Ouvindo o Mademoworld da Mademoiselle Yulia, pois os homossexuais de 2011 do last.fm estão muito vivos sim

Um dia desses o meu esquema de fazer posts em troca de pix na minha conta rendeu um querido me mandando um belo dinheiro para falar do “Mademoworld” da Mademoiselle Yulia, o que me deixou chocado uma vez que não ouço falar dessa mulher há uns 7 anos e alguma outra pessoa no Brasil tinha qualquer memória sobre ela a ponto de chegar até minha pessoa e falar sobre músicas que a mona lançou. Passado esse choque, fui cumprir com a minha obrigação de blogueira e dar aquele play no álbum, para saber o que estava esperando por mim:

Mademoiselle Yulia é uma artista que conhecia mais de nome do que de música. Musicalmente eu só conhecia o (acredito que) último single dela “GOGO / This Weekend” que foi lançado em 2015 (“This Weekend” inclusive é deliciosa, ouçam), e o resto da discografia dela estava praticamente impossível para um jovem jpopper sem jpopsuki achar na internet. O advento do streaming no Japão ainda não fez a Yulia colocar seu material completinho no Spotify ou na Apple Music MAS tem o “Mademoworld” nele e pensei “Ufa, não vou precisar colocar meu pc em risco de explosão para ouvir esse álbum”. O que eu não esperava é que, ao dar play no álbum, eu me sentiria em um edit de Serginho Orgastic fervendo nas boates mais quentes de São Paulo enquanto é gravado pelo TV Fama.

“Mademoworld” é um álbum de 2011, auge do Electropop no mundo todo. Lembram da Lady Gaga? Pois é, ela era o evento naquele ano, e em cada esquina um álbum eletrônico gritando autotune estava bombando no last.fm dos homossexuais. Não sei se foi o caso do “Mademoworld”, mas o álbum GRITA farofão homossexual de 2011 que a fanbase de jpoppers underground vivem por ele.

É interessante ouvir a variedade do “Mademoworld” nas farofas que possui. Indo desde pancadões mainstream que tocariam nas rádios Jovem Pan e Energia 97 até coisinhas mais underground que não sairiam dos bueiros que a Inglaterra chama de boate, passeando por farofas com cara de Harajuku e até aparições inusitadas como um animado e dançante JAZZ para te edificar no meio do álbum. A execução do “Mademoworld” conta com uma das tracklists mais esquizofrênicas que já ouvi em um álbum japonês (Isso vindo de um fã de divas da avex trax diz MUITO), mas a maior parte das músicas são TÃO boas que coesão é a última coisa que penso em procurar nesse álbum.

Para mim o “Mademoworld” é uma espécie de “antecessor espiritual” do “FEMM-Isation”, do FEMM, e acho que essa é a melhor definição para eu convencer VOCÊ que está lendo esse post a ouvir o álbum. Principalmente quando as farofas eletrônicas mais crocantes surgem, para quem viveu esse momento do Eletropop chega a ser nostálgico. A artificialidade que uma música eletrônica sobre não parar a música pode trazer é algo fascinante e hipnotizante, todos os sintetizadores são intensos, o som é muito divertido e colorido. Uma música do álbum me dá vontade de ouvir a próxima e saber o que está por vir, e é essa energia contagiante e excitante que me fez adorar esse trabalho.

“Mademoworld” devidamente elogiado, vamos aos destaques individuais:

“Gimme Gimme” é o single e faixa que abre o álbum. Me lembra muito uma das (duas) músicas que conheço e adoro do The Veronicas, “Untouched”, a mistura de instrumentos de orquestra com os sintetizadores eletrônicos é muito elegante e impactante. Um refrão mais dramático faria essa música ser imbatível, mas do jeito que está ainda é um grande hino.

“WAO” é um farofão eletrônico totalmente japonês que imagino artistas mais underground do país como, sei lá, DAOKO lançando. Totalmente Harajuku com um toque futurista que leva a música para frente. Vejo luzes de LED e doses de cachaça na minha frente quando ouço essa música, o que é um sinal para ficar DOIDA e fritar ao som dessa delícia.

Já “Luxury Of You” é total Rádio Jovem Pan As 7 Melhores da época que a rádio não era galpão de bolsonarista. Total farofão EDM dos anos 2000 que o FEMM lançaria nos primeiros anos de grupo.

Dá para descrever “Replay” do mesmo jeito que descrevi “Luxury Of You”, com a diferença dessa segunda ser mais leve e com clima de verão que qualquer novata nos Estados Unidos lançaria lá no início da década passada. Imagino a Kesha pegando essa demo para lançar depois de “Your Love Is My Drug”, o que é muito bom.

Por fim, “Down Down” é a mais fora da casinha desse álbum, com Yulia sendo o LUXO colocando esse Jazz glamuroso, teatral e safadíssimo para as gatinhas que amam um momento mais retrô no meio da boate se jogarem. Eu não esperava uma música dessas nesse álbum, e estou fascinado com “Down Down” desde a primeira vez que ouvi.

O “Mademoworld” saiu de um álbum que eu desconhecia para uma obsessão quase que instantaneamente. Ouvir o EDM desse álbum foi como reviver grandes momentos da minha adolescência , e isso acaba me pegando muito na hora de curtir uma música. Pessoalmente foi a grande novidade que esse 2023 me proporcionou, e honestamente acho que será a grande novidade para quem não conhece essa artista. Vale muito a pena ouvir.

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