Em 2022 a Koda Kumi conseguiu um feito: Lançar um álbum realmente bom. Não é exatamente O álbum coeso e diferente dos outros álbuns da Kumi, mas o “heart” é um álbum que conta com demos melhores que a média a seu favor, e isso faz o álbum ser acima da média como consequência. Mas desde lá eu estava cantando a bola que o “heart” parecia mais um golpe de sorte do que um novo caminho de músicas boas para Kodão, e infelizmente isso se confirmou no novo álbum de estúdio da diva, “UNICORN”, lançado na última quarta feira.

Artista: Koda Kumi
Álbum: UNICORN
Lançamento: 17/04/2024
Gravadora: avex trax
Nota: 60/100
UNICORN é um álbum padrão da Koda Kumi, com seus prós e contras. Normalmente os álbuns da Koda investem em muitos estilos de uma vez, indo da balada mais intimista até o pancadão mais piranhesco e mostrando a versatilidade e infinitas possibilidades que a Kumi tem como artista. Ela pode fazer tudo… E de fato ela faz de tudo em todo álbum. A única “exceção” “recente” a essa regra que me vem a mente é o Bon Voyage onde, apesar de também ser uma zona meio caótica, de alguma forma ela segura bem o conceito marítimo/férias de verão em boa parte do álbum. Você sempre pode esperar tracklists confusas e 5 ou 6 sonoridades passeando entre o pop, o rock, o R&B e as baladas nos lançamentos da Kumi, e ela vai entregar tudo isso.
Com isso em mente, fiquei surpreso pelo UNICORN ser um álbum tão enxuto. Só 10 músicas e 1 intro? Sem um outro álbum de 10 músicas e 1 intro acompanhando? Isso é novidade, mas nada que impeça a nossa Kodão de mostrar toda a versatilidade dela: ainda temos um álbum atirando para uns 5 lados diferentes torcendo para algum deles colar. Temos pancadão electropop, rock pesadão, híbrido pop/rock, trilha de anime (Tokusatsu, no caso), midtempo mais sexy, baladinha e música de natal, isso tudo em um álbum de 10 faixas. Não existe qualquer fio condutor que dê qualquer sentido mais conceitual ao álbum ou eleve as músicas se pensarmos no conjunto, e o UNICORN acaba sendo outro álbum da Kumi que aposta na força das faixas individualmente para brilhar.
Alternando entre músicas originais e covers, “UNICORN” acaba tendo dois extremos. As músicas originais, tanto os singles quanto as inéditas, são desinteressantes. A única coisa ruim de fato nele é “Vroom” (O tipo de bomba que mostra que a Kumi ama muito o marido dela para topar lançar), mas as músicas sempre dão a sensação de “ela já fez melhor” e não empolgam no geral. Dou créditos pela Koda Kumi ter deixado a persona “Tia descolada kpopper” em casa e não ter metido nenhum trap/hip hop in your area nesse álbum (Ultimamente estava terrível), só que sinto que o motivo é por terem segurado a mão na quantidade de músicas. 2 músicas a mais e ela teria metido algum trapzão de mina fodona nesse álbum.
Já os covers são o destaque do álbum. Se a Kodinha não está acertando na escolha de demos inéditas, ela sem dúvidas está muito bem reinterpretando e dando novas cores músicas que já existem. As minhas preferidas são os covers do Pink Lady e da Bonnie Pink: A produção mais pesada no rock de “Heaven’s Kitchen” é extremamente cativante, e ela transformando a caótica “UFO” em uma classuda e sexy midtempo jazz é genial e mostra que ainda podemos chamar a Kumi de artista. Também gosto de “TOKIO” e até a música de natal tem seu charme, e o único cover mais dispensável para mim é o de “PIECE OF MY WISH” que é só uma baladinha no piano e violino como qualquer outra.
No final, UNICORN é um álbum OK que ela lançou basicamente com a finalidade ter material novo para sair em turnê. Pouca coisa nesse álbum acaba sendo essencial ou algo que eu precise ouvir mais vezes, mas também penso que dava para ser pior. Como alguém que acompanha a Koda Kumi há muito tempo, acho que as únicas possibilidades dela impressionar mesmo com um álbum são com um álbum de covers (Porque ela mostrou aqui que ainda é muito boa reinterpretando clássicos da música japonesa) ou com um álbum que siga uma sonoridade do início ao fim (Ela devia usar o marido roqueiro dela para fazer um álbum de rock logo). Até lá eu faço o que ela quer com álbuns como esse: Pego uma ou duas músicas mais fortes, coloco na minha playlist e sigo em frente até ela lançar um novo álbum e repetirmos o ciclo.
Faixa a Faixa
O álbum começa com a intro “UNICORN”, um interessante porém desnecessário pancadão electropop. Intros para mim funcionam em duas situações: Ou ele introduz a faixa seguinte ou introduz o álbum em si, e “UNICORN” não faz nenhuma dessas coisas. O instrumental poderia render uma faixa completa, mas sabe-se lá o que isso viraria nas mãos de Kodão. “Heaven’s Kitchen” surge com a banda rasgando tudo e introduzindo um rockzão mais intenso que a música original da Bonnie Pink. Kodão tira a essência mais indie noventista da música original e deixando apenas o rock, em uma versão mais dinâmica e recheada na produção e nos vocais mais emocionados da Kumi, o que é um caminho mais seguro e interessante.
Então chegamos a “Vroom”, que você ouve e pensa “UAU” de todos os jeitos negativos possíveis. A tia kpopper pode ter dado um descanso mas Kumi ainda quer que você saiba que ela é a gostosa mais fodona do Japão, o que acaba sendo algo terrível num combo de sintetizadores intoleráveis, processadores questionáveis e o escolha de vocais e screamo sem nenhum sentido. As coisas voltam a fazer sentido no cover de “TOKIO”, do Kenji Sawada, que mostra o bom gosto da Kumi em reinterpretar músicas que já existem transformando a música original (uma mistura de elementos pop, rock e jazz com um ou outro elemento retrofuturista) em um adorável e refrescante pop de verão que seria um ótimo single com ela pagando calcinha no verão japonês em outros tempos. Não é o meu cover favorito do álbum, mas é muito interessante ver que a Koda tem ideias muito legais quando pensa em refazer as coisas dos outros para deixar a cara dela. “TOKIO” é uma música com a cara da Kumi, sem qualquer associação com a original.
“Silence” é uma baladinha no piano, e isso já diz tudo. Atualmente as baladas da Kumi são coisas tão sem diferencial que com 30 segundos de música eu já penso “Ok, vamos pro próximo”. É uma bonita balada e é sempre bom apreciar os vocais dela, mas ela tem umas 150 músicas assim. E aí chegamos em “UFO”, o cover do Pink Lady onde ela viu o caótico popzão disco da música original e pensou “Hum, e que tal eu transformar essa música em uma DOWNTEMPO JAZZ?”. De novo, é impressionante ver como as ideias dos covers são empolgantes e fora da caixa para o que a Koda costuma entregar enquanto as músicas dela mesmo são as mesmas presepadas de sempre. E “UFO” ficou MUITO boa assim, o jeitinho sexy e sutil dando uma suavidade excitante para a música. Chique, elegante e refinada de um jeito que a gente não via a Koda fazendo em MUITO tempo.
“We are FIGHTERS” é a música cheer up mais morta que eu já ouvi. Ela canta coisas como “Bota as mãos pro alto. Put’em up put’em up nós somos LUTADORAS” para aumentar a energia do álbum mas o instrumental é tão lerdo e cansado que faz a própria Kumi parecer cansada cantando isso. Essa música poderia seguir a linha mais unserious que ela já fez em músicas como “Sure shot” e “k,”, pelo menos seria mais divertido de ouvir. “Trust Last -TYPE K-” é um rockish com pegada mais dark e performática que não é exatamente uma novidade na vida da Kumi mas ela sempre manda bem cantando. Urge a necessidade de Kodão focar em entregar o maior álbum de rock de todos os tempos, mas isso não vai acontecer NUNCA e sabemos disso. O cover de “PIECE OF MY WISH” da Miki Imai é o único erro dos covers, onde ela tira toda a inocência e pureza da baladinha noventista original para a música virar outra baladinha voz e piano. Mesma situação de “Silence” sem tirar nem pôr.
“Tooi Machi no Dokoka de…” é uma música de natal tanto na versão original da Nakayama Miko quanto na versão da Kumi, só que um pouco menos city pop no cover (Bem pouco, esse é o cover mais fiel da original nesse álbum). Acho que a ideia aqui era dar uma limpada nos sintetizadores mais marcantes e deixar a música com mais cara de música natalina atual, mas faltou avisar para a nossa diva que city pop é cult e trending entre os jovens mais alternativos e que ela podia trazer toda a cafonice que um city pop de natal pode ter pois o pessoal ia adorar. Mas tudo bem, o charme se manteve e a música ficou bonitinha assim também. Fechando o álbum temos “Let’s fight for love!”, que é basicamente uma cópia mais sem graça do que ela fez em “IS THIS TRAP?” na década passada.
Concluindo…
Com 25 anos de carreira e 19 álbuns de estúdio, é natural a fonte secar e esses “álbuns para sair em tour” ficarem mais comuns. Mas os covers mostraram que ainda tem coisa que a Koda Kumi pode explorar em termos de sonoridade e construção de álbum, ela só está estagnada nesse piloto automático por ser a opção mais fácil mesmo.
“Com isso em mente, fiquei surpreso pelo UNICORN ser um álbum tão enxuto. Só 10 músicas e 1 intro? Sem um outro álbum de 10 músicas e 1 intro acompanhando?”
Isso realmente é uma surpresa. Ela colocar 10 faixas completas no álbum ainda vai, mas nos tempos áureos ela faria questão de incluir também umas 3 intros, 7 interludes, 2 intros para alguns dos interludes, e 2 outros (com nenhum deles contribuindo em nada para a coesão do álbum). Acho que nesses tempos de vacas magras, a avex deve estar podando as ideias megalomaníacas da Kumiko (mas ainda deixa ela enfiar todos os estilos musicais possíveis nos álbuns).
Ela é a do “baixou o nível” né?
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk(é
A própria.
Na primeira metade dos anos 2000, ela fez muito sucesso, sendo praticamente a Anitta japonesa (com a diferença de cantar muito bem, dançar muito bem e fazer ótimos shows, mas idêntica em relação à piranhagem e aos álbuns sem qualquer coesão). Depois da fala sem noção sobre o líquido amniótico, a carreira dela despencou, e depois de virar mãe, ela reduziu bastante a piranhagem nas músicas, clipes e shows.
A discografia da Kumiko, apesar de ser uma bagunça, tem várias músicas incríveis (não à toa, eu considero ela uma das quatro imperatrizes do J-pop, junto com Ayumi Hamasaki, Hikaru Utada e Namie Amuro). Pra conhecer mais dela, recomendo ouvir/assistir:
Entre MUITAS outras (digamos que quando ela estava no auge, a mulher floodava single atrás de single, álbum atrás de álbum, e já chegou até a fazer duas turnês AO MESMO TEMPO)…
Eu conheci uma música dela (quer dizer eu acho que é dela da última vez que eu fui nas divas jpop eu errei a que canta “Last Minute”) por causa da NingNing, acho que é Run o nome
Se for a “Run” que eu estou pensando, essa é da fase evangélica dela…
(brincadeira, mas é um baladão de um projeto duplo em que ela lançou dois EPs, um do lado “anjo” com músicas fofinhas e baladões, e outro do lado “monstro” com traps e hip-hops – a “Run” que eu estou pensando fica no lado “anjo”)
Os dois lados de Koda Kumi
Pior que por vários anos a Kumiko realmente adorava enfatizar os “dois lados” dela; já teve o álbum duplo W Face Inside / W Face Outside, os álbuns AND e DNA… já teve até o SINGLE duplo “Yume no Uta” e “Futari de…”, onde as duas músicas têm A MESMA MELODIA mas com letras e arranjos diferentes; uma ficou uma balada bem impactante e orquestrada, enquanto a outra ficou parecendo aquelas baladinhas xexelentas que a Jennifer Lopez lançava nos anos 2000.
eu penso assim….que poderia ser pior