaba deixando a música bem… chatinha. “Some Nights” seria um pré-lançamento bem melhor, ou até mesmo a próxima faixa da tracklist “Set Myself On Fire” que mantém a guitarrinha e o rock vivo no álbum com um tom mais cru e deixando os vocais da Taeyeon serem o destaque da música seria um buzz single melhor também. Também não faz sentido botar 3 faixas pop/rock dessas depois do single pop de fodona que é “INVU” (O single acaba não vendendo direito o que vem no álbum).

“Toddler” parece ser mais um rockzinho da lenda mas a intro funciona mais como uma transição para um synthpop esperto e gostosinho. Meio esquecível no geral pois ela meio que gira em círculos na mesma batida e eu não sinto nada demais quando termino de ouvir, mas é longe de ser ruim. Já “Siren” é outro destaque do álbum, indo naquela vertente de pop poderoso e emocionante que Demi Lovato lançaria e não seria gongada pela internet, com os versos mais simples e contidos no vocal mais alguns acordes e explodindo num refrão totalmente impactante, com uma melodia mais profunda e vocais mais expressivos que, chocantemente, não significam notas mais altas. Eu sempre espero a Taeyeon soltando a voz (As vezes de forma até desnecessária) nesse tipo de número mas a fodona foi inteligente e me surpreendeu aqui. Provavelmente a minha favorita das album tracks do INVU.

“Cold as Hell” é a faixa mais ousada do álbum. A distorção servindo de break foi chocante, pois a faixa vai por um caminho mais sério e tenso com uma melodia de música de “circo dos horrores” me fez pensar que eu já sabia até onde essa faixa me levaria e aí vem essa mudança de chave e me surpreende de um jeito positivo. Uma faixa fortíssima e que completa o meu Top 3 do álbum com “INVU” e “Siren”. Já “Timeless” é a Taeyeon bebendo muito da fonte de “Take My Breath Away”, mas o refrão mais vivo e a falta de uma guitarra mais marcante no instrumental é bem corta climax para mim. Nada mal, só não funcionou comigo mesmo. “Heart” é algo que eu imagino Manu Gavassi lançando na época em que ela era popular entre adolescentes da capricho, ou seja, filler.

“No Love Again” melhora o nível sendo a farofinha que você chora dançando na balada com essa energia de superação de relacionamento falido, onde você só se leva pela batida e deixa a música acontecer. Não é a música mais catártica que poderia ser mas já estamos no final de um álbum de K-pop e já é impressionante uma música bem boa a esse ponto do CD. “You Better Not” por alguma razão me lembra soundtrack de alguma Malhação dos anos 2000 e, embora isso alimente bem a sonoridade pop/rock do álbum pois Charlie Brown Jr. e afins são a vida de quem cresceu com a Malhação daquela época, acho que é mais uma música que se prejudica por ser polida demais. Falta algo nessa música que soe errado de um jeito bom e que, por isso mesmo, faça a música ser melhor. É tudo bonitinho demais, fazendo “You Better Not” ser uma chatice.

“Weekend” aparece no final do álbum e não faz o menor sentido. Como música eu gosto, a Doja Catização da Taeyeon fez muito bem e criou um disco pop leve, suave e confortável de ouvir com a Taeyeon servindo os vocais mais doces em um single dela, mas o álbum não tem nada disso e “Weekend” só está aí para encher linguiça mesmo (Era melhor ter deixado morrer como digital single mesmo). O álbum chega ao fim com “Ending Credits”, aquele pop/EDM intimista e mais conceitual que quase todo álbum tem (E quase sempre é usado para encerrar o álbum). Nada demais na música, mas fecha bem um álbum que é muito bom.

CONCLUINDO…

O que foi promovido pelos singles não vende tão bem um álbum que é bem interessante de se ouvir. “INVU” peca pelos singles avulsos e por momentos em que parece que a Taeyeon está girando em círculos com produções desnecessariamente polidas, mas isso não invalida o fato de que é um grande álbum que faz da quase ex-SNSD a grande roqueira da nação.

2 comentários sobre “ALBUM REVIEW: Taeyeon – INVU

  1. Tem uma parte de Timeless (anterior aos refrões) que por um momento eu achei que a Taeyeon começaria a cantar Paparazzi da Gaga

  2. Amei muito no love again e some nights
    Ela terminou de enterrar as irmãs jung com esse álbum mesmo

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