Review Retrô: 15 anos da dança arrogante, queerbait e rabaços empinados de “Abracadabra”, do Brown Eyed Girls

Amanhã o (G)I-DLE lançará um remake de “Abracadabra”, do Brown Eyed Girls. Uma música que não só o grupo curte muito (Elas já fizeram covers dessa música em algumas ocasiões), como é uma daquelas músicas emblemáticas e atemporias que todo kpopper acaba conhecendo quando busca ir além do que está no Top 10 do Melon hoje, dada a sua popularidade e impacto na indústria. Tudo isso mais o fato de “Abracadabra” completar 15 anos em 2024 me motivou a fazer um review retrô sobre uma das minhas músicas favoritas do K-pop, porque “Abracadabra” é SIM tudo isso:

Acho que já pontuei isso antes, mas o grande diferencial do Brown Eyed Girls em comparação a um girlgroup comum é que elas não tinham medo do ban. É um grupo que explorava e redefinia limites do que poderia ser feito e representado pela mulher adulta coreana. Ideias, conceitos e visuais que até hoje são considerados tabu ou não passariam sem tomar um esculacho dos netizens coreanos eram executados pelo Brown Eyed Girls, e “Abracadabra” é o exemplo mais bem sucedido disso.

Lançada no dia 20 de julho de 2009, “Abracadabra” é uma produção assinada pelo DJ Hitchhiker, composta por Lee Min Soo e escrita por Kim Eana com raps da Miryo. O comeback é uma mudança de imagem proposital, com o grupo pensando que poderia se destacar em um conceito mais sexy e adulto no meio da explosão de girlgroups que emplacaram grandes sucessos naquele ano. O resultado é um trabalho mais ousado e intenso, seguindo a trend EDM que ganhava forma no K-pop mas com uma execução única com uma personalidade forte. A música mostra bem essa vontade, com a produção exótica e ritmo provocante que o Hitchhiker impõe e vocais que, apesar de autotunados em boa parte do tempo, ampliam essa atmosfera instigante e misteriosa de “Abracadabra”.

“Abracadabra” é uma farofa dançante que vai além da farofa dançante, especialmente se compararmos com as farofas que bombariam naquele ano como “Fire” do 2NE1 ou “Hot Issue” do 4minute, por exemplo. É uma música moderna e sensual, expressando uma outra forma de ter uma atitude mais “bad bitch” em um som eletrônico. A intro virando pós-refrão é muito boa, os ganchos são viciantes, o rap da Miryo é memorável tal como a desacelerada sexy que rola depois. O batidão que conduz praticamente a música é excelente e acerta por ser excêntrico, trabalhado exatamente para me marcar com uma estranheza que dá a volta e se torna um vício.

“Abracadabra” é uma música trabalhada para ser transgressora, tal como o Brown Eyed Girls existe como um grupo transgressor no K-pop. É difícil imaginar alguém lançando algo assim no K-pop tanto em 2009 quanto hoje em dia, porque é uma música que se sustenta principalmente pela vontade de todos os envolvidos em impactar a indústria em uma produção bombástica sem perder o apelo pop ou fingir algum experimentalismo. “Abracadabra” é uma farofa pop, mas tão emblemática que é justíssimo o fato dessa ser uma das principais e mais memoráveis músicas do K-pop.

7 comentários sobre “Review Retrô: 15 anos da dança arrogante, queerbait e rabaços empinados de “Abracadabra”, do Brown Eyed Girls

  1. Conheci o k-pop lá em 2009 com “Abracadabra” e BEG pra mim são as minhas madrinhas legítimas por causa disso. O meu sonho era ter o penteado da Narsha, inclusive.

  2. Amanhã também tem a Miss Ponytail com o álbum dela, esses dias vão estar ótimos pra música.

    • Por incrível que pareça, minha música preferida delas é uma baladao Cleansing Cream, mas gosto da maior parte das músicas, e sinto que elas fazem falta já que lançam músicas muito raramente. Acho que são o único ato no kpop que tinha culhao para lançar o que quiserem, se apresentar ao vivo e mesmo assim não serem canceladas

  3. essa é minha musica preferida do kpop…. nunca envelhece… fora que BEG deve ser um dos grupos mais talentosos de kpop

  4. Brown eyed girls é sensacional. Uma pena que elas não sejam tão reconhecidas assim dentro da bolha de fãs da segunda geração (tipo, pouca gente se interessa em ouvir outras músicas delas além de “abracadabra”).

    • QUE NOSTÁLGICO!!!
      Lembro meu eu de 14/15 anos bem homossexual tentando fazer a parte do solo empinando a raba. Fiquei fascinado com essa música na época e foi graças a isso que tomei vergonha na cara e fui ouvir todo o resto da discografia delas e me percebi apaixonado.
      Vamos ver o que o gidle vai trazer amanhã, por agora eu me senti xovem de novo.

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